Resenha de O Eleito de Thomas Mann

Capa do livro publicado pela Companhia das Letras

Como dito no post anterior, a minha leitura de Édipo Rei de Sófocles foi inspirada em outro livro, sendo este O Eleito de Thomas Mann.

Ao contrário de A montanha mágica, que nos apresenta uma narrativa mais densa e profunda em razão do seu tema principal, em O Eleito, nós encontramos uma leitura leve, fluída e muito bem construída.

Inclusive, indico esta novela para você que quer começar a ter contato com a obra de Thomas Mann, bem como com a literatura alemã.

Adianto, que nesta história, narrada por um monge possuído pelo espírito da narrativa, nós nos deparamos com aventura, ação, reinos distantes, cavaleiros, donzelas em perigo, pecados, segredos escondidos e revelados e milagres sendo operados… (fique tranquilo caro leitor, a história tem tudo isso, mas é bem equilibrada e o resultado da obra é surpreendente). Caso tenha ficado curioso, segue um pouco do enredo. 

A novela é narrada pelo monge beneditino Clemens, que abdicou de seu nome de origem, Morhold, por ser muito “selvagem e pagão”. Pois muito bem, segundo Clemens, ele é somente um instrumento pelo qual “o espírito da narrativa”, nos contará esta história.

Tudo se inicia com o Duque de Flandres e Artois, que preside o feudo do alto castelo de Belrapeire, onde nascem seus filhos gêmeos Víliguis e Sibilla.

Com  a morte da mãe durante o parto, as crianças são criadas pelo pai e Duque Grimaldo. Mas, a criação é, digamos, peculiar, pois os irmãos são educados como se não existisse ninguém à altura deles, a não ser eles mesmos. Logo, devido a esta educação, é que dá início ao imbróglio.

Na noite da morte do pai, os irmãos cometem o incesto, já que somente os dois eram perfeitos um para o outro. Deste ato, Sibilla fica grávida e ambos, ficam desesperados e pedem ajuda a um conselheiro do reino, o Sr. Choraferro, no qual se é determinado que Sibilla dará a luz a criança sob sua proteção e Víliguis sairá em peregrinação ao Santo Sepulcro para a purgação dos pecados, morrendo no meio do caminho.

Quando a criança nasce, o mesmo é posto em um barrilzinho e jogado ao mar à própria sorte. Além do bebê, havia dentro do barril dinheiro escondido dentro de pães, tecido nobres que envolviam a criança e uma placa de marfim ornada em ouro e pedras preciosas, onde a mãe registrou sua história e origem nobre.

O barrilzinho é resgatado por dois pescadores na ilha de São Dunstan, onde fica o mosteiro Agonia Dei e a vila de pescadores, local onde a criança será criada e batizada pelo abade Gregorius, da Ordem Cistercience, que lhe dá o seu nome.

A criança Gregorius se torna um jovem muito educado, inteligente, bondoso e muito bonito. Todavia, o mesmo descobre sua verdadeira origem da pior forma, isto é, sua mãe de criação, ao vê-lo numa briga com o seu filho biológico revela que Gregorius não é seu filho. 

O menino se sente perdido e enganado, logo, seu padrinho, o abade, revela sua verdadeira história e lhe entrega a tábua de marfim. E aqui, nós temos o ponto inicial da história como novela de cavalaria, pois ao descobrir sua verdadeira origem, Gregorius decide se tornar um cavaleiro andante.

O jovem parte em busca de seu destino e acaba chegando em Bruges, capital do feudo de Flandres e Artois, local em que a duquesa Sibilla reside. 

Ao chegar no local, Gregorius toma conhecimento do assédio sofrido pela duquesa que repudia a mão de um pretendente e este, devido a rejeição da mesma dá início a intitulada Guerra do Amor.

Por ser um cavaleiro andante, Gregorius oferece seus serviços a Duquesa, a fim de defender a sua honra e seu reino. O nosso cavaleiro sai vitorioso da batalha, põe fim à Guerra e ainda se casa com Sibilla.

É deste trecho que temos como ponto comum a história de Édipo Rei e O Eleito e é também a partir deste momento que deixarei você meu caro leitor, com a pulga atrás da orelha para saber o que aconteceu a seguir e consequentemente, o desfecho dessa novela maravilhosa.

Indico muito a leitura deste livro, bem como fica a dica de um autor alemão que não nos decepciona com as suas obras!!

Já leu este livro ou outro do Thomas Mann??

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Um beijo e até o próximo post!!

Resenha de Édipo Rei de Sófocles

Capa do livro publicado pela Editora Zahar

Dei início a leitura desta tragédia grega, tendo em vista outro livro que eu quero muito ler e que em alguns aspectos lembra a narrativa de Édipo Rei.

Tem algum palpite da minha próxima leitura???

Compartilha aqui nos comentários!!!

Pois muito bem, adquiri esta edição da Editora Zahar, que conta com a tradução feita diretamente do grego por Mario da Gama Kury (tida como a tradução mais acessível em termos de linguagem e interpretação textual) e apresentação da Professora de língua e literatura grega da Universidade de São Paulo, Adriane da Silva Duarte.

Saliento que há um vídeo no Youtube da Univesp sobre este livro com comentários da Professora Adriane, na qual eu recomendo dar uma olhadinha!

Antes de falar do enredo da peça, deixo aqui alguns apontamentos sobre certos termos teatrais presentes na tragédia:

Prólogo: a primeira parte da tragédia, em forma de diálogo entre personagens ou monólogo, na qual se fazia a exposição do tema da tragédia.

Párodo: o momento que corresponde à entrada do coro. Cada uma das passagens laterais junto ao palco, num teatro grego.

Estásimo: cada uma das odes cantadas pelo coro, entre dois episódios.

Êxodo: o episódio que finaliza a tragédia.

Corifeu: tido como o chefe do coro, aquele que enunciava partes isoladas do texto e que podia dialogar com os atores.

Coro: é um grupo homogêneo, não-individualizado de artistas das peças de teatro da Grécia clássica, que comentam com uma voz coletiva a ação dramática que ocorrendo durante espetáculo.

Para quem não sabe, a peça foi escrita por Sófocles, considerado o segundo na tríade dos tragediógrafos gregos, juntamente com Ésquilo e Eurípides. Além disso, é um dos poetas mais citados na poética de Aristóteles.

Nascido em 496 a.C. em Colono, distrito de Atenas e morto em 406 a.C. Durante sua vida, Sófocles serviu sua cidade ocupando cargos de tesoureiro, chefe militar e conselheiro. Ademais, participou da vida religiosa do distrito, introduzindo o culto a Asclépio, filho de Apolo, o possuidor do dom da cura.

Com relação a seu papel no teatro grego, Sófocles foi muito bem-sucedido e no que tange a Édipo, nós temos a chamada trilogia tebana, que compreende Édipo Rei, Antígona e Édipo em Colono.

Ainda sobre o autor, seguem abaixo, os comentários feitos por Otto Maria Carpeaux, no volume I do livro A história da literatura ocidental, página 203 a 204:

Sófocles representa a tentativa de mediar entre os extremos; e quando a mediação se revelou impossível, o grande poeta trágico cantou uma elegia suave e dolorosa, irresistível, que pareceu à posteridade síntese perfeita. Por isso, Sófocles foi sempre o poeta preferido dos partidários do equilíbrio puramente estético: dos classicistas.

É grandíssimo artista. Artista da palavra, dono de extraordinário lirismo musical, sobretudo nos coros. Mas foi também artista da cena, sábio calculador dos efeitos, mestre incomparável da arquitetura dramática, da exposição analítica do enredo. Entre o pathos coletivista de Ésquilo e o pathos individualista de Eurípides, a tragédia semipolítica, semi-sentimental de Édipo revela força superior de emoção; conflito coletivo e conflito individual estão ligados de maneira tão íntima que o efeito se torna independente de todas as circunstâncias exteriores, efeito permanente.

No que tange ao enredo da peça, nós temos a tragédia de Édipo condenado à morte quando ainda era um bebê devido a uma profecia, na qual aduzia que o mesmo mataria seu pai, o Rei Laio e desposaria sua própria mãe, a Rainha Jocasta.

Diante desta prenunciação do futuro, o Rei Laio convoca um pastor para se livrar de Édipo. A ideia era manter os pés da criança amarrados e deixá-lo pendurado em uma árvore para ser comido por animais.

Contudo, o pastor designado não consegue realizar a ordem dada e acaba doando a criança para outra pessoa. Esta pessoa é um serviçal do Rei de Corinto, que cria Édipo como filho.

Muitos anos após o ocorrido, Édipo toma ciência da profecia acima, razão pela qual, nosso protagonista abandona a cidade de Corinto em direção a Tebas.

Todavia, no meio do caminho, mais precisamente em uma encruzilhada, ele encontra com seu próprio pai, o Rei Laio e seus serviçais, e acaba os mantando (restando somente um que conseguiu escapar do massacre), cumprindo assim a primeira parte da profecia.

Seguindo sem rumo, chega às portas de Tebas, onde a Esfinge propõe-lhe a resolução de um enigma caso a resposta esteja errada, o mesmo deverá pagar com a sua vida.

Para a tristeza da Esfinge, Édipo responde corretamente o enigma, salvado a sua vida e a de todos da cidade. Como recompensa por sua coragem e astúcia, recebe de Creonte (seu tio e irmão de sua mãe), o título de rei e a mão de Jocasta, viúva de Laio, cumprindo assim, a profecia.

Após um período de bonança, uma peste terrível assola a cidade tebana e é com esta cena que se inicia a peça de Édipo Rei. Após consulta ao oráculo de Delfos, Creonte diz ao Rei que, para livrar a cidade da peste avassaladora, é preciso encontrar e punir o assassino de Laio.

Édipo diz aos tebanos que o criminoso será encontrado, banido e amaldiçoado para sempre. O cego Tirésias, chamado para ajudar nas investigações, diz a Édipo que o assassino está mais perto do que ele imagina. Neste momento, o rei se lembra então da antiga profecia que o fez sair de Corinto e teme ter fracassado na tentativa de se opor ao seu próprio destino.

