FUVEST: Resumo da obra A Relíquia

Capa do livro publicado pela Edições Best Bolso em 2016

SOBRE O AUTOR

José Maria Eça de Queirós nasceu em 25 de novembro de 1845 em Póvoa de Varzim – Portugal. Em 1855 saiu da casa dos avós paternos e iniciou os seus estudos regulares em um colégio interno no Porto. 

Em Coimbra, o autor nunca foi um aluno brilhante, pelo contrário, queixava-se do pequeno alcance intelectual dos professores, bem como a forma obtusa de conduzir o ensino e avaliação.

Entre 1866, ano de sua formatura na Universidade de Coimbra, e 1871 Eça tenta estabelecer-se como advogado em Lisboa, todavia, sem sucesso. Após este episódio, começa a dirigir um jornal em Évora, de onde retornou a Lisboa em meados de 1867. 

Em 1870, o autor participou ativamente da elaboração do programa e na realização das Conferência Democráticas, onde decidiu ingressar na diplomacia. Antes de assumir o seu primeiro cargo de cônsul na Inglaterra (1874-1888), viveu seis meses na província, em Leiria, como administrador do Conselho.

Em 1872, Eça já era um escritor conhecido, pois além de vários folhetins, que foram reunidos postumamente com o título de Prosas Bárbaras (1903), tinha escrito duas obras em parceria com Ramalho Ortigão, intituladas As Farpas (1871) e O Mistério da Estrada de Sintra (1870).

Em 1876, é publicado o primeiro romance queirosiano, sendo este O Crime do Padre Amaro. Ademais, a vida do autor foi dedicada a sua obra e aos seus amigos. Em 1886, aos 41 anos, casou-se com Emília de Castro, de família nobre portuguesa, com quem teve quatro filhos.

Eça de Queirós faleceu em 1900, deixando revistas as provas da Correspondência de Fradique Mendes e de A Ilustre Casa de Ramires. Posteriormente, foram publicados vários textos do autor, entre os quais A Capital! (1925) e O Egito (1926).

SOBRE A OBRA

A obra  A Relíquia foi publicada no ano de 1887, durante a segunda fase do realismo, caracterizado pelo olhar pessimista e análise da sociedade, principalmente da burguesia lisboeta da época.

Logo, este olhar do autor sempre terá um cunho crítico, irônico e ácido com suas personagens e narrativa.

A obra conta com duas personagens principais, Teodorico Raposo e Dona Maria do Patrocínio, mais conhecida como Titi. Estes estarão sempre em contato (são tia e sobrinho), em conflito (um bon vivant e uma religiosa fervorosa) com Teodorico tentando construir uma imagem de santo para a tia. Nota-se, portanto, que o autor ao narrar a história utiliza-se de perfis psicológicos para com suas personagens e através deles faz a sua crítica ao cientificismo e ao conservadorismo provinciano.

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

O realismo em geral sempre põe em xeque os ideais românticos. ou seja, o movimento em vigência sempre se contraria ao movimento que passou.

Aqui também temos a segunda fase da revolução industrial (capitalismo e industrialização) e do pensamento científico, como é o caso do positivismo e do evolucionismo de Darwin (darwinismo). Acerca do tema, dá uma olhadinha no resumo da obra Quincas Borba!

ESTILO NARRATIVO

A obra é narrada em primeira pessoa, sendo este Teodorico Raposo, cuja alcunha é Raposão. Toda a narrativa, predominantemente, ocorre em Portugal e Jerusalém. Por fim, o tempo desta narrativa é o psicológico.

A narrativa leva em conta as característica da própria escola literária, como o objetivismo e cientificismo (a razão em detrimento da emoção), o materialismo e pessimismo (é muito difícil uma obra literária deste período ter um final feliz, o que impõe a negação ao romantismo), as reações a monarquia e ao clero, sendo esta última muito acentuada na obra e a preocupação com o tempo vivido, o tempo presente.

A narrativa é dividida em uma introdução mais cinco capítulo. Ademais, no decorrer da narrativa nós podemos vislumbrar a utilização da intertextualidade, isto é, a citação de outras obras, como é o caso da Bíblia.

ENREDO

Na introdução, nós temos o anúncio da composição de um livro de memórias da vida do protagonista. Teodorico informa que em 1875, após uma desilusão amorosa, foi enviado de Campo de Santana (Portugal) para Jerusalém pela tia Dona Patrocínio das Neves (Titi).

As memórias do protagonista não tratarão de pontos turísticos, mas de lembranças sinceras do que ele viveu. Para saber sobre a descrição dos lugares de Jerusalém, o protagonista indica a leitura do “Jerusalém passeada e comentada”, do autor alemão Topsius.

O primeiro capítulo, narrará a história de Teodorico Raposo ainda criança, isto é, desde que seus pais se conheceram. Contará também sobre seus avós e sua tia, Dona Patrocínio. Sobre a morte de sua mãe, após o seu nascimento (em uma sexta-feira santa) e a morte de seu pai, aos 7 anos de idade.

Como ficou órfão, Teodorico irá para Lisboa ficar com a Titi, que é muito severa e religiosa:

Não fiz o sinal da cruz. Mas entreabri a cortina; e o oratório da Titi deslumbrou-me, prodigiosamente. Era todo revestido de seda roxa, com painéis enternecedores em caixilhos floridos, contando os trabalhos do Senhor; as rendas da toalha do altar roçavam o chão tapetado; os santos de marfim e de madeira, com auréolas lustrosas, viviam num bosque de violetas e de camélias vermelhas. A luz das velas de cera fazia brilhar duas salvas nobres de prata, encostadas à parede, em repouso, como broquéis de santidade; e erguido na sua cruz de pau preto, sob um dossel, Nosso Senhor Jesus Cristo era todo de ouro, e reluzia.

Aos nove anos, Teodorico foi enviado ao Colégio Interno dos Isidoros em Santa Isabel. No local conheceu Crispim, que se tornaria o seu cunhado. Já nesta idade, Teodorico entendia que sempre havia de agradar Titi, pois a mesma era muito rica e ele seu único herdeiro (“E tudo pertença à Titi. Que rica que era a Titi! Era necessário ser bom, agradar sempre A Titi!”)

Um pouco mais velho, Teodorico foi terminar os seus estudos em Coimbra, na casa do Doutor Roxo, reconhecido no estudo de teologia. Nosso protagonista odiou Doutor Roxo, todavia, após a morte do mesmo, Teodorico mudou-se para hospedagem de Pimentas, onde conheceu a liberdade e as fortes delícias da vida:

Nunca mais rosnei a delambida oração a São Luís Gonzaga, nem dobrei o meu joelho viril diante de imagem benta que usasse auréola na nuca; embebedei-me com alarido nas Camelas; afirmei a minha robustez, esmurrando sanguinolentamente um marcador do Trony; fartei a carme com saborosos amores no Terreiro da Erva; vadiei ao luar, ganindo fados; usava moca; e como a barba me vinha, basta e negra, aceitei com orgulho a alcunha de Raposão.

Nesta época, nosso protagonista conheceu Adélia e apaixonou-se. Todavia, a amada tinha um caso com outro e Teodorico ficou devastado com a traição.

Tornou-se bacharel em Direito e descobriu o seu rival na herança de Titi: “E além disso o seu rival não é outro, Teodorico, senão Nosso Senhor Jesus Cristo!”

Para que a herança ficasse com ele, Teodorico passou a ir em todas as missas, pregar quadros de santos, até desconhecidos por Titi em seu quarto, ou seja, travou uma batalha contra Jesus Cristo.

Ao encontrar com Rinchão, em uma roda de amigos, Teodorico ficou com vontade de ir a Paris, para gozar da vida da mesma forma que o amigo, bem como para esquecer Adélia. Todavia, para Titi, Paris é um lugar asqueroso e pecaminoso.

Logo, Titi mandou Teodorico a Jerusalém, a terra sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo. Teodorico não gostou em nada do destino, consultou um judeu conhecido seu e achou que seu lugar de destino era só mar e deserto.

Contudo, Teodorico repensou em sua viagem, pois para chegar a Jerusalém, tinha de atravessar regiões bem festivas e repleta de mulheres, como era o caso de Andaluzia, Nápoles, Grécia. Com tal pensamento em mente, um clarão sulcou-me a alma.

 Já de viagem marcada, Titi pediu a Teodorico um presente, uma relíquia vinda de Jerusalém, sendo este trecho que dá nome ao conto:

– Aqui está! – declarou a Titi. – Se entendes que mereço alguma cousa, pelo que tenho feito por ti, desde que morreu tua mãe, já educando-te, já vestindo-te, já dando-te égua para passeares, já cuidando da tua alma, então traze-me desses santos lugares uma santa relíquia, uma relíquia milagrosa que eu guarde, com que me fique sempre apegando nas minhas aflições e que cure as minhas doenças.

Nos segundo, terceiro e quarto capítulos, Teodorico nos contará a sua chegada à Alexandria em um domingo, dia de São Jerônimo, acompanhado de seu colega Topsius, Doutor alemão pela Universidade de Bonn e sócio do Instituto Imperial de Escavações Históricas.

Durante sua estadia, conheceu Miss Mary e se apaixonou. Ao chegar a véspera da viagem para Jerusalém. Teodorico estava triste por deixar a nova amada, então esta lhe deu sua camisola para se lembrar dela durante a viagem.

