Preparação para o vestibular…haja coração!!!

Edu e eu

Como divulgado no último post aqui no blog, o Magia das Palavras inicia um novo projeto de leitura direcionado ao resumo/resenha dos livros indicados para o vestibular da Fuvest.

Logo, nada melhor do que iniciarmos esta jornada através de um bate-papo com alguém, sendo esta pessoa o Eduardo (meu marido), relatando a sua preparação para a prova da Fuvest, bem como sua experiência nas provas prestadas na adolescência, com foco na preparação IME/ITA.

Bora para o bate-papo???

Como foi a sua experiência com o vestibular? Como foi para você a preparação para IME/ITA e para a Fuvest?

Eduardo: A primeira coisa é que há uma separação temporal de 12 anos entre estas provas. O primeiro (IME/ITA), que eu prestei em 2003, a preparação para as provas eram direcionadas as matérias de exatas (física, química e matemática), bem como português e inglês.

Não havia a cobrança de literatura?

Eduardo: Não existia a cobrança, na minha época de literatura. Somente o uso de idioma (instrumental), português e inglês. 

Nesta mesma época, eu prestei também as provas para a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e PUC/Paraná, estes vestibulares já havia a cobrança das demais matérias, como biologia, história, geografia e literatura.

Você ainda se lembra do tipo de questão da PUC/Paraná e UFPR? Eram questões parecidas com a da Fuvest?

Eduardo: O tipo de questão costumava ser bem diferente, tendo em vista na PUC/Paraná, por exemplo, as questões eram de múltipla escolha e da UFPR era um sistema de somatória (uma errada anulava a questão inteira).

Do que você lembra em relação a sua preparação para o estudo de literatura do seu primeiro vestibular para o segundo vestibular? 

Eduardo: A minha primeira experiência está muito distante na minha memória, mas o que eu poderia traçar em paralelo é que, as questões de literatura são cobradas com base em duas vertentes principais:

 A) contexto da literatura em si (escolas literárias e suas características; o contexto histórico de cada escola literária; o tipo de corrente ideológica (houve uma questão da Fuvest 2014 que foi neste sentido)).

B) experiência ao ler a obra indicada, levando em conta aqui como é a narrativa do autor, a construção das personagens, como a história reflete a visão de mundo do autor.

Acredito que estas vertentes prevalecem até hoje, mudando somente o perfil dos livros cobrados. Eu lembro que tinha uma carga bem menor de livros mais modernos. O único que eu lembro que foi cobrado na minha época foi Capitães da areia do Jorge Amado.

Eu me recordo que até Sermões do Padre Antônio Vieira tinha o potencial de ser cobrado. Já hoje em dia, parece impossível este tipo de cobrança.

Como foi a preparação para as provas (vestibular) do Eduardo aos 16 anos?

Eduardo: Como eu disse, IME/ITA foca exclusivamente nas matérias de exatas. A prova de português e inglês do IME/ITA era comparável a cobrança dos demais vestibulares, ao passo que a cobrança de matemática, física e química era bem maior.

Quem se prepara para o IME/ITA costuma ter uma estratégia um pouco diferente quando vai prestar outros vestibulares, como foi o meu caso para a PUC/Paraná e UFPR, pois como seu nível de matemática, física e química eram bem mais altos do que a prova exige, você adota uma visão de “eu tenho que ir muito bem nessas matérias,tenho que ir bem em português e inglês e as demais matérias (história, geografia e biologia), eu tento sobreviver, já que o estudo destas matérias fica abandonado (somente resumos) durante a preparação para o IME/ITA.

Com relação a Fuvest como foi a sua experiência, depois de uma faculdade concluída, depois de um mestrado e depois de vivenciar outros tipos de experiências?

Eduardo: O vestibular da Fuvest para mim foi quase que uma “não preparação”, tendo em vista que este vestibular tem como característica uma primeira fase de múltipla escolha, onde todas as disciplinas são cobradas e, uma segunda fase dissertativa mais direcionada, de acordo com o curso escolhido.

Eu quase não estudei, mas foi possível passar no vestibular, porque apesar de na minha preparação para IME/ITA eu não ter estudado história e geografia, eu sempre fui um bom aluno nestas matérias, logo, mesmo passada esta fase, eu mantive a minha curiosidade ativa através da leitura de livros de história diversos, como por exemplo, período imperial no Brasil, independência americana, revolução francesa, que se você for ver é o que é cobrado no vestibular.

Logo, eu via essas matérias de uma maneira que não me desgastou, já que eu lia por curiosidade e não por obrigação. Quando chegou na prova, as questões pareciam simples destes assuntos.

Com relação a português, a experiência do estudo para concurso público, elevou o meu conhecimento da matéria, se comparado ao Eduardo de 2003. Logo, ao prestar o vestibular da Fuvest, a minha pontuação na matéria foi muito boa, pois o meu conhecimento permaneceu com a experiência do estudo para concurso público.

Já para a prova de literatura, eu acabei não lendo os livros indicados, eu os que eu li foram há 15 anos atrás. Então, eu tive que sobreviver com o que eu lembrava sobre as escolas literárias e com o meu conhecimento de história, que era um ponto mais forte para mim, e fiz a prova da primeira fase, que são questões de múltipla escolha.

Já para a prova discursiva, aí já envolve perguntas mais específicas, que somente com o conhecimento generalista se torna mais difícil a resolução da prova.

Mas você sentiu essa dificuldade na segunda fase?

Eduardo: Sim, mas tentei manter o foco nas outras questões de português, que a matéria era conhecida. Assim, o fato de um não responder corretamente ou da forma desejada às questões de literatura não tornaram inviável a minha aprovação.

Então, acabou coincidindo que as específicas para o curso de Direito são história, geografia, português, redação e matemática. 

Curiosamente matemática, para um engenheiro da computação, acabou ficando abandonada por causa das funções que eu exerci depois de formado. 

Logo, você fazer questões sobre temas que você não vê há 10 anos se torna complicado, pois você olha o exercício, sabe que tem um macete para resolvê-lo, mas não lembra do diacho do macete, porque já faz muito tempo que você não estuda sobre o assunto. Eu parecia Euclides demonstrando as fórmulas durante a resolução da prova. 

Eu fiz a prova de matemática praticamente com o Teorema de Pitágoras, definição de seno/cosseno e na raça ali, tendo em vista que a minha memória de fórmula era bem pequena, o conhecimento estava em algum lugar inacessível do cérebro naquele momento e não estudei nada, o que torna o resultado bem mais difícil de ser alcançado.

