FUVEST: Resumo e análise da obra Mensagem, de Fernando Pessoa

Capa do livro publicado pela Editora Via Leitura

Antes de começar a análise da obra, eu te convido a conhecer e apoiar o conteúdo criado para o blog, em especial para o Projeto Fuvest, através da minha campanha no APOIA.SE.

SOBRE O AUTOR

Fernando Pessoa nasceu em Portugal, no ano de 1888 e faleceu em 1935, aos 47 anos de idade. O autor perdeu seu pai muito cedo (aos cinco anos de idade) e seu irmão mais novo, aos seis anos. Sua mãe contraiu um novo matrimônio, quando o autor tinha sete anos de idade. Devido à constituição desta nova família, Fernando vai morar na África do Sul, local em que seu padrasto é cônsul. 

Logo, toda a formação do autor se dá em língua inglesa, momento em que o mesmo mostra todo seu esforço e aplicação no decorrer do período escolar, principalmente com os romancistas ingleses, bem como Shakespeare e Homero.

Em 1905, Fernando Pessoa regressa definitivamente para Portugal e somente em 1908, o autor começa a escrever em língua portuguesa.

Cumpre ressaltar a heteronímia presente na vida e obra do autor. Desde de a infância, Fernando Pessoa tinha a capacidade e até mesmo a necessidade de criar personagens imaginários, no qual ele escrevia cartas, com que ele conversava. 

Em sua poesia, a heteronímia se divide em vários desdobramentos, onde a voz lírica e o poeta estão interligados, mas podem não ser a mesma pessoa. Logo, alguns sentimentos descritos na poesia, podem não ser os próprios sentimentos do poeta. Aqui, eu cito os três heterônimos fundamentais na obra de Fernando Pessoa: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

SOBRE A OBRA E CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

A coletânea de poemas que teve como início de produção o ano de 1913, mas que veio a ser publicada somente em 1934 (segundo período do modernismo – 1930 a 1945), retrata a história de Portugal. Devido a heteronímia presente na obra do autor, cabe salientar que, o livro Mensagem foi escrito pelo próprio Fernando Pessoa.

Com relação ao contexto histórico, a obra foi produzida no período entre guerras, onde a maior parte da produção literária da época era voltada para o nacionalismo.

Ademais, a obra foi lançada propositalmente à venda no dia 01/12/1934, pois este é o dia da Restauração da Independência de Portugal e fim da União Ibérica.

SOBRE O ESTILO NARRATIVO

A obra em tela teve como base a epopeia clássica Os Lusíadas de Camões. Falo isso porque, ao ler a obra, é nítida as semelhanças de seus temas, sendo estes o heroísmo, o nacionalismo e as grandes navegações.

Todavia, ao mesmo tempo que se assemelha a obra acima citada, desta se difere, pois, a obra Mensagem foi escrita voltada ao período em que Fernando Pessoa vivia, sendo este, o período entre guerras, como dito no tópico anterior.

O texto do autor, é dividido em três partes: Brasão, composto de dezenove poemas; Mar Português, composto de doze poemas; Encoberto, composto por treze poemas. Os poemas não possuem métrica e nem rima.

SOBRE O ENREDO

O livro apresenta ao leitor temas como os heróis de Portugal, dentre eles Dom Sebastião, o poder da nação Portuguesa, especialmente, durante o período das grandes navegações e o nacionalismo, característica muito presente em obras modernistas.

É de extrema importância ressaltar que a obra Mensagem possui alguns mitos, que serviram de base para o desenvolvimento do enredo, são elas:

Sebastianismo (ou mito do encoberto): Dom Sebastião, rei que desapareceu na África durante a Batalha de Alcácer-Quibir (Marrocos – 1578), retornaria triunfante para levar Portugal novamente a um patamar de glórias e conquistas (messianismo). 

Ele seria o responsável pelo Quinto Império, tendo em vista que sua figura seria encarregada de levar a fé cristã a outros lugares do mundo. Recomendo a leitura do poema – O quinto império, contido na terceira parte em I – Os Símbolos.

Mito do espírito aventureiro português: os portugueses teriam conquistado os mares e ampliado seus territórios por conta de um talento inato e uma predestinação divina, elementos responsáveis pelo êxito das grandes navegações portuguesas nos séculos XV e XVI.

Mito do herói fundador: a cidade de Lisboa teria sido fundada pelo herói mitológico Ulisses.

Agora, vamos a divisão da obra, que pode ser vista como à ascensão, o ápice e o declínio de Portugal:

Primeira parte denominada Brasão: o autor recria a história de Portugal, através da figura dos heróis da nação portuguesa e a importância dos mesmos para a formação e desenvolvimento do país. A primeira parte é subdividida em os Castelos (I e II), as Quinas (III), a Coroa (IV) e o Timbre (V).

São tidos como heróis as seguintes personagens: Ulisses, Viriato (os dois primeiros tidos como os fundadores de Lisboa e Portugal, respectivamente), Dom Henrique, Dona Tareja, Dom Afonso Henriques, Dom Diniz, Dom João I, Dona Filipa de Lencastre, Dom Duarte, Dom Fernando, Dom Pedro, Dom Sebastião, Nunes Álvares Pereira, Dom João II e Afonso de Albuquerque.

Segunda parte denominada Mar Português: É selecionado um contexto específico do passado de Portugal, neste caso, os fatos e personagens ligados às grandes navegações portuguesas. 

A segunda parte é composta pelos poemas: Infante, Horizonte, Padrão, Monstrengo, epitáfio de Bartolomeu Dias, os Colombos, Ocidente, Fernão de Magalhães, ascensão de Vasco da Gama, Mar Português (poema da célebre frase: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena), a Última Nau e Prece.

Terceira parte denominada Encoberto: é a parte mais fantástica da obra (fantasiosa), aparecem muitas figuras míticas e imaginadas que contrastam com um olhar mais realista da nação portuguesa. 

Aqui, nós temos um olhar saudosista da grande nação que Portugal foi e a sua decadência à época de Fernando Pessoa, como pode ser visto com a leitura do poema Nevoeiro na subdivisão Os Tempos .

A terceira parte subdivide-se em: os Símbolos (I), os Avisos (II) e os Tempos (III).

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

As questões, às quais eu tive acesso, ressaltaram os aspectos culturais da nação portuguesa, a cobrança dos mitos, nos quais a obra se baseia, especialmente no mito de Dom Sebastião, as grandes navegações, a escola literária a qual o autor pertence, sendo esta o modernismo.

Deixo aqui, a indicação de um site bem bacana que traz várias questões sobre ela: https://faciletrando.wordpress.com/2020/06/23/mensagem/

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

É uma leitura rápida, todavia, com muitos detalhes que, se eu não tivesse pesquisado antes sobre a obra, eu não tinha entendido nada. 

Não foi a minha obra favorita do Projeto Fuvest e se fosse para desvendar a “mensagem” deixada por Fernando Pessoa, eu ousaria dizer que o autor escreveu esta coletânea de poemas aos portugueses  e/ ou como uma forma de resposta da nação portuguesa para o mundo.

Por fim, como este é o último post referente ao Projeto Fuvest 2020/2021/2022, eu quero aproveitar e agradecer a todos pelos inúmeros acessos que o blog obteve com o projeto e espero ter ajudado a todos da melhor forma possível rumo à aprovação!


Um beijo e até o próximo post!!

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