Ao chegar em Jerusalém, Teodorico, pode viver o passado, ao ver Cristo ser crucificado e ressuscitado, bem como encontrou a relíquia que daria à Titi:

E que me encontrava certamente diante de uma árvore ilustre! Fora um galho igual (o nono talvez) que, arranjado outrora em forma de coroa por um centurião romano da guarnição de Jerusalém, ornara sarcasticamente, no dia do suplício, a cabeça de um carpinteiro de Galiléia, condenado…

Sim, condenado por andar, entre quietas aldeias e nos santos pátios do templo, dizendo-se filho de Davi e dizendo-se filho de Deus, a pregar contra a velha religião, contra as velhas instituições, contra a velha ordem, contra as velhas formas! E eis que esse galho, por ter tocado os cabelos incultos do rebelde, torna-se divino, sobe aos altares, e do alto enfeitado dos andores faz prostrar no lajedo, à sua passagem, as multidões enternecidas…

Ao retornar para Portugal, Teodorico resolveu se livrar do presente de Miss Mary, a fim de não haver pistas que o “incriminasse”, logo, entregou a uma moradora de rua a camisola dada para que esta pudesse vendê-la.

No último capítulo, nós veremos a derrocada de Teodorico, ao ler que o embrulho dado a moradora de rua era na verdade a coroa de espinhos e o embrulho dado a Titi era a camisola de Miss Mary.

Ao ver tal presente pecaminoso, Titi expulsou Teodorico de casa e este teve que sair imediatamente e sem nenhum dinheiro.

Devido a situação em que se encontrava, Teodorico teve que aprender a se virar e usar seu intelecto de bacharel. Aliás, foi devido a esta máquina de pensar que vislumbrou a real natureza das medalhas, dos bentinhos, das águas, das lascas, das pedrinhas, das palhas que trouxe de Jerusalém, que até então considerava um lixo eclesiástico, como verdadeiras relíquias, capazes de lhe gerarem rendimentos: Dava-se um caco de barro – e recebia-se uma rodela de ouro!…

Contudo, no decorrer de seu novo estilo de vida, Teodorico perdeu sua tia Titi. Ao saber de sua morte, nosso protagonista foi até o cartório do Justino, a fim de saber do testamento da tia:

O prédio do Campo de Santana e quarenta contos de inscrições, para o Senhor dos Passos da Graça. As ações da Companhia do Gás, as melhores pratas, a casa de Linda-a-Pastora para o Casimiro, que já se não mexia, moribundo. Padre Pinheiro recebia um prédio na Rua do Arsenal. A deliciosa quinta do Mosteiro, com o seu pitoresco portão de entrada, onde se viam ainda as armas dos condes de Lindoso, as inscrições de Crédito Público, a mobília do Campo de Santana, o Cristo de ouro – para o Padre Negrão. Três contos de réis e o relógio, para o Margaride. A Vicência tivera as roupas de cama. Eu – o óculo!

Ao ver que sua herança foi um óculo, Teodorico ficou louco de raiva e resolveu insultar o cadáver da Titi chamando contra ela todas as cóleras da natureza. 

Durante seu acesso de raiva e revolta, o nosso protagonista caiu de joelhos e bateu a testa no assoalho do quarto. Neste momento, ele ouviu uma voz repousada e suave:

Quando tu ias ao alto da graça beijar no pé uma imagem – era para contar servilmente à Titi a piedade com que deras beijo; porque jamais houve oração nos teus lábios, humildade no teu olhar – que não fosse para que a Titi ficasse agradada no seu fervor de beata. O Deus a que te prostravas era dinheiro de G. Godinho; e o céu para que teus braços trementes se erguiam – o testamento da Titi… Para lograres nele o lugar melhor, fingiste-te devoto, sendo incrédulo; casto, sendo devasso; caridoso, sendo mesquinho; e simulaste a ternura de filho, tendo só a rapacidade de herdeiro… Tu foste ilimitadamente o hipócrita! Tinhas duas existências: uma ostentada diante dos olhos da Titi, toda de rosários, de jejuns, de novenas; e longe da Titi, sorrateiramente, outra, toda de gula, cheia da Adélia e da Benta… Mentiste sempre; e só eras verdadeiro para o céu, verdadeiro para o mundo, quando rogavas a Jesus e à Virgem que rebentassem depressa a Titi.

Depois resumiste esse laborioso dolo de uma vida inteira num embrulho – onde acomodaras um galho, tão falso como o teu coração; e com ele contavas empolgar definitivamente as pratas e prédios de D. Patrocínio! Mas noutro embrulho parecido trazias pela Palestina, com rendas e laços, a irrecusável evidência do teu fingimento…Ora, justiceiramente aconteceu que o embrulho que ofertaste à Titi e que a Titi abriu – foi aquele que lhe revelava a tua perversidade! E isto provaste, Teodorico, a inutilidade da hipocrisia!

A leitura do trecho acima nos mostra, de forma cristalina, a crítica ao estilo de vida da burguesia lisboesta, onde vemos que Teodorico vivia duas vidas, uma verdadeira e de malícia e outra fingida com a demonstração de sua falsa santidade.

Após o breve bate-papo com Deus, Teodorico reencontrou seu amigo de escola, o Crispim. Agora homem, Crispim era dono da fábrica de fiação Teles Crispim & Cia e com o reencontro, aproveitou a oportunidade para chamar Teodorico para trabalhar com ele. 

Com o passar do tempo, Crispim teve a ideia de apresentar sua irmã, Dona Jesuína (tinha trinta e dois anos e era zarolha), para Teodorico e estes logo se casaram e tiveram filhos. Por fim, ao escrever o livro de memórias, nosso protagonista refletiu sobre o episódio da misteriosa troca dos embrulhos:

Quando em vez de uma coroa de martírio aparecera, sobre o altar da Titi, uma camisa de pecado – eu deveria ter gritado, com segurança: “Eis aí a relíquia! Quis fazer a surpresa… Não é a coroa de espinhos. E melhor! E a camisa de Santa Maria Madalena!… Deu-ma ela no deserto...”

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Ao analisar como a obra foi cobrada nos vestibulares, pude verificar que se faz necessária a leitura do livro, posto que a maior parte das questões são baseadas no enredo e na características das personagens.

Cumpre ainda salientar a importância de se ter em mente as principais características da escola literária, bem como da escrita do autor, pois nada impede que exista tal cobrança também.

IMPRESSÃO GERAL DO LIVRO

Fazia muito tempo que não lia algum livro do escritor e, assim como Machado de Assis, eu sou suspeita para falar sobre Eça de Queirós e seu senso crítico e irônico.

Do autor eu li somente o Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro, logo, com A Relíquia, eu pude conhecer o humor de Eça, pois em vários momentos da narrativa eu me pegava dando risada com perspicácia maliciosa de Teodorico e a fé cega e conservadora de Titi.

É um livro curto e muito prazeroso de se ler, razão pela qual recomendo fortemente a leitura, independente de você ser vestibulando ou não.

Já leu este livro? Se positivo me conta o que achou?

Um beijo e até o próximo post!!

Sessão Pipoca – Agosto de 2020

Como eu gosto de uma boa história, independente de ser narrada através de livros, filmes ou série, eu resolvi compartilhar por aqui o que eu ando assistindo nos serviços de Streaming disponíveis na minha casa, obviamente!

Espero que gostem das minhas escolhas e comentários totalmente parciais sobre a minha experiência!

Sinopse: Marion Crane (Janet Leigh) é uma secretária que rouba 40 mil dólares da imobiliária onde trabalha para se casar e começar uma nova vida. Durante a fuga a carro, ela enfrenta uma forte tempestade, erra o caminho e chega em um velho hotel. O estabelecimento é administrado por um sujeito atencioso chamado Norman Bates (Anthony Perkins), que nutre um forte respeito e temor por sua mãe. Marion decide passar a noite no local, sem saber o perigo que a cerca.

Comecei o mês muito bem, obrigada! Um clássico do cinema, com uma história envolvente e personagens muito bem explorados, com destaque a Norman Bates, interpretado brilhantemente pelo ator Antony Perkins, bem como pela clássica cena do chuveiro interpretada pelo Janet Leigh (esta cena é o ponta pé inicial da trama central…só digo isso)!!

O filme está disponível na Netflix e super recomendo a sessão pipoca para este filmaço!!

NOTA: 5/5

Sinopse: Sophie é uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Hauru, um mágico bastante sedutor, mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sophie uma maldição que faz com que ela tenha 90 anos. Desesperada, Sophie foge e termina por encontrar o Castelo Animado de Hauru. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, se envolvendo com os demais moradores do castelo.

Ainda no início do mês assisti a esta animação japonesa confusa, em alguns momentos, mas encantadora num todo, tendo em vista que você acompanha a evolução interior e exterior, ou seja, você vê um mágico poderoso, mas que por dentro tem medo, uma velha, mas que é uma garotinha e um castelo seguro e acolhedor, enquanto há uma guerra lá fora.

O filme está disponível na Netflix e por mais que possa parecer um filme muito doido, eu recomendo a sessão pipoca!!

NOTA: 4/5

Sinopse: Em No Coração do Mar, o navio baleeiro Essex parte em busca de óleo de baleia no inverno de 1820. O navio é liderado pelo nada experiente capitão George Pollard (Benjamin Walker), que tem Owen Chase (Chris Hemsworth) como seu primeiro oficial. Owen sonha em ser capitão e tem o objetivo de superar a meta traçada por seu empregador. Eles navegam por meses em busca de baleias, mas quando encontram se deparam com uma grande ameaça, uma gigantesca baleia branca que irá lutar por sua sobrevivência e acabará atacando o navio e sua tripulação. A grande tragédia marítima da vida real inspiraria Moby Dick, de Herman Melville.

Para quem quiser saber mais sobre o romance Moby Dick, aqui no blog há uma resenha deste livro, considerado um clássico da literatura universal. Sobre o filme, eu gostei bastante da história narrada, mas confesso que foi um pouco cansativo em alguns momentos, pois a narrativa não era tão fluída, mesmo sendo uma aventura marítima.

Apesar de tudo, acredito que vale a pena uma sessão pipoca (o filme está disponível na Netflix) e indico bastante a leitura do livro Moby Dick, este sim é lindo e poético!!

