FUVEST: Resumo da obra Angústia

Capa do livro publicado pela Editora Record em 2019

Terceiro livro analisado para o projeto de Literatura da FUVEST, Angústia é uma obra da escola literária do Modernismo, escola esta bem cobrada e explorada pela banca, assim como o realismo.

SOBRE O AUTOR

Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 27 de outubro de 1892 no Estado de Alagoas. Seus pais eram comerciantes e devido a situação financeira da família, pode ser dedicar aos estudos, principalmente pela língua portuguesa.

Devido ao seu interesse pela leitura e escrita,  o autor chegou a publicar seu primeiro conto aos onze anos de idade. Durante a sua adolescência,  produziu textos para periódicos brasileiros, fez parte do Exército, ajudou seus pais na loja da família e deu aulas de português.

Graciliano Ramos se envolveu com política e acabou se tornando o prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, em 1927. Todavia, renunciou ao cargo dois anos após sua posse, tendo em vista que achava a política muito conturbada e burocrática.

Contudo, o escritor não deixou totalmente a política de lado, pois até a sua morte em 1953, ele atuou em diversos outros cargos públicos, principalmente ligados à educação.

Depois de passar onze meses encarcerado, Graciliano Ramos foi liberado em 1937.

Por fim, Graciliano Ramos morreu em Março de 1953, tendo sido casado duas vezes e pai de oito filhos.

SOBRE A OBRA

A obra foi publicada em 1936, durante o segundo tempo do modernismo (1930 – 1945). Para entendermos o contexto histórico e cultural, bem como o enredo da obra, nós precisamos saber que tal período, possui as seguintes características:

 – Prosa ficcional regionalista: é o uso da literatura como instrumento de denúncia social com grande engajamento político.

 – Traços do neorrealismo e neonaturalismo: é a capacidade descritiva de fato da realidade brasileira sem idealizações, sem romantização. 

A obra é um romance psicológico que trabalha com o fluxo de consciência através de uma narrativa não linear, causando dificuldade na compreensão da leitura.

O tempo da narrativa é dividido em:

Infância: composta por memórias da sua moradia e da sua família. Ressalto aqui, a cena em que seu pai acaba de falecer e Luís da Silva não chora pela morte dele, mas por não saber o que fazer da sua vida daqui para frente.

Vida adulta: composta por conflitos centrais ligados a obsessão, compulsão e econômica do nosso protagonista.

Tempo da narração em processo: na qual o protagonista decide escrever a história fazendo digressões ao passado.

Trata-se de um romance circular, isto é, para entender o final da história, se faz necessário voltar ao início da narrativa, a fim de entender o que de fato aconteceu.

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

Na época em que Graciliano Ramos começou a escrever, o país sofria mudanças, nos campos artístico, político e econômico. O movimento literário conhecido como Modernismo se consolidava, reforçando a formação de uma identidade artística nacional.

O Modernismo foi fundado por grandes nomes da arte brasileira, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, durante a Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Theatro Municipal de São Paulo (Marco Inicial do Modernismo).

Inicialmente, o movimento focou na ruptura da arte do Brasil com as influências do exterior, através da criação de uma identidade brasileira de forma quase patriótica e revolucionária. O primeiro tempo do Modernismo é de 1922 até 1930.

Quando Graciliano Ramos começou a publicar suas obras, os ideais do movimento do segundo tempo do modernismo, qual seja, de 1930 a 1945 destacam temas, como o regionalismo, a mistura de diversos tipos de arte e a construção de algo totalmente nacional. 

Neste período também, ocorreu a Revolução de 1930, na qual colocou o país sob o comando de Getúlio Vargas, responsável pelas reformas trabalhistas e econômicas para modernização do país. 

Contudo, em  novembro de 1937, através de um golpe de Estado, foi instituído o Estado Novo. Tal período é caracterizado pela centralização do poder através da figura de Getúlio Vargas, pelo anticomunismo e autoritarismo. A Terceira República Brasileira permaneceu até Janeiro de 1946. 

Diante deste novo contexto político e social, as obras e as amizades de Graciliano Ramos não eram bem vistas, tendo em vista que o partidarismo velado (comunismo) do autor é perceptível apenas para quem realmente presta atenção em seus escritos.

ESTILO NARRATIVO

A narrativa é em primeira pessoa, no qual será mostrado ao leitor a vida cheia de angústia que o nosso protagonista Luís da Silva vive. A angústia pode ser verificada no trecho abaixo citado:

Vivo agitado, cheio de tremores, uma tremura nas mãos que emagreceram. As mãos já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis. As escoriações das palmas cicatrizaram. 

Como podemos perceber, a obra Angústia, é uma narrativa lenta, pesada e fragmentada. Essa angústia também é gerada no leitor que acompanha a saga do protagonista.

Ademais, ao analisarmos esta obra, nós percebemos uma forte ligação com o realismo machadiano, razão pela qual nós temos traços do neorrealismo nas obras de Graciliano Ramos. Um exemplo desta semelhança é a obra Dom Casmurro, através do narrador angustiado em primeira pessoa fazendo seus relatos assim como Luís da Silva.

ENREDO

A vida de Luís da Silva não foi nada fácil. Apesar de vir de uma família de posses, ele perde a mãe muito cedo e foi criado pelo pai e por seus avós. Com o falecimento de destes, as dívidas e problemas da família recaem em Luís da Silva, um menino de catorze anos, que vê os credores da família levando tudo e se deparando em uma situação em que terá que buscar algum meio para sobreviver.

Logo, Luís da Silva será professor em uma escola próxima a sua região, mas chega um momento em que não dá mais para ficar naquele lugar, ocasião em que resolve sair do interior e morar em Maceió. Ao chegar na Capital, Luís da Silva acaba conseguindo um emprego no jornal ligado ao governo. 

Insta salientar, aos vestibulandos, que o nosso protagonista trabalhava como revisor de um jornal ligado a um órgão governamental. Logo, uma de suas funções era manipular partes dos textos escritos por jornalistas do local onde trabalhava, evitando fatos prejudiciais ao governo, lembrando que estamos em plena a Era Vargas.

Voltando ao enredo, Luis da Silva levava muito regrada em sua rotina, logo, o mesmo chegava do trabalho, conversava com a sua empregada Vitória, ia para o quintar ler um livro em sua rede.

Até que ele começa ver uma movimentação na casa ao lado, devido a mudança de uma nova família. E, nesta oportunidade, Luis da Silva conhece Marina.

Inicialmente, o diálogo entre os dois não era tão profundo, pois Marina era muito fútil e superficial. Todavia, ele acaba obcecado compulsivamente por ela.

A casa em que Luís vivia era conjugada, isto é, a parede da casa fazia divisão com a casa dele e a casa de Marina, logo, ele escutava o que acontecia lá, na verdade, nessa moradia todos eram muito próximos, como se o lugar fosse um microcosmo do mundo exterior. Nota-se que aqui, verificamos a característica do neonaturalismo, se assemelhando muito com a obra O Cortiço, de Aluísio de Azevedo 

Como Luís está empenhado em ter algo mais com Marina, ela a propõe em casamento. Diante deste novo contexto, Luis dá o dinheiro de suas economias para Marina. a fim de que a mesma providencie o enxoval, a alertando para comprar o que era realmente necessário. 

Contudo, Marina não o obedece e acaba gastando todo o dinheiro com coisas supérfluas, como camisas e meias de seda. Apesar da desobediência de Marina, Luís continua empenhado em se casar e aceita os gastos por ela cometidos.

A questão é que logo depois vem a grande decepção, pois Luís descobre que Marina está tendo um caso com Julião Tavares, colega de trabalho,e termina o noivado com ela.

Após um tempo, Luís descobre que Marina está grávida de Julião e que este a abandonou, pois, o mesmo já estava preparando o golpe para deflorar outra moça.

Revoltado e obcecado, nós temos em Luís da Silva a figura da justiça e da vingança. Logo, Luis pega uma corda e de tocaia acaba enforcando Julião e simulando o seu enforcamento, o amarrando em uma árvore.

Este é o momento de loucura de Luís da Silva, no qual ele tenta defender a honra da mulher em que um dia ele pensou em se casar. Segue-se então 30 dias de delírio e sofrimento, portanto a necessidade de se fazer o seu relato (esta cena é do início do livro…lembre-se é um romance circular).

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Ao pesquisar sobre como a obra poderia ser cobrada no vestibular, percebi que foram poucas as questões que cobraram o enredo da obra em si, tendo em vista, que a cobrança possui um foco multidisciplinar, ou seja, mesclando história, especialmente sobre a Era Vargas com a segunda fase do Modernismo.

Ademais, o foco das questões era com base na característica da transcendência, já que o Nordeste, serviu de pano de fundo para a maioria das criações do segundo tempo do Modernismo.

Os textos produzidos neste período denunciavam os traços de uma região em decomposição, acometida pela miséria, seca, descaso dos políticos, bem como pelo abandono dos que lá viviam, o que fez com que os retirantes se deslocassem para o eixo Sul-Sudeste do país.

IMPRESSÃO GERAL DO LIVRO

Confesso que a minha versão adolescente não teria gostado deste livro, pois como dito anteriormente, a narrativa é lenta, confusa, o que dificulta a compreensão da obra e contribui para afastar qualquer jovem da literatura nacional.

