Resenha da obra Medeia, de Eurípides

Desde Édipo Rei, eu já estava com vontade de ler mais tragédias gregas, logo, para dar continuidade nesta empreitada, eu escolhi a peça Medeia, de Eurípides.

Adquiri esta edição da Editora Zahar, que conta com a tradução feita diretamente do grego por Mario da Gama Kury (tida como a tradução mais acessível em termos de linguagem e interpretação textual) e apresentação da Professora de língua e literatura grega da Universidade de São Paulo, Adriane da Silva Duarte.

Saliento que há um vídeo no Youtube sobre este livro com comentários da Professora Adriane, o qual eu recomendo dar uma olhadinha!

SOBRE O AUTOR E SOBRE A OBRA

Pouco se sabe sobre Eurípides, tendo em vista que, os dados que nós temos hoje são baseados em informações emprestadas da obra do autor em tela. Diante de tal situação, supõe-se que o tragediógrafo tenha nascido em Salamina, no mesmo dia em que os gregos bateram os persas na batalha naval de 480 a.C.

Há indícios que o autor compunha as suas peças no fundo de uma caverna e que o mesmo não obteve sucesso com seus escritos em vida como teve com eles após a sua morte, supostamente ocorrida em 406 a.C.

Contudo, apesar de pouco sabermos sobre sua vida, a sua obra foi a mais preservada da história da Antiguidade, servindo como referência sobre os poetas posteriores, tantos os cômicos quantos os trágicos.

As peças preservadas contam com a forte presença de figuras femininas, como é o caso de Antípoda de Alceste e Medeia, objeto da resenha de hoje, como também é através de seus escritos que o autor denunciava a condição da mulher na sociedade grega.

Produzida em 431 a.C., a peça sobre vingança da estrangeira contra o marido que a abandona para desposar a filha do rei, tem a honra e o ciúme como o motor dos acontecimentos, como você poderá acompanhar a seguir.

SOBRE OS TERMOS TEATRAIS

Mais uma vez, antes de falar do enredo da peça, deixo aqui alguns apontamentos sobre certos termos teatrais presentes na tragédia:

Prólogo: no antigo teatro grego, a primeira parte da tragédia, em forma de diálogo entre personagens ou monólogo, na qual se fazia a exposição do tema da tragédia.

Párodo: no teatro grego, momento que corresponde à entrada do coro. Cada uma das passagens laterais junto ao palco, num teatro grego.

Estásimo: na antiga tragédia grega, cada uma das odes cantadas pelo coro, entre dois episódios.

Êxodo: O episódio que finaliza a tragédia, no antigo teatro grego.

Corifeu: nas antigas tragédias e comédias do teatro grego, era o chefe do coro, aquele que enunciava partes isoladas do texto e que podia dialogar com os atores.

Coro: é um grupo homogéneo, não-individualizado de artistas das peças de teatro da Grécia clássica, que comentam com uma voz coletiva a ação dramática que está a decorrer.

CONTEXTUALIZAÇÃO DA TRAGÉDIA

Nossa protagonista possui uma família muito peculiar, tendo em vista que a mesma é filha do Rei de Cólquida, neta do Deus-Sol, Helios e sobrinha da feiticeira Circe, personagem da Odisseia de Homero.

Devido ao seu conhecimento de feitiçaria, ela utiliza de seus dons para ajudar Jasão e os Argonautas na busca do velocino de ouro, o qual era mantido sobre a proteção de um dragão. Todavia, tal ajuda teve um preço muito alto, pois Medeia (já perdidamente apaixonada por Jasão), matou o seu próprio irmão para garantir a fuga de seu amado.

Logo, em virtude destes acontecimentos, Medeia e sua família (Jasão e seus dois filhos), encontram-se sem pátria, rumando assim, para a cidade de Corinto. Contudo, o que Medeia não esperava, era que o seu marido a trocasse por outra, sendo está a filha do Rei Creonte, da cidade grega de Corinto. E é deste ponto que a tragédia se inicia.

SOBRE O ENREDO

Ao ser ver abandonada por Jasão e virar motivo de piada em Corinto, Medeia toma a decisão de punir seu marido, sendo tal resolução apoiada pelo coro de mulheres coríntias. Ressalto que, o discurso com o qual Medeia consegue o apoio e simpatia do coro é totalmente convincente e feminista, como podemos ver a seguir (1º Episódio, Cena 1 – 255/285):

“Das criaturas todas que têm vida e pensam, somos nós, as mulheres, as mais sofredoras. De início, temos de comprar por alto preço o esposo e dar, assim, um dono a nosso corpo – mal ainda mais doloroso que o primeiro. Mas o maior dilema é se ele será mau ou bom, pois é vergonha para nós, mulheres, deixar o esposo (não podemos rejeitá-lo). Depois, entrando em novas leis e novo hábitos, temos de adivinhar para poder saber, sem termos aprendido em casa, como havemos de conviver com aquele que partilhará o nosso leito. Se somos bem sucedidas em nosso intento e ele aceita a convivência sem carregar o novo jugo a contragosto, então nossa existência causa até inveja; se não, será melhor morrer. Quando um marido se cansa da vida do lar, ele se afasta para esquecer o tédio de seu coração e busca amigos ou alguém de sua idade; nós, todavia, é numa criatura só que temos que fixar os olhos. Inda dizem que a casa é nossa vida, livre de perigos, enquanto eles guerreiam. Tola afirmação! Melhor seria estar três vezes em combates, com escudo e tudo, que parir uma só vez! Mas uma só linguagem não é adequada a vós e a mim.

Nota-se que, em um primeiro momento, Medeia nos é apresentada como uma mulher digna de piedade e seu ex-marido como um ser egoísta e traidor da família. Contudo, seus serviçais, sendo estes, a Ama e o Preceptor das crianças temem pela prole, dado o ânimo selvagem da mãe.

O Rei Creonte chega a morada de Medeia para lhe informar que, tanto ela, como seus filhos devem sair de Corinto e partir para o exílio imediatamente. Tal atitude de Creonte encontra respaldo no receio que o mesmo tem de que Medeia possa vir a atentar contra a vida de sua filha (noiva de Jasão) e dele mesmo.

Mas Medeia, além de feiticeira, se mostra muito persuasiva, já que através de uma amabilidade fingida implora ao Rei para que ela e seus filhos possam ficar em Corinto. Creonte não altera o seu posicionamento e Medeia lhe pede ao menos mais um dia na cidade antes de partir, o lhe é concedido.

Conseguido o prazo, a nossa protagonista articula a sua vingança, cujo modus operandi será a morte de seus inimigos por meio de venenos.

Antes de partir para o exílio, Jasão procura Medeia com o único e exclusivo objetivo de repreendê-la por seu gênio, responsabilizando-a pelo próprio exílio. Além disso, o digníssimo ainda teve a cara de pau de eximir-se de culpa, argumentando que tudo que fizera visava ao bem de seus filhos e dela.

Diante da hipocrisia do ex-marido, Medeia o chama de egoísta e ingrato, pois foi ao lado dela e por ela que o mesmo conquistou o que possui hoje, às custas de laços familiares e de um lar. Mesmo assim, Jasão insiste em alegar que a ex-mulher é ciumenta, e Medeia o chama de ambicioso. A lavação de roupa suja termina com a total impossibilidade de reconciliação do ex-casal.