NOTA: 3,5/5

Sinopse: Andy (Charlize Theron) e seus companheiros formam um grupo de soldados que possuem a inestimável virtude da vida eterna. Eles vivem através dos anos oferecendo seus serviços como mercenários para aqueles que podem pagar, se passando como seres humanos comuns dentre os demais. No entanto, tudo muda com a descoberta de que existe uma outra imortal que atua como fuzileira naval.

Com este filme, eu iniciei a minha segunda quinzena de Agosto e, para uma filme de ação e entretenimento, acredito que ele cumpre a sua função. Acredito em uma continuação e assistiria somente para me entreter, pois não é aquela narrativa que te faça refletir sobre a vida, mas funciona bem para desestressar!

O filme é uma produção da Netflix e vale a sessão pipoca em casa!

NOTA: 3/5

Sinopse: Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) vive uma vida pacata no condado, como a maioria dos hobbits. Um dia, aparece em sua porta o mago Gandalf, o cinzento (Ian McKellen), que lhe promete uma aventura como nunca antes vista. Na companhia de vários anões, Bilbo e Gandalf iniciam sua jornada inesperada pela Terra Média. Eles têm por objetivo libertar o reino de Erebor, conquistado há tempos pelo dragão Smaug e que antes pertencia aos anões. No meio do caminho encontram elfos, trolls e, é claro, a criatura Gollum (Andy Serkis) e seu precioso anel.

Vi este filme pelo Globo Play e confesso que não gostei tanto do filme assim?!?! Acho que eu estava com muita expectativa do livro, inclusive, tem resenha no blog sobre O Hobbit, mas parece que faltou algo na história, o que não ocorre com a trilogia dos filmes do Senhor dos Anéis.

Vou dar uma chance para as continuações (ainda não entendi como conseguiram fazer três filmes para o livro…mas tudo bem) e ver se a minha opinião muda e se vale a sessão pipoca!

NOTA: 2,5/5

Sinopse: Laura Biel é uma diretora de vendas que tem sua vida virada do avesso quando, em uma viagem a Sicília, Massimo Torricelli, um membro da família da máfia siciliana, a sequestra lhe dando 365 dias para se apaixonar por ele.

Trata-se de um filme polonês, original da Netflix, que fez um burburinho quando estreou na plataforma. Confesso que não gostei nada do filme, pois é sem enredo, sem grandes atuações e totalmente sem sentido nenhum até para uma continuação.

Não vale uma sessão pipoca, mas caso queira dar uma oportunidade a ele vai na fé!!

NOTA: 0/5

Sinopse: Walter White (Bryan Cranston) é um professor de química na casa dos 50 anos que trabalha em uma escola secundária no Novo México. Para atender às necessidades de Skyler (Anna Gunn), sua esposa grávida, e Walt Junior (RJ Mitte), seu filho deficiente físico, ele tem que trabalhar duplamente. Sua vida fica ainda mais complicada quando descobre que está sofrendo de um câncer de pulmão incurável. Para aumentar rapidamente a quantidade de dinheiro que deixaria para sua família após sua morte, Walter usa seu conhecimento de química para fazer e vender metanfetamina, uma droga sintética. Ele conta com a ajuda do ex-aluno e pequeno traficante Jesse (Aaron Paul) e enfrenta vários desafios, incluindo o fato de seu concunhado ser um importante nome dentro da Agência Anti-Drogas da região.

Este mês, nós concluímos a série mais bem construída e produzida até o momento para mim!!

É uma série que mostrou não precisar de computação gráfica, cenários estupendos para contar uma história, e convenhamos, que história foi essa?!?!

Não quero contar muito da série além do que está descrito na sinopse acima, mas peço somente que, faça um favor a si mesmo e veja está série sensacional!!

NOTA: 5/5

Já assistiu algum destes filmes ou a série indicados??

Deixa aqui nos comentários o que você achou!!

PS: Também aceito sugestões de filmes e séries!!

Um beijo e até o próximo post!!

FUVEST: Resumo da obra Poemas escolhidos de Gregório de Matos

Mais um livro lido para o Projeto Fuvest e cobrado nos vestibulares de 2020, 2021 e 2022.

SOBRE O AUTOR

Gregório de Matos e Guerra, nasceu em 20 de dezembro de 1633 ou 1636, foi o terceiro filho de um fidalgo, estabelecido no recôncavo baiano.

Formou-se em direito em Coimbra. Em Lisboa foi juiz, mas retornou ao Brasil em 1681, a convite do arcebispo da Bahia, para exercer os cargos de vigário-geral e tesoureiro-mor.

Gregório foi desligado de suas funções por ordem do arcebispo Frei João da Madre de Deus por insubordinação e sua crítica ferrenha através de seus escritos, ocasião em que criou muitas inimizades em seu meio, fazendo-o receber a alcunha de Boca do Inferno.

Em 1694 foi deportado a Angola, podendo retornar ao Brasil sob as seguintes condições: desde que não à Bahia, mas a Pernambuco, e cessando a crítica satírica (o que não era muito fácil para ele, pois viveu, até a sua morte supostamente em 1696, sempre a ponto de ser punido).

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

O Barroco no Brasil ocorreu em 1601 a 1768, período este conhecido como Contrarreforma e da criação da Companhia de Jesus. Foi através deste movimento que tentou-se impedir a reforma protestante (criada por Martinho Lutero) e a manutenção ou até mesmo a imposição da fé católica.

Tal escola literária, conta com uma literatura genuinamente brasileira, tendo em vista que o Quinhentismo era uma literatura de informação (crônicas de viagem) e de catequese produzida por estrangeiros.

Durante o período da produção da obra de Gregório de Matos, nós estávamos diante de um reino português em decadência, devido ao fracasso do comércio oriental, a insustentabilidade da economia portuguesa com o tráfico de escravos da África e nativos indígenas, e a intensificação das restrições comerciais do Brasil, sugando assim tudo o que podia da colônia, impedindo o seu próprio desenvolvimento.

O açúcar, principal fonte de produção brasileira na época, enfrentava uma forte concorrência com as colônias espanholas e inglesas na América Central.

A essas transformações socioeconômicas correspondiam mudanças no quadro político, caracterizando as formas de domínio e controle da metrópole sobre a colônia: as Câmaras, representativas do poder local, iam sendo debilitadas à medida que se fortalecia o poder dos governadores e demais funcionários reais representantes do poder metropolitano.

A poesia de Gregório de Matos satirizará estas tensões políticas e econômicas de sua época. Lembrando que nesta época, Salvador era a capital do Brasil e juntamente com Recife eram os maiores polos comerciais de cana de açúcar.

Gregório enraíza na cidade da Bahia a figuração tradicional do desconcerto do mundo, que lhe parece invertido.

Para entender os poemas de Gregório de Matos, temos que ter em mente suas influências (Luís de Camões e Francesco Petrarca), bem como as características desta escola literária, quais sejam:

CARACTERÍSTICADESCRIÇÃO
PersonificaçãoDar características humanas a seres que não são humanos, como é o caso da cidade da Bahia, por exemplo.
MetáforaJogo de comparação sem um elemento comparativo.
Antítese e paradoxoSão figuras de linguagem de oposição, através  de palavras e de ideias
AnadiploseUtilização da última palavra de um verso começando o verso seguinte. Como se fosse uma espiral.
Relação dicotômicaCorpo x alma, sagrado x profano, céu x inferno
Rebuscamento e hipérboleOrnamentação excessiva de linguagem
Renascentismo x Ética CristãAntropocentrismo x Teocentrismo
Cultismo/GongorismoJogo de palavras (sinônimos, antônimos, homônimos, trocadilhos, figuras de linguagem, hipérbatos)
Conceptismo/QuevedismoJogo de ideias (comparações e argumentação engenhosa)
Temática religiosaSentimento de culpa e arrependimento
Emprego de medidas poéticasVersos decassílabos (dedique um tempo do estudo para o aprendizado da contagem das sílabas poéticas).

SOBRE A EDIÇÃO

Esta edição, publicada pela Companhia das Letras em 2011, é voltada aos vestibulandos. Foi utilizada a comparação com as edições de Afrânio Peixoto e James Amado, recorrendo, quando fosse o caso, a algumas antologias que contêm lições ou notas de Sérgio Buarque de Holanda e de Segismundo Spina e da edição da Academia.

ESTILO NARRATIVO

Já se definiu a sátira como “a luta cômica de duas sociedades, uma normal e outra absurda”, ou seja, o poeta com sua escrita galante, parece tão absurdo diante da realidade da Bahia quanto a realidade da Bahia é absurda aos olhos do mesmo.

A lírica-amorosa de Gregório de Matos, por sua vez, traz como temática os choques entre ascetismo (filosofia religiosa) e sensualismo, espírito e matéria, fazendo os contrários passarem por uma série de transformações e aproximações que os faz inseparáveis.

Nesse trabalho de confronto e fusão dos opostos, Gregório mostra-se hábil na espécie de ocultar a realidade dos contrários. Segundo Gérard Genette (crítico literário francês), a poesia barroca tende a transformar toda diferença em oposição, toda oposição em simetria, e a simetria em identidade. Nos limites desse trajeto, o diferente torna-se idêntico, o outro torna-se o mesmo.

Na poesia religiosa, por sua vez, a dualidade matéria x espírito projeta-se na dualidade culpa x perdão. Três espaços se encontram aqui: o da religião (o confessionário), o da lei (o julgamento) e o da poesia (o soneto). A poesia aparece como a única coisa salva o poeta, perante si mesmo, perante os outros e perante Deus.

POESIA DE CIRCUNSTÂNCIA

SATÍRICA E ENCOMIÁSTICA

A maioria dos poemas escritos eram críticas irônicas a cidade da Bahia, no qual se verifica que uma de suas mazelas é a falta de verdade de honra e de vergonha devido aos negócios praticados na época, derivado da ambição e usura de seus governantes e funcionários.

Entende-se os negócios da época o comércio escravo e o açúcar.