Como foi a questão emocional durante a realização das provas para o Eduardo de 2003 e para o Eduardo de 2014?

Eduardo: Eu sempre consegui manter a calma e relaxar durante a execução da prova. Eu acho que o ambiente de silêncio ajuda e para mim, sou somente eu e a questão ali na frente.

Com relação a administração de tempo durante a prova, eu não costumo ter problema, exceto em matemática, como eu relatei anteriormente. 

O paralelo que eu faço é o técnico Bernardinho do vôlei, você vai lá comemora o ponto que conseguiu e vai para a próxima jogada como se o jogo ainda estivesse 0x0. Ir tentando ganhar cada ponto e deixando de lado, naquele momento, o real placar do jogo.

Na prova, é tentar pensar na questão individualmente e não gastar energia com aquilo que não te parece muito claro ou com aquilo que você não tem aquela sensação de que você sabe o caminho, mas tem que dispender um pouco de energia para a resolução. 

Acho que uma boa ordem para realizar a prova de múltipla escolha integralmente para mim é:

  1. fazer cada questão, dando foco naquilo que é fácil;
  2. ao final da prova, eu volto e faço uma segunda rodada de questões que não foram respondidas, filtrando as questões de dificuldade média, que são aquelas que você tem o conhecimento, mas depende de um pouco mais de atenção para chegar no resultado;
  3. marcar as questões que definitivamente você acha que é a resposta e excluir as alternativas que são absurdas (alternativas que estão fora da matéria,  temas específicos e uma das alternativas você tem certeza que não é relacionada a questão, aumentando a chance de acertar o chute).
  4. Feito este procedimento, eu olho para o relógio para saber como eu estou com o tempo disponível, caso eu ainda tenha muito tempo, eu passo para a resolução das questões que estou com dúvida na resposta, mas já tento pré-selecionar a que seria a correta;
  5. Depois de ver a prova capa a capa três vezes, eu olho novamente para o relógio e vejo se já é o momento de transcrever as respostas para o gabarito.

Já para a prova discursiva, a ordem acima serve para filtrar as questões que você tem mais certeza e ir respondendo daquelas, cujo tema você não tem domínio ou não sabe, deixando para as próximas rodadas a resolução. 

Eu tento usar o máximo da minha energia mental para as questões que eu tenho certeza e estou descansado para responder e, as demais, que são as questões que você não tem certeza, normalmente o enunciado dá uma pista daquilo que o examinador quer e tentar demonstrar o conhecimento que você tem sobre o assunto, mesmo que superficial.

Com relação ao planejamento de estudos para o vestibular, seja para quem trabalha ou não trabalha, que dicas você daria?

Eduardo: Eu acho que qualquer prova que seja competitiva, você tem que pensar em como você chega no objetivo. Isso atrapalha bastante com quem é perfeccionista, pois provavelmente, a pessoa vai querer saber tudo do inicio ao fim da matéria. 

Logo, você tem que pensar:

  1.  Onde está o seu conhecimento das matérias hoje. Pegue uma prova de vestibulares anteriores e tente resolver. Assim você tem  diagnóstico de como está o seu conhecimento de cada matéria e qual será o seu foco inicial.
  2. Onde você quer chegar. A pontuação do vestibular (a nota de corte) oscila três pontos para mais ou para menos. Com base nisso, você pode traçar como meta onde você precisa chegar, analisando cada matéria e vendo qual matéria você tem mais potencial em ganhar pontos com menos esforço. 

Por exemplo, quando eu prestei IME/ITA, eu tinha dificuldade em química orgânica, logo, eu sabia que de dez questões de química, uma ou duas seriam de química orgânica. Logo, a minha estratégia foi esgotar tudo aquilo que tinha para se aprender de física e química e não estudar nada de química orgânica. 

Quando cheguei na prova, foi exatamente o que aconteceu, as questões que não envolviam química orgânica eu consegui resolver, pois eu esgotei o conteúdo e desprezei a matéria que eu tinha mais dificuldade e não era tão cobrada na prova.

  1. Faça uma nova avaliação do meu estudo e trace novamente uma nova estratégia aumentando a carga de revisão do conteúdo onde você tem mais dificuldade.

Com relação a ambiente de estudo, você daria alguma dica?

Eduardo: O mais silencioso possível e onde você tem menos possibilidade de interrupção. A minha preparação para a primeira faculdade, eu estudava na biblioteca. 

Já para a segunda faculdade, eu estudei em casa, onde já existia os smartphones, os notebooks já eram mais acessíveis, a internet não é mais discada e existem as mais diversas redes sociais. 

Logo, o que você puder evitar de distração é melhor para não diminuir o rendimento e a motivação, tendo em vista que a pessoa que mais tem potencial de te sabotar é você mesmo. 

Crie um ritual, um hábito, para o seu cérebro entender que é o momento de virar a chave entre hora de relaxar e hora de estudar.

Deu certo para você ouvir música enquanto estudava?

Eduardo: Eu estudava ouvindo música instrumental ou clássica, só que com 16 anos tinha aqueles discman que só servia para ouvir música, ao passo que hoje, o estudante ouviria no celular ou no notebook, o que é um perigo, porque o celular e o computador servem para cinquenta coisas mais interessantes que estudar, principalmente algo que você tem dificuldade, pois vai ficando chato, logo, tudo é um convite para distração.

Dicas finais do Eduardo para quem está se preparando para prestar o vestibular:

  1. O que você puder fazer de simulado e resolução de questões faça, pois isto reduz o grau de surpresa durante a prova e as questões tendem a se repetir ou possuem uma mudança de padrão muito pequena;
  2. Não se desespere caso você consiga cobrir toda matéria da maneira que você deseja ou idealiza, pois nunca vai dar cobrir toda matéria. 
  3. Faça um bom uso do seu tempo durante a preparação e na hora da prova, não pense no passado, mas foque naquele momento (você e a questão que está na sua frente), e tente desvincular a emoção dos próximos passos.
  4. Evite distrações durante o estudo
  5. E, principalmente, para quem é mais novo, tente tirar um pouco a pressão de si mesmo, pois um ano parece muito tempo quando nós temos 16 ou 17 anos, que a nossa vida está ficando muito para trás ou que a nossa vida vai acabar caso não dê certo. 

Falo isso por experiência própria, a nossa vida seja ela profissional ou pessoal, segue destinos que a gente nem imagina. Logo, fazer mais um ano de cursinho ou estudar por mais um ano para o vestibular não é o fim do mundo.