Medeia, mesmo tramando a sua vingança, ainda teme por seu futuro, pois não sabe para onde ir em seu exílio, até que se depara com o Rei Egeu, o qual estava de passagem por Corinto. O nobre vinha da cidade de Delfos, onde fora saber de Apolo como fazer para ter filhos, pois, apesar de casado, ainda não os tivera.

Logo, nossa protagonista que não perde nenhuma oportunidade, vê nesse encontro a garantia de acolhida após a execução de sua vingança. Assim, promete a Egeu que, caso a receba em Atenas em seu exílio, garantirá sua descendência por meio do conhecimento que detém das drogas. O Rei aceita o acordo proposto por Medeia e segue a sua viagem.

Com o exílio garantido, Medeia coloca em prática seu plano de vingança, cujo início consiste em enganar Jasão, fingindo arrependimento por tudo o que foi dito e submissão as vontades do ex-marido.

Além disso, nossa protagonista suplicará para que Jasão interceda pelos filhos junto à princesa, sua noiva. Para isso, Medeia fará de seus filhos, portadores de presentes para a nova mulher do pai, todavia, tais presentes estão envenenados e ao serem usados custarão a vida de sua adversária e provocará a fúria de Creonte, o qual dirigirá todo o seu ódio aos filhos de Medeia.

Aqui, o coro de mulheres coríntias desaprova os planos da heroína e pede para que desista do infanticídio contra seus filhos, mas Medeia segue implacável no seu plano.

O preceptor retorna do palácio de Creonte com as crianças e informa à nossa protagonista que a princesa aceitou os presentes e concordou com a permanência dos filhos de Jasão em Corinto.

Neste momento, Medeia fica atordoada e hesitante quanto à decisão a tomar: deve ela poupar a vida dos filhos e fugir com eles de Corinto ou matá-los para punir Jasão e evitar a chacota dos inimigos?

Mas, a sede por limpar a sua honra e continuar com a sua vingança fala mais alto e Medeia decide matar os seus próprios filhos, para que a sua prole não venha a perecer pelas mãos de outros.

Neste meio tempo, um mensageiro traz a notícia da morte de Creonte e sua filha e aconselha Medeia a fugir o mais rápido possível (faço a ressalva que a morte dos dois é horrível e que a nossa protagonista não estava para brincadeira com o veneno produzido especialmente para a ocasião).

Contudo, mesmo diante da morte da noiva e do sogro de Jasão, Medeia segue com seu plano de vingança contra o ex-marido. Ouvem-se os gritos de socorro das crianças no interior da casa e Medeia mata seus filhos.

Jasão chega à morada de Medeia para tentar salvar os filhos da vingança dos parentes de Creonte e descobre que ex-mulher já os matou. Ao tentar forçar a porta para ver os corpos dos filhos, encontra Medeia no carro alado que seu avô, o Deus-Sol, enviara para sua fuga.

Jasão fica pistola e chama a ex-mulher de bárbara por tamanha monstruosidade, o que a mesma revida alegando que tal ato só ocorreu devido ao desrespeito com que ele a tratara.

De posse dos cadáveres dos filhos, Medeia se comporta como deusa, determinando o funeral da prole, seu autoexílio e o destino de Jasão. Assim, sua vitória sobre os adversários está completa.

ADAPTAÇÃO DA TRAGÉDIA NO CAMPO DAS ARTES

Pudemos verificar que Medeia é uma das personagens mais interessantes da mitologia grega. logo, devido a este interesse, a história desta protagonista já serviu de base a peça teatral composta por Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes, intitulada “Gota d’Água”.

Ademais, o mito também já foi tema de outras obras artísticas, como as peças de Corneille e Jean Anouilh, a ópera de Luigi Cherubini, bem como o filme Medeia, de Pier Paolo Pasolini estrelado por Maria Callas como protagonista.

Um beijo e até o próximo post!

Vale a pena comparecer a 26ª Bienal do Livro de São Paulo?

No post de hoje, eu compartilho tudo com vocês sobre a minha presença ontem (03/07/2022) na 26ª bienal do livro de São Paulo.

SOBRE A ENTRADA NO EVENTO

Ao chegar no centro de exposição, já me deparei com uma fila gigantesca para entrar na Bienal. Eu demorei aproximadamente quarenta minutos na fila para entrada, sendo que no meio do caminho a minha fila teve que se unir a outra fila que estava rolando, pois os guichês para a certificação dos ingressos comprados online era em um lugar só.

Ressalto que, os colaboradores do evento não sabiam para onde direcionar os professores e imprensa para a entrada na Bienal, sendo que os mesmos ficaram todos juntos e misturados com os demais visitantes.

Ademais, eu recomendo a compra do ingresso online, pois não sei informar onde ficavam os guichês para a compra de ingressos no local.

CASHBACK

Na compra do ingresso online (o meu ingresso foi de valor inteiro, qual seja, R$30,00 +R$3,00 de taxa de conveniência), deste valor, você tinha R$10,00 para ser abatido na compra de livros durante o evento. 

Todavia, em alguns locais, os expositores não tinham o conhecimento do cashback e em outros (cito aqui a Editora Loyola), você só conseguia usar se você tivesse acesso ao seu ingresso pelo celular, o que me restou prejudicado, pois a internet no local era péssima e eu não consegui acessar nada. Logo, eu não usufrui do meu direito.

PROMOÇÕES

Adoramos um evento? Sim, nós adoramos, mas, também gostamos de uma boa promoção, não é mesmo?? Pois muito bem, no local, você encontrava livros na faixa de R$ 5,00 a R$10,00 e nos estandes das editoras, você também encontrava algumas promoções.

Contudo, não achei os valores comercializados na Bienal uma coisa de outro mundo ou com descontos imperdíveis, como nós podemos encontrar em uma determinada loja online, que vende coisas e livros de A a Z (entendedores entenderão).

MINHA EXPERIÊNCIA NA BIENAL

É a quarta vez que eu compareço a Bienal do Livro de São Paulo, sendo que uma delas eu ainda estava no ensino fundamental II (o antigo ginásio) e não recordo quase nada. Portanto, com base nas minhas experiências anteriores, eu senti que nos anos de 2014 e 2018, o evento estava mais dinâmico e até mais organizado.

Pude perceber ainda que, não tivemos tantos murais para tirarmos fotos, como nos outros anos, bem como não tinham tantas livrarias presentes, tendo em vista o fechamento da Saraiva e  Nobel. 

Notei ainda que, algumas editoras não compareceram ao evento, como foi o caso da Editora 34, Antofágica e até mesmo a Editora do Senado Federal. Logo, consegui curtir o evento sim, mas já tivemos anos melhores.

Ainda assim, eu recomendo a participação e caso você consiga ir a Bienal durante os dias da semana, eu acredito que você tenha mais sorte do que eu na entrada do evento e até consiga aproveitar mais a ocasião, pois com certeza é mais vazio do que aos finais de semana.

INFORMAÇÕES SOBRE A BIENAL

Período da exposição: 02/07/2022 a 10/07/2022

Local: Expo Center Norte – São Paulo/SP

Mapa do local dentro do evento: https://www.bienaldolivrosp.com.br/pt-br/a-bienal/mapa-da-bienal.html

Um beijo e até o próximo post!!

Resenha de A arte de escrever bem no trabalho

No post de hoje, eu falarei sobre a minha experiência de leitura da obra A arte de escrever bem no trabalho, lançada em 2022 através da parceria entre a Editora Sextante e a Harvard Business Review Press.