Mas como toda a tragédia, a de Édipo não acaba por aí, neste meio tempo, chega um mensageiro de Corinto informando a morte de Políbio, de quem Édipo não era filho legítimo, como dito anteriormente.

Quase ao mesmo tempo, aparece o homem que compunha a comitiva de Laio, o único que conseguiu escapar, no dia em que este foi morto. Trata-se do mesmo pastor que abandonou o bebê no monte Citerão. Aquela criança está agora diante dele e é o rei de Tebas e assassino do Reio Laio, seu próprio pai.

Com toda a revelação, a Rainha Jocasta comete o suicídio e Édipo renuncia ao trono e fura os próprios olhos diante da enormidade de sofrimentos por ele causados.

Nota-se, que assim como discutido em Macbeth, acerca de profecias e livre arbítrio, acredito que podemos estender os temas também para a tragédia de Édipo.

Aqui, mesmo que as consequências dos atos não tenham sido motivadas por Édipo, fica a indagação inerente a possibilidade ou impossibilidade de mudar o seu próprio destino. Mesmo com o cumprimento da profecia, como será que Édipo encontrou a redenção, caso a tenha encontrado?

A resposta desta última pergunta encontra-se na continuação da história do nosso protagonista em Antígona (uma das filhas/irmã de Édipo…loucura não?!?) e finalizando em Édipo em Colono.

Já leu esta tragédia grega, bem como sua continuação?

Um beijo e até o próximo post!

Resenha de Macbeth de William Shakespeare

Box da Nova Fronteira e texto de apoio

Oitavo livro da lista do Projeto Reeducação do Imaginário e a segunda peça lida, para o projeto, de William Shakespeare.

Aqui não trarei o tópico “sobre o autor”, pois eu falei um pouco sobre ele na resenha de Otelo, cuja leitura eu recomendo bastante!!

SOBRE A EDIÇÃO

A edição pela qual eu fiz a leitura foi lançada em 2017 pela Editora Nova Fronteira, com a tradução feita por Barbara Heliodora, uma das maiores estudiosas da obra do dramaturgo aqui no Brasil.

Também utilizei como texto de apoio, o livro escrito por Harold Bloom em 1998 e publicado pela Editora Riverhead Books, intitulado em inglês como Shakespeare – The invention of the human.

Pelo que pude pesquisar, este livro já foi traduzido para o português, mas não há mais nenhuma reedição do mesmo, logo, caso você tenha o hábito de ler em inglês ou queira adquirir tal costume, está aí uma boa pedida de livro!

SOBRE A OBRA

A peça mais curta escrita pelo dramaturgo entre 1603 e 1607, tendo como sua principal fonte para a elaboração do enredo As Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda, Histórias das Ilhas britânicas da época de Shakespeare, bem como os escritos do filósofo escocês Hector Boece.

Foi uma das peças mais cobradas nas escolas norte-americanas, bem como uma das peças mais encenadas, tanto no teatro (inclusive no Brasil) quanto no cinema. Aqui eu recomendo a adaptação de 2015 protagonizada por Michael Fassbender e Marion Cottilard, disponível para locação no Google Play.

SOBRE O ENREDO

A história se passa na Escócia, na qual já no primeiro ato da peça, nós nos deparamos com três bruxas (the weird sisters), planejando quando elas se encontrarão com Macbeth. Já na cena seguinte, nós estamos diante do Rei Duncan da Escócia, recebendo a notícia de que seus generais Banquo e Macbeth derrotaram o exército aliado da Noruega e Irlanda, lideradas por Macdonwald.

Mudando novamente de cenário, a peça volta para Macbeth e Banquo e o encontro deles com as três bruxas, que lhe dizem em tom profético que Macbeth será proclamado Conde de Cowdor e sucessivamente Rei, bem como Banquo dará origem a uma linhagem de Reis, mas não será um rei.

Os dois generais ficam maravilhados e espantados com tal profecia e logo em seguida, um mensageiro do Rei Duncan dirige-se a Macbeth informando que devido a sua bravura na batalha contra os inimigos, ele recebeu o título de Conde de Cowdor, concretizando assim, uma parte da profecia. E, é neste momento, que se tem início a ambição de nosso protagonista pela Coroa da Escócia.

Devido a profecia e a ambição, Macbeth informa a sua esposa que o Rei Duncan ficará hospedado em sua residência. E, é nesta oportunidade, que Lady Macbeth elabora o plano para matar o Rei, a fim de que seu marido assuma o trono.

Inicialmente, Macbeth não quer cometer o crime (homicídio e regicídio), mas Lady Macbeth consegue persuadi-lo e nosso protagonista acaba matando Duncan com seu punhal. Macbeth fica tão transtornado com o que acabou de fazer que sua esposa tem que tirar-lhe o punhal das mãos e deixar a cena armada para a incriminação dos criados do Rei adormecidos pela bebedeira da noite anterior (houve uma celebração pela vitória na guerra e recepção do Rei).

Na manhã seguinte ao crime, chegam ao local o nobre escocês Lennox e o Conde de Fife, Macduff. Macbeth os encaminha aos aposentos de Duncan e todos se deparam com seu corpo ensanguentado e sem vida. 

Demonstrando uma fúria ensaiada, Macbeth mata os supostos assassinos do Rei, antes que estes possam provar sua inocência. Com a morte de Duncan, seus herdeiros Malcolm e Donalbain fogem, tornando-se suspeitos de encomendarem a morte do próprio pai e Macbeth assume o trono como o novo Rei da Escócia.

Todavia, a ambição de Macbeth, bem como o início de seu declínio, não parou na morte de Duncan, tendo em vista a existência da profecia dita a Banquo. Logo, para resolver tal celeuma, nosso protagonista organiza um banquete e descobre que Banquo e seu filho Fleance estão planejando fugir durante o evento.

Então, Macbeth chama dois capangas para matar Banquo e seu filho, mas apesar da morte deste, seu filho consegue escapar. E, é aqui que nós presenciamos a loucura de Macbeth, quando este, no meio do Banquete, vê o fantasma de Banquo.

Nosso protagonista fica furioso com o espectro a sua frente, mas somente ele o vê, o que deixa todos ao seu redor atônitos com o comportamento de seu Rei. Diante de tal situação, Lady Macbeth manda todos os presentes embora e fica também ressabiada com as atitudes de seu esposo.

Macbeth encontra mais uma vez as três bruxas e estas lhe dizem as seguintes profecias:

1ª Aparição: Macbeth! Macbeth! Cuidado com Macduff! Cuidado com o Thane (Conde) de Fife. Já basta.

2ª Aparição: Sê ousado, sangrento e resoluto: Ri dos homens, pois ninguém parido por mulher fere Macbeth.

3ª Aparição: Com bravo orgulho de leão ignora quem chora, quem reclama, quem conspira: Macbeth jamais será vencido enquanto a floresta de Birnam não subir contra ele em Dunsinane.

Direcionado pelas profecias, Macbeth ordena a morte de Lady Macduff e seus filhos, tendo em vista a fuga de Macduff. Aqui faço a ressalva que a morte das crianças é uma das cenas mais tristes da peça, bem como no filme indicado anteriormente.

Devido a ambição e a loucura, Macbeth não percebe que sua esposa se sente também atormentada pelos crimes que os dois arquitetaram e executaram, desencadeando assim a sua morte, que apesar de não ser dita como aconteceu, nos leva a crer que foi suicídio.

E, nesta cena, nós temos o famoso diálogo consigo mesmo (solilóquio) de Macbeth sobre a morte de sua esposa:

“Ela devia só morrer mais tarde;

Haveria um momento para isso.

Amanhã, e amanhã, e ainda amanhã

Arrastam nesse passo o dia a dia

Até o fim do tempo pré-notado.

E todo ontem conduziu os tolos

À via em pó da morte. Apaga, vela!

A vida é só uma sombra: um mau ator

Que grita e se debate pelo palco,

Depois é esquecido; é uma história

Que conta o idiota, todo o som e fúria*

Sem querer dizer nada.”

*(o título da obra O som e a fúria de William Faulkner foi inspirado neste trecho do solilóquio de Macbeth).

Com a morte de sua esposa, Macbeth enfrentará sozinho a fúria e a vingança de Macduff pela morte de sua família, bem como Malcolm, filho de Duncan. Ambos estão retornando para a Escócia, a fim de libertar o reino da tirania e loucura de Macbeth.

O plano do exército, que está acampado em Birnam, é cortar e carregar todos os troncos de madeira que puderem para camuflar o número de soldados (uma das profecias das bruxas) dispostos na floresta até cercar todo o reino.

E por fim, a grande batalha entre Macbeth e Macduff. Nosso protagonista se sente seguro de sua vitória, pois segundo a profecia, ele não poder ser morto por nenhum homem que tenha nascido de uma mulher.

Contudo, Macbeth não contava com o plot tiwist que estava por vir, qual seja, que Macduff informa ao seu oponente que este foi “rasgado do útero de sua mãe antes do tempo” (nasceu por meio de uma cesariana), pois sua mãe morreu durante o parto, logo, ele nasceu do ventre de um cadáver.

Macbeth percebe tardiamente, que as três bruxas o enganaram e acaba sendo morto por Macduff, cumprindo assim, a última das profecias.

Com a morte de Macbeth, Malcolm é coroado Rei da Escócia. Quanto a Fleance, era conhecido pelo público contemporâneo de Shakespeare que o Rei James I da Inglaterra era, supostamente, um dos descendentes de Banquo.

SOBRE MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DA OBRA AO PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

Confesso que a minha peça favorita continua sendo Otelo, mas dá para entender a importância desta obra como um todo. Com a leitura do livro do Harold Bloom sobre Macbeth, pude verificar alguns elementos bem interessantes da narrativa:

  • CARÁTER IMAGINÁRIO DO PROTAGONISTA

Macbeth pode ser visto como um dos mais azarados protagonistas shakesperianos, precisamente porque ele é o mais imaginativo. Esta peça é considerada como uma tragédia da imaginação. Apesar de proclamar triunfalmente “o tempo é livre”, quando Macbeth é morto, as reverberações, das quais não conseguimos escapar quando nós deixamos o teatro ou fechamos o livro tem um pequeno “você tem que fazer tal coisa” com a nossa liberdade.

