Precisamos falar sobre Verity

Capa do livro

Sempre que sai um livro da Colleen Hoover, eu fico como? Ansiosa para devorá-lo.

E, lógico, com Verity, o mais novo livro da autora estaduniense lançado pelo Selo Galera Record, da Editora Record não foi diferente.

A autora é conhecida por escrever romances estilo New Adult e este foi o seu primeiro suspense. 

E, o que eu posso dizer com a conclusão da leitura é que esta mulher pode escrever sobre qualquer gênero, pois ela é sensacional!!

É um suspense contemporâneo, no qual nós vamos adentrar na história de duas escritoras. Verity, uma autora de best sellers que sofre um acidente e está  presa ao seu próprio mundo e Lowen, uma escritora falida, que acabou de perder a mãe e necessita muito de dinheiro para pagar as contas e o aluguel.

Até que um dia, Lowen vê sua sorte mudar (deixo aberto para interpretações se foi sorte ou não), quando lhe é oferecida a proposta de continuar a escrever a série de livros de Verity por sua Editora. 

Nesta oportunidade, ela conhece Jeremy, marido de Verity, que a convida para passar uns dias na casa da família, a fim de obter o material necessário para a continuação da série de livros. Todavia, quanto mais eles se conhecem, mais vontade os dois possuem de ficar juntos.

Durante sua estadia na casa da família, Lowen encontra no escritório de Verity uma autobiografia, na qual vislumbramos uma face sombria da autora, bem como  acontecimentos estranhos se desenvolvem no local e você se questiona sobre o que é ou não real.

Assim como os outros livros que eu li da autora, eu não consegui parar de ler este por um minuto e, no final, você fica se perguntando: Colleen Hoover, o que você fez comigo??

Recomendo demais a leitura de Verity e cito aqui outros livros da autora que eu adorei e também deixo como recomendação:

É assim que acaba

O lado feio do amor

Confesse

A série Hopeless (são dois livros e um spin-off)

Métrica (é uma trilogia, mas eu só li o primeiro)

November 9

Gostou deste livro e quer ajudar o blog a cresce? Compre por este link: https://amzn.to/35vUpZR

 Já leu Verity ou algum dos livros da Colleen Hoover???

Compartilha aqui comigo a sua experiência!!!

Um grande beijo e até o próximo post!!!

A tragédia de Otelo, o mouro de Veneza

Capa do livro no Kindle

Terceiro livro do Projeto Reeducação do Imaginário, e o primeiro livro que eu leio de William Shakespeare e, com a conclusão, eu posso afirmar que fiquei muito feliz em ter adentrado neste universo shakesperiano por esta leitura tão intensa, cheia de inveja, intrigas e vingança.

SOBRE O AUTOR E A OBRA

Cleaning This Portrait Could Change the Way Historians See ...
William Shakespeare

William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, no ano de 1564. A maior parte da sua obra foi produzida em Londres entre os anos de 1590 e 1613.

No caso de Otelo, a peça possui duas possibilidades de data para a sua composição, quais sejam: entre o final de 1601 e 1602 ou como data comumente adotada, 1603 ou 1604.

A obra tem como sua fonte principal, o conto do escritor italiano Giovanni Battista Giraldi Cinthio denominado “Il capitano moro”, publicado em 1565, bem como suas fontes secundárias “The Commonwealth and Government of Venice”, escrito pelo Cardeal Contarino em 1599 e “The Geographical History Of Africa”, escrita por Leão, o Africano em 1600.

A semelhança de Otelo com o conto italiano (fonte principal) advém da narrativa do casamento de jovens com estrangeiros, a prática do homicídio, a amizade do vilão com o protagonista, a fim de induzir o cometimento do crime manipulando com suspeitas acerca da fidelidade da jovem esposa.

Ademais, uma curiosidade em relação a esta peça é que a obra brasileira que mais se assemelha a Otelo é Dom Casmurro de Machado de Assis (Capitu traiu Bentinho?). Inclusive, há uma cena neste livro em que Bentinho vai ao teatro assistir à peça Otelo.

SOBRE A EDIÇÃO

Uma das peças mais famosas de Shakespeare, em uma edição publicada pelo Selo Penguin Companhia, da Editora Companhia das Letras em 2017.

A tradução, introdução e notas foram feitas por Lawrence Flores Pereira (escritor, tradutor, editor da revista acadêmica Philia&Filia e professor da Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul).

Optei pela edição da Companhia das Letras porque eu gostei muito da edição que o Selo Penguin possui de Franz Kafka, tendo em vista que sempre vem acompanhada de notas explicativas que ajudam no entendimento do cenário histórico, social e até mesmo filosófico em que a narrativa se desenvolve.

Logo, como era o meu primeiro contato com a escrita do autor, não pensei duas vezes em adquiri-la pelo Kindle.

O fato de já se ter no início várias informações sobre a história retratada e até mesmo saber o que acontece e como são as personagens, não me incomodou, acredito que até me ajudou a fazer a leitura com um olhar diferente e atento.

Caso este tipo de spoiler te incomode, é só ir diretamente à peça e, após a conclusão, eu recomendo a leitura da introdução e notas que o livro possui.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Foi um dos livros mais intensos que eu já li e um dos mais difíceis na manutenção da imparcialidade, no que tange às suas personagens.

A peça se inicia com um diálogo entre Iago e Rodrigo sobre a nomeação por Otelo de Cássio para tenente, bem como informando a Brabâncio, no meio da noite, que um dos seus bens havia sido roubado (raptado) por Otelo, sendo este bem Desdêmona, sua filha.