Mas hoje, eu posso afirmar que achei a obra muito bem escrita, com um protagonista denso e capaz de nos transmitir a angústia que ele sentia, não só com o crime cometido, mas principalmente, com a sua forma de viver. 

Aqui faço um adendo a minha experiência de leitura com uma obra muito parecida e do período do realismo, qual seja, Crime e Castigo de Dostoiévski, no qual o protagonista nos transmitia os seus sentimentos de forma tão verdadeira que conseguimos nos sentir cúmplices de seu crime e de suas mazelas.

Ao concluir a leitura e compará-la com a obra russa acima citada, ouso dizer que em alguns momentos eu achei a obra de Graciliano Ramos mais intensa na narrativa do que aquela, especialmente ao relatar a loucura e a obsessão de Luís da Silva com Marina e Julião Tavares.

Ademais, por ser uma narrativa em primeira pessoa, tinha momentos, principalmente, no auge dos sentimentos de Luís da Silva que era difícil estar na cabeça dele e saber os seus pensamentos mais sombrios e conturbados.

Por fim, apesar da densidade dos temas abordados e da forma não linear da narrativa, eu aconselho muito a leitura desta obra, independente de você ser ou não vestibulando. 

Já leu este livro? Se sim, compartilha comigo nos comentários o que você achou!!

Um beijo e até o próximo post!!

LIVROS E ANOS VIVIDOS

Este post não será uma resenha sobre um dos livros que eu já li, mas um conteúdo autobiográfico sobre como a leitura influenciou na formação da Alessandra de hoje, com 32 anos recém completados nesta data.

Lembro que não gostava de ler quando era pequena, na verdade, tive muita dificuldade para aprender a ler, uma por preguiça e outra porque eu era mimada mesmo.

Durante o meu período escolar, eu lia os livros que os professores pediam e somente isso. Não tinha aquela paixão ou até mesmo aquela vontade de sentar para ler um livro.

Todavia, como a vida é uma constante evolução, graças a Deus, eu mudei e tive meu momento de amor à primeira vista ao ler Harry Potter e a Pedra Filosofal, aos treze anos de idade.

Esta leitura foi tão impactante para mim que eu lembro do momento até hoje. Peguei o livro emprestado na biblioteca da escola, na qual a minha mãe dava aula, durante as férias de Julho e me sentei no sofá da sala e comecei a ler. Lembro que conclui a leitura em dois dias e fui correndo ver com a minha mãe se na escola dela tinha a continuação.

E assim meus caros leitores, eu entrei em um caminho sem volta, ainda bem que foi sem volta, pois hoje eu não imagino a minha vida sem a leitura presente nela.

Lógico, como em vários dos momentos em nossas vidas, nós encontramos alguns percalços no meio do caminho e, com a leitura, para mim, não foi diferente.

Na época do ensino médio, eu lembro que os livros clássicos indicados para a leitura eram uma tortura para mim, pois não era o tipo de história que eu gostaria de acompanhar quando eu era adolescente (exceto Machado de Assis e Eça de Queiroz, pois até hoje eu gosto destes autores).

Ademais, acredito que por causa deste período, eu fui me distanciando da leitura de livros clássicos, principalmente da literatura nacional. Mas, tal fato não me impediu de continuar lendo livros para o meu próprio entretenimento.

No decorrer dos meus anos vividos, eu li vários livros de romance contemporâneo, romance de época (meu favorito), dramas, comédias, me arrisquei um pouco no suspense. Contudo, hoje, acredito que com mais maturidade, eu mudei um pouco o meu gosto literário.

Veja, eu ainda gosto dos gêneros acima citados, mas resolvi ousar como leitora, como diria um trecho de uma música da Sandy, da qual sou muito fã por sinal, eu quebro as minhas leis, pois só assim elas pertencem a mim.

E deste reencontro com os clássicos, eu renasci. O meu renascimento foi com a forma de ver os livros. Não os via somente como fonte de entretenimento, mas como fonte de aprendizado.

E esta é a essência dos livros, nos ajudar na educação do nosso imaginário, nos contando histórias, nas quais nos questionamos como leitores e como pessoas sobre quais seriam as nossas atitudes diante da situação narrada.

Os livros nos provocam empatia através de suas personagens e narrativas. São nossa fonte de companhia, mesmo quando queremos estar sós. São túneis do tempo, nos levando para o passado, para o futuro e até para outros mundos.

Livros são atos de solidariedade, em que ao concluir a leitura, você quer falar para o mundo da sua sensação, da sua experiência. E, foi deste sentimento que em Outubro de 2019, eu fundei o blog Magia das Palavras.

Nota-se que, os livros possuem diversos significados, e eu espero que um dia, eles possam significar amor, conhecimento, e principalmente, esperança em uma sociedade melhor, em uma educação melhor para os nossos jovens, garantindo assim a base para um futuro a estas novas gerações.

Espero, caro leitor do blog, que você não tenha achado este post saudosista ou até mesmo melancólico, mas o interprete como um texto de amor a um hábito criado e cultivado ao longo destes anos.

Espero que neste nosso espaço, eu continue por muito e muito tempo falando sobre livros, sobre sentimentos e mostrando através da escrita, a minha essência e a minha voz.

Desejo de aniversário muitas leituras maravilhosas para todos nós!!

Um beijo e até o próximo post!!

O Vermelho e o Negro

Capa do livro

Quinto livro do Projeto Reeducação do Imaginário, e o primeiro livro que eu leio do autor francês Stendhal.

SOBRE O AUTOR E A OBRA

Stendhal

Henri-Marie Beyle, conhecido por um dos seus cento e setenta pseudônimos como Stendhal, nasceu em 1783 (às vésperas da Revolução Francesa) em Grenoble.

Ficou órfão de mãe aos sete anos de idade, e essa figura materna, sensualizada por ele, sempre foi perseguida em todos os seus romances. Diante deste cenário, Stendhal foi educado por seu pai (burguês e apreciador da Monarquia e da Religião) e pelo avô materno, que lhe apresenta o mundo através da literatura.

Em contraste ao amor pela mãe, nós temos o ódio pelo pai, como dito anteriormente, apreciador da Monarquia, enquanto seu filho se torna um favorável e apaixonado pelos movimentos revolucionários (paixão do povo pela revolução).

Ao entrar no Ministério de Guerras, Stendhal consegue sair daquela França que ele tanto odeia e acha hipócrita, e consegue viajar para Rússia, Alemanha, Espanha e para a Itália. E, é graças a esta estadia na Itália que nasce o romancista Stendhal.

Apesar de seu romantismo (não era o romancismo francês, mas o italiano), Stendhal não foi aceito pelo público. A incompreensão desse público decorria da repulsa suscitada por uma obra em que a paixão romântica se manifesta em um estilo narrativo econômico, bem como desconfiado de suas próprias paixões.

As obras de Stendhal, principalmente, O vermelho e o negro são classificadas como um romantismo sui generis ou beylismo (escritas no momento de transição do romantismo para o realismo).

Em O vermelho e o negro, nos é apresentado uma fachada do Antigo Regime, enquanto quem dita as regras da sociedade é uma burguesia liberal, logo, desprovida da aristocracia, bem como da benevolência que se esperava de uma classe nascida da Revolução.

Apesar do livro possuir como subtítulo “as crônicas de 1830”, os estudiosos acreditam que o mesmo foi escrito em 1827, tendo em vista os acontecimentos de Julho de 1830, também conhecidos as “Três Gloriosas”, durante os quais o povo parisiense e as sociedades republicanas, realizaram uma série de levantes contra o Rei Carlos X que culminaram com a sua queda e o fim do período conhecido como Restauração Francesa.

A liberdade guiando o povo de Eugéne Delacroix

Por fim, Stendhal, faleceu em março de 1842, na França, ao 59 anos de idade.

SOBRE A EDIÇÃO

A edição pela qual eu fiz a minha leitura foi a publicada pela Companhia das Letras, através do seu selo Penguin Companhia em 2018.

Ressalto mais uma vez, minha admiração pelo trabalho da Editora desenvolvido neste selo, pois todos, os seus livros clássicos (estrangeiros e nacionais), contam com textos de apoio maravilhosos e capazes de transmitir o pensamento do autor e da sociedade da época.

Neste livro, os textos de apoio são da Professora Leyla Perrone Moisés e Henrich Mann (irmão do autor Thomas Mann), bem como traduzido por Raquel de Almeida Prado.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Inicialmente, gostaria de dizer que a escrita deste autor é simplesmente sensacional, para um livro escrito no século XIX. Trata-se de uma narrativa fluída, perspicaz e com a capacidade de te prender a história do início ao fim.

E sobre o que é a história Ale? Pois muito bem, o livro contará sobre um jovem francês chamado Julien Sorel, um rapaz bem apessoado, filho de um carpinteiro, inteligente (sabe a bíblia em latim de cor e muito bom em matemática), todavia, bem ambicioso.

Durante sua jornada, Julien Sorel se torna preceptor dos filhos do Prefeito da província fictícia de Verrières, no qual se apaixona perdidamente pela esposa do político, a Sra. de Rênal. 