Enquanto outros vilões shakesperianos se deliciam com suas maldades, Macbeth sofre intensamente por saber que o que ele faz é mal, e ele continua a fazendo cada vez pior. Logo, Macbeth nos assusta em parte por causa do aspecto da nossa própria imaginação que é assustadora, como se nos tornássemos assassinos, ladrões, usurpadores e sequestradores.

De todas as peças de Shakespeare, Macbeth é a “tragédia do sangue”, não por causa dos assassinatos, mas pelas implicações da imaginação sangrenta de Macbeth. O usurpador Macbeth muda na consistente fantasmagórica do sangue, tendo em vista que tal elemento é o constituinte principal de sua imaginação (sempre sua coerência imaginativa supera a sua confusão cognitiva).

  • A RELAÇÃO DE MACBETH E LADY MACBETH

A sublimidade de Macbeth e Lady Macbeth é opressora: eles são persuasivos e profundamente apaixonados um pelo outro. Sem dúvida, superando a ironia presente de Shakespeare, eles são o casal mais feliz de todo o seu trabalho.

A usurpação de Duncan transcende a política do reino. A natureza de Macbeth é vigorosamente violada por ele próprio, mas ele aprende que assim que ele começa a violação, ele se recusa a seguir Lady Macbeth através de sua loucura e suicídio.

Shakespeare não nos disse o motivo pelo qual Macbeth e sua esposa não possuírem filhos. Apenas comenta de uma criança enferma que morreu. Freud, aduz que a maldição sem filhos de Macbeth é uma das motivações do nosso protagonista para os assassinatos e a usurpação.

Apesar de Shakespeare ter deixado este assunto incerto, é um pouco difícil de imaginar Macbeth como pai, quando ele é, em um primeiro momento, profundamente dependente de Lady Macbeth. Conforme ela vai enlouquecendo, ela parece muito mais como uma mãe para Macbeth do que como sua esposa.

  • SOBRE A AMBIENTAÇÃO

Macbeth é muito mais uma peça noturna, como se a noite tivesse usurpado o dia, a Escócia é mais mitológica que a atual nação que o patrono de Shakespeare emergiu (Rei James I).

  • COMPARAÇÃO COM OUTRAS OBRAS DA LITERATURA CLÁSSICA

Harold Bloom compara o Capitão Ahab de Moby Dick com Macbeth, aduzindo que ambos são assassinos, mas Macbeth também é usurpador. Você pode conferir a resenha aqui do blog sobre o livro escrito por Herman Melville.

Também há a comparação dos culpados imaginários que nós compartilhamos em Macbeth com o dilema vivido em O médico em o monstro de Stevenson. Também temos resenha para esta obra aqui no blog.

Informo que em ambas as obras, eu vi a comparação como oportuna e bem pontuada pelo autor.

  • INDICAÇÃO NO PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

Apesar da violência presente em Macbeth, esta peça consegue ser mais íntima de nós leitores. Harold Bloom argumenta que nos identificamos com esta peça, porque nós também temos a sensação de que estamos violando a nossa própria natureza, como Macbeth faz.

O enredo da peça nos faz refletir sobre o próprio comportamento humano como a ganância, o egoísmo, a culpa, traição, trapaça e até mesmo a consciência sobre o certo e errado.

Também há outros questionamentos que podem ser facilmente levantados, quais sejam: nós temos a capacidade de mudar o nosso destino? De mudar o que já está traçado por uma profecia, como no caso de Macbeth? Haveria a possibilidade de Macbeth se tornar rei sem ter cometido o crime contra Duncan? Até onde vai o nosso livre-arbítrio?

Caso você tenha as repostas para as perguntas acima, compartilha aqui no comentário!!

Um beijo e até o próximo post!!

Resenha do livro 1984 de George Orwell

Capa do livro publicado pelo Editora Antofágica em 2021

Aproveitei a promoção do E-book desta obra, lançada pela Editora Antofágica este ano na Amazon (pasmem… eu paguei R$ 0,25!!!), e confesso que foi o dinheiro mais bem investido em um livro e abaixo eu te mostro o porquê.

A história tem como pano de fundo um mundo dividido em Euroásia, Lestásia e Oceania, sendo nesta localizada uma Londres totalitária, denominada no livro como Pista nº 1.

É através deste “universo” que nos é apresentado como protagonista Winston Smith, um funcionário público que trabalha no Ministério da Verdade, reeditando notícias do The Times e destruindo, através de um tubo pneumático, todas as evidências que apontam para o contrário do que será reeditado.

Deixo abaixo, algumas ilustrações feitas por Rafael Coutinho que nos mostram de forma fiel, o mundo em que vivia o nosso protagonista:

A forma que o autor descreve a rotina de Winston, tanto no trabalho quanto em casa, é cristalina e nos faz vislumbrar uma vida ligada no piloto automático ou até mesmo uma vida em que não se pode sair pela tangente em nenhum momento.

De início, Winston nos parece indiferente a tudo o que está ao seu redor, isto é, não demonstra nenhum sentimento de revolta contra o regime totalitário do Grande Irmão, contra a ideologia pregada pelo Partido, qual seja, a Ingsoc, contra as pessoas, principalmente durante os Minutos de Ódio (ataques ao traidor do regime Emmanuel Goldstein). 

Conforme a narrativa evolui, vemos que Winston não concorda com o regime imposto, mas não tem forças para lutar contra o sistema, logo, só lhe resta desabafar em seu diário o que ele realmente pensa e escondê-lo para não ser preso por seus pensamentos.

Todavia, este sentimento de ódio ao Grande Irmão virá à tona através das personagens O’Brien (membro do Partido Interno, no qual Winston vê uma certa cumplicidade de pensamentos contra o sistema) e de Julia, que se torna amante do nosso protagonista.

No que tange a relação com Julia, tal relacionamento não é permitido, tendo em vista que Winston é divorciado e relações sexuais são vistas como crime pelo Partido. 

Nota-se, portanto, que o regime e ideologia do Grande Irmão tem como objetivo controlar a vida das pessoas, através da Teletela, seus pensamentos, bem como controlar a forma como elas se comunicam.

Esse controle de comunicação é feito através da Novilíngua, um idioma capaz de exterminar qualquer expressão contrária aos ideais do Partido. Aqui, ressalto a palavra “duplipensar” que significa acreditar em duas ideias opostas e aceitar ambas, cito como exemplo o nome do Ministério, no qual Winston trabalha, o da Verdade: retificação de notícias através de mentiras impostas como verdades absolutas pelo Partido. 

Ao pesquisar sobre a obra e sobre o autor, vi que o livro foi escrito em um momento conturbado da vida de George Orwell (seu nome de batismo era Eric Arthur Blair), o mesmo tinha acabado de se tornar viúvo, pai solteiro, sofria de tuberculose (falecendo da doença em janeiro de 1950), bem como vivenciava há um bom tempo a Guerra ao seu redor.

Logo, o romance 1984 pode ser visto como uma metáfora sobre o poder, já que para o autor, o objetivo de qualquer Guerra não é vencer o inimigo ou defender uma causa, mas sim, manter o poder nas mãos das mesmas pessoas que provocaram o evento bélico.

Com a Guerra, nós limitamos o acesso à educação, à cultura e a vida dos cidadãos. Daí, vem o lema do Partido e ideologia do Grande Irmão “guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força.

Ademais, acredito que poucos autores conseguiram descrever de uma forma tão real a tortura sofrida por Winston e todos aqueles que foram “condenados” como opositores ao Regime do Grande Irmão. Aqui fica a ressalva da cena da tortura com os ratos que é de arrepiar só de lembrar.

A leitura deste livro é envolvente, fluída, incômoda e profética, sendo esta última característica dita no sentido comparativo com os dias de hoje, isto é, como a tecnologia pode tirar de você a sua privacidade ou até mesmo intervir na forma de pensar, um exemplo claro são as Fake News

Há também quem diga, e de certa forma eu também concordo, que a tecnologia serviu também para exibir a sua privacidade nas redes sociais e em outros meios de comunicação, utilizando esta forma como captação de público para a venda de uma imagem ou produto, como é o caso do Instagram, Facebook e até mesmo o programa Big Brother (idealizador do programa John de Mol, jura de pé junto que não se inspirou na personagem do livro 1984 para dar nome ao reality show).

Saliento que há duas adaptações para o cinema inspiradas no livro, sendo a primeira lançada em 1956 (você encontra facilmente no Youtube para assistir), bem como uma lançada coincidentemente (ou não), em 1984:

Sinopse: 1984, Londres. O Reino Unido está sob o regime socialista, sendo controlado com mão de ferro pelo partido. Há em todo lugar telas de TV, que servem como os olhos do governo para saber o que os cidadãos fazem. No intuito de controlá-los são exibidas constantemente imagens através destas mesmas telas, relatando as batalhas enfrentadas pela Oceania em outros continentes. Winston Smith (John Hurt) vive sozinho e trabalha para um dos departamentos do governo, manipulando informações de forma que as notícias sejam positivas para a população. Até que, um dia, ele passa a se interessar por uma colega, Julia (Suzanna Hamilton), que o leva até os arredores da cidade. Eles passam a ter um relacionamento, algo proibido pelo partido, que deseja eliminar a libido na população.

Antes de me despedir, informo que ainda este ano farei a leitura de Fahrenheit 451 e admirável mundo novo, que junto com 1984 fazem parte da chamada trilogia distópica. Logo, aguardem…

Por fim, recomendo muito a leitura, e pergunto para quem já leu o livro, se também notou este tom profético de George Orwell.

Um beijo e até o próximo post!!

Resenha da obra O deserto dos tártaros

Capa do livro lançado pela Editora Nova Fronteira

Tida como a obra prima do autor italiano Dino Buzzati, a novela foi publicada em 1940 e no decorrer da leitura vieram à mente, dois outros livros já resenhados aqui no blog, quais sejam A montanha mágica de Thomas Mann e A morte de Ivan Ilitch de Tolstói.

