FUVEST: Resumo da obra Claro Enigma

Claro enigma | Amazon.com.br
Capa do livro publicado pela Editora Companhia das Letras em 2012

SOBRE O AUTOR

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 31 de outubro de 1902, na cidade de Itabira, no Estado de Minas Gerais.

Drummond formou-se em Farmácia, mas ele nunca exerceu a profissão. Já nesta época, o autor produzia seus textos e suas poesias. 

Logo, ao ir para o Rio de Janeiro, para trabalhar como funcionário público, ele amadurece essa produção literária e se torna um dos poetas mais influentes do modernismo brasileiro do século XX. 

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

Aqui estamos diante da segunda fase do modernismo (1930/1945). Até este momento, o mundo passou pela Grande Depressão de 1929 e ao final desta fase, nós tivemos o início da segunda guerra mundial.

Este contexto de depressão e desilusão que o mundo estava vivendo será retratado na poesia produzida nesta fase do modernismo, tendo em vista que o poeta desta fase é um homem de seu tempo e é  por ele influenciado.

A segunda fase do modernismo também é conhecida como a fase do amadurecimento, isto é, se na primeira fase nós tínhamos que mostrar que o modernismo veio para ficar e o motivo pela qual ele apareceu, na segunda fase isso não é mais necessário.

Aqui, nós teremos uma preocupação sociopolítica, há um questionamento do homem sobre o sentido do mesmo estar no mundo e no seu tempo. Há um aprofundamento das conquistas da geração de 1922 e a linguagem passa por uma renovação.

Carlos Drummond de Andrade é tido como um dos grandes representantes da poesia da segunda fase do modernismo. O autor passou por várias fases importantes:

Fase Gauche (década de 1930): nós temos uma linguagem marcada pela ironia e humor, além de uma forte influência do gauchismo, palavra de origem francesa que significa lado esquerdo. Aqui é representada pelo indivíduo que não consegue adequar-se às convenções ditadas pela sociedade, logo, ele é visto como um ser torto.

Fase Social (1940-1945): Neste momento há um interesse pelos problemas e pela vida social. Aqui o contexto histórico diz muito e se reflete na poesia do autor. Lembrando que aqui, a sociedade já passou pela primeira guerra mundial, a depressão de 1929 e está vivendo a segunda grande guerra.

Fase do “não” (1950-1960): O poeta voltou seus escritos para temas como a filosofia, a metafísica, sendo estas características encontradas em sua poesia filosófica, na qual questiona o seu papel como poeta, seu papel no mundo. É o estar no mundo. Foi nesta fase que a obra Claro Enigma foi publicada (1951).

Durante esta fase, o mundo vivia a Guerra Fria, que teve início em 1947 (com o fim da segunda guerra mundial) e só veio a terminar em 1991 (com o fim da União Soviética). Ademais, foi também um período marcado pelas consequências da bomba atômica, atirada em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945.

Fase da memória (1970-1980): É a fase final da poesia de Drummond, na qual o autor irá contemplar aspectos memorialistas, através de temas como a família, a morte e a finitude da vida.

SOBRE A OBRA E O ESTILO NARRATIVO ADOTADO

Claro Enigma é um livro marcado por um certo desencanto, isto é, o autor dava sinais da exaustão do seu engajamento político e anos de militância, através de seus versos que caminham para uma dissolução de uma ideologia que Drummond carregava consigo.

Por esta obra, o poeta propõe um olhar em seu interior através de assuntos como a sua origem, a força do amor e o poder da memória.

Nessa publicação, Drummond volta a investir em formatos clássicos, como é o caso de alguns sonetos  e outras composições que obedecem a rima e a métrica.

Sobre a epígrafe do livro, a mesma foi escrita pelo filósofo francês Paul Valéry: Les événements m’ennuient. (em tradução literal  – Os acontecimentos me entediam), é utilizada como forma de nos dizer que tal obra foi composta com sentimentos de desencanto, melancolia e mostra como o poeta é incapaz de intervir no mundo (sua pequenez).

