Resenha de Mrs. Dalloway

Capa do livro publica pela Editora Antofágica

O que falar sobre este livro??

Bom, estava com muita vontade de lê-lo, pois ele preenche alguns requisitos do meu momento como leitora:

  • É um clássico;
  • É um livro bem famoso;
  • A crítica fala muito bem da escrita da autora Virginia Woolf.

Logo, eu fiz a minha leitura através da edição lançada em 2020 pela Editora Antofágica. Ressalto que a edição é lindíssima, ilustrada por Sabrina Gevaerd e com textos complementares Ana Carolina Mesquita e Carola Saavedra.

Todavia, ao concluir a leitura, eu simplesmente não achei tudo isso.

Antes de me julgarem, eu ressalto o respeito que eu tenho por quem ache este livro maravilhoso, mas eu não consegui vê-lo com os mesmos olhos. Até peço para que deixem nos comentários o que mais chamou atenção ou até mesmo cativou na leitura deste livro!!

Contudo, nem tudo são críticas, gostei bastante do estilo narrativo da autora, tendo em vista que Virginia Woolf utiliza muito bem o fluxo de consciência, isto é, o fluxo de pensamento da personagem aparece quase que emaranhado com o do narrador onisciente; o fato da história se passar em um dia na vida de Mrs. Dalloway, ainda mais em um dia de festa em sua residência, como Londres, local em que a história é ambientada e, que acaba se tornando uma personagem também em vários momentos:

Acho que o que mais me incomodou no livro foi a própria protagonista, pois ela é o tipo de personagem que você não tem vontade de se tornar amiga, se ela existisse ou até mesmo sentir raiva dela.

Na verdade, a única coisa que eu senti por Mrs. Dalloway foi a indiferença e isso para mim é pior do que sentir raiva, pois melhor sentir raiva do que não sentir simplesmente nada.

Mesmo assim, não quero que este post seja visto como somente uma crítica que o impeça de ler a obra, tendo em vista que cada leitor terá uma experiência diferente de leitura e percepção.

Diante do desabafo, vamos para o enredo. Há leitores que podem estranhar o fato do livro não possuir capítulos (a edição da Antofágica, pela qual eu fiz a leitura não tem), mas não vejam como uma estranheza, mas algo com muito sentido, tendo em vista que a história se passa em um dia específico na vida da nossa protagonista.

Mas o que tem de tão importante neste dia? É dia que Mrs. Dalloway dará uma festa em sua residência. A festa em si não tem um fim específico, mas para a nossa protagonista é um evento muito importante.

Durante o decorrer deste dia, nós viajamos ao passado de Clarissa, sim este é o primeiro nome de Mrs. Dalloway, no qual nos deparamos com uma pessoa muito deferente de como ela é hoje retratada.

Vimos que ela era apaixonada por Peter Walsh (ou somente ele era apaixonado por ela…não consegui formar a minha opinião sobre o assunto), vimos que seu casamento foi por uma mera convenção social, presenciamos a descrição de um beijo trocado com sua amiga, sendo esta cena descrita como o dia mais feliz de sua vida.

Quando voltamos ao tempo presente da nossa protagonista, acompanhamos a distância que Clarissa tem de sua filha, bem como de seu marido, pois é nítido que ela não o ama e também não consegui vê-la como mãe, como se ter um filho fosse uma obrigação da mulher (esta visão, o mundo possui até hoje, imagina na época em que o livro foi escrito, qual seja, o período entre Guerras).

Acredito que a minha indiferença com relação a Mrs. Dalloway é que ela não é aquilo que ela queria ser, seja lá o que ela queria da vida, mas ao acompanhar o seu dia, eu só consegui sentir um vazio, sem conseguir ter noção de algum sentimento vindo da protagonista.

Ademais, a personagem que mais me chamou a atenção foi Septimus, um homem transformado pela vivência na 1ª Guerra Mundial e devido a tudo o que ele viveu, ele comete o suicídio. Acredito que a forma como ele foi descrito, tanto sua vida antes e depois da guerra, o motivo pelo qual ele se casou com a Rezzia, os medos, anseios, sua falta de confiança nos outros, fazem dele uma personagem tão real que não tem como você não ficar impressionada.

Confesso que escrevendo este post, acho que estou olhando Mrs. Dalloway com outros olhos, mas ainda a vejo como se ela tivesse ligado sua vida no piloto automático e tivesse que fazer tudo aquilo que a sociedade lhe impõe, principalmente como mulher.

Logo, acredito que eu dê mais uma segunda chance a autora com o livro Ao Farol, que já está na minha lista interminável de livros para ler.

Deixo aqui alguns posts do blog relacionados a dois temas:

Londres como personagem do livro: Aqui no blog também temos um representante da literatura nacional, no qual o ambiente em que se passa a história também é visto como uma personagem, estou falando da obra O cortiço de Aluísio Azevedo.

Sobre o papel da mulher na sociedade: Temos também um post que descreve o papel da mulher na sociedade do século XIX, com o livro Orgulho e Preconceito da Jane Austen.

Deixo aqui também, a minha dica de filme sobre a autora Virginia Woolf e sobre o livro Mrs. Dalloway, chamado As Horas:

Sinopse: Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro “Mrs. Dalloway”. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e ideias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.

Por fim, indico um vídeo no Youtube do Canal Univesp sobre Literatura Fundamental, no qual a Professora Noemi Jaffe comenta detalhadamente a vida da autora e da obra Mrs. Dalloway.

Um beijo e até o próximo post!!

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