A lembrança das obras acima, veio de um tema principal que interliga tais obras, o tempo, a solidão e a morte.

No deserto dos tártaros, nós conhecemos a história de Giovanni Drogo, um militar de vinte anos, convocado para assumir o posto de tenente no Forte Bastiani. Inicialmente, nosso protagonista vê tal oportunidade como a chance de sua vida, tendo em vista que até então dedicou seus anos aos estudos e a academia militar.

Ao chegar em seu destino, Giovanni, não via a hora de pedir transferência para outra guarnição, tendo em vista que ele era jovem e ficando no local ele não iria ter o que idealizava, qual seja, status, dinheiro e belas mulheres. 

Ao falar com o Major Matti, solicitando a transferência, soube que sua estadia teria que ser no mínimo de quatro meses, pois deveria aguardar até o próximo exame médico. Ao chegar tal oportunidade, Giovanni desiste de ir embora e permanece no local na espera dos inimigos (os tártaros) que podem chegar a qualquer momento pelo deserto à frente do Forte.

Devido a permanência no Forte, Giovanni adquiriu com o tempo os hábitos do local e assim sua vida foi seguindo e o nosso protagonista mostra uma certa ilusão com o tempo, ele se enxerga naquele momento com todo o tempo do mundo devido a sua jovialidade.

Aqui eu deixo um dos trechos mais bonitos do livro sobre a ilusão acerca da passagem do tempo:

“Mas a uma certa altura, quase instintivamente, vira-se para trás e vê-se que uma porta foi trancada às nossas costas, fechando o caminho de volta. Então sente-se que alguma coisa mudou, o sol não parece mais imóvel, desloca-se rápido, infelizmente, não dá tempo de olhá-lo, pois já se precipita nos confins do horizonte, percebe-se que as nuvens não estão mais estagnadas nos golfos azuis do céu, fogem, amontoando-se umas sobre as outras, tamanha é sua afoiteza; compreende-se que o tempo passa e que a estrada, um dia, deverá inevitavelmente acabar.

Todavia, a história dá um salto de dois anos, e nada mudou na vida de Giovanni Drogo. No decorrer deste período, só houve um momento em que acharam que os tártaros estavam chegando. 

Todos do Forte, inclusive Giovanni esperavam este momento, o momento de conhecer a glória, de lutar como um herói na guerra contra os tártaros. Contudo, não houve glória, não houve guerra, somente a indiferença com a vida de dois soldados do local.

A narrativa dá mais um salto temporal, agora Giovanni já está há quatro anos no Forte e devido a uma licença, ele retorna para a cidade. No capítulo que narra este retorno, nós vemos que os amigos de Giovanni já estão casados, com seus empregos, sua mãe já está mais velha e Maria, seu amor platônico, está mudada. 

Na verdade, nosso protagonista mudou, no sentido de que não consegue expressar o que sente por Maria e se vê deslocado na cidade, como se fosse um estrangeiro, o que contribui para o seu retorno ao Forte.

Giovanni tenta a sua transferência para a cidade e sofre uma desilusão com relação ao seu serviço. Ao falar com o General, nosso protagonista descobre que houve uma mudança no regulamento do Exército, no qual previa o corte para a metade do quadro de militares do Forte, como houveram muitos pedidos de transferência, principalmente, de seus superiores, o pedido de Drogo foi preterido e o mesmo deveria retornar ao seu posto.

Mesmo o tempo passando, Giovanni ainda tinha esperança de lutar contra o inimigo, tendo em vista que estavam construindo uma estrada no meio do deserto. A construção de tal obra demorou quinze anos, aqui, Giovanni já era capitão e continuava à espera do inimigo e da glória.

No transcorrer do lapso temporal, Drogo refletia sobre a solidão, de não ter constituído uma família, não ter filhos, não ter mais os amigos da cidade e até mesmo no Exército, como foi o caso no Tenente Coronel Ortiz e do Tenente Angustina, restando somente o Forte e a espera pelos tártaros. 

Nessa espera, Giovanni já está com cinquenta e quatro anos, já é major e continua esperando o seu momento de glória na Corporação. Todavia, com a idade, nosso protagonista, desenvolve uma doença hepática que o deixava debilitado e fraco. E foi neste momento, que os inimigos apareceram pela estrada que demorou quinze anos para ser construída e estavam em direção ao Forte.

Giovanni ficou desesperado, pois justo quando os inimigos apareceram ele estava doente e não tinha forças para combater, para ser o herói que ele tanto almejava e esperava ser. E como não tinha serventia para o Exército um oficial neste estado, nosso protagonista foi obrigado a abandonar o Forte e se tratar na cidade.

E essa passagem do livro é uma das mais tristes, pela indiferença dos colegas do Forte, pela perda da chance tão esperada de ser um herói, da solidão e da falta de alguém que realmente o amasse.

É uma obra linda (e ao mesmo tempo triste), atemporal e que nos faz olhar para nós mesmos de uma forma tão tocante, que poucas histórias conseguem. Indico muito a leitura deste livro e dos que eu citei acima!!

Um beijo e até o próximo post!!

Resenha de A morte de Ivan Ilitch

Capa do livro publicado pela Editora Antofágica

Nono livro da lista do Projeto Reeducação do Imaginário. A morte de Ivan Ilitch de Liev Tolstói é leitura obrigatória para quem quer adentrar no universo da literatura russa.

SOBRE O AUTOR

Liev Nikoláievitch Tolstói nasceu no dia 09 de setembro de 1828 em Iásnaia Poliana, propriedade rural da família, filho de uma família nobre, a criação do autor e seus irmãos, após a morte de sua mãe, ficou a cargo de tias paternas e preceptores.

Foi para a Universidade Imperial de Kazan, onde estudou letras orientais e direito, mas desistiu de ambos os cursos em 1847. Ao herdar a propriedade rural em sua cidade natal, o autor dividia seu tempo entre o local e as mesas de jogo em São Petersburgo, onde dizem as más línguas, ele nã tinha tanta sorte.

Tolstói se alistou no exército e combateu durante a Guerra da Crimeia, na cidade de Sevastópol, tendo dado baixa em sua carreira como tenente em 1856.

Em 1852, o autor se casou com Sófia Andrêievna Bers, com quem passou o resto de sua vida. Sua esposa teve um papel fundamental na criação das obras mais conhecidas do autor, sendo elas Guerra e Paz e Ana Karênina, bem como atuou na edição e revisão dos manuscritos do marido. Juntos tiveram treze filhos, sendo que somente oito chegaram a fase adulta.

Apesar do sucesso de crítica e o bom convívio familiar, em 1870, Tolstói apresentou uma crise aguda de depressão, o que o fez perder o sentido nas coisas que produzia. Ao reavaliar sua vida, Tolstói retomou as atividades de sua escola, aliás, Tolstói teve um papel fundamental na educação dos mujiques da região de Iásnaia Poliana, com influência na educação da Rússia.

Tornou-se vegetariano, estudou teologia e seitas cismáticas, bem como passou a questionar frequentemente os dogmas da Igreja Ortodoxa, sendo excomungado no início do século XX. Sua influência era tamanha que o escritor passou a ter discípulos de sua doutrina, chamada toltoísmo.

Contudo, a relação com a família ficou desgastada, principalmente com sua esposa, que não compartilhava das mesmas ideias que seu marido, no que tange a abdicação dos direitos autorais sobre sua obra. Tolstói faleceu em 20 de novembro de 1910 de pneumonia.

Deixo aqui a dica de um vídeo do Youtube sobre a vida do autor feito pela Paloma, do Livros da Paloma, bem como a leitura do texto de apoio desta edição escrita detalhadamente pelo historiador e doutor em literatura russa, Lucas Simone.

SOBRE A EDIÇÃO

A edição pela qual eu fiz a leitura da obra foi a publicada em 2020 pela Editora Antofágica. Trabalho primoroso, em capa dura, com textos de apoio espetaculares de Yuri Al’Hanati, Julián Fuks, Lucas Simone e Maria Julia Kovács, bem como ilustrado por Luciano Feijão que conseguiu captar de forma única a essência desta novela:

SOBRE A OBRA

ATENÇÃO: O TÓPICO A SEGUIR CONTÊM MUITOS SPOILERS

Novela publicada em 1886, na qual a narrativa se inicia com a recepção da notícia da morte, aos quarenta e cinco anos, do magistrado Ivan Ilitch em seu local de trabalho (Câmara de Justiça). De imediato já notamos que seus colegas de profissão não se importaram ou ficaram chateados com sua morte, mas se questionaram sobre quem ocuparia seu cargo no Tribunal: 

“Além das reflexões de cada um a respeito das transferências e possíveis mudanças de destino que aquela morte poderia acarretar, o próprio fato da morte de um conhecido próximo despertou em todos que ficaram sabendo dela, como sempre, uma sensação de alegria por ter morrido o outro, e não eles.”

Com relação a seu funeral, também era cristalino a indiferença das pessoas ali reunidas a respeito de sua morte, principalmente, a posição de sua esposa Praskóvia Fiódorovna em relação ao fato:

“E ela voltou a falar e revelou aquilo que claramente era seu principal assunto com ele (o colega do nosso protagonista no Tribunal presente no velório, Piotr Ivánovitch); que consistia na questão de como poderia obter indenização do governo em caso de morte do marido.

A partir do capítulo II, nós conhecemos o passado, desde a infância de Ivan Ilitch. Sabemos que seu pai era também funcionário público, que tinha mais dois irmãos, o mais velho seguiu os passos do pai e o mais novo era um fracassado que trabalhava nas ferrovias. Toda a família desprezava o irmão mais novo de Ivan.

Nosso protagonista era visto por todos da família, como um gênio e de uma honestidade incorruptível, já que estava no meio termo entre os dois irmãos. Estudou na escola de jurisprudência e se formou com distinção:

“Na escola de jurisprudência, ele já era o que viria a ser depois, ao longo de toda a vida: uma pessoa capaz, alegre, bondosa e sociável, mas que cumpria rigorosamente aquilo que considerava seu dever; e considerava seu dever tudo aquilo que assim consideravam as pessoas que ocupavam os mais altos postos.”