Ao se casar com Desdêmona na calada da noite, Otelo enfrenta um julgamento perante o Duque e os senadores, entre os quais Brabâncio, pai de Desdêmona, que o acusa de bruxaria contra a sua filha.

Aqui, eu faço um adendo sobre o crime de bruxaria. Até o século XV e XVI, a bruxaria era vista somente como uma forma de manifestação religiosa. 

Com o advento dos séculos anteriormente mencionados, a bruxaria era vista por um aspecto político, no sentido de quem pratica bruxaria tinha um pacto com o Diabo, logo, era visto como uma traição ao Rei que era ligado a Igreja, razão pela qual a existência do crime de bruxaria e subversão nesta época.

Voltando à peça, Brabâncio não compreende a transformação da filha obediente e honrada em uma jovem que toma decisões por conta própria e escolhe fugir para se unir a Otelo. 

Este relacionamento era inaceitável, pois Otelo é forasteiro, negro e somente um instrumento que Veneza usa para garantir sua beleza e cultura, através das guerras e de sangue.

A peça é rica no seu discurso contra o racismo e xenofobia tendo em vista que Otelo é objeto de zombaria e desrespeito cultural, no qual se associa a cor negra ao mal e mesmo sendo um instrumento do exército não é considerado um veneziano e sim, um forasteiro.

Sobre Desdêmona, a união da mesma com Otelo não se dá só porque ela rejeita a vida doméstica, mas devido ao seu amor genuíno por Otelo que transcende a imagem de ser somente um instrumento de batalha.

Acredito que aí está o grande problema de interpretação entre os protagonistas e até mesmo de suas vulnerabilidades: Otelo não se enxerga da mesma forma que Desdêmona o vê. 

Em razão desta insegurança, a sua interpretação de Desdêmona permeia de uma figura intacta e honrada, para uma mulher que se entrega aos mais inverossímeis desejos obscenos.

Logo, em razão dessa vulnerabilidade e insegurança de Otelo, Iago se aproveita da situação para planejar a sua vingança.

E o que falar sobre Iago,  também conhecido como “O Maquiavel do Palco”??  

Foi um dos vilões mais impactantes e mais interessantes que eu já presenciei na minha vida de leitora e para entender a complexidade desta personagem, cumpre trazer à baila trecho do ensaio de W. H. Auden: 

Não consigo tampouco pensar em outra em que o vilão seja tão completamente triunfante: tudo o que promete fazer, Iago cumpre – e entre suas metas incluo sua autodestruição.

Nota-se, portanto que, a capacidade de Iago de iludir, seduzir, aproximar-se de suas vítimas, infectá-las com suas mentiras e com sua linguagem grosseira e obscena, é testemunho de sua maldade excepcional.

Iago induz Otelo a acreditar que Desdêmona não o ama, tendo em vista a diferença de classes, a sua cor e até mesmo o seu papel de mero instrumento de batalha. 

Diante destes pensamentos, Otelo passar a desconfiar e se afastar de Desdêmona e esta sofre uma mudança comportamental, isto é, passa de uma mulher de iniciativa e personalidade, como a demonstrada durante o julgamento de Otelo perante aos senadores, a uma mulher que é condescendente com as atitudes do marido.

Faço uma ressalva aqui com relação a esta mudança na atitude de Desdêmona, pois o fato de ser condescendente ao comportamento de Otelo não demonstra uma fraqueza da mesma, mas a dificuldade de se mostrar fiel, a dificuldade de provar que de fato tê-lo supostamente o traído com Cássio não ocorreu.

Sobre este sentimento de Otelo, W. H. Auden descreve o seguinte: 

Se Otelo tivesse ciúme apenas dos sentimentos que Desdêmona teria por Cássio, ele seria um homem são e culpado no máximo de falta de confiança na esposa. 

Mas Otelo não é ciumento apenas de sentimentos que talvez existam; ele demanda prova para um ato que não pode ter acontecido, e o efeito sobre ele de acreditar nessa impossibilidade física vai muito além do desejo de matar Desdêmona: não é apenas a sua esposa que o traiu, mas o universo todo; a vida tornou-se sem sentido, sua ocupação se extinguiu.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário,pois trata de racismo, xenofobia, o cometimento do crime passional por Otelo contra Desdêmona (feminicídio).

Ademais, ao chamarmos a peça Otelo de tragédia, pode-se verificar que a ordem foi restaurada no final, mas a restauração neste caso é inútil, pois o que adianta a punição de Iago, se Desdêmona morreu, ou seja, ter a punição do malvado, do injusto é indiferente, já que os justos morreram.

Gostou deste livro e quer ajudar o blog a crescer? Compre por este link: https://amzn.to/2W2DmLS

Já leu este livro? Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

Sobre relacionamentos abusivos

Após assistir “O Homem Invisível”, bem como com o decorrer da minha leitura de Otelo, eu pensei em indicar livros muito bons sobre relacionamentos abusivos que eu já li:

É assim que acaba – Colleen Hoover

Capa do livro publicado pela Editora Record

Li este livro em 2017, no ano de seu lançamento pela Editora Record, sendo este o meu primeiro contato com a autora.

Lembro até hoje desta história que mostrou como a pessoa que nós amamos é capaz de nos magoar e nos ferir da forma mais violenta. 

A escrita da autora é tão tocante e tão real que foi capaz de me mostrar que não podemos simplesmente julgar os outros, pois o julgamento é fácil, o difícil é termos coragem para vivenciar a situação e agir diante do desafio. 

