Resenha de Um Cântico de Natal e outras histórias – Parte I, de Charles Dickens

Ah…o Natal…Amo esta época do ano, pois as pessoas ficam mais gentis umas com as outras, representa um período de união e renovação da nossa fé, independente da crença, e renovação da fé em nós mesmos, pois mesmo no final de mais um ano, nós recarregamos as nossas energias, fazemos um balanço de nossas metas cumpridas ou não, e nos enchemos de esperanças para o começo de mais um ciclo!!

E nada melhor do que ler histórias que representam tudo isso e muito mais, como este maravilhoso livro de contos escritos por Charles Dickens e publicado com primor pela editora Martin Claret neste ano!

O livro possui uma apresentação escrita por Sandra Sirangelo Maggio, professora de literatura inglesa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que nos conta em detalhes sobre a vida pessoal de Charles Dickens e sobre a escrita do autor.

Ademais, traz em seu bojo um dos mais famosos contos do escritor que é “Um Conto de Natal ou Um Cântico de Natal” e outros contos menos conhecidos, mas ricos em ensinamentos e reflexões sobre esta época do ano que são:

Festas de Natal

Um conto bem curtinho que retrata muito bem a reunião familiar tanto na ceia de Natal quanto o almoço do dia 25 e organizado pelos avós na casa do Tio George. 

Aqui trago uma citação deste conto que consegue refletir muito bem o espírito desta época do ano:

Nada, então, de reservar o mais alegre dos trezentos e sessenta e cinco dias para as tristes recordações; puxe a cadeira para mais perto da lareira acesa – encha o copo e cante uma sonora canção – e, se sua sala for menor do que a de uns doze anos atrás, ou se o seu copo estiver cheio de um ponche malcheiroso, em vez de vinho espumante, encare tudo com bom humor e o esvazie de uma vez e encha outro e solte a voz na canção que você costumava cantar, e dê graças a Deus porque as coisas não vão ainda pior.”

A história dos duendes que raptaram um coveiro

Conta a história de Gabriel Grub, um homem que trabalhava como sacristão e coveiro em um cemitério. Por ser carrancudo e não se dar bem com ninguém (somente consigo mesmo e sua garrafa de vime abastecida com Gim holandês), ele não gosta do Natal, bem como dos sentimentos e ações que esta época do ano desperta nas pessoas.

Logo, ao chegar no cemitério para continuar seu trabalho em um túmulo inacabado, Gabriel ouviu uma voz, que de início achou que era um eco, até se deparar com uma figura estranha e sobrenatural, tendo em vista que suas pernas eram longas, seus braços musculosos e usava uma capa e um chapéu pontudo. Tal figura era um duende que não conseguia entender o motivo pelo qual Gabriel estava em um cemitério na noite de Natal.

A cada pergunta feita pelo duende ao coveiro, o coro invisível pronunciava seu nome “Gabriel Grub”. O homem não entendia o que queriam com ele, já que nem o conheciam. Mas é aí que Gabriel se engana, pois os duendes sabiam muito bem quem ele era e como se comportava com os outros nesta época do ano.

Gabriel tentou ir embora, mas o cemitério ficou repleto de duendes. O cérebro do coveiro girava e suas pernas fraquejavam, enquanto os espíritos voavam ante os seus olhos. Neste momento, o rei dos duendes, tomou Gabriel pelo colarinho e afundou com ele terra adentro até chegarem a uma caverna repleta de mais duendes.

Neste lugar, o coveiro foi submetido a alguns cenários que tinham como objetivo ensinar algumas lições a Gabriel, como a história de homens que davam duro no trabalho e lutavam para garantir comida para a sua subsistência e eram muito felizes.

Viu também homens como ele, que resmungavam da alegria dos outros, contudo, estes mesmos homens conseguiram enxergar que mesmo com o bem e o mal existentes no mundo, ele ainda era um lugar decente e respeitável.

Com este último cenário, Gabriel adormeceu e ao acordar estava de volta ao cemitério. Ficou em dúvida sobre se o que tinha lhe acontecido era verdadeiro. Todavia, independente de sua crença, ele já era outro homem. 

Um episódio de natal de “O relógio do Senhor Humphrey”

Trata-se de um conto narrado em primeira pessoa,  no qual nós acompanhamos o início de uma grande e verdadeira amizade entre dois homens em uma noite de Natal.

Nossas personagens são homens marcados pela solidão, pela surdez de um e pela deficiência física do outro, mas que de certa forma, tais atributos os uniram em uma amizade linda de se ler e acompanhar.

Uma árvore de Natal

Mais uma conto narrado em primeira pessoa, no qual nosso narrador nos apresenta sua árvore de natal, repleta de enfeites capazes de elevar nossa imaginação e assim, termos histórias dentro deste conto curtinho.

Ademais, em Uma Árvore de Natal, nós temos a menção do livro As mil e uma noites em vários enfeites, que porventura, se tornam histórias a nós contadas.

O que é o Natal quando ficamos velhos

Percepção do mundo após vários Natais festejados, no qual o sentimento despertado dentro de nós nesta época do ano, e que com mais maturidade nós conseguimos enxergá-lo, é de que o Natal traz em seu bojo a capacidade de perdoarmos e sermos perdoados, de sermos mais tolerantes e de sermos mais gentis uns com os outros. 

Também é o olhar para o passado com o saudosismo de fatos ocorridos em outros Natais, bem como a saudade que temos dos que já partiram e até mesmo a esperança de reencontrá-los.

É olhar para o presente e celebrarmos este momento tão bonito com quem amamos ao nosso lado, bem como a manutenção de tal hábito para a posteridade.

Os sete viajantes pobres

Conto narrado em primeira pessoa, por um homem, que também se considera um viajante, logo, de seis viajantes, o nosso narrador se incluiu na conta. 

Nosso protagonista recebeu como herança uma casa de caridade, a qual era de propriedade do Sr. Richard Watts. Tal casa já informava em sua porta que abrigaria na noite de Natal seis viajantes pobres e que cada qual receberia quatro pence durante sua estadia no local, além de cama e comida.

Durante a narrativa nós acompanhamos o nosso narrador durante os preparativos para a ceia natalina, conhecemos um pouco cada um dos viajantes e nos deparamos com cada um seguindo seu destino após a festividade.

Acredito que este foi um dos contos mais curtos que teve como tema principal não só o Natal, mas também o espírito  da solidariedade, no qual podemos aprender com a leitura e tentar replicar em nossas vidas, a dividir o que temos com os mais necessitados.

Saliento que os contos Um cântico de Natal e O homem possesso e o pacto com o fantasma, sairão na parte II e parte III deste livro aqui no blog!!

Por fim, eu desejo a todos um Natal repleto de harmonia, união, felicidade e de muita festa com todos os seus amigos e familiares!!


Um grande beijo e até o último post do ano!!

5 comentários em “Resenha de Um Cântico de Natal e outras histórias – Parte I, de Charles Dickens

    1. Eduardo, peço desculpas pela demora na resposta, mas apesar do atraso, desejo a você e a sua família Feliz Natal e um 2020 repleto de saúde, prosperidade, muitas leituras e a sua companhia por aqui! Um grande beijo!

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    1. Olá!! Que bom que gostou do conteúdo do post, bem como da edição (é linda mesmo)!!!
      Ainda está a venda, pois a mesma foi lançada no ano passado.
      Caso, queira, pode comprar pelo link que tem no final do meu post (isso me ajuda bastante) ou em qualquer outra livraria (eu comprei a minha na Amazon)!!

      Curtido por 1 pessoa

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