Após o período em um seminário, Julien trabalhará em Paris como secretário do Marquês de La Mole, no qual terá um caso, com a filha do aristocrata, Mathilde. Este relacionamento nada mais é que uma paixonite sem perspectiva, todavia, a união foi capaz de gerar uma gravidez.

Ao saber da gravidez da filha e mais ainda saber quem é o pai do neto, o Sr. de La Mole, providencia tudo para que a filha não fique falada na alta sociedade, sendo este “tudo”, a disponibilidade de bens, rendas e um cargo a Julien de Sorel.

Porém, a Sra. de Rênal reaparece na vida de Julien e conta, por meio de uma carta, sobre o caráter do rapaz e o caso que eles tiveram. A partir deste acontecimento, a vida  de Julien se torna uma derrocada desenfreada, que o leva a cometer um crime contra a ex-amante, o levando a julgamento e, por fim a guilhotina.

A ambição de Julien nada tem a ver com dinheiro, muito menos com a situação reconhecida como gloriosa por uma sociedade burguesa que ele despreza totalmente. 

Na verdade, a sua ambição está ligada a um projeto de heroísmo, que só toma a forma da ascensão social, tendo em vista que a glória militar estava em queda e ser parte da Igreja, se tornando padre era o único caminho para o seu almejado triunfo.

Ao acompanhar as aventuras de Julien, pude ver que a sua ambição em alguns momentos  não me parecia ambição, mas sim ingenuidade e uma utopia, tendo em vista que seu ídolo, Napoleão Bonaparte (por isso a capa do livro) já tinha decaído em seu governo.

Isso me fez pensar que Julien nasceu em uma época errada, o que fazia com que ele desprezasse toda a sociedade ao seu redor e o seu projeto de heroísmo fosse tão difícil de ser alcançado. 

E qual a dificuldade em se lograr êxito com tal projeto? Para responder a esta pergunta, segue abaixo, o trecho do texto de apoio da Doutora em língua e literatura francesa e livre-docente pela Universidade de São Paulo, Leyla Perrone Moisés:

“O vermelho e o negro tem sido dado como exemplo de romance de ação. É bem verdade que se trata de uma narração, em ordem cronológica, de acontecimentos imbricados uns nos outros como causas e efeitos, movidos por uma força propulsora, que é a “ambição” de Julien Sorel, e contrariados por uma força de reação, que é a lei social da hierarquia de classes.(grifo e negrito nossos)

Veja caro leitor do Magia das Palavras, que nosso protagonista cobiça tudo o que está acima dele mesmo, odeia seu destino, tem raiva de todos os outros, seus sentimentos flutuam entre a paixão e o ódio. E seu fim foi traçado no momento em que o mesmo vestiu a máscara da hipocrisia que ele tanto desprezava.

Com relação ao fim de Julien Sorel, o mesmo não tem uma morte heróica, bem como sua trajetória não termina com a conquista do objetivo. Contudo, com o cometimento do crime, o projeto de vida de Julien se modifica para o reconhecimento do amor e da vida ideal, através da Sra. de Rênal (por mais que ele tenha atentado contra a vida dela).

Ademais,  ao mesmo tempo que Julien não consegue se tornar nem de longe Napoleão Bonaparte, Mathilde de La Mole realiza seu “sonho” imitando Margarida de Navarra até o fim, no ato de enterrar a cabeça do amante.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário, no sentido de que a ganância, a ambição e até mesmo a hipocrisia podem levar uma pessoa a cometer um ato ilícito. Todavia, toda a ação terá uma consequência e, infelizmente, o arrependimento pode ser tarde demais, como foi o caso de Julien Sorel.

Já leu este livro? Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

SOBRE OS EVENTOS LITERÁRIOS E A PANDEMIA

Como todos nós sabemos, estamos enfrentando um período delicado, no que tange à saúde pública mundial, devido ao Covid-19.

Diante desta situação, nós, bem como o mercado editorial tivemos que nos reinventar na forma de consumirmos os conteúdos literários disponibilizados.

As compras de novos livros não são mais realizadas em livrarias ou sebos físicos, mas através dos sites das editoras ou Market place, como a Amazon e a Estante Virtual.

Logo, as feiras de livros, também sofreram o impacto causado pela pandemia e é sobre isso que vamos falar no post de hoje!

Sobre a 26ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo: A Câmara Brasileira do Livro e a Reed Exhibitions (responsáveis pela realização e organização da Bienal), informaram através do site oficial do evento, o adiamento do mesmo para 2022 (https://www.bienaldolivrosp.com.br/pt-br/comunicado-oficial.html).

Tal decisão foi baseada no respeito e garantia a saúde e segurança de todos, tendo em vista que a Bienal Internacional do Livro de São Paulo recebe mais de 600 mil visitantes a cada edição e impacta milhares de leitores, profissionais e empresas participantes.

Sobre a 4ª edição da FLIPOP: Seguindo o mesmo intuito da Bienal, este ano o festival de literatura pop será realizado on-line, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da Editora Seguinte, nos dias 09 a 12 de julho e participação gratuita (https://www.youtube.com/channel/UCf1vVcMEfoKrfDsngvXRxzg).

Hoje o post foi bem curtinho e informativo, mas assim que tudo isso passar (espero que em breve), tenho certeza que nos encontraremos em um desses eventos para falar sobre um dos temas que mais amamos…livros!!!

Até lá deixa nos comentários se você já participou de alguma feira de livros na sua cidade!!!

Um beijo e até o próximo post!!

Livros Encalhados na Estante #1: Harry Potter e a criança amaldiçoada

Imagem da capa do meu livro e o papel do sorteio

No domingo do dia 14/06/2020, inspirada no IG de uma amiga do Instagram, eu resolvi escrever o nome de todos os livros encalhados na minha estante em papeizinhos, colocá-los em uma latinha e sorteá-los, para enfim, desencalhá-los. 

Antes de prosseguir o meu relato, me segue lá no Instagram também: @magia.das.palavras!!!! Lá tem um destaque falando desta iniciativa!!!

Pois muito bem, ao sortear, o livro selecionado foi Harry Potter e a criança amaldiçoada ou the cursed child (a minha versão do livro é em inglês).

Finalizei o livro no sábado à noite (20/06/2020) e, com a conclusão da saga, posso afirmar que a leitura para mim foi como rever um velho amigo.

Eu li Harry Potter e a pedra filosofal quando em tinha 13 para 14 anos (ano de 2002) e desde de então me apaixonei pela história, pelas personagens e pelo universo mágico criado pela J.K. Rowling.

Esperei louca e ansiosamente pelo lançamento de cada livro da saga que faltavam ser publicados, assisti todos os filmes no cinema, comprei todos os DVDs para assistir em casa, ou seja, sou uma verdadeira Potterhead…rsrsrsrs.

Com a leitura deste livro, que ironicamente estava encalhado na minha estante, fiquei feliz em saber no que o Harry e os demais se tornaram quando adultos e saber mais sobre os seus filhos, especialmente o Alvo Potter e o Escórpio Malfoy, que são os verdadeiros protagonistas de A criança amaldiçoada..

Também sempre tive curiosidade de saber se um dia a cicatriz do Harry iria voltar a doer (sim….voltou, mas vou deixar para você ter sua própria experiência literária).

A narrativa deste livro é diferente dos demais livros da saga, tendo em vista, se tratar de uma peça de teatro…sim..há descrições sobre o que ocorre no palco no momento de cada diálogo e de cada cena (que eu me lembre, na época do lançamento do livro, a peça de teatro foi encenada somente em Londres):

Elenco da Peça de Teatro, da esquerda para a direita: Rony, Hermione, Harry, Alvo, Gina, Draco e Escórpio

Ademais, o início deste livro é o epílogo de Harry Potter e as relíquias da morte, ou seja, a narrativa ocorre após mais de 20 anos da batalha de Hogwarts e contará como se deu o início da amizade entre Alvo e Escórpio, para qual casa cada um foi selecionado pelo Chapéu Seletor, se eles são bons alunos e, principalmente, sobre a relação dos dois com seus pais Harry e Draco, respectivamente.

Acho que este é o ponto inicial da aventura, devido a incompreensão dos pais, os filhos resolvem tentar voltar no tempo, com o auxílio de um vira-tempo, a fim de mostrar que ambos conseguem fazer uma determinada ação (que eu não vou contar) e provar aos seus pais a capacidade de se virarem sozinhos (coisas de adolescentes…já passei por isso também e não sou ninguém para julgar…rsrsrsrs).

Todavia, a situação sai de controle (caso contrário não teríamos uma aventura…) e nos mostra um ponto interessante da história. E se Voldemort tivesse ganhado a Batalha de Hogwarts, como seria o mundo bruxo?

Ademais, quem é o diacho da criança amaldiçoada??? Essa questão só é respondida quase no final do livro.

Num todo, eu tentando ser a mais imparcial possível neste post, mas fracassando copiosamente nesta tarefa…indico muito a leitura do livro, para quem leu ou viu os filmes e quer saber o que aconteceu com o Harry, o Rony e a Hermione, bem como o desenrolar desta história prazerosa, cantinho no coração e sem dúvida alguma mágica.

