FUVEST: Resumo da obra Campo Geral

Capa do Livro lançado pela Editora Global em 2019

Mais um livro de Guimarães Rosa analisado para o nosso Projeto Fuvest.

Por aqui já temos uma resenha do autor, na qual eu faço a remissão a esta no que tange as informações SOBRE O AUTOR, SOBRE O CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL E ESTILO NARRATIVO.

SOBRE A OBRA E O ENREDO

Novela (composição de um único núcleo narrativo, isto é, os acontecimentos giram em torno de um grupo de personagens específicos, bem como o tamanho do texto varia de 40 a 60 páginas), publicada em 1956 através da coletânea chamada Corpo de Baile e republicada em 1964 no conjunto Manuelzão e Miguilim.

O enredo nos apresenta um menino de oito anos, chamado Miguilim, que mora com sua mãe (Nhá Nina), seu pai (Nhô Bernardo – Béro), irmãos (Maria Andrelina, Maria Francisca, Expedito José, Tomé de Jesus e o irmão mais velho Liovaldo que não morava mais com eles) e sua avó (Izidra, irmã da mãe de Nhá Nina), em um ponto bem remoto no Mutúm (sertão mineiro). 

Ninguém que vive neste lugar o acha bonito de se viver ou até mesmo de apreciar, especialmente a mãe de Miguilim. Nota-se que até então, nós não temos a visão de Miguilim sobre o local em que ele vive, mas sim a visão das demais personagens reproduzidas através da visão de mundo do menino.

Já no início da narrativa, nós percebemos que o menino se dá muito bem e trata com carinho sua mãe, mas a sua relação com o pai não é a mesma coisa, tanto o é, que sempre que o pai vê Miguilim com sua mãe, o mesmo considera o menino um mal-agradecido por não ter nenhum tipo de estima por ele.

O pai de Miguilim era um homem ciumento, possessivo e violento, principalmente com o menino e com a esposa, chegando até a impedir que seu irmão, Tio Terez vá visitar a sua família e que principalmente, fale com Nhá Nina. 

Aqui, já é possível para nós leitores, através do olhar de Miguilim e das atitudes de Nhô Bero e Vó Izidra, desconfiarmos que o Tio Terez e Nhá Nina têm/tiveram um caso amoroso, razão pela qual o Tio vai embora.

Ademais, quando nosso protagonista presenciava esta violência, seu irmão Expedito (Dito) que gostava muito dele e segundo Miguilim “Deus tinha dado a ele todo juízo”, o consolava e lhe dizia palavras de apoio e confiança, como se o Dito fosse um guia para Migulim ao mundo adulto, como se o ajudasse nessa transição da fase infantil para adulta.

Passado algum tempo, Miguilim estava voltando do local de trabalho de seu pai para a casa da família, quando ele se depara com Tio Terez, que lhe pede para que entregue uma carta escrita por ele aos cuidados de Nhá Nina.

Neste momento, nós presenciamos o conflito vivido por Miguilim, pois ao mesmo tempo que ele gosta do Tio, ele entende que a entrega da carta à sua mãe é errada, o que demonstra um processo de amadurecimento da personagem.

Há mais dois eventos, em que podemos vislumbrar este processo de amadurecimento de Miguilim.

O primeiro ocorre quando o seu irmão mais amado, Dito, corta o pé, adoece e vem a falecer. Essa para mim, foi uma das partes mais tristes do livro, pois a tristeza de Miguilim com a morte do irmão é tão intensa e real, que não há a possibilidade de você não ficar cabisbaixa também.

Após a morte do Dito, a relação entre Miguilim e seu pai se torna ainda pior: “Pai disse a Mãe que ele não prestava, que menino bom era o Dito, que Deus tinha levado para si, era muito melhor tivesse levado Miguilim em vez d’o Dito.”

