O médico e o monstro – O estranho caso do Dr. Jekyll e o Sr. Hyde

Capa do livro publicado pela Editora Darkside

E com este clássico da literatura universal, nós abrimos a temporada para a leitura temática de Halloween aqui no Magia das Palavras!!!

O médico e o monstro é o vigésimo livro da lista do Projeto Reeducação do Imaginário e o primeiro contato que eu tenho com o autor escocês Robert Louis Stevenson.

SOBRE O AUTOR

Imagem do autor disponível na Edição da Darkside

Robert Louis Stevenson nasceu em 1850 na cidade de Edimburgo na Escócia. Para muitos críticos literários, seus escritos são considerados infanto-juvenis, mas em nenhum momento tal característica foi capaz de desabonar as suas obras e das mesmas serem elogiadas por vários escritores, bem como de serem adaptadas para cinemas e teatros

Devido a saúde debilitada, em 1887 o autor saiu em busca de um clima mais ameno para viver com a sua esposa Fanny Osbourne e passa a estabelecer morada nas Ilhas Samoanas, sendo este cenário o pano de fundo de alguns contos, como por exemplo A praia de Falesá, O demônio da garrafa e A ilha das vozes (todos presentes na edição da Darkside).

O autor permaneceu nas Ilhas até o final de sua vida em 1894, sendo conhecido por lá como tusitala, o contador de histórias.

SOBRE A EDIÇÃO

Mais uma vez a Editora Darkside arrasando na edição de seus livros! Este livro foi lançado em 2019 e faz parte do selo Medo Clássico, no qual apresenta ao leitor seis contos escritos pelo autor, dentre eles um de seus contos mais famosos – O médico e o monstro.

Ademais, a edição possui introdução, tradução e notas escritas por Paulo Raviere, as ilustrações mais lindas que já vi feitas por Alcimar Frazão, bem como uma galeria de fotos do autor no decorrer de sua vida, principalmente durante sua estadia nas Ilhas Samoanas.

SOBRE A OBRA

Ilustração contida no livro publicado pela Editora Darkside

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

A história é narrada pelo Dr. Utterson, advogado e amigo de longa data do médico Dr. Henry Jekyll na Londres do século XIX.

Utterson era o advogado responsável pelo testamento do Dr. Jekyll, no qual dispunha que no caso de sua morte ou “desaparecimento ou ausência inexplicável por qualquer período excedente a três meses de calendário”, todos os seus bens passariam a ser do Sr. Edward Hyde.

Utterson não ficava à vontade com o documento feito pelo amigo, pois nunca ouviu falar do benfeitor do testamento. Logo, diante dessa situação, Utterson foi até a porta da casa de Sr. Hyde e ficou à espreita esperando o seu aparecimento.

O Sr. Hyde era “um homem pequeno, se vestia de modo bastante ordinário e sua aparência afrontava com intensidade o observador”, de acordo com a visão do advogado.

Duas semanas após o encontro entre o Dr. Utterson e o Sr. Hyde, o Dr. Jekyll entra em cena através de um jantar oferecido aos seus amigos, dentre eles o advogado. Nesta ocasião, Utterson indagou Jekyll sobre o testamento e sobre seu encontro com Hyde. Jekyll não gostou das novidades e informou à Utterson que não haveria qualquer alteração no testamento e garantiu que ele poderia se livrar de Hyde quando quisesse.

Após esta cena, a história dá um salto temporal de um ano com a narrativa de um crime de ferocidade singular, qual seja a morte do cavalheiro Sr. Crew pelo Sr. Hyde.

Após o crime, Hyde fugiu e o Dr. Jekyll se isolou em seu laboratório. Todos os seus empregados ficaram preocupados com a atitude do médico e procuraram o Dr. Utterson para interceder no caso. O advogado junto ao mordomo da residência do médico forçaram a entrada no laboratório com um machado:

Bem no meio estava um corpo de homem gravemente contorcido e em convulsão. Eles se aproximaram na ponta dos pés, o viraram de costas e se depararam com o rosto de Edward Hyde. Vestia roupas grandes demais, roupas do tamanho do médico; as linhas do rosto ainda se moviam como que em sinal de vida, mas a vida se fora; e pelo frasco esmagado na mão e aquele forte odor de amêndoas que estava no ar, Utterson sabia que olhava para o corpo de alguém que dera fim a própria vida.

Chegamos tarde demais, disse ele com severidade, tanto para salvar como para punir. Hyde se foi por conta própria. E agora nos resta somente encontrar o corpo de seu patrão.

Todavia, os questionamentos não paravam por aí, tendo em vista que se Hyde estava morto, onde estaria o Dr. Jekyll??

Mais um vez, o mordomo e o advogado, saem a procura pela residência e, ao chegarem ao gabinete do médico, havia um grande envelope endereçado ao Sr. Utterson com a seguinte mensagem:

Meu caro Utterson, quando esta chegar às suas mãos, terei desaparecido, sob quais circunstâncias, não tenho condições de prever; porém meu instinto e todas as circunstâncias de minha situação inominável me dizem que o fim é certo e haverá de ser em breve. Vá então, e primeiro leia a narrativa que Lanyon me avisou que levaria às suas mãos; e caso tenha interesse em saber mais, volte à confissão de seu infeliz e desmerecedor amigo, Henry Jekyll.

Lanyon, outro amigo de longa data do médico, foi o primeiro a testemunhar a transformação do Sr. Hyde no Dr. Jekyll, após o apelo feito pelo médico para entregar alguns frascos em um determinado endereço, a fim de realizar a transformação. Após tal acontecimento, Lanyon rompeu sua relação com o amigo, pois não concordava com tal descoberta científica, bem como rechaçou de imediato o comportamento do médico.

Ao final do conto, nós temos um relato completo do experimento e transformação narrado pelo próprio Dr. Jekyll, no qual o Dr. Utterson pôde concluir sobre o desaparecimento e/ou fim de seu amigo.

SOBRE A MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E A INDICAÇÃO DA OBRA AO PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

O conto trata, de uma forma muito verdadeira através de uma história fantástica, a essência da natureza dual do homem, da capacidade de nos dividirmos entre o bem e o mal e a duplicidade da vida.

Pelo relato do Dr. Jekyll, ao final da narrativa, nos é mostrado que há uma linha tênue que dividirá sempre a moral e o intelectual e nos é revelado que o homem não é na verdade um, e sim dois, como se fossemos gêmeos opostos que brigassem pelo espaço de atuação incansavelmente.

Há um trecho no livro que a personagem descreve a sensação de impunidade, bem como o cometimento de um crime pelo mero prazer em atuar de forma ilícita:

Os homens antes contratavam bandidos para levar a cabo os crimes, enquanto sua própria pessoa e reputação ficavam protegidos no abrigo. Fui o primeiro a fazer isso por prazer, fui o primeiro assim capaz de passar diante dos olhos do público com enorme carga de respeitabilidade, e num instante, como estudante, arrancar os adereços e saltar de cabeça no mar da liberdade. Apenas para mim, em minha manta impenetrável, a segurança era completa.

No relato há culpa do Dr. Jekyll pelas atitudes monstruosas do Sr. Hyde, bem como há culpa e arrependimento de sua própria conivência com tais atos que o levaram a sua penitência e consequentemente ao seu fim.

Já leu este livro ou pelo menos o conto de O médico e o monstro? Compartilha sua experiência aqui comigo nos comentários!!

Um beijo e até o próximo post!!

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