Após cinco anos de trabalho, foi oferecido a Ivan Ilitch um posto de juiz de instrução, no qual o nosso protagonista aceitou de bom grado e sobre esta nova posição há uma passagem no livro muito interessante da visão de mundo de Ivan:

“Mas agora, como juiz de instrução, Ivan Ilitch sentia que todos, sem exceção, até as pessoas mais importantes e cheias de si, estavam em sua mão, e que lhe bastava apenas escrever as devidas palavras no papel timbrado para que alguém importante e cheio de si fosse trazido até ele na condição de réu ou testemunha, e, se ele não quisesse prendê-la, a pessoa deveria permanecer diante dele e responder suas perguntas. ”

O poder fez com que Ivan visse de fato a vida de outro modo, tanto é que em seu novo círculo de amizade, composto por nobres ricos do Poder Judiciário, adotou um tom de insatisfação com o governo, de liberalismo moderado e civismo cortês, ou seja, Ivan passou a viver da forma que ele achava que a sociedade ditava.

Após dois anos como juiz de instrução, Ivan conheceu sua futura esposa, Praskóvia Fiódorovna, que advinha de uma família nobre, de fortuna e as pessoas de seu círculo social aprovavam a união. Logo, nosso protagonista fez aquilo que seria considerado correto pelas pessoas de alto nível, casou-se.

Com a gravidez da esposa, a vida conjugal do casal sofreu uma reviravolta, pois Praskóvia exigia que Ivan cuidasse dela e passou a ofendê-lo toda vez que este descumpria suas exigências. Diante de tal situação, mesmo após o nascimento da criança, Ivan Ilitch se agarrou ao trabalho como sua tábua de salvação, já que seu ofício era a única coisa que se impunha a sua esposa.

Logo, com relação a vida conjugal e familiar, Ivan Ilitch só exigia as conveniências que ela podia lhe proporcionar – o almoço caseiro, a dona de casa, a cama – e, sobretudo, aquela decência nas aparências, que era definida pela opinião pública.

Com o passar dos anos, cada vez mais Ivan concentrou seus esforços, bem como sua vida em seu serviço e cada vez mais deixou sua família de lado:

“No mundo do serviço, concentrava-se, todo o interesse de sua vida. E esse interesse o absorvia. A consciência de seu poder, a possibilidade de arruinar qualquer pessoa que ele quisesse arruinar, a importância, até na aparência, de sua entrada no tribunal e de seus encontros com os subordinados, seu sucesso perante os superiores e os subordinados, e, sobretudo, a maestria que ele podia sentir – tudo isso o alegrava e juntamente com as conversas com os colegas, os almoços e o uíste (jogo de cartas), preenchia sua vida. ”

A vida do nosso protagonista dá um salto de dezessete anos, e durante este período, Ivan agiu da mesma forma, ficando menos com a família e dando mais valor ao seu serviço, ao poder advindo de sua atividade, bem como os ditames sociais.

Mas, Ivan não estava satisfeito somente com isto, ele queria ganhar mais, ter um melhor cargo no Judiciário. Ao conseguir o almejado cargo, cujo salário seria de cinco mil, Ivan ficou extasiado e começou a traçar planos para a nova morada da família. 

Dentre estes planos, estavam como objetivo investir seu tempo e dinheiro na decoração da nova casa. Para ele, seu novo habitat deveria ser primoroso e de primeira linha, mas na realidade, era somente mais do mesmo do que se encontra em todas as casas de pessoas que não eram propriamente ricas, mas que queriam aparentar ser.

Em um destes investimentos, qual seja, nas cortinas da sala, Ivan ao explicar ao tapeceiro como queria que fosse o drapejamento, subiu em uma escada, mas o mesmo tropeçou e caiu, batendo o flanco no puxador de um caixilho. O machucado doeu no momento, mas logo a dor foi embora e sua satisfação com a aparência de sua casa prevaleceu.

Conforme a vida de Ivan Ilitch caminhava, ele passou a se queixar de um gosto estranho na boca e um incômodo no lado esquerdo da barriga. A partir do momento em que estas sensações aumentaram, Ivan começou a ficar mal-humorado, com ele mesmo e com a sua própria família e no meio de todos estes sentimentos de irritação e raiva sua esposa exigiu que Ivan fosse ao médico, a fim de verificar o que de fato era esta dor que ele sentia.

Ao comparecer ao médico, tudo que restou ao Ivan foi uma indecisão de diagnóstico, tendo em vista que ora eram os rins soltos ou uma doença cecal, na qual ambas não comprometiam com a sua vida. Ivan sentia, que aquele diagnóstico não estava certo, pois ele sabia o que ele estava sentindo. Ao começar a tomar os remédios, nosso protagonista viu que sua dor não diminuía, mas mesmo assim se obrigava a pensar que estava se sentindo melhor.

Mesmo diante da dor de Ivan, sua família não o compreendia, ficavam até desgostosos com suas exigências e aborrecimentos, bem como o culpavam alegando que sua aflição estava ligada ao fato de não conseguir cumprir estritamente as prescrições médicas. E assim Ivan tinha que viver, à beira da morte, sozinho e sem ninguém que o compreendesse e tivesse pena dele.

Conforme a dor não passava, aliás, só aumentava Ivan começou a entrar em desespero, pois percebia que estava morrendo, mas não conseguia entender ou não aceitava aquele destino.

Contudo, a doença era cruel com o nosso protagonista, que dormia cada vez menos e se tornava mais depende de ópio e morfina para a dor, bem como da ajuda do mujique doméstico Guerássim.

Aqui eu faço a ressalva sobre Guerássim, acredito que a empatia de Ivan pelo mujique advém da compaixão que o mesmo o tratava na hora de ajudá-lo a comer, a realizar sua higiene ou em cada pedido feito por ele. 

Quando Ivan ficava sozinho no cômodo, ele chorava igual criança, pelo desamparo, pela solidão, pela crueldade e indiferença das pessoas, pela crueldade de Deus e pela ausência Dele.

Em um desses momentos, Ivan achou estar ouvindo uma voz que respondia a todos os seus questionamentos sobre a vida, sobre a morte e, aqui eu cito, um dos trechos mais bonitos e verdadeiros sobre a vida do nosso protagonista, o que comprova a genialidade e a sensibilidade de Tolstói:

“O casamento… tão por acaso, e a decepção, e o cheiro da boca da esposa, e a sensualidade, o fingimento! E aquele serviço morto, e as preocupações com o dinheiro, e assim por um ano, dois, dez, vinte… e sempre a mesma coisa. E, quanto mais tempo se passava, mais morto tudo era. Como se eu caminhasse montanha abaixo, de maneira constante, imaginando que caminhava montanha acima. Foi bem assim. Na opinião da sociedade, eu ia montanha acima, e na mesmíssima medida a vida se afastava de mim… E então pronto, pode morrer! ”

Vemos, através deste trecho, que somente na doença, Ivan revisitou as alegrias de seu passado e se questionou se durante toda a sua vida ele a viveu de forma “errada”. Conforme, a doença foi evoluindo, o medo da morte passou a não ser mais um temor, mas um conformismo e uma forma de redenção. E então, Ivan aspirou o ar e no meio do suspiro, esticou-se e morreu.

No texto de apoio escrito por Maria Julia Kovács, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, destaca que a doença que acometeu Ivan provavelmente tratava-se de um câncer.

SOBRE MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

Meu primeiro contato com o autor e já me tornei fã e quero ler tudo o que este homem escreveu!

É uma narrativa impactante, cruel e verdadeira, tudo ao mesmo tempo, que te leva a refletir sobre a sua própria vida, a fazer as mesmas perguntas que Ivan Ilitch fez ao final de seu ciclo e a se indagar se assim como ele, nós também estamos vivendo a vida de forma “errada”.

Aqui o “errado” é no sentido do valor que nós damos a determinadas coisas, como o dinheiro, o trabalho, o pouco ou nenhum tempo gasto com a família, a incompreensão e a indiferença.

Quantas vez nós não agimos de determinada forma para agradar a outrem ou conforme os padrões sociais? Quantas vezes não somos indiferentes com o problema do outro? Quantas vezes nós adiamos a nossa própria felicidade?

E assim, se passam anos da nossa vida, que quando olhamos para trás ou até no espelho, enxergamos de fato, que este tempo não irá voltar. 

Talvez este seja o sentido de viver a vida de forma “correta”, nos importarmos menos com que os outros pensam, nos importamos mais e convivermos mais, dentro da possibilidade de cada um, com quem amamos, amar, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois, ou seja, sem ter medo de ser feliz.

Recomendo muito, mas muito a leitura deste livro e espero que assim que você concluir a leitura venha compartilhar comigo, aqui nos comentários ou no Instagram (@magia.das.palavras), o que você achou!!!

Um grande beijo e até o próximo post!!

Resenha de O Senhor dos anéis – O retorno do Rei e finalização da obra

Capa do livro publicado pela Editora Harper Collins

Continuando a leitura do décimo livro da lista do Projeto Reeducação do Imaginário – O Senhor dos anéis. No post de hoje, eu tratarei da terceira e última parte do livro, intitulada O retorno do rei.

Aqui, chegamos ao fim desta jornada INACREDITÁVEL, iniciada com a leitura de O hobbit em Julho de 2020 (temos também a resenha de a sociedade do anel e as duas torres). Foi uma trajetória repleta de aventuras, ensinamentos e, em O retorno do rei não foi diferente, aliás, foi de tirar o fôlego!!!

SOBRE O ENREDO

O livro 5 retoma a parte final do livro 3, qual seja, a partida de Gandalf com Pippin para Minas Tirith. Nota-se, portanto, que a Comitiva do Anel se separa mais ainda, cada um enfrentando seus desafios.

Ao chegarem no destino, os dois precisam conversar com o Regente Denethor, pai de Boromir e Faramir. O diálogo não será nada fácil, pois Gandalf terá a missão de contar ao “rei” que quem tem direito ao seu trono é Aragorn.  Com o fim da conversa, Pippin se torna servo de Denethor e Gandalf precisa partir e deixa como missão para Pipin cuidar de Scadufax.

