Resenha de O Senhor dos anéis – O retorno do Rei e finalização da obra

Capa do livro publicado pela Editora Harper Collins

Continuando a leitura do décimo livro da lista do Projeto Reeducação do Imaginário – O Senhor dos anéis. No post de hoje, eu tratarei da terceira e última parte do livro, intitulada O retorno do rei.

Aqui, chegamos ao fim desta jornada INACREDITÁVEL, iniciada com a leitura de O hobbit em Julho de 2020 (temos também a resenha de a sociedade do anel e as duas torres). Foi uma trajetória repleta de aventuras, ensinamentos e, em O retorno do rei não foi diferente, aliás, foi de tirar o fôlego!!!

SOBRE O ENREDO

O livro 5 retoma a parte final do livro 3, qual seja, a partida de Gandalf com Pippin para Minas Tirith. Nota-se, portanto, que a Comitiva do Anel se separa mais ainda, cada um enfrentando seus desafios.

Ao chegarem no destino, os dois precisam conversar com o Regente Denethor, pai de Boromir e Faramir. O diálogo não será nada fácil, pois Gandalf terá a missão de contar ao “rei” que quem tem direito ao seu trono é Aragorn.  Com o fim da conversa, Pippin se torna servo de Denethor e Gandalf precisa partir e deixa como missão para Pipin cuidar de Scadufax.

A outra parte da Comitiva, Aragorn, Legolas e Gimli, estão voltando de Isengard. Aragorn, sabe que deverá passar por um caminho obscuro e amaldiçoado por Isildur (a Terra da Sombra) e que os fantasmas que lá habitam ajudam o verdadeiro rei em sua trajetória.

Enquanto isso, em Rohan, os cavaleiros se preparam para partir à luta em defesa da terra de Gondor, contra a escuridão crescente, comandados pelo valente Rei Theóden e Merry que está no local, a serviço do rei, é dispensado de sua atividade. 

Nesta cena, eu fiquei como muita pena do Merry, pois era nítido que ele queria participar da batalha e fica pensando em seus amigos e no desempenho de seus grandes papéis nesta jornada. 

Ao observar a vontade de Merry em ajudar a tropa, um dos cavaleiros o chama para subir em seu cavalo e partir com eles para a batalha. Tal cavaleiro, nada mais é que Elryn disfarçada e depois revelada como uma excelente guerreira.

Acompanhamos também o delicado relacionamento entre Denethor e Faramir, o filho preterido, pois em um dado momento, seu pai diz com todas as letras que gostaria que ele tivesse morrido no lugar de Boromir. Esta cena tanto no filme quanto no livro, me deixou tão triste, pois o Faramir tenta de tudo para demonstrar o seu valor ao seu pai e é humilhado e desprezado por ele.

E não bastasse tudo isso, chegamos a momento do cerco de Gondor, ocasião em que temos uma batalha terrível. Faramir acaba se ferindo e seu corpo é entregue ao seu pai, que está determinado ao morrer queimado junto com o filho. 

Ao saber disso, Pippin vai atrás no campo de batalha de Gandalf, a fim de impedir a morte de ambos. No campo de batalha, Gandalf está lutando com Nazgul até que se ouve uma trombeta, anunciando a chegada dos cavaleiros de Rohan.

Ademais, seguimos acompanhando as batalhas e inclusive, testemunhamos a morte do regente Denethor e do Rei Theóden pelo Capitão Negro. Elryn tenta salvar o Rei, mas acaba se ferindo e Merry, ao ver tal cena, acaba intercedendo por ela e derrota o inimigo.

Ao perceberem que tal cavaleiro era Elryn e que a mesma estava viva, apesar de seu ferimento, ela é encaminhada a uma casa de cura. Assim, como Elryn, Merry após o seu reencontro com Pippin também é levado para a casa de cura e Faramir, após a morte de seu pai também está lá recebendo cuidados.

Neste meio tempo, Aragorn, Gimli e Legolas chegam a batalha, para o horror dos cavaleiros de Mordor. Ao saber dos feridos na casa de cura, Aragorn vai diretamente ao local e, como verdadeiro rei, ele exerce o seu poder de cura.