Sinopse: Quando seus e-mails, propostas e documentos importantes são mal escritos, você corre o risco de perder tempo, dinheiro e até mesmo bons negócios.

Pessoas que se comunicam de forma convincente e eficaz têm muito mais chances de se conectar com os outros e torná-los receptivos às suas ideias.

A arte de escrever bem no trabalho vai lhe mostrar que a boa redação é uma habilidade obrigatória para ser bem-sucedido.

Com uma seção de consulta rápida com dicas de pontuação, gafes comuns e as armadilhas gramaticais e ortográfica mais corriqueiras, este livro lhe oferece as ferramentas indispensáveis para se expressar com clareza. Aprenda a:

ir direto ao ponto

vencer o bloqueio na hora de escrever 

prender a atenção dos leitores

ganhar credibilidade junto a parceiros de negócios difíceis

encontrar o tom certo de acordo com o tipo de mensagem

Terminei a minha leitura recentemente e posso garantir que, para mim, as dicas foram muito úteis e a abordagem do livro escrito por Bryan A. Garner foi capaz de me fazer enxergar onde podemos melhorar em nossa escrita de forma objetiva, coesa e enxuta.

Com o objetivo de ser claro ao passar a mensagem da necessidade de escrevermos bem, o livro é dividido em seções e apêndices, bem como referências de obras para consulta e aprofundamento do tema:

Seção 1 – Dando conta do recado com rapidez e clareza: esta seção é voltada para análise do nosso objetivo com o texto a ser produzido, tal como o destinatário deste escrito. 

Aqui também, nós aprendemos a anotar as nossas ideias principais, com o foco de ao escrever o texto final, o material produzido venha a ser claro com relação ao assunto abordado, através de um tom adequado nesta abordagem, como também a utilização de uma escrita direta, pois os nossos leitores não têm tempo a perder.

Não posso deixar de abordar, ainda neste tópico, sobre o processo de redação em quatro etapas proposto no capítulo 3 desta seção, o LACJ. Este processo nos ajuda a descobrir como começar o nosso texto, sendo esta uma das maiores dificuldades da redação.

Louco: reúne material (memórias, pesquisas, observações, conversas com outras pessoas, especulações e a própria imaginação) e gera ideias;

Arquiteto: organiza as informações e preparar um esboço, mesmo que simples (o objetivo é chegar ao ponto de três frases completas que resumam a suas ideias);

Carpinteiro: coloca os seus pensamentos em palavras, montando frases e parágrafos, conforme o projeto do Arquiteto;

Juiz: faz o controle de qualidade e aperfeiçoa a redação, tornando-a concisa e corrigindo a gramática.

Seção 2 – Desenvolvendo suas habilidades: A escrita de um bom material só é possível se nos colocarmos no lugar do leitor para a avaliação da clareza do nosso texto, bem como a utilização de fatos concretos, gráficos e/ou infográficos para elucidar o nosso posicionamento.

Além do mais, um bom material será melhor produzido e útil quando desenvolvido através de uma escrita simples, direta, evitando o uso de jargão comercial e focando no uso de uma gramática correta.

Aqui, o autor recomenda a criação do hábito de pedir a opinião de seus colegas sobre seus rascunhos, apontando possíveis correções. Tal hábito só ganhará constância se dentro do ambiente de trabalho, as revisões de textos sejam promovidas livremente, sem que ninguém se sinta superior ou inferior.

Seção 3 – Evite maneirismo que afastem o leitor: Nesta parte, nós aprendemos a evitar o uso de formalismo, através de pronomes como nós, nosso, você e seu para adicionar um toque pessoal e agradar o nosso leitor. Vislumbramos também que, para produzir um texto claro e direto, temos que dar preferência à voz ativa, ao menos que a voz passiva, no contexto, soe mais natural.

Seção 4 – Formas comuns de redação comercial: foca na abordagem simples e direta em textos como e-mails, cartas comerciais, memorandos/relatórios e avaliações de desempenho.

Apêndices: aqui nós encontramos dicas de conferência das etapas da redação de nossos documentos; tópicos gramaticais para entendimento; dica de pontuação; relação de erros comuns e um guia para o bom uso da língua portuguesa.

Com base no exposto, nós podemos concluir que, a arte de escrever bem compreende, a aplicação de técnicas para superação de bloqueios de escrita; motivação dos leitores de seus documentos a terem alguma ação com relação ao seu escrito; o fato de colocar em um papel as nossas ideias nos ajuda, e muito, a nos organizarmos; saber expressar nossos pontos de vista com clareza, de forma direta, prendendo a atenção do leitor é fundamental para se fazer entendido e seu texto ser útil ao destinatário.

Para isso, é necessário a prática da escrita, sendo a constância e o hábito fundamentais para a evolução de seus textos. É com esta prática, que nós encontramos o nosso tom adequado, conseguimos alcançar a coesão dos nossos textos e também conseguimos evitar os erros gramaticais (o estudo da nossa língua é extremamente necessário para o desenvolvimento da escrita e da fala, sendo que este conhecimento não poderá ser tirado de você por ninguém).

Por fim, mas não menos importante, o hábito da leitura nos faz melhores escritores. Logo, leia livros que lhe instigue a curiosidade! Caso você não saiba o que ler ou por onde começar, dá uma olhada nas indicações de leitura aqui do blog!!

Um beijo e até o próximo post!

Resenha e análise de Romeu e Julieta, de William Shakespeare

Em comemoração ao dia dos namorados, nada melhor do que falarmos sobre o casal de amantes mais conhecido da literatura, Romeu e Julieta!!

SOBRE A TRAGÉDIA E TEXTOS DE APOIO

Informo que a minha leitura da peça foi feita através da edição da Nova Fronteira de Grandes obras de Shakespeare (Box I), com organização de Liana de Camargo Leão e tradução de Barbara Heliodora.

Como textos de apoio e complementares a leitura, foram utilizados os livros Shakespeare – The Invention of the human, do crítico literário Harold Bloom (somente em inglês) e o lançamento da Editora Âyiné, Aulas sobre Shakespeare, baseado nas anotações de Alan Ansen sobre as aulas de W.H. Auden lecionadas nos anos de 1946 e 1947  na New School for Social Research de Nova York.

Provavelmente escrita entre os anos de 1595 e 1596 (segundo a ordem cronológica contida no livro de Harold Bloom) e com sua primeira edição publicada em 1597, Romeu e Julieta é considerada a tragédia mais popular de Shakespeare, tendo em vista o seu lirismo dramático (única tragédia lírica escrita pelo Bardo) e seu final trágico, no qual os jovens amantes são responsáveis por sua própria catástrofe.

SOBRE O ENREDO

A peça se passa em Verona, onde residem duas famílias, Montéquio e Capuleto, cuja convivência até então sempre foi de rivalidade e hostilidade. O lugar já não aguenta mais as brigas das duas famílias, tanto o é que o Príncipe Éscalus (de Verona) é obrigado a intervir e punir com pena de morte as famílias, caso mais intercorrências sangrentas ocorrerem.

Diante deste panorama, nas seguintes cenas, nós conheceremos mais sobre os integrantes das famílias, bem como saberemos que o jovem Páris, nobre e parente do príncipe de Verona, está muito interessado em se casar com Julieta, integrante da família Capuleto. Todavia, seu pai acha a menina ainda muito nova (Ato I – Cena II: “não completou sequer catorze anos”) e gostaria de esperar mais dois anos antes de ver a sua filha casada. 