O mais importante é tentar e não se deixar abater pela não aprovação ou minar a sua vontade de continuar.

PS: O Eduardo passou aos 16 anos no vestibular do IME (Instituto Militar de Engenharia, localizado no Rio de Janeiro) em 2003, concluindo o curso de Engenharia da Computação em 2008. Em 2014, passou no vestibular da Fuvest para o curso de Direito, concluindo a faculdade em 2019.

E aí? Está estudando para o vestibular?

Compartilha aqui comigo como está a sua preparação!!

Um beijo e até o próximo post!!

FUVEST 2020/2021/2022

Inicia-se aqui no blog um novo projeto destinado a leitura das obras indicadas pela Fuvest 2020/2021/2022

Tal projeto tem como objetivo a leitura de mais livros escritos em língua portuguesa, tendo em vista que desde o início do Magia das Palavras (Antigo It’s Life), em Outubro de 2019, eu não li nenhuma obra deste tipo.

Logo, nada melhor do que começar um projeto pessoal e ainda ajudar os vestibulandos neste período tão importante em nossas vidas, o ingresso no Ensino Superior.

Vou me basear na lista da Fuvest, pois a maior parte dos vestibulares se baseia nela, razão pela qual tal seleção de lidos foi escolhida, fazendo parte do conteúdo da prova de Português e Literatura.

Ademais, a lista com as nove obras literárias de leitura obrigatória servirá para os próximos três vestibulares da USP (2020/2021/2022), com o rodízio de três obras para os vestibulares de 2021 e 2022.

Por fim, as resenhas dos livros abaixo sairão aqui no blog no último domingo de cada mês. Vamos às listas??

FUVEST 2020

LIVROSAUTORES
Poemas EscolhidosGregórios de Matos
Quincas BorbaMachado de Assis
Claro EnigmaCarlos Drummond de Andrade
A RelíquiaEça de Queirós
AngústiaGraciliano Ramos
MayombePepetela
SagaranaGuimarães Rosa
O CortiçoAluísio de Azevedo
Minha Vida de MeninaHelena Morley

FUVEST 2021

LIVROSAUTORES
Poemas EscolhidosGregórios de Matos
Quincas BorbaMachado de Assis
Claro EnigmaCarlos Drummond de Andrade
A RelíquiaEça de Queirós
AngústiaGraciliano Ramos
MayombePepetela
Campo GeralGuimarães Rosa
Romanceiro da InconfidênciaCecília Meireles
Nove NoitesBernardo Carvalho

FUVEST 2022

LIVROSAUTORES
Poemas EscolhidosGregórios de Matos
Quincas BorbaMachado de Assis
AngústiaGraciliano Ramos
Campo GeralGuimarães Rosa
Romanceiro da InconfidênciaCecília Meireles
Nove NoitesBernardo Carvalho
Terra SonâmbulaMia Couto
MensagemFernando Pessoa
Alguma PoesiaCarlos Drummond de Andrade

Você vai prestar o vestibular em algum destes anos? 

Ou tem curiosidade de ler algum destes livros?

Compartilha aqui comigo nos comentários!!Um beijo e até o próximo post!!

O que faz de Orgulho e Preconceito um clássico tão encantador?

Capas dos livros, à esquerda publicado pelo Barnes & Noble e à direito publicado pela Martin Claret

Li Orgulho e Preconceito em 2009, após assistir ao filme lançado em 2005. E, assim como no filme, eu me apaixonei pelas personagens, pela ironia, pela sagacidade, pela crítica e pela história escrita pela autora.

Logo, neste post, eu resolvi questionar e mostrar o que faz de Orgulho e Preconceito um livro clássico tão encantador, mesmo após mais de 200 anos de sua publicação.

Antes de esmiuçar a narrativa do livro, cumpre trazer à baila, a história da autora Jane Austen.

Nascida em 1775, em Steventon – Hampshire (UK), sendo a sétima filha de oito irmãos e a segunda filha do Reverendo George Austen, Jane sempre viveu em família e desde o início de sua educação, a leitura de peças de teatro, poesias e ensaios sempre a cativaram.

Com a aposentadoria de seu pai em 1801, mudou-se com a família para Bath, onde morou por cinco anos até o falecimento do Reverendo George. 

Morou também em Southampton por três anos com sua mãe e irmã Cassandra até retornar a Inglaterra e firmarem morada na cidade de Chawton em uma das casas de seus irmãos. 

Foi em seu retorno que Jane Austen escreveu quatro romances, dentre eles Orgulho e Preconceito em 1813, denominado inicialmente First Impressions (1797), porém rejeitado pela Editora. 

Suas obras tiveram inspirações em romances populares na época como Pamela: Or, Virtue Rewarded e Clarissa: Or the History of a Young Lady, de Samuel Richardson e Evelina de Fanny Burney. 

Em 1817, Jane faleceu aos 41 anos de idade, sem ter se casado, apesar de  ter recebido uma proposta de casamento aos 26 anos, disse sim, mas no dia seguinte desistiu da proposta e não se casou.

Tal decisão foi vista como um peso pela família, tendo em vista que ela seria dependente da ajuda econômica de seus irmãos para sobreviver.

Nota-se que, o casamento e o dinheiro são fatores determinantes e recorrentes em suas obras, pois para sobreviver em um universo masculino, como era século XIX, as mulheres sufocavam suas vontades e sonhos para a realização de um casamento por conveniência, o que demonstra a condição precária e a falta de escolha que as mesmas possuíam.

O casamento é um modo, para as mulheres, de garantia de sua propriedade, caso contrário, a herança iria para um parente distante do sexo masculino. E, até mesmo a vida material das mulheres só restaria garantida com um homem ao seu lado, o que demonstra  como o dinheiro, nesta época, era um problema potencial (não que não seja até hoje).

Tais características e pontos de vista são bem cristalinos no decorrer da obra, oportunidade em que vislumbramos a sagacidade da autora em sua escrita e o comportamento da nossa heroína Elizabeth Bennet, que se recusa a este tipo de casamento por conveniência e as condições, às quais as mulheres eram submetidas.

Lizzie mostra para este universo masculino, ao qual está presa, de que nenhum homem irá comprá-la, pois ela é uma pessoa com sentimentos, com opiniões a serem defendidas e respeitadas e não uma propriedade. Logo, ela precisa ser conquistada e nada além disso.