Entende-se por funcionários do governo: meirinhos, guardas e sargentos.

Entende-se por governantes: a Justiça (bastarda, vendida e injusta), o Clero (simonia, inveja e roubalheira), Câmara (não pode acudir, não quer o poder e não vence o Governo).

Além da crítica ao Governo, há um contraste da cidade da Bahia, no qual Gregório traça um paralelo do recôncavo que um dia ele conheceu como a terra abundante e de açúcar excelente a terra que hoje comercializa o seu melhor produto no estrangeiro, por produtos inúteis a sua população.

Ademais, o próprio autor critica a condescendência do povo baiano com a corrupção praticada e o desprezo aos mesmos com a exaltação do povo estrangeiro.

A sátira de Gregório, em alguns casos, tinha um destinatário certo e sabido, como é o caso do poema intitulado “Ao Padre Lourenço Ribeiro, homem pardo que foi vigário da Freguesia do Passé”. Neste escrito, nós encontramos uma resposta ao Padre Lourenço, que desdenhou através de trovas a pessoa do autor.

POESIA AMOROSA

LÍRICA

É uma poesia amorosa literalmente. São sonetos que abordarão temas como amores não vividos, amores desprezados e até platônicos. Nestes poemas, encontramos o contraste de ideias e palavras, mas não de forma irônica, como visto na poesia satírica e erótica.

ERÓTICO-IRÔNICA

São poemas de conteúdo sensual e com a utilização de expressões de baixo calão, no qual vemos o emprego do erotismo através de um jogo de palavras e de muita ironia. Como exemplo, eu cito o poema A uma freira, que satirizando a delgada fisionomia do poeta lhe chamou “Pica-Flor”, página 275.

POESIA RELIGIOSA OU SACRA

É a poesia, na qual vemos a existência da fé, da culpa e do arrependimento.  Foi nesta espécie que eu li um dos sonetos mais bonitos de livro, denominado “A Jesus Cristo Nosso Senhor”, página 313.

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Ao analisar as questões de diversos vestibulares, eu pude verificar que a cobrança se fundava nas características da escola literária através da análise do poema fornecido pela Banca.

Cumpre também destacar a cobrança da forma estrutural ou até técnica do poema, sendo esta o soneto. Lembrando que este é dividido em catorze linhas, sendo estas divididas em quatro estrofes compostas de dois quartetos e dois tercetos.

Nas duas primeiras estrofes é apresentado ao leitor uma tese, já no primeiro terceto será apresentado o desenvolvimento e no segundo terceto a resolução da tese/problema.

Ademais, este soneto apresenta características peculiares como é o caso de versos decassílabos, ou seja, cada linha tem dez sílabas poéticas (a sílaba poética não conta a última sílaba do verso).

Salienta-se também outra característica do poema que são as rimas interpoladas nos quartetos (A/B/B/A), as rimas intercaladas nos tercetos (C/D/E/C/D/E), bem como a contagem das sílabas poéticas (versos decassílabos).

Por fim, caso você não queira ler ou não tenha tempo para ler esta obra, fica a dica de estudo das características do barroco, bem como seu contexto histórico e cultural.

IMPRESSÃO GERAL DO LIVRO

Até o momento, este foi o maior desafio literário que eu tive este ano, pois:

  1. Faz tempo que eu concluí o ensino médio (ano de 2005);
  2. Não lembrava mais nada do período do Barroco Brasileiro, somente do Aleijadinho (bem pouco, por sinal);
  3. Não estou acostumada a ler poesia.

E como foi a leitura deste livro então?

Não foi nada fácil, a linguagem rebuscada, as palavras que não são mais utilizadas e até não tinham mais sinônimos, contribuíram para a leitura ser lenta e maçante em alguns momentos, tendo em vista que em alguns poemas eu tinha que fazer a releitura por não ter entendido nada.

As poesias que eu mais gostei foram as satíricas, pois eu adoro uma ironia e um humor negro. No que tange ao sarcasmo, alguns escritos tinham o nome da pessoa interessada, razão pela qual o autor fazia jus ao seu apelido de Boca do Inferno e também fez com que ele fosse expulso da Bahia e para lá não pudesse mais voltar.

Também gostei bastante da poesia religiosa, porque era cristalino o arrependimento do poeta em seu escrito (eu-lírico).

Por fim, recomendo a leitura deste, desde que você já tenha em mente as características do barroco e caso você queira sair da sua zona de conforto lendo um clássico da literatura nacional em forma de poesia.

Já leio este livro? Está se preparando para o vestibular?

Compartilha aqui comigo sua experiência de leitura!!

Um beijo e até o próximo post!!

O que estamos fazendo em defesa dos livros, da retomada das livrarias e do alcance da leitura?

O post de hoje abordará sobre o Projeto de Reforma Tributária idealizada pelo Ministério da Economia referente a tributação dos livros, bem como a movimentação nas redes sociais em defesa dos mesmos e retomada das livrarias diante do nosso “novo normal”.

Para quem não sabe, o Ministério da Economia, através da reforma tributária, pretende retornar com a tributação dos livros, devido a uma brecha na lei que admitiria tal retomada na cobrança. Vejamos:

O Código Tributário Nacional em seu artigo 9º, inciso IV, alínea “d”, prevê a imunidade tributária do papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros.

Já a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 150, inciso VI, alínea “d”, limita o poder da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, de instituir impostos sobre os livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão.

Com o advento da Lei nº 10.865/2004, o mercado editorial foi desonerado da tributação do PIS e Cofins sobre o produto produzido.

Nota-se, portanto, que as normas acima citadas pretendem garantir a liberdade de comunicação e de pensamento, bem como a proteção e preservação dos veículos informativos, a fim de disseminar a cultura e a própria educação do povo brasileiro.

Todavia, com o projeto de reforma tributária, os tributos PIS e Cofins, seriam substituídos pela Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), que tornaria os livros sujeitos à tributação, sob alíquota de 12%.

Ademais, a contribuição (CBS), incidiria também sobre os livros eletrônicos e dispositivos de leitura digital, posto que, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal em 2017 (Súmula Vinculante 132), esses produtos tiveram isenção equiparada à de livros impressos, conforme o entendimento da Corte “o livro é o conteúdo, não o formato”.

Diante deste cenário, a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), a Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e outras entidades do representativas do livro no Brasil, assinaram um Manifesto do Livro, no qual consideram como urgentes e necessárias as seguintes ponderações (texto na íntegra):

1. A Constituição Democrática de 1946 consagrou no país o regime de isenção de impostos para o papel utilizado na impressão de livros, jornais e revistas. Inspirada na luta de intelectuais, editores e escritores, a emenda constitucional foi apresentada pelo autor brasileiro de maior prestígio internacional à época, Jorge Amado.

Por um lado, a isenção visava tornar o papel acessível às mais diferentes vozes no debate das questões nacionais, garantindo o suporte material para a livre manifestação de opiniões; por outro, barateava o produto final, permitindo que o livro e a imprensa pudessem chegar às camadas mais amplas da população, em um país onde o analfabetismo era, infelizmente, a regra e não a exceção.

A mudança constitucional possibilitou a criação e o desenvolvimento das bibliotecas públicas no país, beneficiando as pessoas de menor poder aquisitivo e permitindo que o mercado editorial passasse a ter condições de publicar obras de alto valor intelectual e pedagógico, muitas delas sem apelo comercial, a custos compatíveis com o poder aquisitivo do leitor médio. Não há dúvidas de que a popularização do livro teve, e ainda tem, papel fundamental no aumento da educação do brasileiro. 

2. De tal forma se enraizou no espírito da sociedade brasileira o apego à importância da leitura como fonte de educação e crescimento intelectual, de formação de cidadãs e cidadãos, de difusão da cultura e da informação qualificada, que a reforma de 1967 não só preservou o “espírito imunitário” da Constituição, como o ampliou, estendendo a isenção ao próprio objeto: o livro.

A Constituição Cidadã de 1988 não poderia fazer diferente e consolidou a reiterada jurisprudência que isenta o livro, ferramenta básica de conhecimento, educação e cidadania, de impostos. A atual Carta Magna diz, em seu artigo 150, que é vedada à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criarem impostos de qualquer natureza sobre o livro e a imprensa escrita. 

3. No entanto, dada a complexidade da legislação tributária brasileira, foram criadas ao longo dos anos contribuições sociais, como PIS e COFINS, incidindo sobre a receita das empresas. Uma vez que os livros não são imunes das contribuições, a Lei nº 10.865 de 30 de abril de 2004 reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS nas vendas de livros, em reconhecimento da importância deste bem para a sociedade.

Isso permitiu uma redução imediata do preço dos livros nos anos seguintes: entre 2006 e 2011, o valor médio diminuiu 33%, com um crescimento de 90 milhões de exemplares vendidos. Os fatos demonstram claramente a correlação entre crescimento econômico, melhoria da escolaridade e aumento da acessibilidade do livro no país.

A imunidade tributária está presente em vários países do mundo. Um relatório da International Publishers Association (IPA) de 2018 argumenta que o livro não é uma commodity como qualquer outra: é um ativo estratégico para a economia criativa, que facilita a mobilidade social assim como o crescimento pessoal e traz a médio prazo benefícios sociais, culturais e econômicos para a sociedade. Qualquer aumento no custo, por menor que seja, afeta o consumo e, em consequência, os investimentos em novos títulos. A imunidade é uma forma de encorajar a leitura e promover os benefícios de uma educação de longo prazo.

Recentemente, em abril do corrente ano, o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão unânime, reconheceu por meio da Proposta de Súmula Vinculante 132, que o direito à isenção tributária do livro se estendia também aos leitores eletrônicos. Enfim, está na tradição da formulação das leis brasileiras e na história das decisões jurídicas, bem fundamentadas e analisadas em vários períodos diferentes da nossa história, que o livro é disseminador de conhecimento em lato senso, e que deve contribuir para o combate à desigualdade de formação da população brasileira. 