Já leu Harry Potter e a criança amaldiçoada???

Conta para mim a sua experiência literária aqui nos comentários!!!!

Um beijo e até o próximo post!!!

FUVEST: Resumo da obra Quincas Borba

Capa do livro publicado pela Penguin Companhia

Segundo livro analisado para o projeto de Literatura da FUVEST, Quincas Borba dá sequência a cobrança da fase realista de Machado de Assis, bem como a preferência da banca na exploração de tal escola literária.

SOBRE O AUTOR

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento (RJ). De uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade, todavia, desde cedo mostrou inclinação para as letras.

Começou a publicar poesia aos quinze anos, na Marmota Fluminense, sendo seu primeiro livro de poesia, denominado Crisálidas publicado em 1864. Após tal período, se tornou aprendiz de tipógrafo, na Imprensa Nacional. 

Ao conhecer Francisco de Paula Brito, Machado trabalhou como revisor e caixeiro e, então passou a colaborar em diversos jornais e revistas.

Seu primeiro grande romance, no entanto, foi Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881. Esta obra é considerada inicial da sua trilogia realista ou tríade machadiana (Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro). 

Tais livros possuem como características da escrita do autor  e da construção das personagens, o pessimismo e ironia, com um toque de romance (bem pouco…na minha humilde opinião).

Sua obra foi de fundamental importância para as escolas literárias do século XIX e do século XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse acadêmico e público.

Em 1897, foi eleito Presidente da Academia Brasileira de Letras, instituição que ajudara a fundar  em 1896. Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, aos 69 anos de idade.

SOBRE A OBRA

Machado de Assis é o autor que inaugura o movimento realista no Brasil

A obra Quincas Borba foi publicada inicialmente em formato de folhetim com capítulos semanais, sendo o formato livro só foi publicado em 1891. 

A figura de Quincas Borba aparece pela primeira vez em Memórias Póstumas de Brás Cubas, sendo tal personagem um filósofo e amigo de Brás Cubas que enlouquece e acaba morrendo na casa do amigo.

Tal obra faz parte da tão conhecida Tríade Machadiana, composta por Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1899).

Por algum motivo, Quincas Borba recebeu uma posição intermediária aos outros dois romances, tendo em vista a narrativa ser mais convencional, menos ousada, bem como não ser narrada em primeira pessoa.

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

O romance encarna a situação do Brasil no século XIX, colonizado economicamente pela Inglaterra, e culturalmente pela França.

A maior parte da história se passa no Rio de Janeiro do final do século XIX (1867 a 1871). A cidade carioca era bem diferente da cidade atual, sobretudo no traçado do centro, mudado radicalmente nos primeiros anos do século XX.

Nota-se que, entender um pouco da geografia física e social da cidade do Rio de Janeiro de quando decorre a ação nos ajuda a entender o romance, ao ponto de conseguir visualizar as paisagens e os locais de moradia de cada personagem, trazendo assim, dimensões importantes do enredo e até mesmo do próprio realismo machadiano.

ESTILO NARRATIVO

Com a leitura da obra, podemos verificar que Machado de Assis se utilizou de um estilo narrativo mais social e psicológico, através de um narrador posto em dúvida com relação a fidelidade, na qual ele conta a história, bem como pela paródia de outras obras realistas, como é o caso de Madame Bovary. 

É pela utilização destes recursos que o realismo machadiano difere do realismo comum da época da obra, qual seja o naturalismo.

Acredito que vale a pena dar ênfase ao estudo do naturalismo, tendo em vista que temos outra obra de leitura obrigatória deste período, sendo esta O Cortiço de Aluísio de Azevedo (resumo em Junho de 2020).

Abaixo um quadro comparativo sobre o realismo e naturalismo:

REALISMONATURALISMO
Objetivismo e materialismoRealismo mais exagerado
Descrições e narrativas lentasHarmonia e clareza na composição
Uso de adjetivos realistasRegionalismo
Linguagem diretaLinguagem simples e impessoal
Demonstração de defeitos e detalhes da mulherDemonstração de detalhes
Subordinação do amor a interesses sociaisSensualismo e erotismo
Heróis descritos como pessoas comunsSer humano visto como um animal
Elaboração psicológica de personagens mais detalhadaPersonagens patológicas
Crítica às instituições sociaisEngajamento social
Universalismo e cientificismoDeterminismo e objetivismo científico

ENREDO

O livro tem início com Rubião na casa de Botafogo admirando a paisagem e pensando em sua vida e na sua sorte, desde que saiu da cidade de Barbacena-MG. Após este pensamento, a narrativa faz uma volta ao passado, a fim de contar ao leitor a história de Rubião.

Em Barbacena, Rubião era um professor, que com o fechamento da escola para meninos, se tornou enfermeiro e amigo de Quincas Borba, pois o mesmo estava doente.

Com relação a Quincas Borba, esta personagem é um filósofo que prega a filosofia Humanitas (humanitismo). Tal teoria foi abordada inicialmente em Memórias Póstumas de Brás Cubas, e tem como objetivo defender a expressão Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas, através do que se segue:

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos.

Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora  e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói.”

Ao criar esta teoria, Machado de Assis faz uma sátira aos muitos “ismos” surgidos no século XIX, como o darwinismo, o positivismo e o evolucionismo. 

Tais conceitos traduzem a ideia da seleção natural, com o destaque de que o mais forte se sobressai ao mais fraco. Para exemplificar a teoria, o autor utiliza-se do exemplo das duas tribos que lutam para buscar o alimento, neste caso, as batatas.

Voltando ao enredo, com a morte de Quincas Borba, Rubião se tornou herdeiro universal de seus bens, entre eles casas na Corte, uma em Barbacena, escravos, apólices, ações do Banco do Brasil e de outras instituições, joias, dinheiro amoedado e livros

Todavia, tal herança só seria recebida desde que Rubião continuasse a cuidar zelosamente de Quincas Borba, o cachorro. 

Sim, meus leitores, o filósofo Quincas Borba deu o seu nome ao seu cachorro. Logo, a referência do nome do romance não é ao filósofo Quincas Borba, mas ao seu cachorro, cujo nome também é Quincas Borba.

Com o recebimento da herança e com a posse de Quincas Borba, o cachorro, Rubião partiu de trem para o Rio de Janeiro. Contudo, durante a viagem (precisamente na Estação de Vassouras), Rubião conhece Cristiano Palha e sua esposa Sofia, pela qual Rubião se apaixona à primeira vista, tendo em vista que Sofia tinha nesse dia os mais belos olhos do mundo.

No meio da conversa, Rubião informa o casal que está rico, devido a uma herança que lhe foi deixada, logo, o casal ambicioso vê em Rubião a possibilidade de ascender socialmente e financeiramente na sociedade carioca, que na época era a capital do Brasil.

Com a convivência entres estas três personagens, Rubião demonstra o seu interesse por Sofia, mesmo esta sendo casada com “seu amigo”. Sobre o relacionamento de Sofia e Palha, cumpre destacar que os dois formam um casal curioso e diria que até perverso. 

Palha, longe de ser o marido normal e possessivo, usa sua mulher como isca para conseguir o que quer para a sua ascensão. Já Sofia, gosta de atrair homens, desde que dentro seus próprios limites:

Não a façamos mais santa do que é, nem menos. Para as despesas da vaidade, bastavam-lhe os olhos, que eram ridentes, inquietos, convidativos, e só convidativos: podemos compará-los à lanterna de uma hospedaria em que não houvesse cômodos para hóspedes. A lanterna fazia parar toda a gente, tal era a lindeza da cor, e a originalidade dos emblemas; parava, olhava e andava. Para que escancarar as janelas? Escancarou-as, finalmente; mas a porta, se assim podemos chamar ao coração, essa estava trancada e retrancada.

Aqui, é possível ver um triângulo, que de amoroso não tem nada. Em uma das pontas, nós temos Rubião, o homem que existe para ser ludibriado; na outra, nós temos Cristiano Palha, o homem que explora e trai o outro; e Sofia, a mulher fascinante e também traiçoeira.

O papel da mulher também é ressaltado no decorrer do romance dentro do contexto do matrimônio, presente na vida de todas as personagens femininas. Tal perspectiva é fruto de uma época em que as mulheres precisavam aceitar o casamento, muitas vezes sem amor, como forma de sobrevivência (sobre este tema, indico a leitura da minha resenha de Orgulho e Preconceito).  Como diria D. Fernanda, um marido, ainda sendo mau, sempre é melhor que o melhor dos sonhos

Sobre o nosso protagonista e a sua derrocada, Rubião leva a outros extremos as imaginações de Palha (o baronato, o banco, a viagem para a Europa…), o suposto amor correspondido entre e Sofia, a ganância de Camacho (o poder, a política sem escrúpulos…) e das outras personagens, pois todos devaneiam até certo ponto, mas Rubião as leva a outra dimensão, neste caso, à loucura.

Ademais, o nosso protagonista já carrega consigo significados históricos e políticos que na sua essência são simbólicos, tendo em vista que ele representa não uma classe ou um sexo, mas o Brasil.