Ao mesmo tempo a história fala sobre amizade, sobre a capacidade de recomeçarmos e de sermos merecedores de uma nova chance para a felicidade. 

A nota da autora no final do livro me levou às lágrimas, razão pela qual, eu recomendo muito a leitura!

Sorrisos quebrados – Sofia Silva

Capa do livro publicado pela Editora Valentina

Li este livro também em 2017, após o término da leitura de “É assim que acaba”, e diferentemente do livro escrito pelo Collen Hoover, a autora portuguesa Sofia Silva inicia o narrativa de uma forma impactante, factível e cruel.

Ao decorrer da leitura, nós acompanhamos nossa protagonista em busca de um recomeço, repleto de aprendizados, principalmente no desenvolvimento da sua confiança nas outras pessoas e em si mesma.

A escrita da autora é ótima, muito fluída e carregada no drama, mas com personagens fortes e cativantes, motivo pelo qual, eu recomendo este livro!

Teto para dois – Beth O’Leary

Capa do livro publicado pela Editora Intrínseca

Li este livro no ano passado (2019) e dentre os três, é que trata o tema relacionamento abusivo de forma mais branda, pois não é o foco principal da narrativa, mas a forma que a autora inglesa tratou do tema foi sensível e delicada através de personagens extremamente cativantes e atuais, por isso a recomendação!

Por fim, eu saliento que este post não tem como intuito romantizar um tema tão presente em vários lares brasileiros, bem como em outros países, mas de abrir os olhos e mostrar que relacionamentos abusivos existem, são cruéis e até mesmos fatais.

Hoje, nossa sociedade está amparada por Delegacias da Mulher, Varas especializadas em violência doméstica, Ministério Público, Defensoria Pública, ONG’s e disque denúncia:

poster com dicas de como denunciar violência doméstica
Crédito da imagem: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Caso você conheça alguém ou você está vivendo um relacionamento abusivo, procure ajuda, não se prenda a dependência financeira, a ilusão que de que pessoa possa mudar ou aos filhos em comum. 

A sua vida e a vidas das pessoas próximas a você valem muito!!

Gostou destes livros e quer ajudar o blog a crescer? Então, compre por estes links:

É assim que acaba: https://amzn.to/2SxLPED

Sorrisos quebrados: https://amzn.to/2Yu0Wmd

Teto para dois: https://amzn.to/3c3y4Fd

Um beijo e até o próximo post!!

O Homem Invisível

Capa do livro

É o primeiro livro que eu leio do autor Hebert George Wells, mais conhecido como H.G. Wells e meu interesse pela leitura desse clássico da ficção científica, se deu por causa do lançamento do filme “O Homem Invisível” este ano.

Eu sei que a história deste novo filme é uma adaptação do livro para um novo contexto, qual seja, sobre relações abusivas, mas mesmo assim, eu fiquei muito curiosa com a história, razão pela qual, eu escolhi o livro publicado pela editora Zahar em 2017 para realizar a minha leitura.

Acredito que a minha curiosidade, bem como a de todas as pessoas, nas mais diversas situações é a seguinte: O que faríamos se pudéssemos ser invisíveis?

Bom, hipóteses a parte, o que o homem invisível da história busca com tal característica é a impunidade, como eu te mostro a seguir.

A narrativa se passa na Inglaterra, iniciando-se em uma hospedaria denominada Coach and Horses na cidadezinha de Iping (sim, esta cidade existe, sendo esta uma das características da escrita do autor, qual seja, usar lugares que existem e pessoas comuns para dar maior credibilidade a história), em um dia de inverno, onde um peculiar visitante resolve se hospedar.

Por que tal visitante é peculiar? Bom, as roupas utilizadas, principalmente, o chapéu, os óculos enormes e redondos e o nariz…sim…o nariz, são totalmente exagerados, além da bandagem cobrindo todo o rosto:

Resultado de imagem para o homem invisivel
Cena do filme O Homem Invisível de 1933

Nota-se que até então, não sabemos o nome desta pessoa (só iremos descobrir no Capítulo 17), nem o motivo pelo qual tal homem se veste e age de forma tão estranha e macabra.

Com o desenrolar da história, a curiosidade sobre a invisibilidade vai aumentando e o autor vai nos dando pistas de que tal homem, na verdade, é um cientista que descobriu como ficar invisível, mas que não sabe como reverter a experiência, e seus recursos financeiros vão acabando e a reversibilidade da invisibilidade ficando cada vez mais distante, sendo sua fuga para a cidadezinha campestre sua última tentativa de voltar a ser enxergado pelos demais.

Além desta curiosidade nata, no que tange a origem da invisibilidade, nós vamos percebendo que, tal característica não é tão vantajosa para o nosso protagonista, pois o mesmo possui um comportamento e hábitos muito pitorescos para passar despercebido pelos cidadãos de Iping.

A maldade, a loucura e a sensação de impunidade vão crescendo e aterrorizando as pessoas em todos os lugares em que homem invisível passa, todavia, em um determinado momento da história, as coisas para o nosso protagonista começam a ficar cada vez mais difíceis, restando somente para ele arcar com as consequências de seus atos e com seu inevitável desfecho.

Além de todo o cenário que uma boa história de ficção científica deve ter, o livro também aborda temas como solidão, incompreensão e escolhas, sejam elas boas ou ruins.