O patriarca da família Capuleto incentiva Páris a tentar conquistar sua filha Julieta aos poucos, logo, para isso, o convida a festa que será realizada na casa da família. Enquanto isso, a Sra. Capuleto e a Ama de Julieta incentivam a jovem a ver Páris com outros olhos, já que o mesmo quer desposá-la. 

Durante esta cena, nós vemos a ingenuidade de Julieta sobre sentimentos e matrimônio  ( Ato I – Cena III: “É honra com que nunca ousei sonhar” e “Sim, se ao olhar sentir-me apaixonada. Porém mais longe eu nunca hei de ir, que o voo que a senhora consentir.”)

Já na família Montéquio, nós acompanhamos a fossa de Romeu por sua paixonite da vez, uma menina chamada Rosalina que, (Ato I – Cena I: “jurou viver casta e pura”). O primo de Romeu, Benvólio, vendo seu amigo e parente triste diante do amor não correspondido incentiva o rapaz a partir para outra, já que meninas em Verona não faltam.

Contudo, o destino e a escolha operam em conjunção nesta peça, os jovens se deparam com um criado, da casa Capuleto, o qual foi encarregado em convidar a todos de Verona para a festa que ocorrerá na casa de seu patrão. Todavia, o empregado não sabe ler e pediu ajuda para os jovens, a fim de executar a sua tarefa. Romeu ajuda o criado e ao ler a lista de convidados se depara com o nome de Rosalina nela e encontra aí sua esperança de ver a menina.

É chegada a hora da festa, na qual todos usam máscaras, Romeu se depara com a jovem Julieta e neste momento esquece de Rosalina e se apaixona rapidamente e perdidamente pela jovem Capuleto (Ato I – Cena V: “Ela é que ensina as tochas a brilhar, e no rosto da noite tem um ar de joia rara em rosto de carvão. É riqueza demais pro mundo vão. Como entre corvos pomba alva e bela entre as amigas fica essa donzela. Depois da dança, encontro o seu lugar, pra co’a mão dela  a minha abençoar. Já amei antes? Não, tenho certeza; Pois nunca havia eu visto tal beleza.”)

Durante a festa, Romeu e Julieta se beijam e descobrem que cada um pertence às famílias Montéquio e Capuleto (Ato I – Cena V: “Então ela é Capuleto? Entreguei minha vida ao inimigo. e “ Nasce o amor desse ódio que arde? Vi sem saber, ao saber era tarde. Louco parto de amor houve comigo, tenho agora de amar meu inimigo.”)

No ato II, cenas I e II, nos deparamos com a famosíssima cena da varanda, na qual os amantes declaram seus sentimentos um ao outro e resolvem se casar “Três palavras, Romeu, e boa noite. Se acaso o seu amor tem forma honrada e pensa em se casar, mande amanhã dizer, por quem buscá-lo no meu nome, onde e a que horas tem lugar o rito, e a seus pés porei tudo o que é meu, pra segui-lo, no mundo, meu senhor.”

No dia seguinte, Romeu procura Frei Lourenço e pede ao pároco para que realize seu casamento com Julieta nesta mesma data. Ao ouvir a história de amor dos jovens amantes, o Frei vê nesta união uma forma de apaziguar a rivalidade existente entre as famílias Montéquio e Capuleto (Ato II – Cena III: “ Porque sabia bem que amor tão tolo pouca vida tem. Mas vamos lá. Meu rapaz indeciso; Há razão para ajudar, sendo preciso. A união que acaba de propor pode fazer do ódio puro amor.”).

No ato III, nós acompanhamos o início do fim desta história de amor, pois Teobaldo, primo de Julieta, desafia Romeu para um duelo, contudo, o jovem amante considera Teobaldo como um novo membro de sua família e se recusa a lutar com ele. 

Vendo que Romeu não comprou a briga com Teobaldo, Mercúrio (parente do príncipe de Verona e amigo de Romeu) aceita o duelo em nome do amigo e vem a morrer pela espada do inimigo (Ato III – Cena I: “Esse fidalgo, parente do príncipe, meu amigo, levou golpe fatal por mim – a minha honra foi ferida pelo insulto de Teobaldo, meu primo, há uma hora apenas. Ah, Julieta, sua beleza me efeminou, amolecendo o aço do valor.”).

Com a morte de Mercúrio, Romeu tem seu duelo com Teobaldo que vem a ser morto durante o combate. O jovem amante é levado ao Príncipe Éscalus e o mesmo é banido de Verona (Ato III – Cena I: “E por tal crime desde já’stá banido desta terra. Eu fui tocado pelo acontecido, por vossas brigas correu sangue meu. Mas hei de dar-vos penas tão severas que havereis de cobrar a minha perda. Serei surdo a pedidos e desculpas; Não há perdão pra pranto com toda pressa, pois se for encontrado será morto. Levai o corpo. Haveis de me acatar; Perdão pra morte é o mesmo que matar.”).

Ao saber do ocorrido, Julieta se desespera com o banimento de Romeu e a morte de seu primo Teobaldo. A Ama para acalmar a jovem procura por Romeu, que está em um lugar protegido por Frei Lourenço. Ao conversar com o rapaz, a Ama informa que o mesmo deve procurar a amada e reconfortá-la antes de cumprir sua pena em Mântua.

O patriarca da família Capuleto, equivocadamente, vê na dor de Julieta o motivo para que o casamento entre ela e o jovem Páris seja celebrado na próxima quinta – feira. Todavia, enquanto o arranjo desta união é pactuado, a união da jovem Julieta com Romeu é consumada.

 No dia seguinte, após a partida de Romeu, a Sra. Capuleto informa a Julieta que a mesma se casará em breve com Páris. Julieta rejeita a ideia do matrimônio arranjado e seus pais a ameaçam de renegá-la como filha. A Ama tenta convencer Julieta de se casar com Páris, já que Romeu foi banido de Verona, mas a jovem fica ofendida com tal conselho e resolve procurar o Frei Lourenço para ajudá-la a se livrar deste casamento.

Julieta e o Frei planejam que a menina aceitará o casamento com Páris e à noite, antes do casamento, a mesma tomará um remédio capaz de simular a sua morte (Ato IV – Cena III: “Romeu, Romeu, é por você que eu bebo.”). Ao mesmo tempo, o pároco encaminhará uma carta, através de Frei João, para Romeu, a fim de que se encontre com ele e juntos se dirijam ao mausoléu dos Capuletos e despertem Julieta de seu sono, para por fim, seguirem juntos a Mântua.

Todavia, o destino novamente age contra o casal de apaixonados. A carta escrita pelo Frei Lourenço não chega ao destinatário, pois Frei João não consegue chegar a Mântua por causa da peste. Ao mesmo tempo, Romeu já sabe que sua amada foi sepultada, logo, o jovem procura um boticário e lhe pede um veneno para dar fim a sua vida ao lado do corpo de Julieta.

Ao chegar à tumba da jovem, Romeu se depara com Páris e os dois brigam culminando com a morte do jovem fidalgo. Em seguida, Romeu bebe o veneno e morre (Ato V – Cena II: “Ao meu amor! (bebe) Honesto boticário, rápida é a droga. E assim, com um beijo, eu morro.”).

Julieta acorda e é informada pelo Frei Lourenço que Páris e Romeu morreram aos seus pés. A jovem se suicida com um punhal (Ato V – Cena II: “Ah, lâmina feliz! Enferruja em meu peito, para que eu morra!”).

