Resenha de Édipo Rei de Sófocles

Capa do livro publicado pela Editora Zahar

Dei início a leitura desta tragédia grega, tendo em vista outro livro que eu quero muito ler e que em alguns aspectos lembra a narrativa de Édipo Rei.

Tem algum palpite da minha próxima leitura???

Compartilha aqui nos comentários!!!

Pois muito bem, adquiri esta edição da Editora Zahar, que conta com a tradução feita diretamente do grego por Mario da Gama Kury (tida como a tradução mais acessível em termos de linguagem e interpretação textual) e apresentação da Professora de língua e literatura grega da Universidade de São Paulo, Adriane da Silva Duarte.

Saliento que há um vídeo no Youtube da Univesp sobre este livro com comentários da Professora Adriane, na qual eu recomendo dar uma olhadinha!

Antes de falar do enredo da peça, deixo aqui alguns apontamentos sobre certos termos teatrais presentes na tragédia:

Prólogo: a primeira parte da tragédia, em forma de diálogo entre personagens ou monólogo, na qual se fazia a exposição do tema da tragédia.

Párodo: o momento que corresponde à entrada do coro. Cada uma das passagens laterais junto ao palco, num teatro grego.

Estásimo: cada uma das odes cantadas pelo coro, entre dois episódios.

Êxodo: o episódio que finaliza a tragédia.

Corifeu: tido como o chefe do coro, aquele que enunciava partes isoladas do texto e que podia dialogar com os atores.

Coro: é um grupo homogêneo, não-individualizado de artistas das peças de teatro da Grécia clássica, que comentam com uma voz coletiva a ação dramática que ocorrendo durante espetáculo.

Para quem não sabe, a peça foi escrita por Sófocles, considerado o segundo na tríade dos tragediógrafos gregos, juntamente com Ésquilo e Eurípides. Além disso, é um dos poetas mais citados na poética de Aristóteles.

Nascido em 496 a.C. em Colono, distrito de Atenas e morto em 406 a.C. Durante sua vida, Sófocles serviu sua cidade ocupando cargos de tesoureiro, chefe militar e conselheiro. Ademais, participou da vida religiosa do distrito, introduzindo o culto a Asclépio, filho de Apolo, o possuidor do dom da cura.

Com relação a seu papel no teatro grego, Sófocles foi muito bem-sucedido e no que tange a Édipo, nós temos a chamada trilogia tebana, que compreende Édipo Rei, Antígona e Édipo em Colono.

Ainda sobre o autor, seguem abaixo, os comentários feitos por Otto Maria Carpeaux, no volume I do livro A história da literatura ocidental, página 203 a 204:

Sófocles representa a tentativa de mediar entre os extremos; e quando a mediação se revelou impossível, o grande poeta trágico cantou uma elegia suave e dolorosa, irresistível, que pareceu à posteridade síntese perfeita. Por isso, Sófocles foi sempre o poeta preferido dos partidários do equilíbrio puramente estético: dos classicistas.

É grandíssimo artista. Artista da palavra, dono de extraordinário lirismo musical, sobretudo nos coros. Mas foi também artista da cena, sábio calculador dos efeitos, mestre incomparável da arquitetura dramática, da exposição analítica do enredo. Entre o pathos coletivista de Ésquilo e o pathos individualista de Eurípides, a tragédia semipolítica, semi-sentimental de Édipo revela força superior de emoção; conflito coletivo e conflito individual estão ligados de maneira tão íntima que o efeito se torna independente de todas as circunstâncias exteriores, efeito permanente.

No que tange ao enredo da peça, nós temos a tragédia de Édipo condenado à morte quando ainda era um bebê devido a uma profecia, na qual aduzia que o mesmo mataria seu pai, o Rei Laio e desposaria sua própria mãe, a Rainha Jocasta.

Diante desta prenunciação do futuro, o Rei Laio convoca um pastor para se livrar de Édipo. A ideia era manter os pés da criança amarrados e deixá-lo pendurado em uma árvore para ser comido por animais.

Contudo, o pastor designado não consegue realizar a ordem dada e acaba doando a criança para outra pessoa. Esta pessoa é um serviçal do Rei de Corinto, que cria Édipo como filho.

Muitos anos após o ocorrido, Édipo toma ciência da profecia acima, razão pela qual, nosso protagonista abandona a cidade de Corinto em direção a Tebas.

Todavia, no meio do caminho, mais precisamente em uma encruzilhada, ele encontra com seu próprio pai, o Rei Laio e seus serviçais, e acaba os mantando (restando somente um que conseguiu escapar do massacre), cumprindo assim a primeira parte da profecia.

Seguindo sem rumo, chega às portas de Tebas, onde a Esfinge propõe-lhe a resolução de um enigma caso a resposta esteja errada, o mesmo deverá pagar com a sua vida.

Para a tristeza da Esfinge, Édipo responde corretamente o enigma, salvado a sua vida e a de todos da cidade. Como recompensa por sua coragem e astúcia, recebe de Creonte (seu tio e irmão de sua mãe), o título de rei e a mão de Jocasta, viúva de Laio, cumprindo assim, a profecia.

Após um período de bonança, uma peste terrível assola a cidade tebana e é com esta cena que se inicia a peça de Édipo Rei. Após consulta ao oráculo de Delfos, Creonte diz ao Rei que, para livrar a cidade da peste avassaladora, é preciso encontrar e punir o assassino de Laio.

Édipo diz aos tebanos que o criminoso será encontrado, banido e amaldiçoado para sempre. O cego Tirésias, chamado para ajudar nas investigações, diz a Édipo que o assassino está mais perto do que ele imagina. Neste momento, o rei se lembra então da antiga profecia que o fez sair de Corinto e teme ter fracassado na tentativa de se opor ao seu próprio destino.

Mas como toda a tragédia, a de Édipo não acaba por aí, neste meio tempo, chega um mensageiro de Corinto informando a morte de Políbio, de quem Édipo não era filho legítimo, como dito anteriormente.

Quase ao mesmo tempo, aparece o homem que compunha a comitiva de Laio, o único que conseguiu escapar, no dia em que este foi morto. Trata-se do mesmo pastor que abandonou o bebê no monte Citerão. Aquela criança está agora diante dele e é o rei de Tebas e assassino do Reio Laio, seu próprio pai.

Com toda a revelação, a Rainha Jocasta comete o suicídio e Édipo renuncia ao trono e fura os próprios olhos diante da enormidade de sofrimentos por ele causados.

Nota-se, que assim como discutido em Macbeth, acerca de profecias e livre arbítrio, acredito que podemos estender os temas também para a tragédia de Édipo.

Aqui, mesmo que as consequências dos atos não tenham sido motivadas por Édipo, fica a indagação inerente a possibilidade ou impossibilidade de mudar o seu próprio destino. Mesmo com o cumprimento da profecia, como será que Édipo encontrou a redenção, caso a tenha encontrado?

A resposta desta última pergunta encontra-se na continuação da história do nosso protagonista em Antígona (uma das filhas/irmã de Édipo…loucura não?!?) e finalizando em Édipo em Colono.

Já leu esta tragédia grega, bem como sua continuação?

Um beijo e até o próximo post!

Um comentário em “Resenha de Édipo Rei de Sófocles

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