Todavia, ao mesmo tempo em que há esta determinação e comportamento da nossa heroína, há também o seu orgulho e seu preconceito, tendo em vista que, é perigoso cair na armadilha de santificar as mulheres e demonizar os homens, pois embora o mundo seja machista, não quer dizer que não existem mulheres machistas e homens que não sejam tão machistas assim. 

Logo, eu acredito que é esta a imagem que Mister Darcy representa. Ele mostra para Elizabeth que ele não é qualquer um ou um produto genérico. Darcy demonstra que tem sensibilidade e sua própria forma de pensar sobre o mundo e sobre ela são diferentes dos demais. Por isso que ele é considerado um crush literário (pelo menos para mim).

Mesmo com este orgulho e preconceito dentro desta sociedade, nós torcemos para que o casal fique junto, independente da classe social em que vivem. Na verdade, nós torcemos para que exista amor derivado deste encontro.

Por esta razão que Jane Austen e seu romance Orgulho e Preconceito permanecem tão presentes no mundo literário de forma tão encantadora. 

É um clássico, que ao mesmo tempo é atual e fundamental, para entendermos a sociedade que vivemos hoje.

Já leu Orgulho e Preconceito? Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

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Um grande beijo e até o próximo post!!

Precisamos falar sobre Verity

Capa do livro

Sempre que sai um livro da Colleen Hoover, eu fico como? Ansiosa para devorá-lo.

E, lógico, com Verity, o mais novo livro da autora estaduniense lançado pelo Selo Galera Record, da Editora Record não foi diferente.

A autora é conhecida por escrever romances estilo New Adult e este foi o seu primeiro suspense. 

E, o que eu posso dizer com a conclusão da leitura é que esta mulher pode escrever sobre qualquer gênero, pois ela é sensacional!!

É um suspense contemporâneo, no qual nós vamos adentrar na história de duas escritoras. Verity, uma autora de best sellers que sofre um acidente e está  presa ao seu próprio mundo e Lowen, uma escritora falida, que acabou de perder a mãe e necessita muito de dinheiro para pagar as contas e o aluguel.

Até que um dia, Lowen vê sua sorte mudar (deixo aberto para interpretações se foi sorte ou não), quando lhe é oferecida a proposta de continuar a escrever a série de livros de Verity por sua Editora. 

Nesta oportunidade, ela conhece Jeremy, marido de Verity, que a convida para passar uns dias na casa da família, a fim de obter o material necessário para a continuação da série de livros. Todavia, quanto mais eles se conhecem, mais vontade os dois possuem de ficar juntos.

Durante sua estadia na casa da família, Lowen encontra no escritório de Verity uma autobiografia, na qual vislumbramos uma face sombria da autora, bem como  acontecimentos estranhos se desenvolvem no local e você se questiona sobre o que é ou não real.

Assim como os outros livros que eu li da autora, eu não consegui parar de ler este por um minuto e, no final, você fica se perguntando: Colleen Hoover, o que você fez comigo??

Recomendo demais a leitura de Verity e cito aqui outros livros da autora que eu adorei e também deixo como recomendação:

É assim que acaba

O lado feio do amor

Confesse

A série Hopeless (são dois livros e um spin-off)

Métrica (é uma trilogia, mas eu só li o primeiro)

November 9

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 Já leu Verity ou algum dos livros da Colleen Hoover???

Compartilha aqui comigo a sua experiência!!!

Um grande beijo e até o próximo post!!!

A tragédia de Otelo, o mouro de Veneza

Capa do livro no Kindle

Terceiro livro do Projeto Reeducação do Imaginário, e o primeiro livro que eu leio de William Shakespeare e, com a conclusão, eu posso afirmar que fiquei muito feliz em ter adentrado neste universo shakesperiano por esta leitura tão intensa, cheia de inveja, intrigas e vingança.

SOBRE O AUTOR E A OBRA

Cleaning This Portrait Could Change the Way Historians See ...
William Shakespeare

William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, no ano de 1564. A maior parte da sua obra foi produzida em Londres entre os anos de 1590 e 1613.

No caso de Otelo, a peça possui duas possibilidades de data para a sua composição, quais sejam: entre o final de 1601 e 1602 ou como data comumente adotada, 1603 ou 1604.

A obra tem como sua fonte principal, o conto do escritor italiano Giovanni Battista Giraldi Cinthio denominado “Il capitano moro”, publicado em 1565, bem como suas fontes secundárias “The Commonwealth and Government of Venice”, escrito pelo Cardeal Contarino em 1599 e “The Geographical History Of Africa”, escrita por Leão, o Africano em 1600.

A semelhança de Otelo com o conto italiano (fonte principal) advém da narrativa do casamento de jovens com estrangeiros, a prática do homicídio, a amizade do vilão com o protagonista, a fim de induzir o cometimento do crime manipulando com suspeitas acerca da fidelidade da jovem esposa.

Ademais, uma curiosidade em relação a esta peça é que a obra brasileira que mais se assemelha a Otelo é Dom Casmurro de Machado de Assis (Capitu traiu Bentinho?). Inclusive, há uma cena neste livro em que Bentinho vai ao teatro assistir à peça Otelo.

SOBRE A EDIÇÃO

Uma das peças mais famosas de Shakespeare, em uma edição publicada pelo Selo Penguin Companhia, da Editora Companhia das Letras em 2017.

A tradução, introdução e notas foram feitas por Lawrence Flores Pereira (escritor, tradutor, editor da revista acadêmica Philia&Filia e professor da Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul).

Optei pela edição da Companhia das Letras porque eu gostei muito da edição que o Selo Penguin possui de Franz Kafka, tendo em vista que sempre vem acompanhada de notas explicativas que ajudam no entendimento do cenário histórico, social e até mesmo filosófico em que a narrativa se desenvolve.

Logo, como era o meu primeiro contato com a escrita do autor, não pensei duas vezes em adquiri-la pelo Kindle.

O fato de já se ter no início várias informações sobre a história retratada e até mesmo saber o que acontece e como são as personagens, não me incomodou, acredito que até me ajudou a fazer a leitura com um olhar diferente e atento.

Caso este tipo de spoiler te incomode, é só ir diretamente à peça e, após a conclusão, eu recomendo a leitura da introdução e notas que o livro possui.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Foi um dos livros mais intensos que eu já li e um dos mais difíceis na manutenção da imparcialidade, no que tange às suas personagens.