As famílias Capuleto e Montéquio, bem como o Príncipe de Verona se encontram na tumba de Julieta e se deparam com os três jovens mortos. Logo, Frei Lourenço conta aos presentes a história de amor dos jovens até o seu trágico desfecho. 

Com a morte de Romeu e Julieta, as famílias fazem as pazes e a peça se encerra com a fala do Príncipe Éscalus: “Mais triste história nunca aconteceu que esta, de Julieta e seu Romeu.”

ANEDOTAS DOS TEXTOS DE APOIO UTILIZADOS

Harold Bloom aduz que Romeu e Julieta é incomparável, tanto na obra de Shakespeare quanto na literatura universal. A peça é uma visão intransigente do amor mútuo que perece por seu próprio idealismo e intensidade.

Ademais, a popularidade desta tragédia é mais que justificada, tendo em vista que tudo estava contra o casal: suas famílias, seus confidentes – a Ama e o Frei Lourenço, a indiferença da natureza, os caprichos do tempo e o movimento contrário dos cosmos ao triunfo do amor. 

E é sobre a ideia de amor romântico que o livro Aulas sobre Shakespeare que o Professor W.H. Auden aborda (páginas 121 e 122): 

Na tradição literária, o amor sempre encontra obstáculos. (…) O propósito do obstáculo é claro: intensificar o desejo impedindo sua realização. Agora, o obstáculo exigido pelos amantes idealmente tem de ser insuperável. Isto é, sua união só pode ser possível por meio de suas mortes. É esse o segredo, o mistério religioso, do Amor Romântico, o mistério que é representado pelo suicídio de Romeu e Julieta.

Sobre os caprichos do tempo, conforme citado por Bloom, pode-se vislumbrar que a rapidez frenética com que os acontecimentos se desenvolvem, sendo esta de seis dias no máximo, traduzem a ideia de que Romeu e Julieta, apesar de mal se conhecerem, lutam contra o relógio para fazer com que seu amor dure para sempre. Contudo, a vontade do amor duradouro só se tornou possível com a morte do casal de amantes.

REPRESENTAÇÃO DA TRAGÉDIA NO CAMPO DAS ARTES

Cumpre ainda salientar que, a ideia do amor romântico e desencontrado dos jovens é tão fascinante que a tragédia em tela já foi adaptada para: 

Cinema: foram mais de 100 produções, sendo a primeira datada de 1908, dirigida pelo italiano Mario Caserini e as versões mais famosas de 1968, com Olivia Hussey e Leonard Whiting como protagonistas e de 1996 com Leonardo DiCaprio e Claire Danes. 

Faço aqui também a citação do musical da Broadway, West Side Story que também teve como inspiração a peça de Romeu e Julieta.

Música: Contamos com ao menos 27 composições sobre Romeu e Julieta, dentre elas de Tchaikovsky e Berlioz,  bem como a minha favorita de Gounod, composta em 1867.

Pintura: A mais famosa pintura da cena da varanda retratada por Frank Dicksee em 1884 e  O último beijo de Romeu em Julieta retratada por Francesco Hayez em 1823 foram as que eu mais gostei ao pesquisar sobre o tema. 

Literatura: A peça também serviu de inspiração para outras obras da literatura, como é o caso de Amor de perdição, do autor português Camilo Castelo Branco e Nicholas Nickleby do autor britânico e querido aqui no blog, Charles Dickens.

Por fim, deixo aqui a citação feita por Barbara Heliodora à introdução sobre a peça: Romeu e Julieta não é nem a melhor nem a mais consagrada das obras de Shakespeare, porém poucos contestarão que seja – e merecidamente – a mais amada.

Um beijo e até o próximo post!!

Centenário da semana de arte moderna

Post especial aqui no blog em comemoração ao centenário da semana de arte moderna, que ocorreu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo (este mês, o Teatro está com uma programação especial em virtude do centenário). 

Antes de adentrar no tema principal deste post, gostaria que você tivesse em mente o significado e a importância de se saber (mesmo que de forma sucinta) sobre o movimento das vanguardas.

A palavra vanguarda é de origem francesa (avant-garde), cujo significado é o que marcha na frente. Logo, podemos entender este movimento de vanguarda como a reunião de pessoas que apresentam práticas inovadoras nos campos artístico e literário. Tais práticas têm como base as tendências do futuro e através deste olhar, os artistas são capazes de “antecipar” esta visão para o momento presente (movimento futurista).

Na Europa (tendo como centro cultural na época a cidade de Paris), o movimento de vanguarda surgiu no início do século XX e perdurou após a Primeira Guerra Mundial. Ressalte-se que, não houve uma arte moderna uniforme no continente europeu, mas um conjunto de tendências artísticas de vários países, com traços em comum, como o sentimento de liberdade criadora e o desejo de romper com o passado. 

Já no Brasil, o movimento de vanguarda iniciou-se oficialmente em 1922, com a realização da Semana de Arte Moderna. Porém, desde a década de 1910 já vinham ocorrendo manifestações artísticas de um grupo que formava a vanguarda modernista brasileira, entre eles os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Juó Bananére (pseudônimo de Alexandre Marcondes Machado), dos pintores Anita Malfatti e Di Cavalcanti, bem como do escultor Victor Brecheret.

Até hoje não se sabe ao certo quem foi o autor da ideia referente a realização da semana de arte moderna em São Paulo. Todavia, existem registros de que Oswald de Andrade firmou a promessa de que no ano do centenário da Independência do Brasil, isto é, em 1922, haveria uma ação dos artistas e escritores para colocar em prática os preparativos inerentes a essa semana tão marcante.

O evento contou com um discurso inaugural do escritor Graça Aranha, intitulado “A emoção estética da arte moderna”, bem como com a participação de artistas do Rio de Janeiro e de São Paulo, os quais foram apresentados para o público em geral leituras de poemas (Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho),  música (Ernâni Braga e Villa-Lobos), bem como artes plásticas (Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Zina Aita, Di Cavalcanti, Harberg, Brecheret, Ferrignac e Antonio Moya).

As obras apresentadas causaram diversas reações ao público, isto é, houveram  vaias, aplausos, gritos e até latidos. Inclusive, o escritor Mário de Andrade fez, em meio a caçoadas e ofensas, uma pequena palestra sobre as artes plásticas ali expostas. 

Em uma visão isolada, a semana de arte moderna não causou tanto impacto na época, pois os jornais pouco publicaram sobre o evento, bem como a opinião pública ficou distante ou até mesmo indiferente a ação dos artistas, tendo em vista a inexistência de um projeto artístico comum.

Todavia, nos tempos atuais, a semana de arte moderna possui enorme importância histórica, devido à concentração das várias tendências de renovação da cultura brasileira com o objetivo de combater a arte tradicional.

Ademais, o evento em tela conseguiu chamar a atenção dos meios artísticos de todo o país, servindo até mesmo como meio para aproximar artistas com ideias modernistas que não pertenciam ao eixo São Paulo – Rio de Janeiro. Foi através deste movimento que houve o intercâmbio de ideias e técnicas no campo da literatura, da música e da arte, fazendo com que criássemos uma visão e até mesmo uma identidade própria sobre o significado destas áreas na cultura brasileira.

Logo, tudo o que existe hoje no campo da literatura, das artes plásticas, da música e do cinema está de alguma forma relacionado às propostas e às experiências desenvolvidas pela arte moderna no começo do século XX. 