Ademais, este livro conta com diversas adaptações cinematográficas, dentre elas uma das mais fiéis lançada em 1933 (essa eu ainda não consegui assistir) e a mais recente lançada em 2020, cujo filme, como dito no início da minha resenha, me deu a curiosidade para ler o livro.

Resultado de imagem para o homem invisivel
Filme de 2020 – Fonte da imagem: Universal Pictures

Assisti o filme recentemente, antes da suspensão de funcionamento dos cinemas, devido a proliferação da COVID-19, logo, eu não sei quando a situação irá se normalizar (espero que em breve!!) ou se este filme estará em cartaz novamente.

De qualquer forma, de comum com o livro, o filme tem somente o nome, mas como relatado na apresentação do livro da Editora Zahar escrita pelo editor e tradutor Thiago Lins: É justamente pela riqueza do tema e pelas muitas possibilidades de abordagem e de interpretação que O Homem Invisível se mantém vivo e atual mais de um século após sua publicação. 

Achei o roteiro foi muito bem desenvolvido, muito atual com o tema (relações abusivas) e eficiente. As atuações, principalmente da Elizabeth Moss, são muito boas e o filme foi capaz de prender a minha atenção do início ao fim, razão pela qual, eu o recomendo.

Gostou deste livro e quer ajudar o blog a crescer? Compre por este link: https://amzn.to/3b12Tct

Já leu este livro? Ou já assistiu o filme de 1933 ou o recentemente lançado?

 Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

Coração das trevas

Capa do livro

Segundo livro lido do projeto reeducação do imaginário e meta literária de Janeiro cumprida com sucesso!

CURIOSIDADES SOBRE O AUTOR E SOBRE O LIVRO 

Joseph Conrad

Józef Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski, conhecido como Joseph Conrad nasceu em 1857 na Ucrânia. Ficou órfão ao 11 anos e foi criado pelo seu tio até o seus 16 anos. 

Nesta idade, Conrad viajou para a França, ocasião em que deu seus primeiros passos na Marinha. Após várias tentativas, ele conseguiu a sua aprovação como capitão da Marinha Mercante Inglesa, tendo em 1886 recebido a sua nacionalidade britânica.

Em 1894, Joseph Conrad resolveu deixar de lado a carreira na Marinha e passou a se dedicar à escrita e à literatura. Devido às viagens que realizou durante o seu tempo na Marinha, ele conseguiu colecionar várias histórias acerca do tema, entre elas o livro “O Coração das Trevas”. 

No que tange ao seu estilo de escrita, Conrad compunha suas personagens muitas vezes em locais isolados da sociedade e que eram submetidas a situações extremas, como é o caso do protagonista Marlow, em “O Coração das Trevas”. 

O livro “O Coração das Trevas” serviu de inspiração no cinema, através do filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, em 1979.

Joseph Conrad faleceu na Inglaterra, no dia 3 de agosto de 1924.

SOBRE A EDIÇÃO

Eu li este livro pelo Kindle, através da edição publicada em 2019 pela Editora Antofágica.

A edição contém ilustrações de Claudio Dantas, tradução de José Rubens Siqueira e apresentação da obra por Felipe Nobre Figueiredo:

Ilustrações do livro

Ao final da leitura de “O coração das trevas”, nós encontramos comentários feitos por  Christian Ingo Lenz Dunker e por Ana Maria Bahiana.

MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E INDICAÇÃO DESTE LIVRO PARA O PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

Como dito anteriormente, a história de vida de Joseph Conrad é muito interessante, pois devido a seu trabalho na Marinha, o mesmo viajou para diversos lugares e abraçou a Inglaterra como sua terra devido sua história na Marinha Inglesa, época em que aprendeu a língua brilhantemente.

O livro é de uma honestidade abissal, pois a impressão que passa, inicialmente, é que a história é uma defesa do projeto civilizatório do Imperialismo Britânico.

A narrativa é feita pelo Capitão Marlow (alter ego do autor) a um grupo de marinheiros, no qual espera que tal grupo obtenha algum tipo de aprendizado com sua experiência.

Inicia-se com a trajetória de Marlow indo aos escritórios do Congo Belga em Bruxelas procurar algum emprego na África. Aqui, eu faço um destaque a cena de entrada no escritório, em que o autor descreve a burocracia do Império. 

E, no entanto, Marlow não se acanha com isso e quer de fato trabalhar na África, pois está convencido que tal projeto imperialista busca a civilização para os povos menos civilizados.

Ao chegar na África, o que Marlow vê não é exatamente um projeto civilizatório, mas sim, a exploração econômica mais desumana, devido às condições da população local.

As descrições são muito realistas, no sentido de que, ao chegar no Congo Belga, Marlow descreve as pessoas como se elas fossem feitas somente de pele e osso, chegando até a se indagar se, de fato, eram pessoas ou não:

“Vi o demônio da violência, o demônio da cobiça, o demônio do desejo ardente; mas, por todas a estrelas!, eram demônios fortes, luxurioso, de olhos vermelhos, que influenciavam e conduziam os homens – homens, digo. “

Diante desta primeira decepção, Marlow se questiona sobre seu papel ali, até receber a notícia de que há um agente do Império, chamado Kurtz, que tem um posto altamente lucrativo com a extração de marfim, mas ao mesmo tempo adorado pelo povo africano.

Logo, Marlow vê nessa figura uma combinação que é aquela que ele vinha buscar, qual seja, a junção de civilização e dinheiro. 

A partir daí a história irá narrar a aventura de Marlow subindo o Congo atrás de Kurtz. No meio da viagem há ataque de indígenas, fugas, mudanças súbitas de cenário, visão enevoada, todos os elementos contidos em um livro de aventura marítima.