4. O escritor e editor Monteiro Lobato cunhou a famosa frase “um país se faz com homens e livros”; anos depois, o editor José Olympio acrescentou: “…e ideias”. Ai do país que se torna um deserto de homens, livros e ideias. Queimado em praça pública sempre que a intolerância triunfa, o livro resistiu aos séculos e atravessou as crises tendo a sua significação para a humanidade renovada e fortalecida.

Aliás, existe alguma prova mais eloquente da importância do livro para as vidas humanas do que as estantes cheias de obras, tal como vemos na televisão e nas telas dos computadores e celulares, nesse momento de isolamento social? Os livros estão ali, às costas das pessoas como as asas de um anjo, significando proteção, sabedoria, compartilhamento de ideias e imaginário, reafirmando nossa fé na humanidade. O amor ao livro renasceu na pandemia.

É fácil calcular o quanto o governo poderá arrecadar com a nova CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), proposta em regime de urgência ao Congresso. Muito mais difícil é avaliar o que uma Nação perde ao taxar o bem comum da formação intelectual de suas cidadãs e cidadãos. Em perspectiva histórica, o dinheiro arrecadado à cultura, aos livros e à formação científica significa, de fato, um desinvestimento no crescimento futuro do país – que não se dará sem o crescimento intelectual amplo e igualitário de sua população. 

5. As instituições ligadas ao livro estão plenamente conscientes da necessidade da reforma e simplificação tributárias no Brasil. Mas não será com a elevação do preço dos livros – inevitável diante da tributação inexistente até hoje – que se resolverá a questão. Menos livros em circulação significa mais elitismo no conhecimento e mais desigualdade de oportunidades no país das desigualdades conhecidas, mas pouco combatidas.

O Brasil foi o último país a acabar com a escravidão e um dos últimos a permitir a impressão e a circulação de livros e da imprensa, duas marcas negativas na nossa História que até hoje não conseguimos superar. Poucos se dão conta que o mercado nacional de livros tem menos de 200 anos. Enquanto em Paris, no Século das Luzes, lia-se Diderot e Voltaire, enquanto na Alemanha se lia Goethe, na Espanha o Dom Quixote tornava-se leitura popular, em Londres, ilustrava-se com os trabalhos de David Hume, nos Estados Unidos podia-se formar o conceito de uma grande Nação nos escritos de homens públicos da estatura de Thomas Jefferson e Benjamin Franklin, no Brasil, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, um autodidata, articulava sua conjuração carregando um exemplar surrado e contrabandeado do “Compêndio das leis constitutivas das colônias inglesas confederadas sob a denominação de Estados Unidos da América” – em francês.

Ainda não se descobriu nada mais barato, ágil e eficiente do que a palavra impressa – em papel ou telas digitais – para se divulgar as ideias, para se contar a história da humanidade, para multiplicar as vozes da diversidade, para denunciar as injustiças, para se prever as mudanças futuras e para ser o complemento ideal da liberdade de expressão.

Com base neste Manifesto em face do projeto de reforma tributária, a campanha em defesa do livro, através da hashtag #defendaolivro está mobilizando editoras, escritores e leitores nas redes sociais.

Tal incentivo e comoção vem na tentativa de evitar um novo obstáculo ao mercado editorial, que vem enfrentando uma das piores crises de sua história (encolheu 20% entre 2006 e  2019, de acordo com a pesquisa realizada pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros), agravada pelos processos de recuperação judicial da Cultura e da Saraiva, bem como pelos efeitos das portas fechadas como medida para evitar a disseminação do Covid-19.

Insta salientar que, além da movimentação nas redes sociais, foi lançada a campanha de financiamento coletivo para o Projeto Retomada das Livrarias, idealizado pelo livreiro e editor Alexandre Martins Fontes e pela Câmara Brasileira do Livro.

A campanha tinha como meta, de até o dia 31 de julho de 2020, levantar o valor de R$ 500 mil, a fim de serem distribuídos entre pequenas e médias livrarias espalhadas pelo Brasil, com metade de suas atividades dependentes da venda de livros e adimplentes até o dia 15 de março, quando as lojas precisaram fechar as portas para conter a disseminação do Covid-19.  

Candidataram-se ao projeto, 213 livrarias, sendo a seleção destes comércios foi realizada por uma comissão formada pelas editoras Companhia das Letras, Melhoramentos, Record e WMF Martins Fontes, bem como pelas distribuidoras Catavento, Disal, Inovação, Loyola e pela rede Livraria Leitura. Abaixo, as livrarias selecionadas por pelo projeto:

  1. Arte & Ciência (Fortaleza)
  2. Banca Tatuí (SP)
  3. Benfica (Fortaleza)
  4. Blooks Livraria (Rio de Janeiro)
  5. Book Stop (SP)
  6. Boutique do Livro (Divinópolis)
  7. Café na Cama (SP)
  8. Casa Cultural (Campinas)
  9. Casa de Livros (SP)
  10. Castro Alves (Araruama)
  11. Chain (Curitiba)
  12. Cirkula (Porto Alegre)
  13. Clube Cultural (Teresópolis)
  14. Companhia Ilimitada (SP)
  15. Cooperativa Cultural (Natal)
  16. Copa Books (Rio de Janeiro)
  17. Favorita (Três Rios)
  18. Flamingo (Juiz de Fora)
  19. Fortlivros (Fortaleza)
  20. Intelecto (Pouso Alegre)
  21. Isasul (Porto Alegre)
  22. Janela Livraria (Rio de Janeiro)
  23. Larpsi (Salvador)
  24. Leonardo Da Vinci (Rio de Janeiro)
  25. Litterarius Livraria Café (Assis)
  26. Livraria da Ladeira (Guaratinguetá)
  27. Livraria da Tarde (SP)
  28. Livraria das Faculdades Chapecó (Chapecó)
  29. Livraria Delta (Passo Fundo)
  30. Livraria do Espaço (SP)
  31. Livraria Francesa (SP)
  32. Livraria Nobel (Araxá)
  33. Livraria Nobel (Brooklin/SP)
  34. Livraria Nobel (Campina Grande)
  35. Livraria Nobel (Shopping Largo 13/SP)
  36. Livraria Pontes (Campinas)
  37. Livroteca Story Time (Brasília)
  38. Livruz (Poços de Caldas)
  39. Malasartes (Rio de Janeiro)
  40. Mandarina (São Paulo)
  41. Panapaná Livraria Infantil (SP)
  42. Politécnica Guanabara (João Pessoa)
  43. Prazer de Ler (Paço do Lumiar)
  44. Prince Books (SP)
  45. Sertão Livraria e Café (Jacobina)
  46. Simples Livraria (SP)
  47. Simusinos (Novo Hamburgo)
  48. Solar do Leitor (Belém)
  49. Timbre Livraria (Rio de Janeiro)
  50. Toque de Letras (Itatiba)
  51. Ugra (SP)
  52. Via Sapiens (Porto Alegre)
  53. Vírgula (SP)

Por fim, esta que vos escreve, é favor do movimento em defesa do livro, pois o retorno a tributação representa um retrocesso não só legislativo como também social.

É necessário reavaliar o projeto da reforma tributária, no que tange a este tópico, pormenorizadamente, com intuito de diminuir a carência na difusão de cultura e conhecimento por meio do livro.

Frisa-se também que, o próprio governo é responsável pela aquisição de 49% da produção de livros didáticos, logo, a majoração no valor das obras adquiridas pelo poder público geraria um gasto maior dos recursos provenientes do contribuinte ou poderia significar uma aquisição menor de livros, dificultando o acesso à educação para a parcela mais carente da população.

Espero e quero acreditar que nossos legisladores e a nossa sociedade sejam favoráveis ao livro e entendam que ele é um instrumento, assim como a educação, capazes de mudar o mundo.

Um beijo e até o próximo post!

Livros encalhados na estante #2: O Hobbit

Um dos livros mais lindo da minha estante com uma marcador maravilhoso para combinar!!

Continuando a minha saga na leitura dos livros encalhados na estante, através do método book jar, no qual o livro sorteado do mês de Julho foi O Hobbit de J.R.R. Tolkien.

Antes de prosseguir o meu relato, me segue lá no Instagram também: @magia.das.palavras!!!! Lá tem um destaque falando desta iniciativa!!!

Primeiro livro que leio do autor e já me tornei fã. É um livro infanto-juvenil, tendo em vista que o autor o escreveu para seus filhos, que conta com uma história envolvente, com uma narrativa onisciente (o narrador sabe o que acontecerá antes das personagens), repleta de músicas, criaturas, aventuras e até trevas como pano de fundo para O Senhor dos Anéis.

Ademais, quero salientar a minha admiração pelo trabalho desenvolvido na edição publicada pela Harper Collins, pois o livro é lindo, bem traduzido e revisado. Na verdade, esta edição é um verdadeiro manifesto de amor a obra do Tolkien (fotos: capa, contracapa, folha de guarda, lembrando que todos os desenhos foram feitos pelo autor e um marcador lindo que eu comprei no Instagram da @mrsofbooks)

E o que falar sobre este autor??

Tolkien era um gênio, uma pessoa bem além de seu tempo e que foi capaz de criar através de uma simples frase, em uma toca no chão havia um hobbit, um universo mágico e através dele ressaltar a importância da amizade, da dignidade e da resiliência, bem como nos mostrar que até em um mundo fantástico, nós encontramos cobiça, ganância e maldade.

E sobre o que é a história, Ale? Iremos acompanhar as aventuras do hobbit Bilbo Bolseiro até a Montanha Solitária, habitada pelo dragão Smaug e seu tesouro.

Lógico, que Bilbo não estará sozinho nesta aventura. Ele terá como companhia, anões e um mago chamado Gandalf, que desaparece em alguns momentos da jornada, mas reaparece nos mais difíceis, a fim de ajudar os seus amigos.