Compreender a arte moderna implica conhecer o conjunto de transformações que ocorreram nesse período (o desenvolvimento científico e tecnológico e a Primeira Guerra Mundial), e a forma de ver e sentir o mundo que delas resultou. 

Por fim, deixo o direcionamento para um vídeo no YouTube da Editora Antofágica sobre curiosidades da semana de arte moderna.

Um beijo e até o próximo post!

Projeto FUVEST

Inicio este post agradecendo a todos os acessos que o blog obteve nos anos de 2020 e 2021, devido ao Projeto Fuvest!! Espero que esta iniciativa tenha te ajudado de alguma forma na sua preparação ao vestibular, bem como tenha estimulado a leitura de obras da literatura nacional, portuguesa e africana!!

Para quem não sabe sobre o Projeto, ele tem como objetivo a leitura de mais livros escritos em língua portuguesa e de quebra ajudar os vestibulandos neste período tão importante em nossas vidas, o ingresso no Ensino Superior.

Opto pela leitura dos livros indicados pela Fuvest, pois a maior parte dos vestibulares se baseia nela, razão pela qual tal seleção de livros foi escolhida, fazendo parte do conteúdo da prova de Português e Literatura.

Por conta da pandemia, os livros cobrados na Fuvest 2022 (todos já resumidos e analisados aqui no blog) serão novamente cobrados na Fuvest 2023. A partir de 2024 a 2026, ocorrerá o rodízio de três obras em cada ano.

Vamos às listas??

FUVEST 2023

LIVROSAUTORES
Poemas EscolhidosGregórios de Matos
Quincas BorbaMachado de Assis
AngústiaGraciliano Ramos
Campo GeralGuimarães Rosa
Romanceiro da InconfidênciaCecília Meireles
Nove NoitesBernardo Carvalho
Terra SonâmbulaMia Couto
MensagemFernando Pessoa
Alguma PoesiaCarlos Drummond de Andrade

FUVEST 2024

LIVROSAUTORES
Quincas BorbaMachado de Assis
AngústiaGraciliano Ramos
Campo GeralGuimarães Rosa
MensagemFernando Pessoa
Alguma PoesiaCarlos Drummond de Andrade
Romanceiro da InconfidênciaCecília Meireles
Nós matamos o cão tinhoso!Luís Bernardo Honwana
Dois irmãosMilton Hatoum
Marília de DirceuTomás Antônio Gonzaga

FUVEST 2025

LIVROSAUTORES
Quincas BorbaMachado de Assis
Romanceiro da InconfidênciaCecília Meireles
Alguma PoesiaCarlos Drummond de Andrade
Nós matamos o cão tinhoso!Luís Bernardo Honwana
Dois irmãosMilton Hatoum
Marília de DirceuTomás Antônio Gonzaga
Os ratosDyonélio Machado
A Ilustre Casa de RamiresEça de Queirós
Água FundaRuth Guimarães

FUVEST 2026

LIVROSAUTORES
Nós matamos o cão tinhoso!Luís Bernardo Honwana
Dois irmãosMilton Hatoum
Marília de DirceuTomás Antônio Gonzaga
Os ratosDyonélio Machado
A Ilustre Casa de RamiresEça de Queirós
Água FundaRuth Guimarães
Primeiros CantosGonçalves Dias
Várias HistóriasMachado de Assis
Amar, Verbo IntransitivoMário de Andrade

Você vai prestar o vestibular em algum destes anos? 

Ou tem curiosidade de ler algum destes livros?

Compartilha aqui comigo nos comentários!!

Um beijo e até o próximo post!!

Resenha e análise de Felicidade Conjugal, de Liev Tolstói

Capa do livro publicado pela Editora 34

SOBRE A OBRA

Última leitura feita em 2021 e devidamente favoritada, Tolstói assim como em A morte de Ivan Ilitich, não decepcionou!!

Na verdade, ouso dizer que em Felicidade Conjugal, o autor foi além, tendo em vista a apresentação de uma narrativa em primeira pessoa, pela perspectiva de uma mulher em pleno século XIX, bem como na época em que esta novela foi escrita (1859), Tolstoi ainda não era casado. 

Logo, meus caros, esse homem sabia de fato o que ele estava escrevendo, como passarei a relatar, pois ô novelinha com força de um baita de um romance/calhamaço viu?!?!

SOBRE O ENREDO

Como dito anteriormente, a história em tela é dividida em duas partes, sendo narrada por Mária, uma jovem de dezesseis / dezessete anos, no qual ainda de luto por sua mãe, ela, Kátia (sua governanta) e Sônia (sua irmã caçula) estão morando no campo. Nas primeiras páginas, nós vemos que a tristeza permeia a todas na casa e que a vida de Mária parece sem sentido.

Até que um dia, elas recebem a visita de um amigo de seu falecido pai, Sierguiéi, um vizinho da família e que devido a morte dos genitores de Mária, atua como tutor da propriedade de sua família. A pessoa de Sierguiéi para a nossa protagonista tinha uma importância especial, pois sua mãe dizia a ela que gostaria de um homem como ele para ser seu marido.

À medida que Sierguiéi as visitava no campo, Mária foi mudando o seu comportamento, como forma de amadurecimento em suas atitudes, ao tempo que a tristeza do luto ia embora e dava lugar a alegria. Além disso, nós vemos o primeiro despertar de Mária ao amor.

É lindo acompanhar o amor florescendo e sendo correspondido: “Ele não era mais um velho tio, que me acarinhara e me orientara, era uma pessoa igual a mim, que me amava e me temia e a quem eu também amava e temia.”

Nossa narradora tinha certeza do amor como sentimento, pois a vida lhe mostrava como compartilhar este amor por outras pessoas e por si mesma: “Eu sorria, rezava, chorava e amava tão ardentemente, tão apaixonadamente, nesses momentos, a todos no mundo e a mim mesma.”

E diante desse sentimento, nós tivemos a declaração de amor mais feroz, mais real e mais linda já narrada (se você gostou de Mr. Darcy com Elizabeth Bennet imagina o que você, como leitor, achará deste trecho).

No último capítulo da primeira parte, nós acompanhamos os preparativos para o casamento, os medos, anseios e a expectativa para o grande dia. A data chega e passa rápido demais para o novo casal, o que deixa Maria assustada em um primeiro momento, mas não o bastante para afastar as convicções de seu sentimento e pertencimento à Sierguiéi.

A segunda parte se inicia após dois meses de casamento, Mária relata os sentimentos ainda em alta e a rotina diária no campo. Todavia, há os primeiros apontamentos sobre a vida a dois, sobre a diferença de idade entre o casal e, principalmente, se os sentimentos vivenciados hoje perdurarão pelo resto da vida.

Além de tais questionamentos, nós acompanhamos uma mudança de cenário, sendo esta a saída do campo para São Petersburgo. É neste ponto que vislumbramos o afastamento do casal. 

Mária fica deslumbrada com a vida na cidade, com as pessoas que conhece, com os bailes e recepções. Por outro lado, temos um Serguiéi ranzinza, ciumento e contrário ao comportamento de sua esposa perante as suas obrigações conjugais e familiares.

Deste ponto, as discussões entre o casal aumentam, o que põe à prova o amor e a felicidade conjugal. Obviamente, pararei aqui com meu relato, pois quero que você dê uma chance a este livro fantástico e tenha sua própria experiência de leitura.