 No final do romance, já no auge de sua loucura, Rubião volta para Barbacena e morre:

Não morreu súbdito nem vencido. Antes de principiar a agonia, que foi curta, pôs a coroa na cabeça, — uma coroa que não era, ao menos, um chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. O esforço que fizera para erguer meio corpo não durou muito; o corpo caiu outra vez; o rosto conservou porventura uma expressão gloriosa.

— Guardem a minha coroa, murmurou. Ao vencedor…

A cara ficou séria porque a morte é séria; dois minutos de agonia, um trejeito horrível, e estava assinada a abdicação.

Além da morte de Rubião, o cachorro Quincas Borba também morre:

Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá titulo ao livro, e por que antes um que outro, — questão prenhe de questões, que nos levariam longe… Eia! chora os dois recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma cousa. O Cruzeiro que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.

Com este dois trechos, podemos ver pura e simplesmente a ironia de Machado de Assis, uma das características mais presentes em seus romances.

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Ao pesquisar sobre como o romance Quincas Borba poderia ser cobrado no vestibular, percebi que a maior parte das questões foca na interpretação do lema principal do romance “ao vencedor, as batatas”.

Ademais, acho importante o estudo do quadro comparativo sobre as características do realismo e naturalismo, bem como sobre as teorias evolucionistas, também citadas na resenha.

IMPRESSÃO GERAL DO LIVRO

Eu sou suspeita para falar de Machado de Assis e sobre a escola literária do Realismo. 

Desde o ensino médio, o realismo foi o período da literatura que mais me chamou a atenção, bem como a leitura era muito agradável. Logo, Machado de Assis e Eça de Queiroz ocupavam o lugar de autores favoritos durante a minha vida escolar.

Quando eu estava me preparando para o Vestibular, no ano de 2005, um dos livros obrigatórios da Fuvest era Memórias Póstumas de Brás Cubas. Lembro que eu adorei o livro, bem como o filme sobre a obra (indico fortemente os dois!!!).

Hoje, com mais maturidade, o meu encantamento pela escrita de Machado aumentou, pois eu adoro narrativas que são fluídas e irônicas, e, no quesito de ironia, Quincas Borba não deve em nada, tendo em vista que o próprio narrador tem que explicar a tosquice de Rubião ao leitor em alguns momentos.

Ademais, a ironia com um fundo de verdade na Teoria Humanística pode ser aplicada no contexto da nossa atualidade, o que demonstra o motivo pelo qual as obras desse autor maravilhoso são sempre cobradas em provas.

Por fim, mesmo que você não esteja se preparando para o vestibular, eu recomendo da leitura desta clássico nacional!!

Já leu este livro ou outras obras de Machado de Assis? Se positivo, compartilha nos comentários a sua experiência de leitura!!

Um beijo e até o próximo post!!

Moby Dick

Capa do livro

Quarto livro do Projeto Reeducação do Imaginário, e o primeiro livro que eu leio do autor norte-americano Herman Melville.

SOBRE O AUTOR E A OBRA

Herman Melville

Herman Melville nasceu em 1819 em Nova York, de uma família de classe média tradicionalista nos EUA. O pai do autor era importador de bens de consumo refinado da Europa e vivia em constantes viagens no Atlântico. 

Todavia, o país mudou bastante na década de 1830, logo, esse refinamento aristocrático desta primeira burguesia norte-americana dá lugar a uma sociedade de massa. Em razão desta mudança de cenário, os negócios da família Melville começaram a degringolar. 

Por causa das inúmeras dívidas, a família incluiu a letra “e” ao final do nome, na tentativa de não associar o nome “Melvill” ao um escândalo de proporções públicas e salvar a sua reputação.

Com o abandono da educação formal, devido às condições financeiras da família, Melville fez sua primeira viagem com a Marinha Mercante, como marinheiro aprendiz. E, em 1841, ele faz sua primeira grande viagem como baleeiro, tendo como itinerário a passagem pelo Cabo Horn (como ainda não existia o Canal do Panamá, a passagem pelo Cabo Horn era obrigatória pelos marinheiros que tinham como destino o oeste dos EUA, a China e Índia). 

Melville começa como escritor quase que biográfico, pois ele narra as suas próprias autor é escrita no período denominado antebellum (entre a guerra contra o México – 1846/1848 e início da guerra civil – 1861). E, devido ao avanço geopolítico, Melville faz a sua crítica.

Em Moby Dick (obra publicada em 1851), podemos ver este olhar crítico do autor, pois o livro trata do expansionismo norte-americano, das implicações deste expansionismo com a escravidão, da tensão social que a escravidão representa, tendo em vista que avançar rumo ao oeste também significa o avanço ou não da escravidão.

Logo, a grande divisão norte-americana do antebellum é entre os Estados que querem esta expansão e os que desejam o fim da escravidão. A tentativa de manter a União inteira tem um grande custo legal, o que para os norte-americanos era bastante sensível, pois o país se funda na emancipação legal do homem. 

Nota-se, portanto, que a obra discute como a emancipação do homem é idêntica a mais abjeta servidão humana, sendo tal servidão a história de Ahab (capitão do navio Pequod). 

Sobre o tema, segue a opinião do brilhante Otto Maria Carpeaux sobre Moby Dick: Os motivos sociais perderam-se, como em Swift, numa grande visão – dir-se-ia, visão de místico – da existência humana: de Typee, idílio entre antropófagos – até Moby Dick, epopeia dos esforços inúteis da humanidade contra as forças da Natureza talvez a primeira obra de literatura universal em que no centro dos acontecimentos não está colocado o homem, mas a realidade objetiva das forças extra-humanas do mar, do Destino como peso material. Contra esse inimigo só vale a atitude cervantina. Assim, em “Benito Cereno”, a atitude do capitão, parecendo louco, mas agindo assim porque age como prisioneiro de piratas, é um símbolo da escravização do homem pelo destino: expressão simbólica do dogma puritano da predestinação, e alusão ao “way of all flesh”. (História da literatura ocidental – Volume III, página 1897 – Editora: Senado Federal)

Moby Dick é um romance que dialoga com o estabelecimento da hegemonia de uma sociedade industrial, no sentido de ser algo que te limita, algo que te mutila e você quer fazer algo a respeito. Todavia, a tentativa de fazer algo contra este “monstro” é uma loucura. As pessoas podem até entender o seu sofrimento, mas é fútil. 

No caso de Ahab era mais fácil esquecer esta vingança à Moby Dick, esquecer que perdeu a perna e seguir a vida. Mas a recusa em aceitar que a fonte de todo este sofrimento pode sair impune é que faz de Ahab uma personagem fenomenal. 

Tal determinação, no sentido que “eu posso morrer, mas morrerei tentando” é que faz da obra de Melville ser lembrada até hoje.

SOBRE A EDIÇÃO

A edição pela qual eu fiz a minha leitura foi a publicada pela Editora 34 em 2019, baseada na edição publicada originalmente pela Cosac Naify em 2008. 

O livros conta com textos de apoio maravilhosos, bem como apêndices explicativos sobre baleias e partes do navio, tendo em vista que a maior parte do livro se passa no mar.

Ademais, a capa do livro conta com uma gravura da época vitoriana (1854) lindíssima de uma caça à baleia no Ártico.

Capa da primeira edição do livro

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Estava bem ansiosa para a leitura deste livro, pois ao ver o vídeo do Juiz Márcio Umberto Bragaglia foi comentado que durante a entrevista realizada no presídio, uma das detentas informou que se identificou muito com a narrativa, tendo em vista que a sua história era muito parecida com a do Capitão Ahab.

Durante o seu relato, ela informou que a mensagem deixada por este livro era que a vida nos dava sinais para agirmos ou não de uma determinada forma. Ou seja, mesmo com todos falando de Moby Dick, nada impediu de Ahab caçá-la e buscar sua vingança.

Já com a detenta, ela relatou que no dia em que foi presa, a vida lhe deu vários sinais de que tal ato (tráfico de drogas) era errado e que alguma coisa não estava certa, mas mesmo assim continuou com plano e, ao final, foi presa em flagrante com a droga.

Foi exatamente esta mesma sensação que eu tive ao ler a obra, qual seja, a vida é feita de escolhas, no caso de Ahab, ele determinou para si que o seu destino estava ligado a Moby Dick, pois a baleia amputou a sua perna durante sua caça.

Em determinados momentos Ahab conseguia enxergar que a vida ia muito além da caça de baleias e do mar, mas ao mesmo tempo, escolhia enxergar somente a busca pela vingança à um animal irracional, que agiu por instinto de defesa:

Um velho idiota, isso que Ahab tem sido! Por que essa porfia da caça? Por que o braço cansado e esgotados no remo, no ferro e na lança? Quanto mais rico ou melhor está Ahab agora? Olha. Ah, Starbuck! Não é penoso que, com este fardo pesado que carrego, uma pobre perna me tenha sido arrancada? Aqui, põe esse velho cabelo de lado; ele me cega de ver minhas próprias lágrimas. mechas são grisalhas só crescem das cinzas! mas pareço muito velho, muito, muito velho, Starbuck? Sinto-me muito fraco, curvado, corcunda, como se fosse Adão cambaleando sob os séculos acumulados desde o Paraíso. Deus! Deus! Deus! – Parte meu coração! – Destroça o meu cérebro! – Escárnio! Escárnio! Escárnio amargo e mordaz dos cabelos grisalhos, já vivi o suficiente para tê-los; e, assim, parecer e sentir-me intoleravelmente velho? Mais perto! Vem mais perto de mim, Starbuck; deixa-me contemplar um olho humano; é melhor do que contemplar o mar ou o céu; melhor do que contemplar Deus. Em nome da terra verdejante; em nome da lareira acesa! Esse é o espelho mágico, homem; vejo a minha esposa e o meu filho em teu olho. Não, não; fica a bordo, a bordo! – não desças ao mar quando eu for; quando o estigmatizado Ahab der caça a Moby dick. Tal risco não deve ser teu. Não, não! Não pela casa longínqua que vejo em teu olho.