No final do livro 5, há um debate sobre os próximos passos a serem dados para mais uma batalha (rumo ao Portão Negro) e aqui temos uma das frases mais bonitas e conhecidas do livro:

“Outros males existem que poderão vir, pois o próprio Sauron é apenas um servidor ou emissário, todavia, não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer o tempo em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos que conhecemos para que aqueles que viverem depois tenham terras limpas para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar. ”

Já no livro 6, nós retornarmos a jornada de Frodo e Sam, na qual Frodo foi levado ao topo de uma torre pelos Orcs e Sam, em posse do anel, vai atrás de seu mestre.

Ao encontrar Frodo no topo da Torre de Cirith Ungol, o mesmo está desacordado. Sam, ao cantar uma música do Condado, vê Frodo despertar e após narrar os últimos acontecimentos ao seu mestre, eles tentam fugir dos Orcs deste lugar para continuar com a missão.

Durante este percurso, os Hobbits se deparam com uma tropa de Orcs, mas por sorte, eles estão usando as roupas encontradas da Torre em que Frodo estava e entram no meio da tropa e aguardam o momento certo para despistá-los.

Frodo e Sam conseguem chegar a Montanha da Perdição, a fim de cumprir o destino, qual seja, a destruição do anel. Tolkien nos mostra, através de sua narrativa, o quanto foi difícil e desgastante para Frodo o fardo do anel, bem como Sam foi importante durante toda a jornada e um dos mais fiéis amigos.

Contudo, destruir o anel não será nada fácil, pois Gollum reaparece no local para impedir a conclusão da missão de Frodo, bem como o hobbit estava considerando ficar com o anel para ele, o que nos mostra a influência do objeto sobre o portador.

Gollum consegue recuperar o anel de Frodo, arrancando o dedo do mesmo, mas ao estar na posse do objeto novamente, a criatura tropeça e cai no fogo da Montanha da Perdição junto com o anel. 

Com a destruição do anel, nós como leitores, bem como as personagens, temos a percepção da dissipação da neblina, das construções desmoronando, dos Nazgul desaparecendo e dos Orcs fugindo.

Com o cumprimento da demanda, a luta cessa e Gandalf irá atrás de grande águia e sai em busca de Sam e Frodo, que estão no meio da destruição da Montanha da Perdição. 

Durante a despedida da Comitiva do Anel, eles encontram rastejando Saruman e Língua de Cobra e Frodo fica encarregado de terminar o livro vermelho para Bilbo, que está preste a passar o velho Tûk em anos vividos (131 anos).


No retorno ao Condado, os Hobbits ficam sabendo no bando de batedores que invadiu sua pacífica vila. Ao chegarem no destino, os pequenos percebem que as casas estão diferentes e sombrias, as árvores que ficavam nas alamedas foram todas cortadas.


Vendo a situação e o pavor dos moradores do Condado, os hobbits começam a traçar estratégias para chegar até o chefe dos batedores. E quem é este chefe??? Ninguém mais, ninguém menos que o próprio Saruman.

Após uma rebelião dos hobbits contra o mal, eles conseguem expulsar tanto Língua de Cobra quanto Saruman. Este, começa a humilhar o seu comparsa e o mesmo não aguenta mais ser tratado desta forma e corta a garganta de Saruman e Língua de Cobra acaba sendo morto a flechada pelos Hobbits.


Depois de um tempo de trevas, veio a paz tão merecida para os Hobbits, eles começam a reerguer o Condado, Sam casa-se com Rosinha e juntos tem uma filha e enquanto isso, Frodo termina o livro para Bilbo. Já quase no final da obra, Frodo decide que é a hora de fazer uma viagem para ficar com Bilbo.


Sam fica arrasado com a partida de Frodo para outro mundo, além da Terra Média, junto com Bilbo e Gandalf. E aqui fica a poética simbologia de Tolkien sobre a vida após a morte ou até mesmo sobre a finitude da vida.

SOBRE O AUTOR

John Ronald Reuel Tolkien, nasceu em Bloemfontein, na República do Estado Livre de Orange (atual África do Sul), e, aos três anos de idade, com a sua mãe e irmão, passou a viver na Inglaterra, terra natal de seus pais.