E como o Bilbo foi parar nesta aventura? Eu achei esta parte fantástica, pois Bilbo é um hobbit que adora o conforto de sua toca, seu caximbo, desjejuns bem saborosos, e claro, a previsibilidade (característica muito forte da parte paterna de sua família).

Até que um dia, recebe a visita do mago Gandalf, com o seu espetacular “bom dia”, no qual chamará Bilbo para uma aventura. Nosso querido hobbit resiste ao convite, todavia sua negativa tornou-se frustrada ao aparecer em sua porta vários anões que ocuparão a sua toca tão acolhedora e sua despensa tão farta.

Por ser subestimado pelos anões, e acredito que até por si mesmo, Bilbo embarcará nesta aventura, a fim de mostrar que é capaz de ser o gatuno que eles tanto precisam nesta jornada.

A jornada até o destino final é longa e cheia de percalços, com gobelins, wargs, elfos da floresta, águias e até uma criatura bem peculiar denominada Gollum e seu anel tão precioso.

Com o decorrer da aventura, Bilbo vai se mostrando audaz e perspicaz ao lidar com os obstáculos e vemos o seu lado aventureiro florescer (característica da parte materna da família).

Ao eliminar o suposto conflito principal, nós vemos que há um conflito muito maior que as personagens terão que enfrentar, sendo esta a cobiça pelo tesouro resgatado.

Este trecho do livro é muito interessante, pois o autor, quis mostrar que apesar do fascínio pelo ouro, nós temos no mesmo indivíduo a característica da honra e da dignidade, retratando assim, a verdadeira dualidade do homem e a nossa suscetibilidade da falhas.

Por fim, recomendo muito a leitura deste livro e estou super ansiosa para a leitura da trilogia do Senhor dos Anéis.

Já leu O Hobbit???

Conta para mim a sua experiência de leitura aqui nos comentários!!!!

Um beijo e até o próximo post!!!

FUVEST: Resumo da obra Angústia

Capa do livro publicado pela Editora Record em 2019

Terceiro livro analisado para o projeto de Literatura da FUVEST, Angústia é uma obra da escola literária do Modernismo, escola esta bem cobrada e explorada pela banca, assim como o realismo.

SOBRE O AUTOR

Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 27 de outubro de 1892 no Estado de Alagoas. Seus pais eram comerciantes e devido a situação financeira da família, pode ser dedicar aos estudos, principalmente pela língua portuguesa.

Devido ao seu interesse pela leitura e escrita,  o autor chegou a publicar seu primeiro conto aos onze anos de idade. Durante a sua adolescência,  produziu textos para periódicos brasileiros, fez parte do Exército, ajudou seus pais na loja da família e deu aulas de português.

Graciliano Ramos se envolveu com política e acabou se tornando o prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, em 1927. Todavia, renunciou ao cargo dois anos após sua posse, tendo em vista que achava a política muito conturbada e burocrática.

Contudo, o escritor não deixou totalmente a política de lado, pois até a sua morte em 1953, ele atuou em diversos outros cargos públicos, principalmente ligados à educação.

Depois de passar onze meses encarcerado, Graciliano Ramos foi liberado em 1937.

Por fim, Graciliano Ramos morreu em Março de 1953, tendo sido casado duas vezes e pai de oito filhos.

SOBRE A OBRA

A obra foi publicada em 1936, durante o segundo tempo do modernismo (1930 – 1945). Para entendermos o contexto histórico e cultural, bem como o enredo da obra, nós precisamos saber que tal período, possui as seguintes características:

 – Prosa ficcional regionalista: é o uso da literatura como instrumento de denúncia social com grande engajamento político.

 – Traços do neorrealismo e neonaturalismo: é a capacidade descritiva de fato da realidade brasileira sem idealizações, sem romantização. 

A obra é um romance psicológico que trabalha com o fluxo de consciência através de uma narrativa não linear, causando dificuldade na compreensão da leitura.

O tempo da narrativa é dividido em:

Infância: composta por memórias da sua moradia e da sua família. Ressalto aqui, a cena em que seu pai acaba de falecer e Luís da Silva não chora pela morte dele, mas por não saber o que fazer da sua vida daqui para frente.

Vida adulta: composta por conflitos centrais ligados a obsessão, compulsão e econômica do nosso protagonista.

Tempo da narração em processo: na qual o protagonista decide escrever a história fazendo digressões ao passado.

Trata-se de um romance circular, isto é, para entender o final da história, se faz necessário voltar ao início da narrativa, a fim de entender o que de fato aconteceu.

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

Na época em que Graciliano Ramos começou a escrever, o país sofria mudanças, nos campos artístico, político e econômico. O movimento literário conhecido como Modernismo se consolidava, reforçando a formação de uma identidade artística nacional.

O Modernismo foi fundado por grandes nomes da arte brasileira, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, durante a Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Theatro Municipal de São Paulo (Marco Inicial do Modernismo).

Inicialmente, o movimento focou na ruptura da arte do Brasil com as influências do exterior, através da criação de uma identidade brasileira de forma quase patriótica e revolucionária. O primeiro tempo do Modernismo é de 1922 até 1930.

Quando Graciliano Ramos começou a publicar suas obras, os ideais do movimento do segundo tempo do modernismo, qual seja, de 1930 a 1945 destacam temas, como o regionalismo, a mistura de diversos tipos de arte e a construção de algo totalmente nacional. 

Neste período também, ocorreu a Revolução de 1930, na qual colocou o país sob o comando de Getúlio Vargas, responsável pelas reformas trabalhistas e econômicas para modernização do país. 

Contudo, em  novembro de 1937, através de um golpe de Estado, foi instituído o Estado Novo. Tal período é caracterizado pela centralização do poder através da figura de Getúlio Vargas, pelo anticomunismo e autoritarismo. A Terceira República Brasileira permaneceu até Janeiro de 1946. 

Diante deste novo contexto político e social, as obras e as amizades de Graciliano Ramos não eram bem vistas, tendo em vista que o partidarismo velado (comunismo) do autor é perceptível apenas para quem realmente presta atenção em seus escritos.

ESTILO NARRATIVO

A narrativa é em primeira pessoa, no qual será mostrado ao leitor a vida cheia de angústia que o nosso protagonista Luís da Silva vive. A angústia pode ser verificada no trecho abaixo citado:

Vivo agitado, cheio de tremores, uma tremura nas mãos que emagreceram. As mãos já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis. As escoriações das palmas cicatrizaram. 

Como podemos perceber, a obra Angústia, é uma narrativa lenta, pesada e fragmentada. Essa angústia também é gerada no leitor que acompanha a saga do protagonista.

Ademais, ao analisarmos esta obra, nós percebemos uma forte ligação com o realismo machadiano, razão pela qual nós temos traços do neorrealismo nas obras de Graciliano Ramos. Um exemplo desta semelhança é a obra Dom Casmurro, através do narrador angustiado em primeira pessoa fazendo seus relatos assim como Luís da Silva.

ENREDO

A vida de Luís da Silva não foi nada fácil. Apesar de vir de uma família de posses, ele perde a mãe muito cedo e foi criado pelo pai e por seus avós. Com o falecimento de destes, as dívidas e problemas da família recaem em Luís da Silva, um menino de catorze anos, que vê os credores da família levando tudo e se deparando em uma situação em que terá que buscar algum meio para sobreviver.

Logo, Luís da Silva será professor em uma escola próxima a sua região, mas chega um momento em que não dá mais para ficar naquele lugar, ocasião em que resolve sair do interior e morar em Maceió. Ao chegar na Capital, Luís da Silva acaba conseguindo um emprego no jornal ligado ao governo. 

Insta salientar, aos vestibulandos, que o nosso protagonista trabalhava como revisor de um jornal ligado a um órgão governamental. Logo, uma de suas funções era manipular partes dos textos escritos por jornalistas do local onde trabalhava, evitando fatos prejudiciais ao governo, lembrando que estamos em plena a Era Vargas.

Voltando ao enredo, Luis da Silva levava muito regrada em sua rotina, logo, o mesmo chegava do trabalho, conversava com a sua empregada Vitória, ia para o quintar ler um livro em sua rede.

Até que ele começa ver uma movimentação na casa ao lado, devido a mudança de uma nova família. E, nesta oportunidade, Luis da Silva conhece Marina.

Inicialmente, o diálogo entre os dois não era tão profundo, pois Marina era muito fútil e superficial. Todavia, ele acaba obcecado compulsivamente por ela.

A casa em que Luís vivia era conjugada, isto é, a parede da casa fazia divisão com a casa dele e a casa de Marina, logo, ele escutava o que acontecia lá, na verdade, nessa moradia todos eram muito próximos, como se o lugar fosse um microcosmo do mundo exterior. Nota-se que aqui, verificamos a característica do neonaturalismo, se assemelhando muito com a obra O Cortiço, de Aluísio de Azevedo 

Como Luís está empenhado em ter algo mais com Marina, ela a propõe em casamento. Diante deste novo contexto, Luis dá o dinheiro de suas economias para Marina. a fim de que a mesma providencie o enxoval, a alertando para comprar o que era realmente necessário. 

Contudo, Marina não o obedece e acaba gastando todo o dinheiro com coisas supérfluas, como camisas e meias de seda. Apesar da desobediência de Marina, Luís continua empenhado em se casar e aceita os gastos por ela cometidos.

A questão é que logo depois vem a grande decepção, pois Luís descobre que Marina está tendo um caso com Julião Tavares, colega de trabalho,e termina o noivado com ela.

Após um tempo, Luís descobre que Marina está grávida de Julião e que este a abandonou, pois, o mesmo já estava preparando o golpe para deflorar outra moça.

Revoltado e obcecado, nós temos em Luís da Silva a figura da justiça e da vingança. Logo, Luis pega uma corda e de tocaia acaba enforcando Julião e simulando o seu enforcamento, o amarrando em uma árvore.