Achei esta parte do livro tão poética e atual, pois quem nunca teve um momento em sua vida que questionou uma outra forma de viver ou outra forma de agir e até mesmo de enxergar a si de outra maneira?

Ao final do livro, confesso que fiquei triste pela escolha que Ahab fez para si e para tripulação do Pequod. Acredito que todos os tripulantes e seu capitão eram merecedores de um destino melhor, assim que como todos nós somos merecedores uma vida melhor.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário, pois ele nos mostra que toda escolha que fazemos nos trará consequências, boas ou ruins, independente da escolha teremos que arcar com os nossos atos e aprender com eles.

Já leu este livro? Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

FUVEST: Resumo da obra Mayombe

Capa do livro publicado pela Editora Leya

Primeiro livro analisado para o projeto de Literatura da FUVEST é o livro Mayombe, do escritor angolano Pepetela. Este romance foi marcante para o vestibular da USP por ter sido o primeiro escrito por um autor africano a fazer parte das leituras obrigatórias.

SOBRE O AUTOR

Pepetela é o pseudônimo de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, escritor de ascendência portuguesa nascido em Angola. Durante o processo de independência, Pepetela lutou junto ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), tornando-se militante em 1963.

Sua obra é permeada pelo aspecto político, retratando criticamente os diversos aspectos da sociedade angolana e a luta contra a dominação colonial portuguesa. Dado o conteúdo potencialmente controverso dos seus romances, acabou por publicar Mayombe, escrito entre 1970 e 71, somente em 1980, quando autorizado pelo então presidente Agostinho Neto.

O QUE É MAYOMBE?

Mayombe é o nome de uma região montanhosa ocupada por florestas densas que inclui partes de Angola (província da Cabinda), República Democrática do Congo e Gabão. A região, de baixa latitude, tem clima quente e úmido. O livro de Pepetela retrata a guerrilha do MPLA na região.

O QUE FOI O MPLA?

O MPLA é um partido político angolano que governa o país desde a independência em 1975. Sua origem remota à década de 50, resultante da união de diversos grupos anti-coloniais. O livro retrata a raiz marxista-leninista do movimento.

CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL

O livro se passa no período da Guerra de Independência de Angola, conflito armado entre as forças de independência angolanas (entre as quais o MPLA) e as Forças Armadas portuguesas, em especial o Exército.

O conflito se estendeu de 1961 a 74, sendo marcado por um embate não convencional entre o Exército regular português e guerrilhas angolanas, adaptadas ao terreno e clima, além de apoiadas pela população local.

Com o desenvolver da guerra houve um desgaste muito grande no apoio da população portuguesa ao conflito, dada a quantidade de mortos e amputados em um conflito cujo benefício era duvidoso.

ESTILO NARRATIVO

O narrador onisciente em terceira pessoa é dominante durante o livro. Contudo, há intervenções nesse estilo marcadas pela frase “Eu, O Narrador, Sou Fulano” (sendo Fulano o nome da personagem que descreve aquele trecho específico). As personagens que fazem parte do núcleo da guerrilha são identificadas por codinomes (Comandante Sem Medo, Comissário, Das Operações, Teoria, Lutamos, Milagre, Mundo Novo etc). No núcleo da cidade, destacam-se André (coordenador do movimento na cidade) e Ondina, noiva do Comissário (que é o único guerrilheiro a ser identificado pelo nome, João, mais à frente da história).

Esta polifonia é bastante útil para mostrar como a narrativa de um mesmo fato pode ter interpretações absolutamente distintas a depender do participante. Pepetela usa deste artifício para mostrar que, apesar de supostamente unidos por uma causa comum, há divergências históricas entre os integrantes do MPLA decorrentes de eventos anteriores ao narrado.

De certa forma, pode-se dizer que os nomes de guerra representam estereótipos existentes no grupo de guerrilheiros. Ao identificá-los por codinomes, Pepetela coloca as personagens como membros de um grupo diverso, uma forma de representar a diversidade de visões de mundo e de origens étnicas no MPLA, assim como os conflitos decorrentes disso

ENREDO

A história ocorre em torno das ações de um grupo de guerrilheiros na região do Mayombe. Os capítulos:

“A missão”

Introduz as personagens e os propósitos do grupo. A missão foi atacar uma posição de extração de madeira para provocar uma reação do Exército português e, assim, realizar uma emboscada. Há uma primeira expressão da visão política das personagens e da importância que a guerrilha atribui ao apoio popular.

“Base”

Neste capítulo há uma descrição do ambiente do Mayombe e como a base guerrilheira está inserida neste local. Temos um confronto de visões de mundo entre Mundo Novo, idealista e Sem Medo, que não acredita haver ação humana sem interesse que a sustente. Um conflito tribal entre os guerrilheiros acaba sendo deflagrado, dissipado por Das Operações.

O Comissário vai à cidade de Dolisie para obter suprimentos. Somos apresentados aos integrantes do movimento na cidade: Ondina (noiva do Comissário) e André (chefe do movimento na cidade). O Comissário enfrenta a frustração de voltar sem suprimentos e de ter problemas intimidade com a sua noiva.

“Ondina”

A fome se instala na Base. Das Operações vai a Dolisie para obter suprimentos, sendo bem sucedido. Ao retornar, passa a notícia de que Ondina fora flagrada em relações íntimas com André. A situação enfurece o Comissário, que decide partir para a cidade.

Sem Medo e o Comissário conversam sobre relacionamentos e o Comandante conta das suas dificuldades também. O Comissário conta que a sua noiva escreveu uma carta terminando o relacionamento e pede para que Sem Medo converse com ela, sendo recusado. André é preso e o Comandante é temporariamente instaurado como coordenador do movimento na cidade. O movimento descobre que os portugueses instalaram um acampamento em Pau Caído, tornando iminente a descoberta da Base.

“A surucucu”

Sem Medo conversa com Ondina e acabam por dormir juntos. O Comandante recebe a notícia de que a Base fora atacada. Como resposta, reúne voluntários na cidade para retomá-la.

Ao chegar, descobre que tratou-se de um engano. Teoria, um dos guerrilheiros, assustou-se com uma surucucu e disparou para defender-se. Um outro guerrilheiro achou tratar-se de um ataque e foi correndo para pedir ajuda na cidade.

“A amoreira”

Sem Medo decide atacar a base portuguesa. Na operação, um guerrilheiro morre e o Comandante acaba gravemente ferido tentando salvar o Comissário. Neste desfecho, dois integrantes de tribos distintas (Lutamos e Sem Medo) acabam por falecer na defesa de um terceiro (Comissário), passando uma ideia de comunhão na luta.

Epílogo

O comissário é transferido para outra região e reflete sobre a perda do amigo.

POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O VESTIBULAR

Mayombe possibilita ao examinador explorar algumas questões interessantes, em especial por se tratar de um livro que trata de temas alheios à experiência de boa parte dos estudantes brasileiros.

Meu palpite para o vestibular varia de acordo com o tipo de questão. As objetivas tendem a ter comparações mais diretas ou usar o livro simplesmente como contexto. As discursivas, por sua vez, normalmente buscam medir a capacidade do estudante de relacionar temas diversos, em comparações que não são muito triviais.

Eu acredito que a leitura dos livros é bastante recomendada para aumentar as chances de aprovação. Caso a questão aborde temas genéricos, é possível sobreviver apenas com um bom resumo. Caso contrário, é muito difícil usar a criatividade na hora da prova para tentar relacionar características específicas de um livro ou personagem sem ler. Como não sabemos o perfil de avaliação da prova, só nos resta estar tão bem preparado quanto possível.

Alguns temas que podem ser abordados:

– Paralelos entre o conflito colonial português em Angola e outros conflitos de guerrilha, como os EUA no Vietnã: O examinador poderia convidar o vestibulando a analisar as causas de cada um dos conflitos e no que eles se assemelham ou divergem.

– Geografia: como o ambiente do Mayombe pode ter paralelo no ambiente amazônico. Em uma perspectiva social, a exploração madeireira tratada no livro Mayombe pode ser relacionada com o desmatamento amazônico.

– Preconceito/tribalismo: trata-se de um tema bastante presente no livro Mayombe. Uma redação ou questão discursiva mais audaciosa poderia tentar explorar paralelos entre a percepção de preconceito na realidade brasileira e a narrada no livro.

– Relações de gênero: o livro aborda também o papel da mulher no contexto da guerra de independência e como determinados papéis são exercidos socialmente. Uma relação entre violência de gênero e papel da mulher correlacionando com a realidade atual poderia ser feita.