Ao chegar no local em que Kurtz está, Marlow o indaga sobre como ele conseguiu unir em um projeto dinheiro e civilização e a única resposta que obtém e a célebre frase da literatura “Oh horror…Oh horror” pronunciada por Kurtz pouco ante de cair morto.

Assim, após toda a frustração da viagem, Marlow vai embora sem ter a chave de seu enigma. 

Nota-se, portanto, que o interesse extraordinário do livro é que a busca pela união de dinheiro e civilização é uma farsa inexplicável (através da metáfora luz e escuridão, que dá nome ao livro “Coração das trevas”), o que o torna, mesmo tendo sido publicado no final do século XIX, uma história atemporal.

Por fim, com a conclusão da leitura, eu pude ver a importância da indicação deste livro ao Projeto Reeducação do Imaginário, pois ele traz em seu bojo temas como dinheiro, ganância, ambição desenfreada através do poder devido a um cargo ou exercido em nome de alguém e as consequências do uso destes mecanismos que só pode ser traduzida na palavra horror.

Gostou deste livro e quer ajudar o blog a crescer? Compre por este link: https://amzn.to/2VYOVDE

Já leu este livro? Se sim, compartilha aqui nos comentários o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

Crime e Castigo

Em 2020 eu dou início ao Projeto Reeducação do Imaginário com a leitura do primeiro livro da lista, qual seja Crime e Castigo, do autor Fiódor Dostoiévski.

CURIOSIDADES SOBRE O AUTOR E SOBRE O LIVRO

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nasceu em Moscou no ano de 1821, filho de um médico militar e de uma dona de casa que, desde de novo, o autor e seus irmãos foi incentivados pelos pais ao estudo da literatura.

Formou-se em Engenharia pela Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo e, após a conclusão do curso, Dostoiévski iniciou o seu trabalho como escritor de romances filosóficos e psicológicos, bem como editor em revistas próprias e participação ativa na política.

Em abril de 1849, Dostoiéviski foi preso sob a acusação de conspiração em face do Czar Russo Nicolau I, ocasião em que foi sentenciado a morte e, posteriormente teve a pena convertida para oito anos de trabalhos forçados a ser cumprida na Sibéria.

Foi na prisão da Sibéria que Dostoiévski sofreu seu primeiro ataque de epilepsia, enfermidade que o acompanhou até o seu falecimento em janeiro de 1881. Tal doença também atinge várias de suas personagens, como o Príncipe Míchkin de O Idiota, Kiríllov de Os Demônios e Smerdiákov de Os Irmãos Karamazov

No que tange ao livro Crime e Castigo, a história teve como inspiração o homicídio de um agiota e seu empregado visando o roubo de sua residência, cometido por um estudante chamado A.M. Danilov em 12 de janeiro de 1866. A história teve seus primeiros dois capítulos foram publicados em 1865 pelo periódico “O Mensageiro Russo”, obtendo um grande sucesso de crítica.

SOBRE A EDIÇÃO

A edição que eu possuo foi publicada pela Editora Martin Claret em 2004, no qual faz parte da Coleção Obra Prima de Cada Autor:

Capa do livro
Contracapa do livro

Por ser uma edição, que na época, tinha como intuito ter um preço acessível e em formato de bolso, a diagramação não tem espaçamento, as páginas são brancas, mas não impediu de realizar a leitura a contento:

Sobre a edição

Ademais, não levei em conta a acentuação, tendo em vista que a publicação deste livro foi anterior ao Acordo Ortográfico de 2009. 

SOBRE A MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA E A INDICAÇÃO DESTE LIVRO NO PROJETO REEDUCAÇÃO DO IMAGINÁRIO

ATENÇÃO: ALERTA DE SPOILER

A história é muito realista (Dostoiéviski pertence ao período do Realismo na Literatura), logo, eu li a obra intercalando com outras leituras de temáticas diferentes, pois houve momentos que, apesar da escrita ser muito fluída, os temas eram pesados e acredito que eu teria desistido do livro se tentasse lê-lo de uma só vez.

A história se passa durante o Império Russo e retrata a vida de Rodion Românovitch Raskólnikov, um estudante que comete um duplo assassinato e após a execução do crime se vê atordoado por seus próprios atos.

Conforme a leitura foi avançando, eu ia me sentindo cúmplice de Raskólnikov em seus pensamentos, em seus devaneios, em suas mudanças de humor e no fato de não conseguir confessar a execução do crime.

Também senti raiva, pois Raskólnikov é prepotente, julgador, dono da razão e covarde ao ponto de deixar pessoas inocentes responderem pelo o ato em seu lugar. 

Achei a cena da confissão à Sônia, sobre a autoria do crime, muito comovente e factível, como se o fardo de Raskólnikov fosse tirado também de mim e contado à uma personagem que é retratada com a pureza do amor cristão:

“Vai agora, neste instante, pára em um cruzamento, inclina-te, beija a terra, que tu profanaste, e depois faz uma reverência a todo este mundo, em todas as direções que quiseres, e diz a todos, em voz alta: ‘Eu matei!’”

Nota-se, portanto, que a escolha de Crime e Castigo como primeiro livro da lista do Projeto Reeducação do Imaginário é totalmente compreensível, pois trata de temas como culpa, arrependimento e redenção de uma forma muito realista e tocante.