A outra parte da Comitiva, Aragorn, Legolas e Gimli, estão voltando de Isengard. Aragorn, sabe que deverá passar por um caminho obscuro e amaldiçoado por Isildur (a Terra da Sombra) e que os fantasmas que lá habitam ajudam o verdadeiro rei em sua trajetória.

Enquanto isso, em Rohan, os cavaleiros se preparam para partir à luta em defesa da terra de Gondor, contra a escuridão crescente, comandados pelo valente Rei Theóden e Merry que está no local, a serviço do rei, é dispensado de sua atividade. 

Nesta cena, eu fiquei como muita pena do Merry, pois era nítido que ele queria participar da batalha e fica pensando em seus amigos e no desempenho de seus grandes papéis nesta jornada. 

Ao observar a vontade de Merry em ajudar a tropa, um dos cavaleiros o chama para subir em seu cavalo e partir com eles para a batalha. Tal cavaleiro, nada mais é que Elryn disfarçada e depois revelada como uma excelente guerreira.

Acompanhamos também o delicado relacionamento entre Denethor e Faramir, o filho preterido, pois em um dado momento, seu pai diz com todas as letras que gostaria que ele tivesse morrido no lugar de Boromir. Esta cena tanto no filme quanto no livro, me deixou tão triste, pois o Faramir tenta de tudo para demonstrar o seu valor ao seu pai e é humilhado e desprezado por ele.

E não bastasse tudo isso, chegamos a momento do cerco de Gondor, ocasião em que temos uma batalha terrível. Faramir acaba se ferindo e seu corpo é entregue ao seu pai, que está determinado ao morrer queimado junto com o filho. 

Ao saber disso, Pippin vai atrás no campo de batalha de Gandalf, a fim de impedir a morte de ambos. No campo de batalha, Gandalf está lutando com Nazgul até que se ouve uma trombeta, anunciando a chegada dos cavaleiros de Rohan.

Ademais, seguimos acompanhando as batalhas e inclusive, testemunhamos a morte do regente Denethor e do Rei Theóden pelo Capitão Negro. Elryn tenta salvar o Rei, mas acaba se ferindo e Merry, ao ver tal cena, acaba intercedendo por ela e derrota o inimigo.

Ao perceberem que tal cavaleiro era Elryn e que a mesma estava viva, apesar de seu ferimento, ela é encaminhada a uma casa de cura. Assim, como Elryn, Merry após o seu reencontro com Pippin também é levado para a casa de cura e Faramir, após a morte de seu pai também está lá recebendo cuidados.

Neste meio tempo, Aragorn, Gimli e Legolas chegam a batalha, para o horror dos cavaleiros de Mordor. Ao saber dos feridos na casa de cura, Aragorn vai diretamente ao local e, como verdadeiro rei, ele exerce o seu poder de cura.

No final do livro 5, há um debate sobre os próximos passos a serem dados para mais uma batalha (rumo ao Portão Negro) e aqui temos uma das frases mais bonitas e conhecidas do livro:

“Outros males existem que poderão vir, pois o próprio Sauron é apenas um servidor ou emissário, todavia, não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer o tempo em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos que conhecemos para que aqueles que viverem depois tenham terras limpas para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar. ”

Já no livro 6, nós retornarmos a jornada de Frodo e Sam, na qual Frodo foi levado ao topo de uma torre pelos Orcs e Sam, em posse do anel, vai atrás de seu mestre.

Ao encontrar Frodo no topo da Torre de Cirith Ungol, o mesmo está desacordado. Sam, ao cantar uma música do Condado, vê Frodo despertar e após narrar os últimos acontecimentos ao seu mestre, eles tentam fugir dos Orcs deste lugar para continuar com a missão.

Durante este percurso, os Hobbits se deparam com uma tropa de Orcs, mas por sorte, eles estão usando as roupas encontradas da Torre em que Frodo estava e entram no meio da tropa e aguardam o momento certo para despistá-los.

Frodo e Sam conseguem chegar a Montanha da Perdição, a fim de cumprir o destino, qual seja, a destruição do anel. Tolkien nos mostra, através de sua narrativa, o quanto foi difícil e desgastante para Frodo o fardo do anel, bem como Sam foi importante durante toda a jornada e um dos mais fiéis amigos.

Contudo, destruir o anel não será nada fácil, pois Gollum reaparece no local para impedir a conclusão da missão de Frodo, bem como o hobbit estava considerando ficar com o anel para ele, o que nos mostra a influência do objeto sobre o portador.

Gollum consegue recuperar o anel de Frodo, arrancando o dedo do mesmo, mas ao estar na posse do objeto novamente, a criatura tropeça e cai no fogo da Montanha da Perdição junto com o anel. 

Com a destruição do anel, nós como leitores, bem como as personagens, temos a percepção da dissipação da neblina, das construções desmoronando, dos Nazgul desaparecendo e dos Orcs fugindo.

Com o cumprimento da demanda, a luta cessa e Gandalf irá atrás de grande águia e sai em busca de Sam e Frodo, que estão no meio da destruição da Montanha da Perdição. 

Durante a despedida da Comitiva do Anel, eles encontram rastejando Saruman e Língua de Cobra e Frodo fica encarregado de terminar o livro vermelho para Bilbo, que está preste a passar o velho Tûk em anos vividos (131 anos).


No retorno ao Condado, os Hobbits ficam sabendo no bando de batedores que invadiu sua pacífica vila. Ao chegarem no destino, os pequenos percebem que as casas estão diferentes e sombrias, as árvores que ficavam nas alamedas foram todas cortadas.


Vendo a situação e o pavor dos moradores do Condado, os hobbits começam a traçar estratégias para chegar até o chefe dos batedores. E quem é este chefe??? Ninguém mais, ninguém menos que o próprio Saruman.

Após uma rebelião dos hobbits contra o mal, eles conseguem expulsar tanto Língua de Cobra quanto Saruman. Este, começa a humilhar o seu comparsa e o mesmo não aguenta mais ser tratado desta forma e corta a garganta de Saruman e Língua de Cobra acaba sendo morto a flechada pelos Hobbits.


Depois de um tempo de trevas, veio a paz tão merecida para os Hobbits, eles começam a reerguer o Condado, Sam casa-se com Rosinha e juntos tem uma filha e enquanto isso, Frodo termina o livro para Bilbo. Já quase no final da obra, Frodo decide que é a hora de fazer uma viagem para ficar com Bilbo.


Sam fica arrasado com a partida de Frodo para outro mundo, além da Terra Média, junto com Bilbo e Gandalf. E aqui fica a poética simbologia de Tolkien sobre a vida após a morte ou até mesmo sobre a finitude da vida.

SOBRE O AUTOR

John Ronald Reuel Tolkien, nasceu em Bloemfontein, na República do Estado Livre de Orange (atual África do Sul), e, aos três anos de idade, com a sua mãe e irmão, passou a viver na Inglaterra, terra natal de seus pais.

Com a morte de sua mãe, Tolkien e seu irmão passaram a ser cuidados por Francis Morgan, momento no qual dedicou-se aos estudos demonstrando grande talento linguístico. Em 1905, os irmãos mudaram-se para a casa de uma tia em Birmingham. Em 1908, deu início à carreira acadêmica, ingressando na Universidade de Oxford. 

Em 1915, ao autor concluiu a sua licenciatura em literatura em língua inglesa. Todavia, a graduação não o impediu de ser convocado e, em 1916, depois de casar-se com Edith Bratt, foi chamado para a guerra. 

Tolkien sobreviveu à Primeira Guerra Mundial e em 1917, nasceu o seu primeiro filho, John Francis Reuel Tolkien. Logo depois começou a escrever os primeiros rascunhos do que se tornaria o seu segundo mundo, complexo e cheio de vida, servindo de pano de fundo para obras como O Hobbit, O Senhor dos AnéisO Silmarillion.

Com tais obras, o autor ficou conhecido como o pai da moderna literatura fantástica e é amplamente considerado como um dos maiores e sem dúvida o mais bem-sucedido autor deste gênero literário. Tolkien foi indicado duas vezes ao Prêmio Nobel da literatura, mas não ganhou nenhuma das vezes.

Em 1972, Tolkien recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Letras da Universidade de Oxford, onde fora professor, bem como recebeu uma das maiores honras britânicas, qual seja, a da Ordem do Império Britânico, entregue pela Rainha Elizabeth II.

Em 2 de setembro de 1973, Tolkien morre na Inglaterra. Seu corpo foi enterrado junto com a esposa, no Cemitério de Wolvercote. No túmulo, abaixo do seu nome há a inscrição Beren.

SOBRE A INDICAÇÃO DA OBRA NO PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

Após finalizar a leitura da saga e rever os filmes, posso afirmar que foi uma experiência única e totalmente diferente de quando eu assisti pela primeira vez nos cinemas (eu tinha 13 anos).

Ao rever os filmes, a forma que eu via a história foi completamente diferente. Afinal, eu tinha 13 anos quando o primeiro filme estreou.

Nesta idade, eu assisti admirando somente o universo fantástico, criado brilhantemente por Tolkien, através de suas personagens e lugares mágicos.

Hoje, com 32 anos, eu visualizei este mesmo universo fantástico como uma metáfora da nossa vida e é desta forma de enxergar, eu acredito que advém a indicação da obra ao projeto reeducação do imaginário.

A metáfora é cristalina em diversos elementos da história:

Como no caso dos Hobbits que representam a inocência, ingenuidade e curiosidade e até mesmo que a força pode sim vir dos pequenos; 

A relação “pais e filhos” das personagens mais velhas com relação aos mais novas. Na qual, podemos ver como somos suscetíveis a falhas, erros, acertos e medos na forma de educar os nossos filhos;

A questão da fé e da esperança, presentes e ausentes, nas personagens e como tais elementos foram os divisores de águas no final da jornada de cada um.