Já o segundo evento ocorre com o seu irmão mais velho – Liovaldo, que não vive mais com a família, em uma visita começa a azucrinar Miguilim e o mesmo começa a revidar em seu irmão. O fato é que seu pai, Nhô Bero, achou totalmente equivocada a atitude do menino, pois o mesmo deveria ter respeitado a hierarquia familiar e o mesmo acaba sendo espancado por seu pai, bem como Nhô Bero quebra com todas as gaiolas de passarinho e os poucos brinquedos de Miguilim.

São com estes fatos que vemos o ápice do amadurecimento do Miguilim, pois ao invés do menino chorar com a surra e com os danos aos seus bens, ele começa a rir desvairadamente da situação na frente de seu pai. Apesar de no momento, todos acharem que o menino havia enlouquecido, acaba gerando uma certa admiração e respeito de seus familiares por Miguilim.

Após tais acontecimentos, Miguilim adoece (de quase morrer mesmo), e seu pai tem uma crise de consciência e de culpa, pois ele acabou de perder o Dito e estava perdendo o Miguilim também: “Nem Deus não pode achar isto justo direito, de adoecer meus filhinhos todos um depois do outro, parece que é a gente só quem tem de purgar padecer!?”

Nota-se que, ao mesmo tempo que Não Béro é violento, ele também se sente culpado por seus atos, o que nos mostra a complexidade da personagem e da obra.

Todavia, como desgraça muita é pouca, Nhô Bero acaba matando seu ajudante Luisaltino, acredito que por uma crise de ciúme deste rapaz com sua esposa (com a leitura da obra, dá a entender que eles teriam tido um caso). Com o acontecimento do crime, o pai de Miguilim perde a cabeça e acaba tirando a própria vida.

Miguilim se recupera, contudo, com a morte de seu pai, Tio Terez retorna e informa que irá morar com eles e trabalhar na lavoura de seu irmão. A Vó Izidra, vendo o retorno do Tio Terez, anuncia que irá embora, pois lá (no Mutum) não ficava mais.

Na cena final do livro, aparecem dois homens a cavalo, sendo que um deles está portando óculos de grau (Dr. José Lourenço , do Curvelo). O homem, pergunta a Miguilim se ele tem dificuldade para enxergar, pois o menino “aperta muito a vista”. Ao ver a dificuldade do nosso protagonista, o homem cede seus óculos para ele.

No momento em que Miguilim está na posse dos óculos, ele enxerga tudo (o menino “tem a vista curta” = miopia).

Logo, tudo o que ele via nitidamente era novo e diferente, inclusive e especialmente, a beleza do Mutum: “O Mutúm era bonito! Agora ele sabia”.

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Ao analisar como a obra em tela é cobrada nos vestibulares, eu pude verificar que a maior parte das questões envolviam o conhecimento do enredo, através de citações de trechos da novela, bem como sobre o estilo narrativo da obra, qual seja, o narrador figura–se como um adulto, a fim de contar efetivamente a história, mas visualiza os fatos como se pertencesse ao íntimo do universo infantil, diminuindo a distância entre as duas realidades. 

A narrativa é determinada pela sabedoria mítica e sertaneja, isto é, acompanha o crescimento do protagonista, não só no caráter físico, mas a evolução de seus pensamentos, de sua forma de pensar (novela de formação).

Nota-se, portanto, que as narrativas com este tema, sempre trazem a visão de mundo da criança com o desenvolvimento de emoções como amor, amizade, religiosidade e até mesmo violência, através das relações afetivas e familiares.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Mais um livro de Guimarães Rosa difícil de ser lido e compreendido de imediato, mas independentemente dos obstáculos literários, é possível apreciar a genialidade do autor.

E já fica como meta, na minha lista infindável de leituras, O grande sertão Veredas, tido como a obra prima do autor.

Conhece alguém que está para prestar vestibular ou se preparando para este exame? Indica o conteúdo aqui do blog!!!

Um beijo e até o próximo post !!

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