O Vermelho e o Negro

Capa do livro

Quinto livro do Projeto Reeducação do Imaginário, e o primeiro livro que eu leio do autor francês Stendhal.

SOBRE O AUTOR E A OBRA

Stendhal

Henri-Marie Beyle, conhecido por um dos seus cento e setenta pseudônimos como Stendhal, nasceu em 1783 (às vésperas da Revolução Francesa) em Grenoble.

Ficou órfão de mãe aos sete anos de idade, e essa figura materna, sensualizada por ele, sempre foi perseguida em todos os seus romances. Diante deste cenário, Stendhal foi educado por seu pai (burguês e apreciador da Monarquia e da Religião) e pelo avô materno, que lhe apresenta o mundo através da literatura.

Em contraste ao amor pela mãe, nós temos o ódio pelo pai, como dito anteriormente, apreciador da Monarquia, enquanto seu filho se torna um favorável e apaixonado pelos movimentos revolucionários (paixão do povo pela revolução).

Ao entrar no Ministério de Guerras, Stendhal consegue sair daquela França que ele tanto odeia e acha hipócrita, e consegue viajar para Rússia, Alemanha, Espanha e para a Itália. E, é graças a esta estadia na Itália que nasce o romancista Stendhal.

Apesar de seu romantismo (não era o romancismo francês, mas o italiano), Stendhal não foi aceito pelo público. A incompreensão desse público decorria da repulsa suscitada por uma obra em que a paixão romântica se manifesta em um estilo narrativo econômico, bem como desconfiado de suas próprias paixões.

As obras de Stendhal, principalmente, O vermelho e o negro são classificadas como um romantismo sui generis ou beylismo (escritas no momento de transição do romantismo para o realismo).

Em O vermelho e o negro, nos é apresentado uma fachada do Antigo Regime, enquanto quem dita as regras da sociedade é uma burguesia liberal, logo, desprovida da aristocracia, bem como da benevolência que se esperava de uma classe nascida da Revolução.

Apesar do livro possuir como subtítulo “as crônicas de 1830”, os estudiosos acreditam que o mesmo foi escrito em 1827, tendo em vista os acontecimentos de Julho de 1830, também conhecidos as “Três Gloriosas”, durante os quais o povo parisiense e as sociedades republicanas, realizaram uma série de levantes contra o Rei Carlos X que culminaram com a sua queda e o fim do período conhecido como Restauração Francesa.

A liberdade guiando o povo de Eugéne Delacroix

Por fim, Stendhal, faleceu em março de 1842, na França, ao 59 anos de idade.

SOBRE A EDIÇÃO

A edição pela qual eu fiz a minha leitura foi a publicada pela Companhia das Letras, através do seu selo Penguin Companhia em 2018.

Ressalto mais uma vez, minha admiração pelo trabalho da Editora desenvolvido neste selo, pois todos, os seus livros clássicos (estrangeiros e nacionais), contam com textos de apoio maravilhosos e capazes de transmitir o pensamento do autor e da sociedade da época.

Neste livro, os textos de apoio são da Professora Leyla Perrone Moisés e Henrich Mann (irmão do autor Thomas Mann), bem como traduzido por Raquel de Almeida Prado.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Inicialmente, gostaria de dizer que a escrita deste autor é simplesmente sensacional, para um livro escrito no século XIX. Trata-se de uma narrativa fluída, perspicaz e com a capacidade de te prender a história do início ao fim.

E sobre o que é a história Ale? Pois muito bem, o livro contará sobre um jovem francês chamado Julien Sorel, um rapaz bem apessoado, filho de um carpinteiro, inteligente (sabe a bíblia em latim de cor e muito bom em matemática), todavia, bem ambicioso.

Durante sua jornada, Julien Sorel se torna preceptor dos filhos do Prefeito da província fictícia de Verrières, no qual se apaixona perdidamente pela esposa do político, a Sra. de Rênal. 

Após o período em um seminário, Julien trabalhará em Paris como secretário do Marquês de La Mole, no qual terá um caso, com a filha do aristocrata, Mathilde. Este relacionamento nada mais é que uma paixonite sem perspectiva, todavia, a união foi capaz de gerar uma gravidez.

Ao saber da gravidez da filha e mais ainda saber quem é o pai do neto, o Sr. de La Mole, providencia tudo para que a filha não fique falada na alta sociedade, sendo este “tudo”, a disponibilidade de bens, rendas e um cargo a Julien de Sorel.

Porém, a Sra. de Rênal reaparece na vida de Julien e conta, por meio de uma carta, sobre o caráter do rapaz e o caso que eles tiveram. A partir deste acontecimento, a vida  de Julien se torna uma derrocada desenfreada, que o leva a cometer um crime contra a ex-amante, o levando a julgamento e, por fim a guilhotina.

A ambição de Julien nada tem a ver com dinheiro, muito menos com a situação reconhecida como gloriosa por uma sociedade burguesa que ele despreza totalmente. 

Na verdade, a sua ambição está ligada a um projeto de heroísmo, que só toma a forma da ascensão social, tendo em vista que a glória militar estava em queda e ser parte da Igreja, se tornando padre era o único caminho para o seu almejado triunfo.

Ao acompanhar as aventuras de Julien, pude ver que a sua ambição em alguns momentos  não me parecia ambição, mas sim ingenuidade e uma utopia, tendo em vista que seu ídolo, Napoleão Bonaparte (por isso a capa do livro) já tinha decaído em seu governo.

Isso me fez pensar que Julien nasceu em uma época errada, o que fazia com que ele desprezasse toda a sociedade ao seu redor e o seu projeto de heroísmo fosse tão difícil de ser alcançado. 

E qual a dificuldade em se lograr êxito com tal projeto? Para responder a esta pergunta, segue abaixo, o trecho do texto de apoio da Doutora em língua e literatura francesa e livre-docente pela Universidade de São Paulo, Leyla Perrone Moisés:

“O vermelho e o negro tem sido dado como exemplo de romance de ação. É bem verdade que se trata de uma narração, em ordem cronológica, de acontecimentos imbricados uns nos outros como causas e efeitos, movidos por uma força propulsora, que é a “ambição” de Julien Sorel, e contrariados por uma força de reação, que é a lei social da hierarquia de classes.(grifo e negrito nossos)

Veja caro leitor do Magia das Palavras, que nosso protagonista cobiça tudo o que está acima dele mesmo, odeia seu destino, tem raiva de todos os outros, seus sentimentos flutuam entre a paixão e o ódio. E seu fim foi traçado no momento em que o mesmo vestiu a máscara da hipocrisia que ele tanto desprezava.

Com relação ao fim de Julien Sorel, o mesmo não tem uma morte heróica, bem como sua trajetória não termina com a conquista do objetivo. Contudo, com o cometimento do crime, o projeto de vida de Julien se modifica para o reconhecimento do amor e da vida ideal, através da Sra. de Rênal (por mais que ele tenha atentado contra a vida dela).

Ademais,  ao mesmo tempo que Julien não consegue se tornar nem de longe Napoleão Bonaparte, Mathilde de La Mole realiza seu “sonho” imitando Margarida de Navarra até o fim, no ato de enterrar a cabeça do amante.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário, no sentido de que a ganância, a ambição e até mesmo a hipocrisia podem levar uma pessoa a cometer um ato ilícito. Todavia, toda a ação terá uma consequência e, infelizmente, o arrependimento pode ser tarde demais, como foi o caso de Julien Sorel.

Já leu este livro? Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

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