SOBRE A MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Sobre a minha experiência literária, só posso dizer que o autor escreve com maestria e fidedignamente os ciclos de uma relação. 

Na verdade, através deste livro, ele descreveu as várias facetas da paixão, do desejo, da desilusão com certas idealizações que temos sobre a vida a dois, bem como, a capacidade que o tempo e o diálogo possuem para dar lugar a um amor mais tranquilo, sereno e maduro.

Como casada, só posso dizer que não tem como (e nem recomendo) lutar todas as batalhas que queremos, pois é necessário aprender a ceder, a ouvir e saber ser ouvido e a falar com a melhor calma que você pode ter no momento (caso não tenha espere a poeira baixar para conversar, caso contrário, você vai falar certas coisas com o único e exclusivo objetivo de magoar o próximo). Se você conseguir isso, aí sim, você alcançará a verdadeira felicidade conjugal.

Por fim, mas não menos importante, deixo como sugestão a peça musical tocada por Mária no início e ao final do livro, denominada Sonata ao luar de Beethoven, interpretada pelo saudoso pianista brasileiro Nelson Freire. 

Posso estar viajando, mas a cadência e musicalidade do primeiro movimento desta peça combina perfeitamente com o desenvolvimento do amor entre o casal de protagonistas. Logo, reforço a leitura desta obra, bem como a sonata!!

Um beijo e até o próximo post!

Melhores leituras de 2021 (segundo eu mesma)

Imagem meramente ilustrativa, tendo em vista que algumas obras foram lidas em e-book e duas peças shakespearianas estão contidas no mesmo livro

Foram o total de vinte um livros lidos e resenhados para o blog, e claro, que não poderia faltar a seleção das obras que conquistaram o meu coração, como mostrarei a seguir:

PS: a lista abaixo, não segue um ranking, mas tão somente a minha própria experiência de leitura e o reforço da indicação destas obras para vocês!!

A morte de Ivan Ilitch: Obra prevista na lista do Projeto Reeducação do Imaginário e meu primeiro contato com a escrita do autor russo Liev Tolstói. Esta obra descreve tão bem, mas tão bem, o sentido do tempo e da morte que não tem como este autor não ganhar um fã.

Fahrenheit 451: Distopia que dispensa comentários, pois como dito na resenha deste livro para o Projeto Reeducação do Imaginário, Ray Bradbury conseguiu trazer a sua ficção, escrita na década de 1950, para a nossa realidade atual com tanta fidedignidade, que não tinha como esta obra não estar nas melhores leituras deste ano.

Grandes Esperanças: outra leitura feita para o Projeto Reeducação do Imaginário, este romance vitoriano conquistou o meu coração e um lugar especial na minha estante. A jornada de redenção moral de Pipi, escrita com maestria por Charles Dickens, é tão linda que, só me resta, mais uma vez, recomendar a leitura deste clássico.

Hamlet: leitura feita para o mês de Outubro aqui no blog e tida como uma das mais importantes peças de Shakespeare. Nesta obra, nós acompanhamos a podridão do Reino da Dinamarca, através da cobiça e ganância de um trono e de como tais sentimentos levaram a destruição deste mesmo reino. Hamlet e seus vários solilóquios que valem muito a pena serem lidos.

Terra Sonâmbula: leitura obrigatória que rolou no Projeto Fuvest neste ano, no qual através dessa iniciativa, eu pude conhecer o autor moçambicano Mia Couto, bem como a história de seu país através de duas linhas narrativas muito bem escritas, estruturadas e entrelaçadas ao final do livro. Com certeza, darei mais chances à obra do autor aqui no blog.

Édipo Rei: Tragédia grega escrita por Sófocles e lida devido a obra O Eleito de Thomas Mann. Leitura rápida e com a capacidade de te fazer ler até o fim, devido às reviravoltas que a narrativa nos apresenta. Recomendo muito a leitura, principalmente pela edição da Editora Zahar.

Macbeth: Uma das peças mais magníficas do Bardo, também do Projeto Reeducação do Imaginário, que nos mostram até onde a loucura, a cobiça e a inveja podem levar um homem. Ademais, assim como em Édipo Rei, esta obra nos leva a importantes reflexões sobre o destino e livre arbítrio. Quer começar a ler Shakespeare? Pode iniciar por Macbeth, pois não tem erro.

1984: Livro lido em e-book, na edição lançada pela Antofágica, outra distopia que dispensa apresentações e comentários, pois George Orwell nos apresentou uma sociedade e um sistema totalitário de governo assustadores e incômodos, que mesmo assim você não consegue parar de ler.

Deserto dos tártaros: A perfeita mistura de A montanha mágica de Thomas Mann e A morte de Ivan Ilitch de Tolstói. Nesta novela, do autor italiano Dino Buzzati, nós acompanhamos o que o tempo é capaz de fazer em nossas vidas e nos leva a uma reflexão tão profunda, que este livro, bem como os demais citados já estão no meu hall de livros da vida.

Felicidade conjugal: última leitura do ano e que a resenha sairá já em janeiro de 2022. Liev Tolstói não estava para brincadeira quando escreveu esta novela e pasmem, ele ainda era solteiro e criou toda uma narrativa a partir do ponto de vista feminino em pleno século XIX. Somente leiam este livro, leiam a minha futura resenha e deixem nos comentários um agradecimento pela indicação da obra (brincadeira, mas pode deixar um comentário!! 😉).

🍾Por fim, desejo a todos um 2022 repleto de saúde, prosperidade e leituras incríveis!!🍾

Você fez a leitura de algum destes livros?? 

Quais foram os seus livros favoritos do ano?? 

Resenha de Um cântico de Natal e outras histórias – Parte II, de Charles Dickens

Mais um Natal sendo celebrado aqui no blog, sendo esta a segunda parte do post lançado em 2019, denominado Um cântico de Natal e outras histórias – Parte I.

SOBRE A OBRA

Este conto foi escrito em 1843, sendo lançado antes do Natal deste mesmo ano. Charles Dickens tentou trazer através dessa narrativa o espírito natalino, há muito tempo perdido na sociedade inglesa da época, que estava mais preocupada com a Revolução Industrial a sua volta.

Logo, o autor teve a ideia de criar uma história que pudesse comover as pessoas e trazer à tona os sentimentos de empatia e solidariedade de volta. E claro, Dickens alcançou o resultado almejado e o livro foi um grande campeão de vendas.

Aliás, o conto fez tanto sucesso que as celebrações natalinas voltaram à moda, com a recuperação de diversas tradições, dentre elas as decorações das casas e ruas, os corais, as ações beneficentes e até mesmo a tradição da árvore de natal espalhada pelo mundo.

SOBRE O ENREDO

Para quem não conhece este conto mágico e fascinante, ele nos apresenta a figura de Ebenezer Scrooge, um homem velho, ríspido, avarento, insensível, e principalmente, nosso protagonista odeia o Natal.

Todavia, na véspera da celebração, ele tem uma experiência sobrenatural, a começar pela visita de seu falecido sócio Marley, que o alerta sobre as correntes forjadas com os sentimentos mais mesquinhos e egoístas que ele teve em vida e o peso dessas mesmas correntes que ele terá que carregar por toda a eternidade. 

Logo, Marley informa a Srooge que ele ainda tem chance de mudar o seu destino, razão pela qual, o nosso protagonista receberá a visita de três fantasmas, sendo eles o Fantasma dos Natais Passados, o Fantasma do Natal Presente e o Fantasma dos Natais Futuros.