Este é o momento de loucura de Luís da Silva, no qual ele tenta defender a honra da mulher em que um dia ele pensou em se casar. Segue-se então 30 dias de delírio e sofrimento, portanto a necessidade de se fazer o seu relato (esta cena é do início do livro…lembre-se é um romance circular).

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Ao pesquisar sobre como a obra poderia ser cobrada no vestibular, percebi que foram poucas as questões que cobraram o enredo da obra em si, tendo em vista, que a cobrança possui um foco multidisciplinar, ou seja, mesclando história, especialmente sobre a Era Vargas com a segunda fase do Modernismo.

Ademais, o foco das questões era com base na característica da transcendência, já que o Nordeste, serviu de pano de fundo para a maioria das criações do segundo tempo do Modernismo.

Os textos produzidos neste período denunciavam os traços de uma região em decomposição, acometida pela miséria, seca, descaso dos políticos, bem como pelo abandono dos que lá viviam, o que fez com que os retirantes se deslocassem para o eixo Sul-Sudeste do país.

IMPRESSÃO GERAL DO LIVRO

Confesso que a minha versão adolescente não teria gostado deste livro, pois como dito anteriormente, a narrativa é lenta, confusa, o que dificulta a compreensão da obra e contribui para afastar qualquer jovem da literatura nacional.

Mas hoje, eu posso afirmar que achei a obra muito bem escrita, com um protagonista denso e capaz de nos transmitir a angústia que ele sentia, não só com o crime cometido, mas principalmente, com a sua forma de viver. 

Aqui faço um adendo a minha experiência de leitura com uma obra muito parecida e do período do realismo, qual seja, Crime e Castigo de Dostoiévski, no qual o protagonista nos transmitia os seus sentimentos de forma tão verdadeira que conseguimos nos sentir cúmplices de seu crime e de suas mazelas.

Ao concluir a leitura e compará-la com a obra russa acima citada, ouso dizer que em alguns momentos eu achei a obra de Graciliano Ramos mais intensa na narrativa do que aquela, especialmente ao relatar a loucura e a obsessão de Luís da Silva com Marina e Julião Tavares.

Ademais, por ser uma narrativa em primeira pessoa, tinha momentos, principalmente, no auge dos sentimentos de Luís da Silva que era difícil estar na cabeça dele e saber os seus pensamentos mais sombrios e conturbados.

Por fim, apesar da densidade dos temas abordados e da forma não linear da narrativa, eu aconselho muito a leitura desta obra, independente de você ser ou não vestibulando. 

Já leu este livro? Se sim, compartilha comigo nos comentários o que você achou!!

Um beijo e até o próximo post!!

LIVROS E ANOS VIVIDOS

Este post não será uma resenha sobre um dos livros que eu já li, mas um conteúdo autobiográfico sobre como a leitura influenciou na formação da Alessandra de hoje, com 32 anos recém completados nesta data.

Lembro que não gostava de ler quando era pequena, na verdade, tive muita dificuldade para aprender a ler, uma por preguiça e outra porque eu era mimada mesmo.

Durante o meu período escolar, eu lia os livros que os professores pediam e somente isso. Não tinha aquela paixão ou até mesmo aquela vontade de sentar para ler um livro.

Todavia, como a vida é uma constante evolução, graças a Deus, eu mudei e tive meu momento de amor à primeira vista ao ler Harry Potter e a Pedra Filosofal, aos treze anos de idade.

Esta leitura foi tão impactante para mim que eu lembro do momento até hoje. Peguei o livro emprestado na biblioteca da escola, na qual a minha mãe dava aula, durante as férias de Julho e me sentei no sofá da sala e comecei a ler. Lembro que conclui a leitura em dois dias e fui correndo ver com a minha mãe se na escola dela tinha a continuação.

E assim meus caros leitores, eu entrei em um caminho sem volta, ainda bem que foi sem volta, pois hoje eu não imagino a minha vida sem a leitura presente nela.

Lógico, como em vários dos momentos em nossas vidas, nós encontramos alguns percalços no meio do caminho e, com a leitura, para mim, não foi diferente.

Na época do ensino médio, eu lembro que os livros clássicos indicados para a leitura eram uma tortura para mim, pois não era o tipo de história que eu gostaria de acompanhar quando eu era adolescente (exceto Machado de Assis e Eça de Queiroz, pois até hoje eu gosto destes autores).

Ademais, acredito que por causa deste período, eu fui me distanciando da leitura de livros clássicos, principalmente da literatura nacional. Mas, tal fato não me impediu de continuar lendo livros para o meu próprio entretenimento.

No decorrer dos meus anos vividos, eu li vários livros de romance contemporâneo, romance de época (meu favorito), dramas, comédias, me arrisquei um pouco no suspense. Contudo, hoje, acredito que com mais maturidade, eu mudei um pouco o meu gosto literário.

Veja, eu ainda gosto dos gêneros acima citados, mas resolvi ousar como leitora, como diria um trecho de uma música da Sandy, da qual sou muito fã por sinal, eu quebro as minhas leis, pois só assim elas pertencem a mim.

E deste reencontro com os clássicos, eu renasci. O meu renascimento foi com a forma de ver os livros. Não os via somente como fonte de entretenimento, mas como fonte de aprendizado.

E esta é a essência dos livros, nos ajudar na educação do nosso imaginário, nos contando histórias, nas quais nos questionamos como leitores e como pessoas sobre quais seriam as nossas atitudes diante da situação narrada.

Os livros nos provocam empatia através de suas personagens e narrativas. São nossa fonte de companhia, mesmo quando queremos estar sós. São túneis do tempo, nos levando para o passado, para o futuro e até para outros mundos.

Livros são atos de solidariedade, em que ao concluir a leitura, você quer falar para o mundo da sua sensação, da sua experiência. E, foi deste sentimento que em Outubro de 2019, eu fundei o blog Magia das Palavras.

Nota-se que, os livros possuem diversos significados, e eu espero que um dia, eles possam significar amor, conhecimento, e principalmente, esperança em uma sociedade melhor, em uma educação melhor para os nossos jovens, garantindo assim a base para um futuro a estas novas gerações.

Espero, caro leitor do blog, que você não tenha achado este post saudosista ou até mesmo melancólico, mas o interprete como um texto de amor a um hábito criado e cultivado ao longo destes anos.

Espero que neste nosso espaço, eu continue por muito e muito tempo falando sobre livros, sobre sentimentos e mostrando através da escrita, a minha essência e a minha voz.

Desejo de aniversário muitas leituras maravilhosas para todos nós!!

Um beijo e até o próximo post!!

O Vermelho e o Negro

Capa do livro

Quinto livro do Projeto Reeducação do Imaginário, e o primeiro livro que eu leio do autor francês Stendhal.

SOBRE O AUTOR E A OBRA

Stendhal

Henri-Marie Beyle, conhecido por um dos seus cento e setenta pseudônimos como Stendhal, nasceu em 1783 (às vésperas da Revolução Francesa) em Grenoble.

Ficou órfão de mãe aos sete anos de idade, e essa figura materna, sensualizada por ele, sempre foi perseguida em todos os seus romances. Diante deste cenário, Stendhal foi educado por seu pai (burguês e apreciador da Monarquia e da Religião) e pelo avô materno, que lhe apresenta o mundo através da literatura.

Em contraste ao amor pela mãe, nós temos o ódio pelo pai, como dito anteriormente, apreciador da Monarquia, enquanto seu filho se torna um favorável e apaixonado pelos movimentos revolucionários (paixão do povo pela revolução).

Ao entrar no Ministério de Guerras, Stendhal consegue sair daquela França que ele tanto odeia e acha hipócrita, e consegue viajar para Rússia, Alemanha, Espanha e para a Itália. E, é graças a esta estadia na Itália que nasce o romancista Stendhal.

Apesar de seu romantismo (não era o romancismo francês, mas o italiano), Stendhal não foi aceito pelo público. A incompreensão desse público decorria da repulsa suscitada por uma obra em que a paixão romântica se manifesta em um estilo narrativo econômico, bem como desconfiado de suas próprias paixões.

As obras de Stendhal, principalmente, O vermelho e o negro são classificadas como um romantismo sui generis ou beylismo (escritas no momento de transição do romantismo para o realismo).

Em O vermelho e o negro, nos é apresentado uma fachada do Antigo Regime, enquanto quem dita as regras da sociedade é uma burguesia liberal, logo, desprovida da aristocracia, bem como da benevolência que se esperava de uma classe nascida da Revolução.

Apesar do livro possuir como subtítulo “as crônicas de 1830”, os estudiosos acreditam que o mesmo foi escrito em 1827, tendo em vista os acontecimentos de Julho de 1830, também conhecidos as “Três Gloriosas”, durante os quais o povo parisiense e as sociedades republicanas, realizaram uma série de levantes contra o Rei Carlos X que culminaram com a sua queda e o fim do período conhecido como Restauração Francesa.

A liberdade guiando o povo de Eugéne Delacroix

Por fim, Stendhal, faleceu em março de 1842, na França, ao 59 anos de idade.

SOBRE A EDIÇÃO

A edição pela qual eu fiz a minha leitura foi a publicada pela Companhia das Letras, através do seu selo Penguin Companhia em 2018.

Ressalto mais uma vez, minha admiração pelo trabalho da Editora desenvolvido neste selo, pois todos, os seus livros clássicos (estrangeiros e nacionais), contam com textos de apoio maravilhosos e capazes de transmitir o pensamento do autor e da sociedade da época.

Neste livro, os textos de apoio são da Professora Leyla Perrone Moisés e Henrich Mann (irmão do autor Thomas Mann), bem como traduzido por Raquel de Almeida Prado.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Inicialmente, gostaria de dizer que a escrita deste autor é simplesmente sensacional, para um livro escrito no século XIX. Trata-se de uma narrativa fluída, perspicaz e com a capacidade de te prender a história do início ao fim.