Com a morte de sua mãe, Tolkien e seu irmão passaram a ser cuidados por Francis Morgan, momento no qual dedicou-se aos estudos demonstrando grande talento linguístico. Em 1905, os irmãos mudaram-se para a casa de uma tia em Birmingham. Em 1908, deu início à carreira acadêmica, ingressando na Universidade de Oxford. 

Em 1915, ao autor concluiu a sua licenciatura em literatura em língua inglesa. Todavia, a graduação não o impediu de ser convocado e, em 1916, depois de casar-se com Edith Bratt, foi chamado para a guerra. 

Tolkien sobreviveu à Primeira Guerra Mundial e em 1917, nasceu o seu primeiro filho, John Francis Reuel Tolkien. Logo depois começou a escrever os primeiros rascunhos do que se tornaria o seu segundo mundo, complexo e cheio de vida, servindo de pano de fundo para obras como O Hobbit, O Senhor dos AnéisO Silmarillion.

Com tais obras, o autor ficou conhecido como o pai da moderna literatura fantástica e é amplamente considerado como um dos maiores e sem dúvida o mais bem-sucedido autor deste gênero literário. Tolkien foi indicado duas vezes ao Prêmio Nobel da literatura, mas não ganhou nenhuma das vezes.

Em 1972, Tolkien recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Letras da Universidade de Oxford, onde fora professor, bem como recebeu uma das maiores honras britânicas, qual seja, a da Ordem do Império Britânico, entregue pela Rainha Elizabeth II.

Em 2 de setembro de 1973, Tolkien morre na Inglaterra. Seu corpo foi enterrado junto com a esposa, no Cemitério de Wolvercote. No túmulo, abaixo do seu nome há a inscrição Beren.

SOBRE A INDICAÇÃO DA OBRA NO PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

Após finalizar a leitura da saga e rever os filmes, posso afirmar que foi uma experiência única e totalmente diferente de quando eu assisti pela primeira vez nos cinemas (eu tinha 13 anos).

Ao rever os filmes, a forma que eu via a história foi completamente diferente. Afinal, eu tinha 13 anos quando o primeiro filme estreou.

Nesta idade, eu assisti admirando somente o universo fantástico, criado brilhantemente por Tolkien, através de suas personagens e lugares mágicos.

Hoje, com 32 anos, eu visualizei este mesmo universo fantástico como uma metáfora da nossa vida e é desta forma de enxergar, eu acredito que advém a indicação da obra ao projeto reeducação do imaginário.

A metáfora é cristalina em diversos elementos da história:

Como no caso dos Hobbits que representam a inocência, ingenuidade e curiosidade e até mesmo que a força pode sim vir dos pequenos; 

A relação “pais e filhos” das personagens mais velhas com relação aos mais novas. Na qual, podemos ver como somos suscetíveis a falhas, erros, acertos e medos na forma de educar os nossos filhos;

A questão da fé e da esperança, presentes e ausentes, nas personagens e como tais elementos foram os divisores de águas no final da jornada de cada um.

O próprio anel que simboliza o poder, a cobiça, a ganância que existe dentro de todos nós e a capacidade de tal sentimento se sobrepor a outros e a forma que o mesmo age em cada ser humano, como é o caso das personagens Gollum/Smeagol e Frodo Bolseiro;

E o fim da jornada dos Hobbits, na qual durante toda a trajetória tinham medo de não voltarem a ver o Condado em que moravam, mas que ao retornarem, eles se depararam com um lugar que continuava o mesmo, mas eles já não eram mais os mesmos.

E este é o grande segredo da vida, como as experiências, boas ou não, são capazes de nos modificar, de nos fazer enxergar a vida com outros olhos ou por uma nova perspectiva.

Por fim, este é o tipo de história que é tão densa, tão profunda e com a capacidade de ser atemporal (foi escrita entre 1937 e 1949), que vale a pena de se ter na estante e guardada em nossa mente e em nosso coração.

Um beijo e até o próximo post!!!

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