Conforme a narrativa avança, nós conhecemos a trajetória da vida de Ebenzer Scrooge e como ele se tornou o homem que ele é hoje, descobrimos o que as pessoas ao seu redor pensam de fato dele, bem como as dificuldades que cada uma delas suporta, principalmente, do seu funcionário Bob Cratch.

Ademais, acompanhamos o que pode vir a ser o destino do nosso protagonista, caso ele não venha a mudar suas atitudes e seus sentimentos não somente com relação ao Natal, mas principalmente, com as pessoas ao seu redor. Obviamente, aqui eu paro com o meu relato, pois eu quero muito que você leia este conto lindo de doer!!!

SOBRE A MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Sobre a minha experiência de leitura, eu posso concluir que, a magia deste conto está em nos mostrar como até aquele momento, Scrooge mais perdeu do que ganhou, pois por mais que ele tivesse dinheiro, ele não gastava um tostão com ele mesmo, sua vida poderia ser comparada ao sinônimo de amargura e solidão, tendo em vista que no final de tudo, ele acabaria sozinho, já que ele nunca deixou ninguém ser seu amigo.

Ressalto ainda que, o conto possui uma força descomunal de nos mostrar que somos responsáveis pelo nosso caminho e, consequentemente, pelo nosso destino. Mas quando finalmente, nós conseguimos olhar a nossa vida por uma perspectiva diferente, nós descobrimos que somos capazes de mudar o nosso comportamento e enxergarmos que tal mudança vale a pena. 

SOBRE A EDIÇÃO

O livro ainda conta com ilustrações originais feitas por John Leech, considerado um dos cartunistas mais famosos do século XX, o qual conseguiu captar a essência da história através de seus desenhos.

Trago ainda à baila, o tópico referente a tradução, para o portugês, do título da obra, sendo este apresentado ao leitor como  Uma história de Natal , Um cântico de Natal (título adotado pela Editora Martin Claret), Um conto de Natal ou Uma canção de Natal (título adotado pelo selo editorial Penguin Companhia)

ADAPTAÇÃO DO CONTO PARA O CINEMA

Este conto foi adaptado diversas vezes para o cinema, sendo a que eu mais recomendo, a animação da Disney lançada em 2009, denominada Os fantasmas de Scrooge, disponível no streaming Disney+.

Por fim, desejo a todos os leitores deste blog, um Natal repleto de presentes como amizade, a gratidão, o amor por si mesmo e pelo próximo, a compaixão e solidariedade, assim como Ebenezer Scrooge conseguiu enxergar e por em prática até o final de sua jornada!!!

Um beijo e até o próximo post!!

Resenha e análise de O velho e o mar, de Ernest Hemingway

Mais um dos clássicos lido por aqui, sendo este o meu primeiro contato com a escrita do autor norte-americano Ernest Hemingway.

Capa do livro publicado pela Editora Bertrand Brasil

SOBRE A OBRA

A novela em tela foi publicada em 1952, período em que o autor morava em Cuba, sendo esta sua última obra publicada em vida. Ressalto também que, este livro rendeu a Hemingway os Prêmios Pulitzer em 1953 e o Nobel de Literatura em 1954.

Por ser dono de uma escrita direta, simples e fluída, esta obra é facilmente indicada para o leitor que deseja livros rápidos de serem lidos (em um final de semana você consegue perfeitamente concluir esta leitura). 

SOBRE O ENREDO

Ademais, o livro conta com um enredo bem simples, mas com passagens muito bonitas, que te fazem refletir sobre a forma que encaramos a própria vida. E sobre o que fala o enredo então? Bom, nós acompanhamos o octogésimo quinto dia em diante, de pescaria do nosso protagonista Santiago. 

Sim, é um dia específico na vida do pescador, pois o mesmo está sem pescar um peixe sequer a oitenta e quatro dias. Todavia, segundo o próprio Santiago, sua sorte mudará a partir deste dia, pois conseguirá reverter a situação (a maré de azar), em que se encontra (“Cada dia é um novo dia. É melhor ter sorte. Mas eu prefiro fazer as coisas sempre bem. Então, se a sorte me sorrir, estou preparado”).

Durante os preparativos, nós conhecemos a vida do próprio Santiago em terra, sendo esta a de um senhor muito velhinho (“tudo o nele existia era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis”), que mora sozinho em uma casa simples e com quase nada nela, sendo até mesmo a “sua cama” feita de uma pilha de jornais velhos.

O pescador também conta com a ajuda e a amizade do aprendiz Mandolin, um menino que trabalhava com ele no barco, mas que devido a falta de peixes, os pais o fizeram abandonar o trabalho com Santiago para ir trabalhar com outro pescador.

Apesar do ocorrido, Mandolin nunca abandonou Santiago, sendo que o menino sempre o ajudava quando podia, bem como buscava comida para ele em um quiosque conhecido  para ele ter com o que se alimentar e também falava com ele sobre beisebol, um dos esportes favoritos de Santiago, bem como do maior jogador de sua época, Joe Dimaggio.

Saliento aqui que, a forma como Mandolin se preocupa e é prestativo com Santiago é tocante, pois os dois não possuem nenhum laço familiar, mas tal amizade é tão única e verdadeira, que nenhuma diferença de idade é capaz de desfazer.

Voltando ao octogésimo quinto dia, o barco já está preparado e o nosso pescador está a postos para o grande dia da sorte sorrir ao seu favor. E não é que ele consegue pegar um peixe mesmo?

Neste dia, Santiago consegue pegar um peixe enorme, o maior já pescado em sua vida (não é história de pescador), mas a batalha entre os dois não é nada fácil, após dias de luta entre o peixe e Santiago, o pescador consegue enfiar seu arpão no peixe que vem a morrer. 

O animal era tão grande, que por estar sozinho, Santiago não consegue colocá-lo para dentro do barco, sendo obrigado a amarrá-lo por fora dele. Todavia, durante o retorno à costa, Santiago tem que lidar com o sol a pino, com suas feridas, bem como com os terrores do próprio mar, sendo neste caso, tubarões que tentam a qualquer custo atacar o peixe.

E aqui eu paro com minha experiência literária, a fim de que você, leitor, possa ter a sua e saber o desfecho desta história. Mas, deixo aqui abaixo, algumas citações do livro, a fim de aguçar a sua curiosidade:

“Mas o homem não foi feito para a derrota – disse em voz alta. – Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.”

“É uma estupidez não ter esperança, pensou. Além disso acho que é um pecado perder a esperança. Mas não devo pensar em pecados. Já tenho problemas demais para começar a pensar em pecados. Para dizer a verdade, também não compreendo bem o que são os pecados.”

“A sorte é uma coisa que vem de muitas formas, e quem é que pode reconhecê-la?”

SOBRE A EDIÇÃO

Também trago a baila algumas ilustrações presentes no livro, que ajudam a nós leitores contextualizarmos o enredo da obra:

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Por fim, eu confesso que não é o meu livro favorito da vida, porém, tal fato não foi capaz de impedir a minha admiração por esta narrativa permeada de pensamentos, reflexões, solidão, luta pela sobrevivência (do peixe, do homem – representado por Santiago e da própria natureza) e a necessidade de nos mantermos perseverantes para enfrentarmos os desafios que encontramos no decorrer da nossa jornada.


Um beijo e até o próximo post!

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