A peça se inicia com um diálogo entre Iago e Rodrigo sobre a nomeação por Otelo de Cássio para tenente, bem como informando a Brabâncio, no meio da noite, que um dos seus bens havia sido roubado (raptado) por Otelo, sendo este bem Desdêmona, sua filha.

Ao se casar com Desdêmona na calada da noite, Otelo enfrenta um julgamento perante o Duque e os senadores, entre os quais Brabâncio, pai de Desdêmona, que o acusa de bruxaria contra a sua filha.

Aqui, eu faço um adendo sobre o crime de bruxaria. Até o século XV e XVI, a bruxaria era vista somente como uma forma de manifestação religiosa. 

Com o advento dos séculos anteriormente mencionados, a bruxaria era vista por um aspecto político, no sentido de quem pratica bruxaria tinha um pacto com o Diabo, logo, era visto como uma traição ao Rei que era ligado a Igreja, razão pela qual a existência do crime de bruxaria e subversão nesta época.

Voltando à peça, Brabâncio não compreende a transformação da filha obediente e honrada em uma jovem que toma decisões por conta própria e escolhe fugir para se unir a Otelo. 

Este relacionamento era inaceitável, pois Otelo é forasteiro, negro e somente um instrumento que Veneza usa para garantir sua beleza e cultura, através das guerras e de sangue.

A peça é rica no seu discurso contra o racismo e xenofobia tendo em vista que Otelo é objeto de zombaria e desrespeito cultural, no qual se associa a cor negra ao mal e mesmo sendo um instrumento do exército não é considerado um veneziano e sim, um forasteiro.

Sobre Desdêmona, a união da mesma com Otelo não se dá só porque ela rejeita a vida doméstica, mas devido ao seu amor genuíno por Otelo que transcende a imagem de ser somente um instrumento de batalha.

Acredito que aí está o grande problema de interpretação entre os protagonistas e até mesmo de suas vulnerabilidades: Otelo não se enxerga da mesma forma que Desdêmona o vê. 

Em razão desta insegurança, a sua interpretação de Desdêmona permeia de uma figura intacta e honrada, para uma mulher que se entrega aos mais inverossímeis desejos obscenos.

Logo, em razão dessa vulnerabilidade e insegurança de Otelo, Iago se aproveita da situação para planejar a sua vingança.

E o que falar sobre Iago,  também conhecido como “O Maquiavel do Palco”??  

Foi um dos vilões mais impactantes e mais interessantes que eu já presenciei na minha vida de leitora e para entender a complexidade desta personagem, cumpre trazer à baila trecho do ensaio de W. H. Auden: 

Não consigo tampouco pensar em outra em que o vilão seja tão completamente triunfante: tudo o que promete fazer, Iago cumpre – e entre suas metas incluo sua autodestruição.

Nota-se, portanto que, a capacidade de Iago de iludir, seduzir, aproximar-se de suas vítimas, infectá-las com suas mentiras e com sua linguagem grosseira e obscena, é testemunho de sua maldade excepcional.

Iago induz Otelo a acreditar que Desdêmona não o ama, tendo em vista a diferença de classes, a sua cor e até mesmo o seu papel de mero instrumento de batalha. 

Diante destes pensamentos, Otelo passar a desconfiar e se afastar de Desdêmona e esta sofre uma mudança comportamental, isto é, passa de uma mulher de iniciativa e personalidade, como a demonstrada durante o julgamento de Otelo perante aos senadores, a uma mulher que é condescendente com as atitudes do marido.

Faço uma ressalva aqui com relação a esta mudança na atitude de Desdêmona, pois o fato de ser condescendente ao comportamento de Otelo não demonstra uma fraqueza da mesma, mas a dificuldade de se mostrar fiel, a dificuldade de provar que de fato tê-lo supostamente o traído com Cássio não ocorreu.

Sobre este sentimento de Otelo, W. H. Auden descreve o seguinte: 

Se Otelo tivesse ciúme apenas dos sentimentos que Desdêmona teria por Cássio, ele seria um homem são e culpado no máximo de falta de confiança na esposa. 

Mas Otelo não é ciumento apenas de sentimentos que talvez existam; ele demanda prova para um ato que não pode ter acontecido, e o efeito sobre ele de acreditar nessa impossibilidade física vai muito além do desejo de matar Desdêmona: não é apenas a sua esposa que o traiu, mas o universo todo; a vida tornou-se sem sentido, sua ocupação se extinguiu.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário,pois trata de racismo, xenofobia, o cometimento do crime passional por Otelo contra Desdêmona (feminicídio).

Ademais, ao chamarmos a peça Otelo de tragédia, pode-se verificar que a ordem foi restaurada no final, mas a restauração neste caso é inútil, pois o que adianta a punição de Iago, se Desdêmona morreu, ou seja, ter a punição do malvado, do injusto é indiferente, já que os justos morreram.

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Um grande beijo e até o próximo post!!

Sobre relacionamentos abusivos

Após assistir “O Homem Invisível”, bem como com o decorrer da minha leitura de Otelo, eu pensei em indicar livros muito bons sobre relacionamentos abusivos que eu já li:

É assim que acaba – Colleen Hoover

Capa do livro publicado pela Editora Record

Li este livro em 2017, no ano de seu lançamento pela Editora Record, sendo este o meu primeiro contato com a autora.

Lembro até hoje desta história que mostrou como a pessoa que nós amamos é capaz de nos magoar e nos ferir da forma mais violenta. 

A escrita da autora é tão tocante e tão real que foi capaz de me mostrar que não podemos simplesmente julgar os outros, pois o julgamento é fácil, o difícil é termos coragem para vivenciar a situação e agir diante do desafio. 

Ao mesmo tempo a história fala sobre amizade, sobre a capacidade de recomeçarmos e de sermos merecedores de uma nova chance para a felicidade. 

A nota da autora no final do livro me levou às lágrimas, razão pela qual, eu recomendo muito a leitura!

Sorrisos quebrados – Sofia Silva

Capa do livro publicado pela Editora Valentina

Li este livro também em 2017, após o término da leitura de “É assim que acaba”, e diferentemente do livro escrito pelo Collen Hoover, a autora portuguesa Sofia Silva inicia o narrativa de uma forma impactante, factível e cruel.

Ao decorrer da leitura, nós acompanhamos nossa protagonista em busca de um recomeço, repleto de aprendizados, principalmente no desenvolvimento da sua confiança nas outras pessoas e em si mesma.