ESTRUTURA DA OBRA

A obra Claro Enigma é composta de quarenta e um poemas, divididos em seis partes:

1ª divisão – Entre lobo e cão: de um lado o lobo que é a representação do mal, da raiva; e o cão que representa a bondade, a passividade. Tais poemas, nesta divisão, tratam de questões existenciais, principalmente a dualidade entre o bem e o mal.

2ª divisão – Notícias amorosas: Aqui o poeta fala do amor, mas não com o olhar romântico ou sentimentalismo excessivo. Na verdade, o autor olha o amor de uma forma muito mais racionalizada e muitas vezes até pessimista. 

3ª divisão – O menino e os homens: É o momento em que o poeta na condição de menino vai homenagear grandes nomes da poesia brasileira como Mário de Andrade, Manoel Bandeira e Mário Quintana. É uma louvação aos seus poetas preferidos.

4ª divisão – Selo de Minas: Aqui o autor lembra, através de sua poesia, da sua terra natal (Itagiba), de seus familiares, bem como hábitos e costumes de sua vida. Estas lembranças não nos são contadas com um tom nostálgico ou até mesmo saudosista, mas são ditas de forma racionalizada.

5ª divisão – Lábios cerrados: aqui nós temos seis poemas com a temática do silêncio. O autor narra sobre pessoas importantes do seu passado e até mesmo de familiares que já se foram. Aqui a morte e a finitude da vida se fazem presentes como temas.

6ª divisão – A máquina do mundo: é composta por dois poemas, sendo um deles o que dá título a esta divisão. Este poema foi extremamente importante, pois foi considerado pelos críticos literários o melhor poema produzido no século XX. A máquina do mundo mantém um diálogo com a obra Os Lusíadas, especificamente com o canto X, em que Camões fala desta máquina do mundo, que traz todas as informações resumidas em um só lugar. 

Aqui a figura do eu-lírico é um caminheiro que encontra na estrada esta máquina do mundo. O interessante é que ele não recebe todas as respostas, logo, ele continua a caminhar.

Como é uma obra que trabalha com questões existenciais é bom lembrar que a marca da questão existencial é a dúvida, perguntas das quais não temos respostas. Nota-se, portanto, que ao final da obra nós não temos nenhuma conclusão, acredito que advém daí o nome dela “claro enigma”.

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Ao analisar as questões de diversos vestibulares, eu pude verificar que a cobrança se baseia na interpretação através das fases, das divisões da obra e características da escrita do autor, através  da análise dos poemas fornecidos pela Banca.

Vi questões que cobravam o conhecimento da forma estrutural do poema, sendo esta o soneto (dá uma olhadinha no resumo da obra poemas escolhidos), bem como questões que cobravam a interpretação dos sentimentos do poeta em sua composição. 

Indico a leitura da obra e que você saiba bem o contexto histórico e cultural, as fases das composições do poeta, bem como sobre cada divisão da obra Claro Enigma. 

Ademais, dê uma atenção especial para o poema A máquina do mundo, pois ele é bem cobrado nas questões. Veja as características e a sua representatividade num todo.

IMPRESSÃO GERAL DO LIVRO

Como eu disse no post sobre Poemas escolhidos de Gregório de Matos, eu não tenho muito costume de ler poesia, mas especificamente deste livro eu gostei bastante e acredito que a obra é um bom início neste gênero literário.

De fato, é cristalino o pessimismo e a desilusão com o mundo, que se faz presente até hoje, apesar de não serem as mesmas questões sociopolíticas que o autor passou, mas são outras também capazes de nos mostrar a nossa pequenez.

Recomendo a todos a leitura desta obra muito fluída, bem escrita, que dá para ler em um fim de semana e é capaz de te fazer refletir sobre cada pensamento e visão de mundo do poeta.

Já leu esta obra? Se positivo, compartilha aqui comigo sua experiência!!!

Um beijo e até o próximo post!!

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