E sobre o que é a história Ale? Pois muito bem, o livro contará sobre um jovem francês chamado Julien Sorel, um rapaz bem apessoado, filho de um carpinteiro, inteligente (sabe a bíblia em latim de cor e muito bom em matemática), todavia, bem ambicioso.

Durante sua jornada, Julien Sorel se torna preceptor dos filhos do Prefeito da província fictícia de Verrières, no qual se apaixona perdidamente pela esposa do político, a Sra. de Rênal. 

Após o período em um seminário, Julien trabalhará em Paris como secretário do Marquês de La Mole, no qual terá um caso, com a filha do aristocrata, Mathilde. Este relacionamento nada mais é que uma paixonite sem perspectiva, todavia, a união foi capaz de gerar uma gravidez.

Ao saber da gravidez da filha e mais ainda saber quem é o pai do neto, o Sr. de La Mole, providencia tudo para que a filha não fique falada na alta sociedade, sendo este “tudo”, a disponibilidade de bens, rendas e um cargo a Julien de Sorel.

Porém, a Sra. de Rênal reaparece na vida de Julien e conta, por meio de uma carta, sobre o caráter do rapaz e o caso que eles tiveram. A partir deste acontecimento, a vida  de Julien se torna uma derrocada desenfreada, que o leva a cometer um crime contra a ex-amante, o levando a julgamento e, por fim a guilhotina.

A ambição de Julien nada tem a ver com dinheiro, muito menos com a situação reconhecida como gloriosa por uma sociedade burguesa que ele despreza totalmente. 

Na verdade, a sua ambição está ligada a um projeto de heroísmo, que só toma a forma da ascensão social, tendo em vista que a glória militar estava em queda e ser parte da Igreja, se tornando padre era o único caminho para o seu almejado triunfo.

Ao acompanhar as aventuras de Julien, pude ver que a sua ambição em alguns momentos  não me parecia ambição, mas sim ingenuidade e uma utopia, tendo em vista que seu ídolo, Napoleão Bonaparte (por isso a capa do livro) já tinha decaído em seu governo.

Isso me fez pensar que Julien nasceu em uma época errada, o que fazia com que ele desprezasse toda a sociedade ao seu redor e o seu projeto de heroísmo fosse tão difícil de ser alcançado. 

E qual a dificuldade em se lograr êxito com tal projeto? Para responder a esta pergunta, segue abaixo, o trecho do texto de apoio da Doutora em língua e literatura francesa e livre-docente pela Universidade de São Paulo, Leyla Perrone Moisés:

“O vermelho e o negro tem sido dado como exemplo de romance de ação. É bem verdade que se trata de uma narração, em ordem cronológica, de acontecimentos imbricados uns nos outros como causas e efeitos, movidos por uma força propulsora, que é a “ambição” de Julien Sorel, e contrariados por uma força de reação, que é a lei social da hierarquia de classes.(grifo e negrito nossos)

Veja caro leitor do Magia das Palavras, que nosso protagonista cobiça tudo o que está acima dele mesmo, odeia seu destino, tem raiva de todos os outros, seus sentimentos flutuam entre a paixão e o ódio. E seu fim foi traçado no momento em que o mesmo vestiu a máscara da hipocrisia que ele tanto desprezava.

Com relação ao fim de Julien Sorel, o mesmo não tem uma morte heróica, bem como sua trajetória não termina com a conquista do objetivo. Contudo, com o cometimento do crime, o projeto de vida de Julien se modifica para o reconhecimento do amor e da vida ideal, através da Sra. de Rênal (por mais que ele tenha atentado contra a vida dela).

Ademais,  ao mesmo tempo que Julien não consegue se tornar nem de longe Napoleão Bonaparte, Mathilde de La Mole realiza seu “sonho” imitando Margarida de Navarra até o fim, no ato de enterrar a cabeça do amante.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário, no sentido de que a ganância, a ambição e até mesmo a hipocrisia podem levar uma pessoa a cometer um ato ilícito. Todavia, toda a ação terá uma consequência e, infelizmente, o arrependimento pode ser tarde demais, como foi o caso de Julien Sorel.

Já leu este livro? Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

SOBRE OS EVENTOS LITERÁRIOS E A PANDEMIA

Como todos nós sabemos, estamos enfrentando um período delicado, no que tange à saúde pública mundial, devido ao Covid-19.

Diante desta situação, nós, bem como o mercado editorial tivemos que nos reinventar na forma de consumirmos os conteúdos literários disponibilizados.

As compras de novos livros não são mais realizadas em livrarias ou sebos físicos, mas através dos sites das editoras ou Market place, como a Amazon e a Estante Virtual.

Logo, as feiras de livros, também sofreram o impacto causado pela pandemia e é sobre isso que vamos falar no post de hoje!

Sobre a 26ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo: A Câmara Brasileira do Livro e a Reed Exhibitions (responsáveis pela realização e organização da Bienal), informaram através do site oficial do evento, o adiamento do mesmo para 2022 (https://www.bienaldolivrosp.com.br/pt-br/comunicado-oficial.html).

Tal decisão foi baseada no respeito e garantia a saúde e segurança de todos, tendo em vista que a Bienal Internacional do Livro de São Paulo recebe mais de 600 mil visitantes a cada edição e impacta milhares de leitores, profissionais e empresas participantes.

Sobre a 4ª edição da FLIPOP: Seguindo o mesmo intuito da Bienal, este ano o festival de literatura pop será realizado on-line, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da Editora Seguinte, nos dias 09 a 12 de julho e participação gratuita (https://www.youtube.com/channel/UCf1vVcMEfoKrfDsngvXRxzg).

Hoje o post foi bem curtinho e informativo, mas assim que tudo isso passar (espero que em breve), tenho certeza que nos encontraremos em um desses eventos para falar sobre um dos temas que mais amamos…livros!!!

Até lá deixa nos comentários se você já participou de alguma feira de livros na sua cidade!!!

Um beijo e até o próximo post!!

Livros Encalhados na Estante #1: Harry Potter e a criança amaldiçoada

Imagem da capa do meu livro e o papel do sorteio

No domingo do dia 14/06/2020, inspirada no IG de uma amiga do Instagram, eu resolvi escrever o nome de todos os livros encalhados na minha estante em papeizinhos, colocá-los em uma latinha e sorteá-los, para enfim, desencalhá-los. 

Antes de prosseguir o meu relato, me segue lá no Instagram também: @magia.das.palavras!!!! Lá tem um destaque falando desta iniciativa!!!

Pois muito bem, ao sortear, o livro selecionado foi Harry Potter e a criança amaldiçoada ou the cursed child (a minha versão do livro é em inglês).

Finalizei o livro no sábado à noite (20/06/2020) e, com a conclusão da saga, posso afirmar que a leitura para mim foi como rever um velho amigo.

Eu li Harry Potter e a pedra filosofal quando em tinha 13 para 14 anos (ano de 2002) e desde de então me apaixonei pela história, pelas personagens e pelo universo mágico criado pela J.K. Rowling.

Esperei louca e ansiosamente pelo lançamento de cada livro da saga que faltavam ser publicados, assisti todos os filmes no cinema, comprei todos os DVDs para assistir em casa, ou seja, sou uma verdadeira Potterhead…rsrsrsrs.

Com a leitura deste livro, que ironicamente estava encalhado na minha estante, fiquei feliz em saber no que o Harry e os demais se tornaram quando adultos e saber mais sobre os seus filhos, especialmente o Alvo Potter e o Escórpio Malfoy, que são os verdadeiros protagonistas de A criança amaldiçoada..

Também sempre tive curiosidade de saber se um dia a cicatriz do Harry iria voltar a doer (sim….voltou, mas vou deixar para você ter sua própria experiência literária).

A narrativa deste livro é diferente dos demais livros da saga, tendo em vista, se tratar de uma peça de teatro…sim..há descrições sobre o que ocorre no palco no momento de cada diálogo e de cada cena (que eu me lembre, na época do lançamento do livro, a peça de teatro foi encenada somente em Londres):

Elenco da Peça de Teatro, da esquerda para a direita: Rony, Hermione, Harry, Alvo, Gina, Draco e Escórpio

Ademais, o início deste livro é o epílogo de Harry Potter e as relíquias da morte, ou seja, a narrativa ocorre após mais de 20 anos da batalha de Hogwarts e contará como se deu o início da amizade entre Alvo e Escórpio, para qual casa cada um foi selecionado pelo Chapéu Seletor, se eles são bons alunos e, principalmente, sobre a relação dos dois com seus pais Harry e Draco, respectivamente.

Acho que este é o ponto inicial da aventura, devido a incompreensão dos pais, os filhos resolvem tentar voltar no tempo, com o auxílio de um vira-tempo, a fim de mostrar que ambos conseguem fazer uma determinada ação (que eu não vou contar) e provar aos seus pais a capacidade de se virarem sozinhos (coisas de adolescentes…já passei por isso também e não sou ninguém para julgar…rsrsrsrs).

Todavia, a situação sai de controle (caso contrário não teríamos uma aventura…) e nos mostra um ponto interessante da história. E se Voldemort tivesse ganhado a Batalha de Hogwarts, como seria o mundo bruxo?

Ademais, quem é o diacho da criança amaldiçoada??? Essa questão só é respondida quase no final do livro.

Num todo, eu tentando ser a mais imparcial possível neste post, mas fracassando copiosamente nesta tarefa…indico muito a leitura do livro, para quem leu ou viu os filmes e quer saber o que aconteceu com o Harry, o Rony e a Hermione, bem como o desenrolar desta história prazerosa, cantinho no coração e sem dúvida alguma mágica.

Já leu Harry Potter e a criança amaldiçoada???

Conta para mim a sua experiência literária aqui nos comentários!!!!

Um beijo e até o próximo post!!!

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