A escrita da autora é ótima, muito fluída e carregada no drama, mas com personagens fortes e cativantes, motivo pelo qual, eu recomendo este livro!

Teto para dois – Beth O’Leary

Capa do livro publicado pela Editora Intrínseca

Li este livro no ano passado (2019) e dentre os três, é que trata o tema relacionamento abusivo de forma mais branda, pois não é o foco principal da narrativa, mas a forma que a autora inglesa tratou do tema foi sensível e delicada através de personagens extremamente cativantes e atuais, por isso a recomendação!

Por fim, eu saliento que este post não tem como intuito romantizar um tema tão presente em vários lares brasileiros, bem como em outros países, mas de abrir os olhos e mostrar que relacionamentos abusivos existem, são cruéis e até mesmos fatais.

Hoje, nossa sociedade está amparada por Delegacias da Mulher, Varas especializadas em violência doméstica, Ministério Público, Defensoria Pública, ONG’s e disque denúncia:

poster com dicas de como denunciar violência doméstica
Crédito da imagem: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Caso você conheça alguém ou você está vivendo um relacionamento abusivo, procure ajuda, não se prenda a dependência financeira, a ilusão que de que pessoa possa mudar ou aos filhos em comum. 

A sua vida e a vidas das pessoas próximas a você valem muito!!

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Um beijo e até o próximo post!!

O Homem Invisível

Capa do livro

É o primeiro livro que eu leio do autor Hebert George Wells, mais conhecido como H.G. Wells e meu interesse pela leitura desse clássico da ficção científica, se deu por causa do lançamento do filme “O Homem Invisível” este ano.

Eu sei que a história deste novo filme é uma adaptação do livro para um novo contexto, qual seja, sobre relações abusivas, mas mesmo assim, eu fiquei muito curiosa com a história, razão pela qual, eu escolhi o livro publicado pela editora Zahar em 2017 para realizar a minha leitura.

Acredito que a minha curiosidade, bem como a de todas as pessoas, nas mais diversas situações é a seguinte: O que faríamos se pudéssemos ser invisíveis?

Bom, hipóteses a parte, o que o homem invisível da história busca com tal característica é a impunidade, como eu te mostro a seguir.

A narrativa se passa na Inglaterra, iniciando-se em uma hospedaria denominada Coach and Horses na cidadezinha de Iping (sim, esta cidade existe, sendo esta uma das características da escrita do autor, qual seja, usar lugares que existem e pessoas comuns para dar maior credibilidade a história), em um dia de inverno, onde um peculiar visitante resolve se hospedar.

Por que tal visitante é peculiar? Bom, as roupas utilizadas, principalmente, o chapéu, os óculos enormes e redondos e o nariz…sim…o nariz, são totalmente exagerados, além da bandagem cobrindo todo o rosto:

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Cena do filme O Homem Invisível de 1933

Nota-se que até então, não sabemos o nome desta pessoa (só iremos descobrir no Capítulo 17), nem o motivo pelo qual tal homem se veste e age de forma tão estranha e macabra.

Com o desenrolar da história, a curiosidade sobre a invisibilidade vai aumentando e o autor vai nos dando pistas de que tal homem, na verdade, é um cientista que descobriu como ficar invisível, mas que não sabe como reverter a experiência, e seus recursos financeiros vão acabando e a reversibilidade da invisibilidade ficando cada vez mais distante, sendo sua fuga para a cidadezinha campestre sua última tentativa de voltar a ser enxergado pelos demais.

Além desta curiosidade nata, no que tange a origem da invisibilidade, nós vamos percebendo que, tal característica não é tão vantajosa para o nosso protagonista, pois o mesmo possui um comportamento e hábitos muito pitorescos para passar despercebido pelos cidadãos de Iping.

A maldade, a loucura e a sensação de impunidade vão crescendo e aterrorizando as pessoas em todos os lugares em que homem invisível passa, todavia, em um determinado momento da história, as coisas para o nosso protagonista começam a ficar cada vez mais difíceis, restando somente para ele arcar com as consequências de seus atos e com seu inevitável desfecho.

Além de todo o cenário que uma boa história de ficção científica deve ter, o livro também aborda temas como solidão, incompreensão e escolhas, sejam elas boas ou ruins.

Ademais, este livro conta com diversas adaptações cinematográficas, dentre elas uma das mais fiéis lançada em 1933 (essa eu ainda não consegui assistir) e a mais recente lançada em 2020, cujo filme, como dito no início da minha resenha, me deu a curiosidade para ler o livro.

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Filme de 2020 – Fonte da imagem: Universal Pictures

Assisti o filme recentemente, antes da suspensão de funcionamento dos cinemas, devido a proliferação da COVID-19, logo, eu não sei quando a situação irá se normalizar (espero que em breve!!) ou se este filme estará em cartaz novamente.

De qualquer forma, de comum com o livro, o filme tem somente o nome, mas como relatado na apresentação do livro da Editora Zahar escrita pelo editor e tradutor Thiago Lins: É justamente pela riqueza do tema e pelas muitas possibilidades de abordagem e de interpretação que O Homem Invisível se mantém vivo e atual mais de um século após sua publicação. 

Achei o roteiro foi muito bem desenvolvido, muito atual com o tema (relações abusivas) e eficiente. As atuações, principalmente da Elizabeth Moss, são muito boas e o filme foi capaz de prender a minha atenção do início ao fim, razão pela qual, eu o recomendo.

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Já leu este livro? Ou já assistiu o filme de 1933 ou o recentemente lançado?

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Um grande beijo e até o próximo post!!

Coração das trevas

Capa do livro

Segundo livro lido do projeto reeducação do imaginário e meta literária de Janeiro cumprida com sucesso!

CURIOSIDADES SOBRE O AUTOR E SOBRE O LIVRO 

Joseph Conrad

Józef Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski, conhecido como Joseph Conrad nasceu em 1857 na Ucrânia. Ficou órfão ao 11 anos e foi criado pelo seu tio até o seus 16 anos. 

Nesta idade, Conrad viajou para a França, ocasião em que deu seus primeiros passos na Marinha. Após várias tentativas, ele conseguiu a sua aprovação como capitão da Marinha Mercante Inglesa, tendo em 1886 recebido a sua nacionalidade britânica.

Em 1894, Joseph Conrad resolveu deixar de lado a carreira na Marinha e passou a se dedicar à escrita e à literatura. Devido às viagens que realizou durante o seu tempo na Marinha, ele conseguiu colecionar várias histórias acerca do tema, entre elas o livro “O Coração das Trevas”. 

No que tange ao seu estilo de escrita, Conrad compunha suas personagens muitas vezes em locais isolados da sociedade e que eram submetidas a situações extremas, como é o caso do protagonista Marlow, em “O Coração das Trevas”. 

O livro “O Coração das Trevas” serviu de inspiração no cinema, através do filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, em 1979.

Joseph Conrad faleceu na Inglaterra, no dia 3 de agosto de 1924.

SOBRE A EDIÇÃO

Eu li este livro pelo Kindle, através da edição publicada em 2019 pela Editora Antofágica.

A edição contém ilustrações de Claudio Dantas, tradução de José Rubens Siqueira e apresentação da obra por Felipe Nobre Figueiredo:

Ilustrações do livro

Ao final da leitura de “O coração das trevas”, nós encontramos comentários feitos por  Christian Ingo Lenz Dunker e por Ana Maria Bahiana.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Como dito anteriormente, a história de vida de Joseph Conrad é muito interessante, pois devido a seu trabalho na Marinha, o mesmo viajou para diversos lugares e abraçou a Inglaterra como sua terra devido sua história na Marinha Inglesa, época em que aprendeu a língua brilhantemente.

O livro é de uma honestidade abissal, pois a impressão que passa, inicialmente, é que a história é uma defesa do projeto civilizatório do Imperialismo Britânico.

A narrativa é feita pelo Capitão Marlow (alter ego do autor) a um grupo de marinheiros, no qual espera que tal grupo obtenha algum tipo de aprendizado com sua experiência.

Inicia-se com a trajetória de Marlow indo aos escritórios do Congo Belga em Bruxelas procurar algum emprego na África. Aqui, eu faço um destaque a cena de entrada no escritório, em que o autor descreve a burocracia do Império. 

E, no entanto, Marlow não se acanha com isso e quer de fato trabalhar na África, pois está convencido que tal projeto imperialista busca a civilização para os povos menos civilizados.

Ao chegar na África, o que Marlow vê não é exatamente um projeto civilizatório, mas sim, a exploração econômica mais desumana, devido às condições da população local.

As descrições são muito realistas, no sentido de que, ao chegar no Congo Belga, Marlow descreve as pessoas como se elas fossem feitas somente de pele e osso, chegando até a se indagar se, de fato, eram pessoas ou não:

“Vi o demônio da violência, o demônio da cobiça, o demônio do desejo ardente; mas, por todas a estrelas!, eram demônios fortes, luxurioso, de olhos vermelhos, que influenciavam e conduziam os homens – homens, digo. “

Diante desta primeira decepção, Marlow se questiona sobre seu papel ali, até receber a notícia de que há um agente do Império, chamado Kurtz, que tem um posto altamente lucrativo com a extração de marfim, mas ao mesmo tempo adorado pelo povo africano.

Logo, Marlow vê nessa figura uma combinação que é aquela que ele vinha buscar, qual seja, a junção de civilização e dinheiro. 

A partir daí a história irá narrar a aventura de Marlow subindo o Congo atrás de Kurtz. No meio da viagem há ataque de indígenas, fugas, mudanças súbitas de cenário, visão enevoada, todos os elementos contidos em um livro de aventura marítima.

Ao chegar no local em que Kurtz está, Marlow o indaga sobre como ele conseguiu unir em um projeto dinheiro e civilização e a única resposta que obtém e a célebre frase da literatura “Oh horror…Oh horror” pronunciada por Kurtz pouco ante de cair morto.

Assim, após toda a frustração da viagem, Marlow vai embora sem ter a chave de seu enigma. 

Nota-se, portanto, que o interesse extraordinário do livro é que a busca pela união de dinheiro e civilização é uma farsa inexplicável (através da metáfora luz e escuridão, que dá nome ao livro “Coração das trevas”), o que o torna, mesmo tendo sido publicado no final do século XIX, uma história atemporal.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário, pois ele traz em seu bojo temas como dinheiro, ganância, ambição desenfreada através do poder devido a um cargo ou exercido em nome de alguém e as consequências do uso destes mecanismos que só pode ser traduzida na palavra horror.

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Um grande beijo e até o próximo post!!

Crime e Castigo

Em 2020 eu dou início ao Projeto Reeducação do Imaginário com a leitura do primeiro livro da lista, qual seja Crime e Castigo, do autor Fiódor Dostoiévski.

CURIOSIDADES SOBRE O AUTOR E SOBRE O LIVRO

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nasceu em Moscou no ano de 1821, filho de um médico militar e de uma dona de casa que, desde de novo, o autor e seus irmãos foi incentivados pelos pais ao estudo da literatura.

Formou-se em Engenharia pela Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo e, após a conclusão do curso, Dostoiévski iniciou o seu trabalho como escritor de romances filosóficos e psicológicos, bem como editor em revistas próprias e participação ativa na política.

Em abril de 1849, Dostoiéviski foi preso sob a acusação de conspiração em face do Czar Russo Nicolau I, ocasião em que foi sentenciado a morte e, posteriormente teve a pena convertida para oito anos de trabalhos forçados a ser cumprida na Sibéria.

Foi na prisão da Sibéria que Dostoiévski sofreu seu primeiro ataque de epilepsia, enfermidade que o acompanhou até o seu falecimento em janeiro de 1881. Tal doença também atinge várias de suas personagens, como o Príncipe Míchkin de O Idiota, Kiríllov de Os Demônios e Smerdiákov de Os Irmãos Karamazov

No que tange ao livro Crime e Castigo, a história teve como inspiração o homicídio de um agiota e seu empregado visando o roubo de sua residência, cometido por um estudante chamado A.M. Danilov em 12 de janeiro de 1866. A história teve seus primeiros dois capítulos foram publicados em 1865 pelo periódico “O Mensageiro Russo”, obtendo um grande sucesso de crítica.

SOBRE A EDIÇÃO

A edição que eu possuo foi publicada pela Editora Martin Claret em 2004, no qual faz parte da Coleção Obra Prima de Cada Autor:

Capa do livro
Contracapa do livro

Por ser uma edição, que na época, tinha como intuito ter um preço acessível e em formato de bolso, a diagramação não tem espaçamento, as páginas são brancas, mas não impediu de realizar a leitura a contento:

Sobre a edição

Ademais, não levei em conta a acentuação, tendo em vista que a publicação deste livro foi anterior ao Acordo Ortográfico de 2009. 