Vemos, através da narrativa, como a ganância, a cobiça e a ambição, sem medição das consequências, é capaz de cegar o homem e levá-lo a cometer um ato tão bárbaro como o homicídio.

Ademais, a dificuldade de confessar o cometimento do ato ilícito e de se redimir é um caminho tortuoso para o criminoso, mas ao realizá-lo, de forma verdadeira, é capaz de mudar a visão do indivíduo sobre ele mesmo e de todos ao seu redor:

“Na noite do mesmo dia, quando o quartel já estava fechado, Raskólnikov, deitado na tarimba, pensava nela [Sônia]. Nesse dia até lhe pareceu que todos os galés, antes seus inimigos, já o olhavam de modo diferente. Ele mesmo começou a conversar com eles, e lhe respondiam de modo carinhoso. Agora ele se lembrava disso com esforço, mas era assim que devia ser: acaso tudo não devia mudar agora?”

“Raskólnikov abre o Evangelho, de que até então apenas escarnecera. Mas, pensando em Sônia, para quem aquele era o único livro sobre a terra, ele pergunta-se: “Será que agora as convicções dela podem não ser também as minhas convicções? Os seus sentimentos, as suas aspirações, ao menos…”

É um livro difícil de ser lido devido ao peso da culpa que você carrega juntamente com o protagonista, o fato de retirá-lo de sua zona de conforto não só com as atitudes do protagonista, mas também com os atos de outras personagens. 

Mas mesmo assim, eu indico muito a leitura de Crime e Castigo pelo poder da narrativa e a mensagem que ela nos deixa.

Gostou deste livro e quer ajudar o blog a crescer? Compre por este link: https://amzn.to/2xwvhFy

Já leu este livro? Se positivo, comenta aqui o que você achou!

Um grande beijo e até o próximo post!!

A metamorfose

Capa do livro

Um dos livros mais famosos do autor Franz Kafka, em uma edição publicada pelo Selo Penguin da Editora Companhia das Letras em 2011.

A tradução e comentários foram feitos por Modesto Carone (escritor, tradutor, ficcionista, ensaísta e professor de literatura nas Universidades de Viena, São Paulo e Campinas. Em 2009, ele recebeu o prêmio de ensaio e crítica da Associação Paulista de Críticos de Artes por “Lição de Kafka”.

Confesso que meu enfoque no mês de Janeiro foi somente na leitura de “A Metamorfose”, pois eu tinha curiosidade de ler algo do autor, como também gostaria de uma leitura curta (deu para ler em 01 (um) dia), filosófica e reflexiva (acredito que consegui alcançar o meu objetivo com a escolha desta leitura).

O livro começa com a frase mais impactante que eu li na minha vida de leitora: “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”.

Você pode estar se perguntando, assim que eu me perguntei: Como isso é possível?

Pois é meus amigos, a partir desta afirmação podemos ver que este livro não é um conto de fadas em que o Príncipe que virou sapo pode voltar a ser humano novamente com o beijo de amor verdadeiro, tanto que o próprio narrador, já de imediato acaba com as nossas expectativas quando relata: “Gregor Samsa pergunta: “O que aconteceu comigo? ”, e a resposta é “Não era um sonho””.

Note que, a metamorfose, neste livro, é perturbadora e intranquila como os sonhos de Gregor Samsa, primeiro pela irreversibilidade do fenômeno e da narrativa fluída e natural, por mais estranho que possa parecer, de contar a história, bem como na capacidade de nos colocarmos no lugar da personagem principal.

Aproveitando o gancho para falar da narrativa, a história não é narrada em primeira pessoa, ou seja, por Gregor Samsa, mas em terceira pessoa, por um narrador capaz de entender, de forma subjetiva, os sentimentos e pensamentos de Gregor como um inseto. Neste sentido, Modesto Carone diz que “o narrador se comporta como uma câmera cinematográfica na cabeça do protagonista”.

Sobre a história, Gregor Samsa é um cacheiro-viajante que, com o seu árduo trabalho, sustenta o seu pai falido, sua mãe e sua irmã mais nova. Com a metamorfose, a família se vê obrigada a sair da zona de conforto, proporcionada pelo filho mais velho, e incorporar este fato ao seu cotidiano familiar.

Aqui, com o decorrer da história, nós vemos a narrativa de uma segunda metamorfose – A metamorfose familiar, através do tratamento da família em relação a Gregor como um inseto e o rebaixamento de “ele” – Gregor, com “isso” – Inseto.

Nota-se, portanto, que como inseto, Gregor é inútil a família, já que não pode mais sustentá-la, mas, a metamorfose pode ser considerada uma libertação para a nossa protagonista se vermos a narrativa pela perspectiva da Família como parasita do filho em sua forma humana, bem como do filho em sua forma de inseto como suposto parasita da família Samsa.

Por mais que a história possa parecer maluca, eu recomendo muito a leitura, pois ele te tira do conforto e te faz pensar em nossas atitudes, principalmente quando colocamos uma pessoa, que não nós mesmos, como prioridade.

Gostou deste livro e quer ajudar o blog a crescer? Compre por este link: https://amzn.to/2VZI1hi

Um beijo e até o próximo post!!!

Meta literária de Janeiro de 2020

E mais um novo ano chegou e não podia faltar uma nova meta literária né?!?!