– Estilo narrativo: Pepetela usa da expressão “Eu, O Narrador, sou Fulano” para introduzir trechos sob a perspectiva de um dos personagens específicos do texto. Esse estilo de escrita é alternado com uma espécie de narrador impessoal logo a seguir, sem marcação específica. Uma questão que peça ao estudante expor os motivos desse tipo de narração (narrar a história sob diferentes perspectivas, aproximar o leitor do drama humano individual, convidar o leitor a ver uma certa continuidade entre a ação pessoal o desenrolar da história etc) é bastante possível.

– Dicotomia “arte pela arte”/”arte como expressão política”: Esta é uma linha de contraste bastante explorada em questões de literatura. Saber que determinados livros (entre os quais Mayombe) são obras com teor político é essencial.

– Linguística: embora bastante próximo do nosso português, o idioma falado em Angola tem algumas diferenças que podem ser exploradas pelo examinador. Uma questão que obrigue o examinando a buscar o significado de palavras não usuais pelo contexto não me surpreenderia.

– Comparação com outros livros da lista: Outra possibilidade é exigir a comparação entre personagens ou estilos narrativos de livros diferentes. Neste tipo de questão podem ser tratados desde o estilo narrativo até características mais específicas de cada personagem.

IMPRESSÃO GERAL DO LIVRO

Para minha surpresa, achei o livro bastante interessante. Como acontece com qualquer obra de teor político, há uma necessidade de se avaliar criticamente as escolhas narrativas do autor, desde a construção dos diálogos até os rumos escolhidos para as diversas personagens.

Ainda assim, Pepetela teve uma sensibilidade de tratar determinados temas polêmicos que me surpreendeu. A visão que ele apresenta da guerrilha não é propriamente idealizada e alguns diálogos podem causar bastante desconforto a depender do viés político do leitor.

Eu classificaria como um livro corajoso. Tão corajoso, que não me surpreende que ele tenha suspendido a sua publicação até ter certeza de que seria aprovado no ambiente político daquele país. Em que possa haver críticas acerca do tom político da obra, de uma maneira geral, parece-me uma narrativa bastante consistente e um retrato bastante fiel do drama humano em uma situação de conflito. Em termos de entretenimento, acredito que está bem acima da maior parte dos livros indicados para vestibular.

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Um grande beijo e até o próximo post!

Preparação para o vestibular…haja coração!!!

Edu e eu

Como divulgado no último post aqui no blog, o Magia das Palavras inicia um novo projeto de leitura direcionado ao resumo/resenha dos livros indicados para o vestibular da Fuvest.

Logo, nada melhor do que iniciarmos esta jornada através de um bate-papo com alguém, sendo esta pessoa o Eduardo (meu marido), relatando a sua preparação para a prova da Fuvest, bem como sua experiência nas provas prestadas na adolescência, com foco na preparação IME/ITA.

Bora para o bate-papo???

Como foi a sua experiência com o vestibular? Como foi para você a preparação para IME/ITA e para a Fuvest?

Eduardo: A primeira coisa é que há uma separação temporal de 12 anos entre estas provas. O primeiro (IME/ITA), que eu prestei em 2003, a preparação para as provas eram direcionadas as matérias de exatas (física, química e matemática), bem como português e inglês.

Não havia a cobrança de literatura?

Eduardo: Não existia a cobrança, na minha época de literatura. Somente o uso de idioma (instrumental), português e inglês. 

Nesta mesma época, eu prestei também as provas para a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e PUC/Paraná, estes vestibulares já havia a cobrança das demais matérias, como biologia, história, geografia e literatura.

Você ainda se lembra do tipo de questão da PUC/Paraná e UFPR? Eram questões parecidas com a da Fuvest?

Eduardo: O tipo de questão costumava ser bem diferente, tendo em vista na PUC/Paraná, por exemplo, as questões eram de múltipla escolha e da UFPR era um sistema de somatória (uma errada anulava a questão inteira).

Do que você lembra em relação a sua preparação para o estudo de literatura do seu primeiro vestibular para o segundo vestibular? 

Eduardo: A minha primeira experiência está muito distante na minha memória, mas o que eu poderia traçar em paralelo é que, as questões de literatura são cobradas com base em duas vertentes principais:

 A) contexto da literatura em si (escolas literárias e suas características; o contexto histórico de cada escola literária; o tipo de corrente ideológica (houve uma questão da Fuvest 2014 que foi neste sentido)).

B) experiência ao ler a obra indicada, levando em conta aqui como é a narrativa do autor, a construção das personagens, como a história reflete a visão de mundo do autor.

Acredito que estas vertentes prevalecem até hoje, mudando somente o perfil dos livros cobrados. Eu lembro que tinha uma carga bem menor de livros mais modernos. O único que eu lembro que foi cobrado na minha época foi Capitães da areia do Jorge Amado.

Eu me recordo que até Sermões do Padre Antônio Vieira tinha o potencial de ser cobrado. Já hoje em dia, parece impossível este tipo de cobrança.

Como foi a preparação para as provas (vestibular) do Eduardo aos 16 anos?

Eduardo: Como eu disse, IME/ITA foca exclusivamente nas matérias de exatas. A prova de português e inglês do IME/ITA era comparável a cobrança dos demais vestibulares, ao passo que a cobrança de matemática, física e química era bem maior.

Quem se prepara para o IME/ITA costuma ter uma estratégia um pouco diferente quando vai prestar outros vestibulares, como foi o meu caso para a PUC/Paraná e UFPR, pois como seu nível de matemática, física e química eram bem mais altos do que a prova exige, você adota uma visão de “eu tenho que ir muito bem nessas matérias,tenho que ir bem em português e inglês e as demais matérias (história, geografia e biologia), eu tento sobreviver, já que o estudo destas matérias fica abandonado (somente resumos) durante a preparação para o IME/ITA.

Com relação a Fuvest como foi a sua experiência, depois de uma faculdade concluída, depois de um mestrado e depois de vivenciar outros tipos de experiências?

Eduardo: O vestibular da Fuvest para mim foi quase que uma “não preparação”, tendo em vista que este vestibular tem como característica uma primeira fase de múltipla escolha, onde todas as disciplinas são cobradas e, uma segunda fase dissertativa mais direcionada, de acordo com o curso escolhido.

Eu quase não estudei, mas foi possível passar no vestibular, porque apesar de na minha preparação para IME/ITA eu não ter estudado história e geografia, eu sempre fui um bom aluno nestas matérias, logo, mesmo passada esta fase, eu mantive a minha curiosidade ativa através da leitura de livros de história diversos, como por exemplo, período imperial no Brasil, independência americana, revolução francesa, que se você for ver é o que é cobrado no vestibular.

Logo, eu via essas matérias de uma maneira que não me desgastou, já que eu lia por curiosidade e não por obrigação. Quando chegou na prova, as questões pareciam simples destes assuntos.

Com relação a português, a experiência do estudo para concurso público, elevou o meu conhecimento da matéria, se comparado ao Eduardo de 2003. Logo, ao prestar o vestibular da Fuvest, a minha pontuação na matéria foi muito boa, pois o meu conhecimento permaneceu com a experiência do estudo para concurso público.

Já para a prova de literatura, eu acabei não lendo os livros indicados, eu os que eu li foram há 15 anos atrás. Então, eu tive que sobreviver com o que eu lembrava sobre as escolas literárias e com o meu conhecimento de história, que era um ponto mais forte para mim, e fiz a prova da primeira fase, que são questões de múltipla escolha.

Já para a prova discursiva, aí já envolve perguntas mais específicas, que somente com o conhecimento generalista se torna mais difícil a resolução da prova.

Mas você sentiu essa dificuldade na segunda fase?

Eduardo: Sim, mas tentei manter o foco nas outras questões de português, que a matéria era conhecida. Assim, o fato de um não responder corretamente ou da forma desejada às questões de literatura não tornaram inviável a minha aprovação.

Então, acabou coincidindo que as específicas para o curso de Direito são história, geografia, português, redação e matemática. 

Curiosamente matemática, para um engenheiro da computação, acabou ficando abandonada por causa das funções que eu exerci depois de formado. 

Logo, você fazer questões sobre temas que você não vê há 10 anos se torna complicado, pois você olha o exercício, sabe que tem um macete para resolvê-lo, mas não lembra do diacho do macete, porque já faz muito tempo que você não estuda sobre o assunto. Eu parecia Euclides demonstrando as fórmulas durante a resolução da prova. 

Eu fiz a prova de matemática praticamente com o Teorema de Pitágoras, definição de seno/cosseno e na raça ali, tendo em vista que a minha memória de fórmula era bem pequena, o conhecimento estava em algum lugar inacessível do cérebro naquele momento e não estudei nada, o que torna o resultado bem mais difícil de ser alcançado.

Como foi a questão emocional durante a realização das provas para o Eduardo de 2003 e para o Eduardo de 2014?

Eduardo: Eu sempre consegui manter a calma e relaxar durante a execução da prova. Eu acho que o ambiente de silêncio ajuda e para mim, sou somente eu e a questão ali na frente.

Com relação a administração de tempo durante a prova, eu não costumo ter problema, exceto em matemática, como eu relatei anteriormente. 

O paralelo que eu faço é o técnico Bernardinho do vôlei, você vai lá comemora o ponto que conseguiu e vai para a próxima jogada como se o jogo ainda estivesse 0x0. Ir tentando ganhar cada ponto e deixando de lado, naquele momento, o real placar do jogo.

Na prova, é tentar pensar na questão individualmente e não gastar energia com aquilo que não te parece muito claro ou com aquilo que você não tem aquela sensação de que você sabe o caminho, mas tem que dispender um pouco de energia para a resolução. 

Acho que uma boa ordem para realizar a prova de múltipla escolha integralmente para mim é:

  1. fazer cada questão, dando foco naquilo que é fácil;
  2. ao final da prova, eu volto e faço uma segunda rodada de questões que não foram respondidas, filtrando as questões de dificuldade média, que são aquelas que você tem o conhecimento, mas depende de um pouco mais de atenção para chegar no resultado;
  3. marcar as questões que definitivamente você acha que é a resposta e excluir as alternativas que são absurdas (alternativas que estão fora da matéria,  temas específicos e uma das alternativas você tem certeza que não é relacionada a questão, aumentando a chance de acertar o chute).
  4. Feito este procedimento, eu olho para o relógio para saber como eu estou com o tempo disponível, caso eu ainda tenha muito tempo, eu passo para a resolução das questões que estou com dúvida na resposta, mas já tento pré-selecionar a que seria a correta;
  5. Depois de ver a prova capa a capa três vezes, eu olho novamente para o relógio e vejo se já é o momento de transcrever as respostas para o gabarito.

Já para a prova discursiva, a ordem acima serve para filtrar as questões que você tem mais certeza e ir respondendo daquelas, cujo tema você não tem domínio ou não sabe, deixando para as próximas rodadas a resolução. 

Eu tento usar o máximo da minha energia mental para as questões que eu tenho certeza e estou descansado para responder e, as demais, que são as questões que você não tem certeza, normalmente o enunciado dá uma pista daquilo que o examinador quer e tentar demonstrar o conhecimento que você tem sobre o assunto, mesmo que superficial.

Com relação ao planejamento de estudos para o vestibular, seja para quem trabalha ou não trabalha, que dicas você daria?

Eduardo: Eu acho que qualquer prova que seja competitiva, você tem que pensar em como você chega no objetivo. Isso atrapalha bastante com quem é perfeccionista, pois provavelmente, a pessoa vai querer saber tudo do inicio ao fim da matéria. 

Logo, você tem que pensar:

  1.  Onde está o seu conhecimento das matérias hoje. Pegue uma prova de vestibulares anteriores e tente resolver. Assim você tem  diagnóstico de como está o seu conhecimento de cada matéria e qual será o seu foco inicial.
  2. Onde você quer chegar. A pontuação do vestibular (a nota de corte) oscila três pontos para mais ou para menos. Com base nisso, você pode traçar como meta onde você precisa chegar, analisando cada matéria e vendo qual matéria você tem mais potencial em ganhar pontos com menos esforço. 

Por exemplo, quando eu prestei IME/ITA, eu tinha dificuldade em química orgânica, logo, eu sabia que de dez questões de química, uma ou duas seriam de química orgânica. Logo, a minha estratégia foi esgotar tudo aquilo que tinha para se aprender de física e química e não estudar nada de química orgânica. 

Quando cheguei na prova, foi exatamente o que aconteceu, as questões que não envolviam química orgânica eu consegui resolver, pois eu esgotei o conteúdo e desprezei a matéria que eu tinha mais dificuldade e não era tão cobrada na prova.

  1. Faça uma nova avaliação do meu estudo e trace novamente uma nova estratégia aumentando a carga de revisão do conteúdo onde você tem mais dificuldade.

Com relação a ambiente de estudo, você daria alguma dica?

Eduardo: O mais silencioso possível e onde você tem menos possibilidade de interrupção. A minha preparação para a primeira faculdade, eu estudava na biblioteca. 

Já para a segunda faculdade, eu estudei em casa, onde já existia os smartphones, os notebooks já eram mais acessíveis, a internet não é mais discada e existem as mais diversas redes sociais. 

Logo, o que você puder evitar de distração é melhor para não diminuir o rendimento e a motivação, tendo em vista que a pessoa que mais tem potencial de te sabotar é você mesmo. 

Crie um ritual, um hábito, para o seu cérebro entender que é o momento de virar a chave entre hora de relaxar e hora de estudar.

Deu certo para você ouvir música enquanto estudava?

Eduardo: Eu estudava ouvindo música instrumental ou clássica, só que com 16 anos tinha aqueles discman que só servia para ouvir música, ao passo que hoje, o estudante ouviria no celular ou no notebook, o que é um perigo, porque o celular e o computador servem para cinquenta coisas mais interessantes que estudar, principalmente algo que você tem dificuldade, pois vai ficando chato, logo, tudo é um convite para distração.

Dicas finais do Eduardo para quem está se preparando para prestar o vestibular:

  1. O que você puder fazer de simulado e resolução de questões faça, pois isto reduz o grau de surpresa durante a prova e as questões tendem a se repetir ou possuem uma mudança de padrão muito pequena;
  2. Não se desespere caso você consiga cobrir toda matéria da maneira que você deseja ou idealiza, pois nunca vai dar cobrir toda matéria. 
  3. Faça um bom uso do seu tempo durante a preparação e na hora da prova, não pense no passado, mas foque naquele momento (você e a questão que está na sua frente), e tente desvincular a emoção dos próximos passos.
  4. Evite distrações durante o estudo
  5. E, principalmente, para quem é mais novo, tente tirar um pouco a pressão de si mesmo, pois um ano parece muito tempo quando nós temos 16 ou 17 anos, que a nossa vida está ficando muito para trás ou que a nossa vida vai acabar caso não dê certo. 

Falo isso por experiência própria, a nossa vida seja ela profissional ou pessoal, segue destinos que a gente nem imagina. Logo, fazer mais um ano de cursinho ou estudar por mais um ano para o vestibular não é o fim do mundo.

O mais importante é tentar e não se deixar abater pela não aprovação ou minar a sua vontade de continuar.

PS: O Eduardo passou aos 16 anos no vestibular do IME (Instituto Militar de Engenharia, localizado no Rio de Janeiro) em 2003, concluindo o curso de Engenharia da Computação em 2008. Em 2014, passou no vestibular da Fuvest para o curso de Direito, concluindo a faculdade em 2019.

E aí? Está estudando para o vestibular?

Compartilha aqui comigo como está a sua preparação!!

Um beijo e até o próximo post!!

FUVEST 2020/2021/2022

Inicia-se aqui no blog um novo projeto destinado a leitura das obras indicadas pela Fuvest 2020/2021/2022

Tal projeto tem como objetivo a leitura de mais livros escritos em língua portuguesa, tendo em vista que desde o início do Magia das Palavras (Antigo It’s Life), em Outubro de 2019, eu não li nenhuma obra deste tipo.

Logo, nada melhor do que começar um projeto pessoal e ainda ajudar os vestibulandos neste período tão importante em nossas vidas, o ingresso no Ensino Superior.

Vou me basear na lista da Fuvest, pois a maior parte dos vestibulares se baseia nela, razão pela qual tal seleção de lidos foi escolhida, fazendo parte do conteúdo da prova de Português e Literatura.

Ademais, a lista com as nove obras literárias de leitura obrigatória servirá para os próximos três vestibulares da USP (2020/2021/2022), com o rodízio de três obras para os vestibulares de 2021 e 2022.

Por fim, as resenhas dos livros abaixo sairão aqui no blog no último domingo de cada mês. Vamos às listas??

FUVEST 2020

LIVROSAUTORES
Poemas EscolhidosGregórios de Matos
Quincas BorbaMachado de Assis
Claro EnigmaCarlos Drummond de Andrade
A RelíquiaEça de Queirós
AngústiaGraciliano Ramos
MayombePepetela
SagaranaGuimarães Rosa
O CortiçoAluísio de Azevedo
Minha Vida de MeninaHelena Morley

FUVEST 2021

LIVROSAUTORES
Poemas EscolhidosGregórios de Matos
Quincas BorbaMachado de Assis
Claro EnigmaCarlos Drummond de Andrade
A RelíquiaEça de Queirós
AngústiaGraciliano Ramos
MayombePepetela
Campo GeralGuimarães Rosa
Romanceiro da InconfidênciaCecília Meireles
Nove NoitesBernardo Carvalho

FUVEST 2022

LIVROSAUTORES
Poemas EscolhidosGregórios de Matos
Quincas BorbaMachado de Assis
AngústiaGraciliano Ramos
Campo GeralGuimarães Rosa
Romanceiro da InconfidênciaCecília Meireles
Nove NoitesBernardo Carvalho
Terra SonâmbulaMia Couto
MensagemFernando Pessoa
Alguma PoesiaCarlos Drummond de Andrade

Você vai prestar o vestibular em algum destes anos? 

Ou tem curiosidade de ler algum destes livros?

Compartilha aqui comigo nos comentários!!Um beijo e até o próximo post!!

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