O próprio anel que simboliza o poder, a cobiça, a ganância que existe dentro de todos nós e a capacidade de tal sentimento se sobrepor a outros e a forma que o mesmo age em cada ser humano, como é o caso das personagens Gollum/Smeagol e Frodo Bolseiro;

E o fim da jornada dos Hobbits, na qual durante toda a trajetória tinham medo de não voltarem a ver o Condado em que moravam, mas que ao retornarem, eles se depararam com um lugar que continuava o mesmo, mas eles já não eram mais os mesmos.

E este é o grande segredo da vida, como as experiências, boas ou não, são capazes de nos modificar, de nos fazer enxergar a vida com outros olhos ou por uma nova perspectiva.

Por fim, este é o tipo de história que é tão densa, tão profunda e com a capacidade de ser atemporal (foi escrita entre 1937 e 1949), que vale a pena de se ter na estante e guardada em nossa mente e em nosso coração.

Um beijo e até o próximo post!!!

Resenha de Mrs. Dalloway

Capa do livro publica pela Editora Antofágica

O que falar sobre este livro??

Bom, estava com muita vontade de lê-lo, pois ele preenche alguns requisitos do meu momento como leitora:

  • É um clássico;
  • É um livro bem famoso;
  • A crítica fala muito bem da escrita da autora Virginia Woolf.

Logo, eu fiz a minha leitura através da edição lançada em 2020 pela Editora Antofágica. Ressalto que a edição é lindíssima, ilustrada por Sabrina Gevaerd e com textos complementares Ana Carolina Mesquita e Carola Saavedra.

Todavia, ao concluir a leitura, eu simplesmente não achei tudo isso.

Antes de me julgarem, eu ressalto o respeito que eu tenho por quem ache este livro maravilhoso, mas eu não consegui vê-lo com os mesmos olhos. Até peço para que deixem nos comentários o que mais chamou atenção ou até mesmo cativou na leitura deste livro!!

Contudo, nem tudo são críticas, gostei bastante do estilo narrativo da autora, tendo em vista que Virginia Woolf utiliza muito bem o fluxo de consciência, isto é, o fluxo de pensamento da personagem aparece quase que emaranhado com o do narrador onisciente; o fato da história se passar em um dia na vida de Mrs. Dalloway, ainda mais em um dia de festa em sua residência, como Londres, local em que a história é ambientada e, que acaba se tornando uma personagem também em vários momentos:

Acho que o que mais me incomodou no livro foi a própria protagonista, pois ela é o tipo de personagem que você não tem vontade de se tornar amiga, se ela existisse ou até mesmo sentir raiva dela.

Na verdade, a única coisa que eu senti por Mrs. Dalloway foi a indiferença e isso para mim é pior do que sentir raiva, pois melhor sentir raiva do que não sentir simplesmente nada.

Mesmo assim, não quero que este post seja visto como somente uma crítica que o impeça de ler a obra, tendo em vista que cada leitor terá uma experiência diferente de leitura e percepção.

Diante do desabafo, vamos para o enredo. Há leitores que podem estranhar o fato do livro não possuir capítulos (a edição da Antofágica, pela qual eu fiz a leitura não tem), mas não vejam como uma estranheza, mas algo com muito sentido, tendo em vista que a história se passa em um dia específico na vida da nossa protagonista.

Mas o que tem de tão importante neste dia? É dia que Mrs. Dalloway dará uma festa em sua residência. A festa em si não tem um fim específico, mas para a nossa protagonista é um evento muito importante.

Durante o decorrer deste dia, nós viajamos ao passado de Clarissa, sim este é o primeiro nome de Mrs. Dalloway, no qual nos deparamos com uma pessoa muito deferente de como ela é hoje retratada.

Vimos que ela era apaixonada por Peter Walsh (ou somente ele era apaixonado por ela…não consegui formar a minha opinião sobre o assunto), vimos que seu casamento foi por uma mera convenção social, presenciamos a descrição de um beijo trocado com sua amiga, sendo esta cena descrita como o dia mais feliz de sua vida.

Quando voltamos ao tempo presente da nossa protagonista, acompanhamos a distância que Clarissa tem de sua filha, bem como de seu marido, pois é nítido que ela não o ama e também não consegui vê-la como mãe, como se ter um filho fosse uma obrigação da mulher (esta visão, o mundo possui até hoje, imagina na época em que o livro foi escrito, qual seja, o período entre Guerras).

Acredito que a minha indiferença com relação a Mrs. Dalloway é que ela não é aquilo que ela queria ser, seja lá o que ela queria da vida, mas ao acompanhar o seu dia, eu só consegui sentir um vazio, sem conseguir ter noção de algum sentimento vindo da protagonista.

Ademais, a personagem que mais me chamou a atenção foi Septimus, um homem transformado pela vivência na 1ª Guerra Mundial e devido a tudo o que ele viveu, ele comete o suicídio. Acredito que a forma como ele foi descrito, tanto sua vida antes e depois da guerra, o motivo pelo qual ele se casou com a Rezzia, os medos, anseios, sua falta de confiança nos outros, fazem dele uma personagem tão real que não tem como você não ficar impressionada.

Confesso que escrevendo este post, acho que estou olhando Mrs. Dalloway com outros olhos, mas ainda a vejo como se ela tivesse ligado sua vida no piloto automático e tivesse que fazer tudo aquilo que a sociedade lhe impõe, principalmente como mulher.

Logo, acredito que eu dê mais uma segunda chance a autora com o livro Ao Farol, que já está na minha lista interminável de livros para ler.

Deixo aqui alguns posts do blog relacionados a dois temas:

Londres como personagem do livro: Aqui no blog também temos um representante da literatura nacional, no qual o ambiente em que se passa a história também é visto como uma personagem, estou falando da obra O cortiço de Aluísio Azevedo.

Sobre o papel da mulher na sociedade: Temos também um post que descreve o papel da mulher na sociedade do século XIX, com o livro Orgulho e Preconceito da Jane Austen.

Deixo aqui também, a minha dica de filme sobre a autora Virginia Woolf e sobre o livro Mrs. Dalloway, chamado As Horas:

Sinopse: Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro “Mrs. Dalloway”. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e ideias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.

Por fim, indico um vídeo no Youtube do Canal Univesp sobre Literatura Fundamental, no qual a Professora Noemi Jaffe comenta detalhadamente a vida da autora e da obra Mrs. Dalloway.

Um beijo e até o próximo post!!

FUVEST: Resumo da obra Nove noites

Capa do livro publicado pelo Companhia das Letras

Após um período de ausência devido a cursos, bloqueios criativos e férias, aqui está o resumo de mais uma obra da Fuvest!!

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

Aqui eu ressalto atenção para perguntas interdisciplinares:

A morte do antropólogo foi durante o Estado Novo:A situação dos estrangeiros no Brasil do Estado Novo era delicada. A impressão era que estavam sob vigilância permanente. ”

A morte do antropólogo foi às vésperas da segunda guerra mundial: “Buel Quain se matou na noite de 02 de agosto de 1939 – no mesmo dia em que Albert Einsten enviou ao presidente Roosevelt a carta histórica em que alertava sobre a possibilidade da bomba atômica, três semanas antes da assinatura do pacto de não agressão entre Hitler e Stalin, o sinal verde para o início da Segunda Guerra e, para muitos, uma das maiores desilusões políticas do século XX.”

O livro foi escrito em 2001, mesmo ano do atentado de 11 de setembro nos EUA

ESTILO NARRATIVO

A obra conta com dois narradores, sendo eles Manoel Perna (o engenheiro, que na verdade era barbeiro e confidente do antropólogo) e o narrador-jornalista (o próprio autor).

Já no primeiro capítulo do livro ainda não sabemos o nome deste narrador (desconfiei do engenheiro, mas esperei os demais capítulos para ter certeza), mas já temos uma noção que a sua narrativa é referente a uma carta-testamento, sendo esta a única não entregue para as autoridades, podendo ser entregue a alguém que um dia poderá vir buscar informações sobre o seu amigo Buell Quain.

Ressalto que os capítulos narrados pelo Manoel Perna se iniciam com “Isto é para quando você vier”. O que corrobora com a ideia de que seu relato é direcionado para o leitor. Ademais, tais capítulos estão sempre em itálico e possuem uma escrita mais rebuscada e até mesmo poética.

Os capítulos escritos pelo narrador-jornalista, possuem letra padrão e nos contam, inicialmente, de onde ele tomou conhecimento da história do antropólogo (por um acaso em um artigo de jornal em 2001, no qual citava a morte de Buell Quain).

Desta curiosidade (até mesmo uma obsessão), o narrador-jornalista, procura a autora do artigo acima mencionado, para obter mais informações sobre o antropólogo. De onde desencadeia todo o processo metalinguístico ou meta-ficção.

Processo metalinguístico: processo de criação para a escrita do romance. Como jornalista, o autor teve uma vasta pesquisa de campo para a coleta dos dados necessários (viagens para Carolina e Nova York, acesso a quatro cartas escritas pelo antropólogo antes do suicídio – Ruth Benedict, Heloísa Alberto Torres, Ângelo Sampaio e Manoel Perna, bem como outras correspondências escritas pelo antropólogo durante sua vida no Brasil).

Ainda com relação a esta narrativa, nos capítulos 11 e 19, nós conhecemos mais sobre a história do próprio autor (da infância – 1970 até a fase adulta – até 2001), como se através desta digressão, o narrador também se tornasse personagem do livro.

Ademais, o livro possui fotos (do próprio Buell Quain, da equipe de antropólogos e do autor aos seis anos de idade com um indígena no Xingu).

Por fim, o livro nos mostra a ideia da memória, isto é, devido ao lapso temporal de 62 anos é difícil saber o que de fato é verdade ou mentira, deixando muitas dúvidas ao leitor.

ENREDO

No prólogo, nós já sabemos que o protagonista da história, chamado Buell Halvor Quain (Cãmtwyon para os índios) se suicidou, aos 27 anos de idade, no dia 02 de agosto de 1939.

Antes de praticar o ato deixou sete cartas com instruções para após a sua morte, sendo uma delas endereçada ao narrador Manoel Perna, engenheiro que conviveu com o antropólogo por nove noites (daí o nome da obra), em Carolina (na fronteira com o Maranhão com o que na época ainda fazia parte de Goiás e hoje pertence ao Estado de Tocantins).

Além da carta acima citada, as demais correspondências foram endereçadas para sua orientadora, Ruth Benedict da Universidade de Columbia; a Heloísa Alberto Torres, diretora do Museu Nacional localizado no Rio de Janeiro; ao capitão Ângelo Sampaio, delegado de polícia da cidade; ao seu pai, Eric P. Quain; ao seu cunhado, Charles C. Kaiser (marido de sua irmã, Marion) e ao reverendo Thomas Young, missionário americano.

Conforme a narrativa vai seguindo, nós tomamos conhecimento da vida profissional e pessoal do antropólogo, bem como suas atitudes no final da vida, tendo em vista que com base nos relatos e até mesmo pelas cartas por ele deixadas antes do suicídio e outras, nós estávamos diante de um homem jovem, atormentado e com medo.

Aqui, eu ressalto uma passagem do capítulo 5, na qual um dos antropólogos que trabalhou com Buell Quain no Brasil cita o que o próprio antropólogo disse a ele: “Castro Faria, eu não tenho mais nada a fazer no mundo. Já vi tudo. ”

O foco principal da narrativa é a tentativa de acharmos alguma informação sobre o motivo do suicídio, mas devido ao lapso temporal do cometimento do ato (02/08/1939) a publicação da história (2001), se torna difícil encontrar uma resposta definitiva.

Saliento que, ao lermos a descrição do antropólogo, entendemos que ele já era atormentado e agia de forma ambígua antes de sua chegada ao Brasil para a pesquisa de campo com os índios (inicialmente com os índios Karajá, mas mudou de planos ao chegar no Rio de Janeiro, pretendendo estudar os índios Trumai, que era uma tribo em extinção)

Relatos de pessoas que conviveram com ele, inclusive o narrador Manoel e os índios, informaram que ele ficava transtornado quando recebia cartas de seus familiares, devido ao processo de divórcio de seus pais, uma suposta traição de sua mulher (apesar de não ser casado) com o seu cunhado.

Há também relatos, da sua professora da Universidade de Columbia e da diretora do Museu Nacional que o seu transtorno era ligado a uma doença contagiosa, inclusive, nas cartas remitidas a elas, o antropólogo solicitava que as mesmas fossem desinfetadas.

Logo, no decorrer da narrativa, você como leitor, se questiona sobre a forma em que o antropólogo morreu (será que foi suicídio mesmo?), bem como se havia mais alguma carta escrita e nunca entregue as autoridades da época.

No capítulo 14, nós descobrimos quem é o sujeito da frase “isto é para quando você vier”, com base no trecho abaixo:

“Contou de uma tarde em que, voltando de uma caminhada solitária na praia, onde abandonara os colegas, deparou com a casa excepcionalmente vazia e um homem sentado na cozinha. E que, antes de poder se apresentar, o estranho, saindo da sombra, sacou uma máquina fotográfica e registrou para sempre o espanto e o desconforto do antropólogo recém-chegado de um passeio na praia, surpreendido pelo desconhecido.

E embora depois tenha se tornado amigos, por muito tempo o estranho não conseguiria tirar outra foto dele. Até irromper um dia em seu apartamento, sem avisar, decidido a fotografá-lo de qualquer jeito, depois de ter sabido que ele estava de partida para o Brasil. Queria uma lembrança do amigo antes de embarcar para a selva da América do Sul. Eu só sei que esse estranho era você. ”

Aqui, a narrativa nos dá a entender que o Buell Quain tinha algum envolvimento afetivo com alguém, uma mulher ou com o próprio fotógrafo. Todavia, não há nada concreto ou uma resposta exata sobre o assunto.

No final do livro, especificamente no capítulo 18 narrado pelo Manoel, nós temos o desfecho do que seria a oitava carta deixada pelo antropólogo (ficção), bem como a certeza que não há uma resposta certa com relação ao motivo de seu suicídio:

“O que lhe conto é uma combinação do que ele me contou e do que imaginei. Assim também, deixo-o imaginar o que nunca poderei lhe contar ou escrever. ”

Saliento, que conforme a narrativa do autor flui, nós acompanhamos alguns momentos de sua vida, como o relato de que seus pais também eram divorciados e quando era criança ele foi com seu pai para o Xingu e conheceu uma das tribos estudadas pelo antropólogo, os krahô.

Ademais, acompanhamos a sua saga na escrita deste livro, de onde surgiu a ideia para a escrita (foi de uma citação da morte do antropólogo em um artigo de jornal) até a sua viagem aos EUA em busca do filho do fotógrafo que tirou as fotos de perfil de Quain.

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

A maioria das questões que eu vi sobre a obra cobraram o estilo narrativo e o nome da obra, conforme algumas respostas abaixo:

O autor Bernardo Carvalho constrói uma obra diferente e complexa, em que mistura realidade e ficção, apresentando um enigma em torno de um suicídio cujas causas serão investigadas. Porém, a verdade permanecerá ambígua.

São vários mistérios que se interligam, e adensam a narrativa, em que o leitor partilha a claustrofobia e evasão de identidade das personagens.

O título “Nove Noites” foi devido ao fato de que o personagem principal (o americano Quain – baseado em história real), antes de se suicidar, partilhou com um amigo nove noites de conversas e revelações.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Não conhecia a obra e nem o autor, mas me surpreendi positivamente com a escrita, com o enredo e até mesmo com o processo criativo para a confecção da história, tendo em vista que sua origem foi através de um artigo que mencionava o suicídio do antropólogo em 1939.

Acredito que o fato de eu já estar no embalo de algumas séries investigativas como Manhunter: Unnabomber; Bandidos da TV e Gênio Diabólico, todas da disponíveis na Netflix, contribuíram para eu apreciar a leitura deste livro e querer saber o que o autor descobriu durante sua pesquisa de campo.

Por fim, deixo também a recomendação de um vídeo no YouTube, do Professor Marcelo Nunes, na qual ele explica o enredo da obra capitulo a capitulo de forma muito esclarecedora e didática.

E aí, já leu Nove Noites ou outra obra do autor Bernardo Carvalho?

Deixa nos comentários o que achou!!

Um grande beijo e até o próximo post!!!

Sessão pipoca: Novembro de 2020

Mais um mês concluído e não poderiam faltar séries e filmes, não é mesmo?!?! Confesso que novembro, as séries reinaram para mim, como eu te mostro a seguir (lembrando que todos os filmes e séries deste mês estão disponíveis na Netflix):

O Gambito da rainha

Sinopse: O Gambito da Rainha conta a história de Beth Harmon, uma menina órfã que se revela um prodígio do xadrez. Mas agora, aos 22 anos, ela precisa enfrentar seu vício para conseguir se tornar a maior jogadora do mundo. E quanto mais Beth aprimora suas habilidades no tabuleiro, mais a ideia de uma fuga lhe parece tentadora.

É uma minissérie muito bem feita, com ótimas atuações, ambientações e um roteiro impecável. Deu até vontade de aprender a jogar xadrez!! Recomendo muito!!

Nota: 5/5

The Alienist – The angel of darkness

Sinopse: Thriller psicológico dinâmico e atmosférico sobre um trio de especialistas formado pelo psiquiatra Laszlo Kreizler, o repórter jornalístico John Moore e o comissário de polícia Theodore Roosevelt, responsável por desenvolver as primeiras técnicas de psicologia e investigação para encontrar um assombroso serial killer na Era de Ouro de Nova York.

Achei o enredo da segunda temporada mais fluído e dinâmico que a anterior. As atuações continuam excelentes, principalmente do ator Daniel Bruhl como o alienista. Recomendo fortemente a série, devido as atuações e ambientação.

Nota: 4/5

The Crown – 4ª temporada

Sinopse: Filha do rei George VI, Elizabeth II sempre soube que não teria uma vida comum. Após a morte do seu pai em 1952, ela dá seus primeiros passos em direção ao trono inglês, a começar pelas audiências semanais com os primeiro-ministros. Ela assume a coroa com apenas 25 anos de idade, mas com grandes compromissos vêm grandes responsabilidades.

Eu acompanho a série desde o seu lançamento e eu achei esta a temporada com maior número de polêmicas envolvendo a família real, principalmente com relação ao casamento do Príncipe Charles e Lady Diana.

Não foi a temporada que eu mais gostei, mas as atuações e ambientações foram impecáveis como sempre, razão pela qual, eu recomendo a sessão pipoca!

Nota: 4/5

Rede de ódio

Sinopse: Um jovem passa a fazer sucesso incitando o ódio em campanhas nas redes sociais, atacando desde influenciadores virtuais a políticos renomados. O que ele não contava é que toda essa crueldade no mundo virtual cobraria seu preço no mundo real, complicando sua vida.

Um dos melhores filmes, para mim de 2020. É um filme real, cruel e mostram até onde o ser humano por ir em sua busca pela realização de seus objetivos, mesmo os mais obscuros. Recomendo muito, mais muito a sessão pipoca.

Nota: 5/5

Entrevista com o vampiro

Sinopse: São Francisco, anos 1990. Um jornalista entrevista um jovem que afirma ser vampiro, narrando suas experiências dos últimos 200 anos. Em flash-back, conhecemos Louis de Pointe du Lac, um homem que perdeu a mulher, morta durante o parto, e a vontade de viver. Com a ajuda de uma criatura da noite, Lestat de Lioncourt, ele se torna um vampiro e precisa aprender uma nova forma de vida.

É um filme ok como entretenimento e legal de ver os galãs dos anos 90 no auge!!

Nota: 2/5

The Jurassic World – Reino ameaçado

Sinopse: Três anos após o fechamento do Jurassic Park, um vulcão prestes a entrar em erupção põe em risco a vida na ilha Nublar. No local não há mais qualquer presença humana, com os dinossauros vivendo livremente. Diante da situação, é preciso tomar uma decisão: deve-se retornar à ilha para salvar os animais ou abandoná-los para uma nova extinção? Decidida a resgatá-los, Claire convoca Owen a retornar à ilha com ela.

Filme mais do mesmo, como os demais filmes da franquia. Caso você goste de dinossauros e querer se entreter, ok!!

Nota: 2/5

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