Para este mês, eu  estabeleci como objetivo a finalização e início de duas leituras do Projeto Reeducação do Imaginário, bem como uma leitura curtinha, mas bem filosófica:

A finalização do primeiro livro do projeto: Como dito no post referente às metas literárias de Dezembro, um dos livros escolhidos foi Crime e Castigo, que terá resenha em breve no blog. É o meu primeiro contato com a literatura russa e fiquei feliz por ter escolhido este autor com uma genialidade e fluidez tão ímpar como Fiódor Dostoiévski:

Capa do livro publicado pela Editora Martin Claret

O início do segundo livro do projeto: Continuando a meta de leitura de livros clássicos, o próximo da lista será Coração das Trevas, de Joseph Conrad. Estou namorando faz tempo a edição publicada pela Editora Antofágica em 2019, vamos ver se eu consigo adquiri-la (#viralogofaturadocartãodecrédito):

Capa do livro publicado pelo Editora Antofágica

E, uma leitura filosófica: Como para este ano eu quero mais leituras ricas em ensinamentos, eu escolhi o livro Metamorfose de Franz Kafka, que será lido no Kindle (presentão de Natal do maridão!), através da edição publicada pela Penguin Companhia:

Capa do livro publicado pela Penguin Companhia

E aí, você já estabeleceu a sua meta literária deste mês? 

Já leu algum destes livros?

Deixa o seu comentário por aqui!

Um grande beijo e até o próximo post!!

Projeto “Reeducação do Imaginário”

Um novo ano já está aí na nossa porta e com ele novos sonhos, novos projetos e recomeços!

Para mim, um dos projetos de leitura que eu pensei para o ano de 2020 foi inspirado no maravilhoso trabalho do Juiz Márcio Umberto Bragaglia da Vara Criminal de Joaçaba – Santa Catarina denominado “Reeducação do Imaginário”. (a entrevista é longa, mas vale muito a pena!!!)

Tal projeto tem como instrumento o uso da leitura de seletos livros (lista abaixo), acompanhados de dicionários, para a remição da pena dos presos em até 4 dias por cada obra lida.

Com exceção dos presos temporários, tal projeto se aplica aos demais apenados que se inscrevem no programa de forma voluntária. 

Os livros são adquiridos através de acordos firmados com o Ministério Público que revertem a pena a infratores que cometeram crimes de menor potencial ofensivo, no qual é determinado a compra de uma quantidade dos livros abaixo mencionados.

Além do mais, a proposta é uma tentativa corajosa de incentivar o uso deste poderoso instrumento, que é o livro, para ajudar na formação do caráter ou até mesmo na ressocialização desses indivíduos:

 A seleção das obras se dá, (…), com base no encadeamento de temáticas relevantes aos objetivos do projeto: culpa e arrependimento, escolhas e consequências, responsabilidade pessoal, aprimoramento da percepção (inclusive de questões transcendentais), reflexão sobre a dor e sofrimento causado e suportado, fardos, preço e valor da liberdade. (Márcio Umberto Bragaglia, Mídia sem Máscara, 2013)

O que é mais cativante neste projeto e o que o torna digno de divulgação é o fato de não bastar somente o preso ler o que lhe é determinado, mas também entender e saber explicar o que foi compreendido com a leitura.

Ademais, para que ocorra a remição da pena, é necessário a realização de entrevistas feitas no presídio pelo Juiz,  por seus assistentes e acompanhadas de perto pelo Ministério Público, OAB e Defensoria Pública. 

Logo, me inspirando neste trabalho ímpar e exemplar, eu tracei como meta a leitura dos livros indicados pelo Juiz Marcio Bragaglia, sendo estes:

Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski

Coração das Trevas – Joseph Conrad

Othello – William Shakespeare

Moby Dick – Herman Mellville

O Vermelho e o Negro – Stendhal

A Montanha Mágica – Thomas Mann

Paraíso Perdido – John Milton

Macbeth – William Shakespeare

A Morte de Ivan Ilitch – Leon Tolstói

O Senhor dos Anéis – J.R.R. Tokien

Grandes Esperanças – Charles Dickiens

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Ficções – José Luis Borges

Dom Quixote – Miguel Cervantes

Os noivos – Alessandro Manzoni

Os anos de aprendizado de Wihelm Meister – Goethe

Contos completos – Flannery O’Connor

Os demônios – Fiódor Dostoiévski

Demian – Herman Hesse

O médico e o monstro – Robert Loius Stevenson

As crônicas de Nárnia – C.S. Lewis

Divina Comédia – Dante Alighieri

Confissões – Santo Agostinho

Diário de um pároco de aldeia – Georges Bernanos

O homem sem qualidades – Robert Musil

A estrada – Cormac MacCarthy

E com este post, eu me despeço de 2019 repleta de boas leituras feitas no decorrer deste ano e a espera de 2020 com mais livros surpreendentes e capazes de mudar a forma que enxergamos o mundo!!

Quer ter como meta literária algum destes livros? 

Já leu algum livro desta lista e quer compartilhar a sua experiência? 

Deixe o seu comentário!!!


Um grande beijo e até o primeiro de muitos posts do ano que vem!!

Um Cântico de Natal e outras histórias – Parte I

Ah…o Natal…Amo esta época do ano, pois as pessoas ficam mais gentis umas com as outras, representa um período de união e renovação da nossa fé, independente da crença, e renovação da fé em nós mesmos, pois mesmo no final de mais um ano, nós recarregamos as nossas energias, fazemos um balanço de nossas metas cumpridas ou não, e nos enchemos de esperanças para o começo de mais um ciclo!!

E nada melhor do que ler histórias que representam tudo isso e muito mais, como este maravilhoso livro de contos escritos por Charles Dickens e publicado com primor pela editora Martin Claret neste ano!