SOBRE A MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E A INDICAÇÃO DESTE LIVRO NO PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

A história é muito realista (Dostoiéviski pertence ao período do Realismo na Literatura), logo, eu li a obra intercalando com outras leituras de temáticas diferentes, pois houve momentos que, apesar da escrita ser muito fluída, os temas eram pesados e acredito que eu teria desistido do livro se tentasse lê-lo de uma só vez.

A história se passa durante o Império Russo e retrata a vida de Rodion Românovitch Raskólnikov, um estudante que comete um duplo assassinato e após a execução do crime se vê atordoado por seus próprios atos.

Conforme a leitura foi avançando, eu ia me sentindo cúmplice de Raskólnikov em seus pensamentos, em seus devaneios, em suas mudanças de humor e no fato de não conseguir confessar a execução do crime.

Também senti raiva, pois Raskólnikov é prepotente, julgador, dono da razão e covarde ao ponto de deixar pessoas inocentes responderem pelo o ato em seu lugar. 

Achei a cena da confissão à Sônia, sobre a autoria do crime, muito comovente e factível, como se o fardo de Raskólnikov fosse tirado também de mim e contado à uma personagem que é retratada com a pureza do amor cristão:

“Vai agora, neste instante, pára em um cruzamento, inclina-te, beija a terra, que tu profanaste, e depois faz uma reverência a todo este mundo, em todas as direções que quiseres, e diz a todos, em voz alta: ‘Eu matei!’”

Nota-se, portanto, que a escolha de Crime e Castigo como primeiro livro da lista do Projeto Reeducação do Imaginário é totalmente compreensível, pois trata de temas como culpa, arrependimento e redenção de uma forma muito realista e tocante.

Vemos, através da narrativa, como a ganância, a cobiça e a ambição, sem medição das consequências, é capaz de cegar o homem e levá-lo a cometer um ato tão bárbaro como o homicídio.

Ademais, a dificuldade de confessar o cometimento do ato ilícito e de se redimir é um caminho tortuoso para o criminoso, mas ao realizá-lo, de forma verdadeira, é capaz de mudar a visão do indivíduo sobre ele mesmo e de todos ao seu redor:

“Na noite do mesmo dia, quando o quartel já estava fechado, Raskólnikov, deitado na tarimba, pensava nela [Sônia]. Nesse dia até lhe pareceu que todos os galés, antes seus inimigos, já o olhavam de modo diferente. Ele mesmo começou a conversar com eles, e lhe respondiam de modo carinhoso. Agora ele se lembrava disso com esforço, mas era assim que devia ser: acaso tudo não devia mudar agora?”

“Raskólnikov abre o Evangelho, de que até então apenas escarnecera. Mas, pensando em Sônia, para quem aquele era o único livro sobre a terra, ele pergunta-se: “Será que agora as convicções dela podem não ser também as minhas convicções? Os seus sentimentos, as suas aspirações, ao menos…”

É um livro difícil de ser lido devido ao peso da culpa que você carrega juntamente com o protagonista, o fato de retirá-lo de sua zona de conforto não só com as atitudes do protagonista, mas também com os atos de outras personagens. 

Mas mesmo assim, eu indico muito a leitura de Crime e Castigo pelo poder da narrativa e a mensagem que ela nos deixa.

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A metamorfose

Capa do livro

Um dos livros mais famosos do autor Franz Kafka, em uma edição publicada pelo Selo Penguin da Editora Companhia das Letras em 2011.

A tradução e comentários foram feitos por Modesto Carone (escritor, tradutor, ficcionista, ensaísta e professor de literatura nas Universidades de Viena, São Paulo e Campinas. Em 2009, ele recebeu o prêmio de ensaio e crítica da Associação Paulista de Críticos de Artes por “Lição de Kafka”.

Confesso que meu enfoque no mês de Janeiro foi somente na leitura de “A Metamorfose”, pois eu tinha curiosidade de ler algo do autor, como também gostaria de uma leitura curta (deu para ler em 01 (um) dia), filosófica e reflexiva (acredito que consegui alcançar o meu objetivo com a escolha desta leitura).

O livro começa com a frase mais impactante que eu li na minha vida de leitora: “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”.

Você pode estar se perguntando, assim que eu me perguntei: Como isso é possível?

Pois é meus amigos, a partir desta afirmação podemos ver que este livro não é um conto de fadas em que o Príncipe que virou sapo pode voltar a ser humano novamente com o beijo de amor verdadeiro, tanto que o próprio narrador, já de imediato acaba com as nossas expectativas quando relata: “Gregor Samsa pergunta: “O que aconteceu comigo? ”, e a resposta é “Não era um sonho””.

Note que, a metamorfose, neste livro, é perturbadora e intranquila como os sonhos de Gregor Samsa, primeiro pela irreversibilidade do fenômeno e da narrativa fluída e natural, por mais estranho que possa parecer, de contar a história, bem como na capacidade de nos colocarmos no lugar da personagem principal.

Aproveitando o gancho para falar da narrativa, a história não é narrada em primeira pessoa, ou seja, por Gregor Samsa, mas em terceira pessoa, por um narrador capaz de entender, de forma subjetiva, os sentimentos e pensamentos de Gregor como um inseto. Neste sentido, Modesto Carone diz que “o narrador se comporta como uma câmera cinematográfica na cabeça do protagonista”.

Sobre a história, Gregor Samsa é um cacheiro-viajante que, com o seu árduo trabalho, sustenta o seu pai falido, sua mãe e sua irmã mais nova. Com a metamorfose, a família se vê obrigada a sair da zona de conforto, proporcionada pelo filho mais velho, e incorporar este fato ao seu cotidiano familiar.

Aqui, com o decorrer da história, nós vemos a narrativa de uma segunda metamorfose – A metamorfose familiar, através do tratamento da família em relação a Gregor como um inseto e o rebaixamento de “ele” – Gregor, com “isso” – Inseto.

Nota-se, portanto, que como inseto, Gregor é inútil a família, já que não pode mais sustentá-la, mas, a metamorfose pode ser considerada uma libertação para a nossa protagonista se vermos a narrativa pela perspectiva da Família como parasita do filho em sua forma humana, bem como do filho em sua forma de inseto como suposto parasita da família Samsa.

Por mais que a história possa parecer maluca, eu recomendo muito a leitura, pois ele te tira do conforto e te faz pensar em nossas atitudes, principalmente quando colocamos uma pessoa, que não nós mesmos, como prioridade.

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Um beijo e até o próximo post!!!

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