O livro possui uma apresentação escrita por Sandra Sirangelo Maggio, professora de literatura inglesa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que nos conta em detalhes sobre a vida pessoal de Charles Dickens e sobre a escrita do autor.

Ademais, traz em seu bojo um dos mais famosos contos do escritor que é “Um Conto de Natal ou Um Cântico de Natal” e outros contos menos conhecidos, mas ricos em ensinamentos e reflexões sobre esta época do ano que são:

Festas de Natal:

Um conto bem curtinho que retrata muito bem a reunião familiar tanto na ceia de Natal quanto o almoço do dia 25 e organizado pelos avós na casa do Tio George.

Aqui trago uma citação deste conto que consegue refletir muito bem o espírito desta época do ano:

Nada, então, de reservar o mais alegre dos trezentos e sessenta e cinco dias para as tristes recordações; puxe a cadeira para mais perto da lareira acesa – encha o copo e cante uma sonora canção – e, se sua sala for menor do que a de uns doze anos atrás, ou se o seu copo estiver cheio de um poche malcheiroso, em vez de vinho espumante, encare tudo com bom humor e o esvazie de uma vez e encha outro e solte a voz na canção que você costumava cantar, e dê graças a Deus porque as coisas não vão ainda pior.

A história dos duendes que raptaram um coveiro:

Conta a história de Gabriel Grub, um homem que trabalhava como sacristão e coveiro em um cemitério. Por ser carrancudo e não se dar bem com ninguém (somente consigo mesmo e sua garrafa de vime abastecida com Gim holandês), ele não gosta do Natal, bem como dos sentimentos e ações que esta época do ano despertar nas pessoas.

Logo, ao chegar no cemitério para continuar se trabalho em um túmulo inacabado, Gabriel ouviu uma voz, que de inicio achou que era um eco, até se depara com uma figura estranha e sobrenatural, tendo em vista que suas pernas eram longas, seus braços musculosos e usava uma capa e um chapéu pontudo. Tal figura era um duende que não conseguia entender o motivo pelo qual Gabriel estava em um cemitério na noite de Natal.

A cada pergunta feita pelo duende ao coveiro, o coro invisível pronunciava seu nome “Gabriel Grub”. O homem não entendia o que queriam com ele, já que nem o conheciam. Mas é aí que Gabriel se engana, pois os duendes sabiam muito bem que ele era e como se comportava com os outros nesta época do ano.

Gabriel tentou ir embora, mas o cemitério ficou repleto de duendes. O cérebro do coveiro girava e suas pernas fraquejavam, enquanto os espíritos voavam ante os seus olhos. Neste momento, o rei dos duendes, tomou Gabriel pelo colarinho e afundou com ele terra adentro até chegarem a uma caverna repleta de mais duendes.

Neste lugar, o coveiro foi submetido a alguns cenários que tinham como objetivo ensinar algumas lições a Gabriel, como a história de homens que davam duro no trabalho e lutavam para garantir comida para a sua subsistência e eram muito felizes, a natureza como fonte inesgotável de contentamento e de paz.

E, acima de tudo, viu homens como ele, que resmungavam da alegria dos outros, como ervas daninhas que infestam a superfície da terra, mas que ao final conseguiram chegar a conclusão de que com o bem e o mal existentes no mundo, ele ainda era um lugar decente e respeitável.

Com este último cenário, Gabriel adormeceu e ao acordar estava de volta ao cemitério. Ficou em dúvida sobre se o que tinha lhe acontecido era verdadeiro. Todavia, independente de sua crença, ele já era outro homem. Tanto era, que abandonou a cidade e só retornou a ela dez anos depois.

A própria conclusão do autor com este conto foi a seguinte: “se um homem se aborrecer e se embebedar sozinho na noite de Natal, ele pode ter certeza de não melhorar em nada com isso, mesmo que as bebidas (ou os espíritos) sejam tão boas ou até absolutamente confiáveis, com as que Gabriel Grub viu na caverna do duende.”

Um cântico de Natal:

O meu conto favorito desde o filme “Os fantasmas de Scrooge” produzido pela Disney e lançado em 2009:

Imagens – Disney Pictures

Narra a história de Ebenezer Scrooge, um senhor ranzinza, avarento e que odeia o Natal, mas que, nesta época do ano recebe a visita de três fantasmas que o farão refletir e rever o seu conceito acerca deste dia tão especial!!

Os contos abaixo, eu não consegui lê-los, mas já fica como meta para Dezembro de 2020:

Um episódio de natal de “O relógio do Senhor Humphrey”

O homem possessivo e o pacto com o fantasma

Uma árvore de Natal

O que é o Natal quando ficamos velhos

Os sete viajantes pobres

Como eu havia dito anteriormente, a Editora Martin Claret arrasou na edição deste livro que foi pensado com muita delicadeza e com muito respeito a temática de Natal:

Capa do livro
Contracapa do livro
A edição de Natal mais fofa que eu já vi!!

Cumpre ainda salientar que, o livro conta com várias ilustrações, e particularmente em “ Cântico de Natal”, os desenhos foram feitos  pelo inglês John Leech:

Ilustração de “Um Cântico de Natal” feita por John Leech

Por fim, eu desejo a todos um Natal repleto de harmonia, união, felicidade e de muita festa com todos os seus amigos e familiares!!

Caso você queira adquirir este livro e ajudar o blog a crescer, compre por este link: https://amzn.to/2VZFVxW


Um grande beijo e até o  último post do ano!!

%d blogueiros gostam disto: